23 Aug 2017, 12:33 am

Belphegor Em Entrevista Exclusiva


Superação através do Horror

Por Marcos Franke
Fotos Andre Smirnoff

A banda austríaca Belphegor vem ao Brasil para alguns shows e apresentará aos seus fãs sua mais nova e talvez mais forte formação até hoje. Conversamos com Helmuth, o líder da banda, sobre o álbum Conjuring the Dead (2014), o futuro da banda e sua experiência de quase morte após contrair uma doença após excessos na América do Sul e como a música o ajudou a combater esta fase negra em sua vida.

Vocês estão vindo para o Brasil para uma nova turnê. Como está a sua saúde?

Helmuth – Salve. Eu tive uma infecção na laringe seguido por uma cirurgia do coração, sim. Eu fiz escolhas ruins ao beber água de um hotel na América Latina alguns anos atrás e acabei adquirindo tífus. Eu fui alcoólatra, e bem… eu paguei o preço quase perdendo a minha vida. Eu estou bem agora. Eu estou feliz que eu posso tocar minha guitarra com a minha banda. É uma sensação incrível e sou muito agradecido por isto. Demorei dez meses para retornar e poder tocar novamente. Os primeiros meses após a cirurgia foram difíceis. Eu sempre fui muito ativo minha vida toda, treinei, fiz tudo o que foi proibido – muitas memórias de excessos em minha mente. Poderia preencher livros. O pior foi que eu não podia tocar música e eu nunca tive um intervalo tão longo de não poder tocar a guitarra. Isto foi frustrante novamente, pois nem sabia que eu teria tantas limitações. Eu odiava ficar parado, mas logo percebi que não poderia vencer corridas com apenas três rodas, então eu tive que esperar e o tempo passou tão lentamente. Mas como diz a nossa faixa do álbum Blood Magick Necromance (2001),  Rise to Fall and Fall to Rise (N.T.: Subir para Cair, Cair para Subir). O importante é que BELPHEGOR está de volta e consistentemente destruindo o Mundo como um tanque de guerra.

Já se passaram três anos desde o último lançamento Conjuring the Dead (2014). Como foi a resposta para este álbum até agora?

Helmuth – Erik Rutan fez um trabalho incrível como produtor e forjou para nós uma muralha de som brutal. Eu queria uma aproximação ao Death Metal com este álbum. Queria que ele fosse mais cru e perverso, mas contendo a nossa assinatura. O conceito do álbum foi inspirada em minha dança com a morte e na decadência da Humanidade. Um monte de coisa perigosa está acontecendo agora no planeta. O tempo está se esgotando. Nós sempre fizemos as nossas coisas. Por isso que sobrevivemos tanto tempo e ainda lançamos música brutal. Em cada álbum experimentamos, adicionamos novos elementos/estruturas, trabalhamos com diferentes músicos e produtores sempre trazendo novas idéias de sangue. Algumas pessoas gostam e sempre recebem positivamente. Outras odeiam ou não entendem e até se ofendem pelo que fazemos – o que eu até entendo. Progresso é experimentação e melhora. A resposta que tivemos para os arranjos ao vivo tem sido entusiasmo maníaco. O retorno dos fãs tem sido ótimo também. A gente totalmente agradece o apoio.

Sua música é incrível, mas também amo as capas de seus álbuns. Como vocês chegam nas idéias e designs para as capas para cada álbum?

Helmuth – É tudo o que me influencia, tudo que eu observo neste Mundo doente e bizarro. Viajar o Mundo e encontrar pessoas insanas e únicas – você sabe que loucura é necessária para fazer a arte verdadeira – desde a leitura de livros á filmes de terror. Livros que realmente influenciaram BELPHEGOR no início até hoje é tudo sobre necromancia, ocultismo, canibalismo e claro tudo o que lida com o demônio e o que é blasfemo. Particularmente as obras do Marquês de Sade a quem a gente dedicou Bondage Goat Zombie (2008) e também fizemos uma homenagem com aquele brilhante e perturbado álbum chamado Blutsabbath (1997). Estas visões do abismo foram a inspiração para a arte. As imagens que aparecem para mim enquanto leio, olho para o Mundo ou espontaneamente pego idéias de outra Dimensão são inspirações também.

O que é importante para você no quesito arte de capa dos seus álbuns?

Helmuth – Precisa ser perverso, encaixar no blasfemo e, é claro, preciso ser esteticamente majestoso como nossos arranjos. Música é sempre número um e está acima de tudo. Mas como eu disse, vejo o álbum como um todo e a arte reflete a composição inteira. A arte tem que ser impactante, provocativa, envolvente, amedrontadora até. A mesma coisa que a música, ela precisa provocar o estado mental de forma intensa, bizarra ou que seja. É olhar para a capa de nosso álbum e saberá sobre o que é nosso som.

Há planos ou material pronto para um novo álbum? Você pode nos contar um pouco sobre o futuro da banda?

Helmuth – Nós estamos gravando o ainda sem título álbum. Baixo e bateria já estão finalizados e soa brutalmente brilhante. As guitarras rítmicas estão prontas e eu tenho trabalhado nos overdubs estes dias. É um ótimo desafio e um prazer ser produtivo. Estamos totalmente focados neste novo álbum que será lançado em Setembro, seguida por uma turnê Mundial. É claro que estamos fazendo alguns shows e após a turnê na América Latina voltaremos aos estúdios e retomaremos com os vocais e as guitarras principais. Lançaremos informações sobre título, produtor e alguns trailers e trechos do novo álbum nos próximos meses. O fogo está queimando!

BELPHEGOR é uma banda que já tem um tempo de estrada. Você sente ou acha que a atitude em relação ao fazer música mudou nestes anos e se desenvolveu para uma direção?

Helmuth – Nós somos músicos muito melhores hoje em dia e a gente realmente tenta melhorar as nossas habilidades ainda mais a cada lançamento. BELPHEGOR é uma banda baseada no riff e sempre tocamos o mais intenso Death Metal. Se você achou Conjuring the Dead brutal, você vai amar o novo álbum ainda sem título, por que nós temos a melhor line up até agora e estas nove composições são muito mais pesadas, mais técnicas e cheias de brutalidade do que os últimos álbuns que lançamos. Nós também afinamos a guitarra ainda mais pra baixo. Este é meu trabalho mais extremo e mais agressivo até agora. Nós estamos loucos para finalmente lançar este monstro para as massas. Música ou vamos a chamar de Arte precisa geralmente excitar, incitar, provocar e não te acalmar. Este trabalho vai alcançar isto ao extremo.

Conjuring the Dead (2014) já é o quinto lançamento do BELPHEGOR com a Nuclear Blast. Como você se sente trabalhando com eles há tanto tempo?

É ótimo poder ir a um estúdio bom. Eles apóiam a gente como banda para que possamos destruir o Mundo e nos desenvolvermos a cada lançamento, tentando sempre passar o limite. Vamos ver o que o futuro ainda promete. Eu invisto cada centavo do selo num álbum novo, ás vezes até mais para tirar o melhor proveito. Nossos fãs merecem apenas o melhor. Claro, a gente se satisfaz primeiro, mas é ótimo ter um bom retorno e pessoas amando o que fazemos, ou pelo menos entendendo/respeitando o que fazemos com o BELPHEGOR. A legacia você sabe…

Acho que o BELPHEGOR veio ao Brasil pela última vez em 2009 com o Obituary. O que você lembra deste show?

Helmuth – Errado. Nós também fizemos turnê aí em 2011 quando eu adquiri a doença e no final de 2014 quando fizemos seis shows, estou certo? Acredito que esta será a quinta ou até sexta turnê Latino Amricana. Tumba Produções nos convidou pela primeira vez. Estamos muito curiosos sobre como a resposta para estes shows será, pois será nossa primeira turnê com a nova e melhor formação da banda até agora. Espero que todas as pessoas do Metal venham ao show nesta turnê que tem 12 datas agendadas em toda América Latina. O povo na América Latina é louco cara. Tanto entusiasmo, que adoramos tocar pra vocês, seus maníacos!

O que vocês estão planejando tocar e colocar no setlist desta vez? Vocês vão incluir músicas mais antigas desta vez?

Helmuth – Lançamos dez álbuns e um 11 está no forno e será lançado em Setembro deste ano. Nós temos muitas músicas que pessoas querem ouvir, mas não podemos tocar duas horas. Nossos colegas de som sempre estão super exaustos, pois sempre escolhemos as músicas mais rápidas e explosivas para os fãs. Mas sempre incluímos algumas músicas mais velhas. Nós focamos naquilo que é novo e fresco para nós, pois apenas estamos tocando há duas décadas. Tem sido excitante para nós também, se isto vai invocar e entusiasmar as pessoas. Então trocamos o setlist obviamente. Nós por exemplo colocamos a música Diaboli Virtus In Lumbar Est (N.T.: do álbum Lucifer Incestus (2003)) de volta ao setlist.

Muito obrigado pelo seu tempo. Deixe sua mensagem aos fãs do Brasil.

Muito obrigado pelo espaço! Saudações aos nossos fãs que virão para a cerimônia, comprem as nossas mercadorias e espalhem a praga. Nós nos veremos na turnê em Fevereiro/Março – este horror.

Interview · News

Postado em fevereiro 18th, 2017 @ 10:10 | 620 views
–> –>


Notícias mais lidas
«
»