4 Jun 2020, 2:29 am

Classic Mosh: Uriah Heep – Demon And Wizard



Confira abaixo mais uma resenha do Fanzine Mosh avaliando um grande clássico.

por Emerson Mello

Demon and Wizards é o quarto álbum de estúdio do Uriah Heep, lançado em 19 de maio 1972, sendo um dos maiores sucessos comerciais da banda, vendendo 06 milhões de cópias ao redor do mundo, atingindo o 20º nas paradas do Reino Unido, 23º nos EUA e um honroso 1º na Finlândia permanecendo no topo das paradas por 14 semanas.

Os singles do álbum foram The Wizard e Easy Livin’, uma escolha mais do que acertada, pois estas duas músicas realmente são o melhor cartão de visitas do álbum.

O álbum foi gravado entre Abril e Maio de 1972 no Lansdowne Studios em Londres, aonde o Heep já tinha gravado os três álbuns anteriores e também por onde passaram nomes como Rod Stewart, Sex Pistols, Georgie (banda de Brian Johnson que depois integraria o AC/DC) e Queen, aonde foi gravado o clássico ‘The Night of the Opera’. Mais tarde também passariam Bruce Dickinson com o álbum Skunkworks e Charlie Watts(Rolling Stone). Infelizmente o estúdio encerrou as atividades em 2006.

A produção ficou a cargo de Gerry Bron, que também trabalhou com Motorhead, Manfred Mann, Girlschool, The Damned, Colosseum e outros. Bron é considerado a pessoa que descobriu o Heep e os levou para a Bronze Records, gravadora fundada por ele. Foi de Bron a idéia de batizar o nome da banda como Uriah Heep, que era um nome da personagem da novela ‘David Copperfield’ de Charles Dickens, pois até então a banda usava o nome Spice.

Outro detalhe interessante é a bela capa feita pelo artista Roger Dean, a esta altura já famoso pelas capas do Yes.  Dean também fez outros trabalhos para a banda aonde podemos destacar a capa de ‘Magician Brithday’ e ‘Sea of Light’ além de artes para DVD.

Considero este álbum o melhor do Uriah Heep e um dos maiores álbuns de Rock de todos os tempos. Aqui a banda atingiu todo seu ápice criativo e uma grande maturidade em composições e arranjos além de ter aqui, na minha opinião, o melhor line up da história da banda, que contava o trio base da banda David Byron(vocais), Mick Box(guitarra) e Ken Hensley (teclados,guitarras e vocais). Ainda somam o time o baterista Lee Kerslake e o baixista neozelandês Gary Thain, que infelizmente morreu precocemente vítima de um acidente com seu instrumento. Hensley declarou que aqui a banda estava focada o tempo todo e todos seguindo em um mesmo objetivo, e que foi uma combinação perfeita entre todos os membros que colocaram muita energia e entusiasmo no álbum. O resultado não poderia ter sido outro senão este álbum maravilhoso.

Demon and Wizards é daqueles álbuns que te prendem do início ao fim, conseguindo manter a atenção do ouvinte a cada segundo de música. Abrindo com o clássico instantâneo ‘The Wizard’ a viagem só está começando. A música abre o álbum de forma mais calma, numa pegada mais folk com violão de aço narrando um encontro com um mago. Hensley disse que teve a idéia da música em um sonho. A música traz todo um mundo de fantasia, típico das letras de Hensley e que combina perfeitamente com as artes de Roger Dean.

Seguindo temos ‘Traveller in Time’,a única em que Hensley não aparece como compositor,sendo ele o principal compositor da banda. Ela começa um riff de guitarra poderoso de Box e faz contraponto com os vocais melódicos de Byron. ‘Easy Livin’ , talvez o maior clássico da banda, é vigorosa com uma levada marcante e pulsante da bateria de Kerslake e com o baixo de Gary Thain aonde os backing vocais são marcantes. Hensley conta que escreveu a música em aproximadamente 15 minutos e é sobre a forma como as pessoas vêem a vida dos músicos, como se fosse uma “Vida Fácil”.

Poet’s Justice mantém a atenção com uma levada mid tempo e uma letra enigmática. “Circle of Hands” pra mim uma das maiores canções da banda, uma das melhores letras de Hensley e uma das melhores interpretações de Byron. “And today it’s only yesterday tomorrow”. Na versão vinil está fecha o que seria o lado A. 

Estrategicamente abrindo o Lado B a temos densa Rainbow Demon, assim o Lado A abre com ‘Wizards’ e B com “Demon” formando assim o conceito do álbum. Aqui o hammond de Hensley mantém um clima denso como um mantra, enquanto Byron faz uma variação em sua interpretação cantando este início de forma soturna. Mais uma vez mergulhamos no mundo de fantasia proposto por Hensley: “There rides the rainbow demon/on his horse of crimson fire/Black shadows are following closely”. Seguindo o Lado B temos a música mais despretensiosa do album, “All My Life”, um Rock básico e gostoso de se ouvir.

Fechando o álbum temos a obra-prima Paradise/The Spell aonde a banda passeia pelo acústico, Hard e o Progressivo com desenvoltura mostrando todo o seu potencial. E impressiona como as letras de Hensley combinam perfeitamente com o vocal de Byron, que teve aqui uma interpretação fantástica nesta música, assim como a performance de toda a banda. Fecha assim de forma maravilhosa este play que considera a obra-prima definitiva do Uriah Heep.

Como curiosidade vale a pena conhecer as versões remasterizadas com bônus que foram lançadas. Em 1996 a Castle lançou uma versão com 03 bônus tendo a música ‘Why”,que foi o lado B do single em uma versão editada e outra versão extented. Na versão extented podemos conferir o talento de Gary Thain,com um solo de baixo fantástico. ‘Home Again to You’ aparece como sobra de estúdio.

Em 2003 foi lançada outra versão com 05 músicas, sendo a já citada ‘Why’,uma versão editada de ‘Rainbow Demon’, ‘Home Again to You’  em versão demo,mais ‘Proud Words” que acabou ficando de fora do disco ‘Green Eye’ em versão. Para os fãs do Heep sempre vale a pena correr atrás e conhecer este material.

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Postado em maio 11th, 2020 @ 13:13 | 175 views
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