6 Aug 2020, 11:29 pm

Classic Mosh: Mutantes – Tudo Foi Feito Pelo Sol


por Emerson Mello

Este é o álbum que divide a carreira da banda e também divide seus fãs. Os fãs de Rita Lee e da fase tropicalista acusaram a banda de ter virado um mero pastiche de Yes. A forma conturbada em que se deu a saída de Rita aumentou ainda mais a tensão.  Depois da saída de Rita eles gravaram O A e o Z”, em 1973 que já dá uma grande guinada no direcionamento musical, o que deixou agravadora Pollydor com a pulga atrás da orelha, achando o disco “muito difícil” e encerrou o contrato com a banda.

Pra complicar ainda mais,houve uma debanda geral dos músicos ficando somente Sérgio Dias, que precisa remontar o time inteiro. O guitarrista teve que amargar também a saída de Liminha, que foi co-autor de diversas músicas do álbum. Sem gravadora e sem banda a sorte não parecia ajudar, mas Sergio Dias consegue fechar o time com Túlio Mourão comandando os teclados (piano, Hammond e Minimoog), Antônio Pedro no baixo e Rui Motta na bateria. Faltava agora a gravadora. Ai é que entra a ajuda de um garoto carioca de 16 anos, que ficaria famoso com o nome artístico de Cazuza. Cazuza (cujo pai João Araújo era executivo da Som Livre) convenceu o pai a contratá-los e “Tudo Foi Feito Pelo Sol” foi o primeiro álbum da banda pela Som Livre.

O direcionamento musical mais progressivo trouxe outros fãs e fez deste álbum o melhor sucedido da banda em termos de vendas e também a maior turnê com shows disputados pelo País.

Musicalmente o álbum segue a linha dos ícones do Rock Progressivo inglês como Yes e Genesis com músicas mais longas e passagens instrumentais mais intrincadas. A exceção a regra é “O Contrário de Nada é Nada”, um Rock’n’Roll básico e bem humorado que virou um hit instantâneo do álbum.

A música de abertura “Deixa Um Pouco de Água Entrar no Quintal” já mostra que a banda não está pra brincadeira, com instrumental bem intricado comandada pela guitarra de Sérgio Dias fazendo contraponto ao Hammond de Túlio Mourão, que também faz um excelente trabalho ao piano no arranjo desta música. A letra meio enigmática evoca o nome da banda: “Quanta coisa de errado eu já fiz/tudo está guardado em algum lugar/já é hora de equilibrar/Mutação!”. Sérgio mostra sua habilitada também nos vocais. Seguindo o disco com “Pitágoras”, música instrumental composta por Túlio Mourão, que faz uma bela seqüência de acordes enquanto Sérgio Dias cria um clima viajante na guitarra com bastante delay. A bateria de Rui Motta vai crescendo numa marcação bem percussiva até culminar com a entrada de toda a banda. Percebe-se uma forte influência de Emerson Lake and Palmer, principalmente na parte de piano da segunda parte. Sem dúvida esta música é um dos pontos altos do álbum.

“Quem sabe se é hoje o dia de desanuviar?”. Primeira parte da música mais lenta e envolve e o clima muda na segunda parte com um instrumental mais denso que “sugere” uma tempestade pra depois voltar na calmaria.  Mostrando o lado mais Rock da banda temos “Eu Só Penso em te Ajudar” com um riff de guitarra marcante. Em “Cidadão da Terra” o baixo de Antônio Pedro dá um tom e Túlio Mourão faz uma bela cama no Hammond. Fechando temos a música título aonde Sérgio Dias mostra sua habilidade na guitarra num belo solo fechando com chave de ouro este grande clássico. Sem dúvidas um álbum atemporal que cresce mais a cada audição.

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Postado em julho 18th, 2020 @ 11:11 | 214 views
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