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5 Dec 2022, 8:23 pm

Mosh Classics: Steeler, um LP perdido e memórias rascunhadas


por Marcelo Souza

Falar especificamente deste álbum, é refletir sobre um metal “farofa” feito numa época de transição do NWOBHM com o Thrash/Speed Metal, o que provavelmente não teve a devida divulgação merecida, a não ser tempos depois pelo reconhecimento do mago Yngwie Malmsteen com seus então 17 anos na gravação.

Steeler foi formada em Nashville, Tennessee nos primórdios de 1981 pelo vocalista e guitarrista Ron Keel, que tinha  Michael Dunigan na guitarra solo, Robert Eva na bateria e Tim Morrison no baixo para posteriormente se mudarem para Los Angeles (CA). Em 1982, o grupo lançou seu primeiro single, “Cold Day In Hell”, ainda com Bobby Eva na bateria. Pouco tempo depois, ele foi substituído pelo baterista Mark Edwards onde posteriormente Morrison e Dunigan também saíram da banda, sendo substituídos, respectivamente, por Rik Fox e por Yngwie Malmsteen. Lembrando que o início dos anos 80 foi um fervor de selos independentes, onde costumeiramente faziam prensagens iniciais de 1000 bolachas. Este foi gravado pela Shrapinel Records. Lembrando que depois da banda não engrenar, Ron Keel fez Carrera solo com seu nome (banda Keel), Malmsteen foi para a Banda Alkatrazz e depois carreira solo com a Rising Forces, Rik Fox tocou com Wasp, Warlod e Hellion entre outros (porém não gravou nada com as últimas duas) e Mark Edward sofreu um sério acidente de MotoCross em 1989 e virou executivo, não sem antes tocar um algumas bandas irrelevantes e temáticas de anime.

Esse disco tem a música “Hot On Yours Heels” (6:35min), em que Malmsteen inicia com um violão flamenco e suas vertentes do dedilhado de Paco de Lucia, que emenda sua vigorosa guitarra com distorções fazendo qualquer um fechar os olhos e tocar sua air guitar, onde por cerca de 3:37 minutos mostra toda técnica aliada aos aparatos de efeitos musicais para então ser emendado com o hard rock de primeira alocado ao vocal Power Metal de Keel. As outras músicas são do estilo “glam metal” de qualidade com os mesmos temperos de Ratt, Dokken e bandas do gênero, mas a música em si, que conheci no Programa “Guitarras” da extinta rádio Fluminense FM 94,9 Mhz do Rio de Janeiro já vale para o colecionador.

Conto aqui uma sina sobre como consegui e perdi esse disco. Como apreciador do rock progressivo, tinha o disco “In a Glass House” da banda Gentle Giant, que não era um suprassumo para mim, apesar de ser raro e com uma capa maravilhosa para os tempos e, resolvi colocar anúncio para troca e um cara me ofereceu, à minha exigência, o “Kill em All” do Metallica, que por aqui já fazia burburinho e tinha uma versão pirata tosca feita por paulistas. Só me pediu um tempo porque quem trazia para ele era uma aeromoça (naquela época as capas dos discos eram picotadas (as emblemáticas lojas cariocas em Copacabana, Bilboard e Modern Sound que o digam) e os preços exorbitantes chegando a valer quase dez vezes o preço de um LP nacional. Assim ao menos chegava com capa intacta. Eis que o cara me ligou dizendo que um maluco fez uma oferta irrecusável para ele dando uma grana maior do que pagou e ainda oferecendo um disco. Fiquei p. da vida, respirei fundo e resolvi perguntar qual disco era, onde disse Steeler. Novo silêncio meu, já que friamente lembrei que poderia ser do homônimo alemão e perguntei ao cidadão para ele me informar o nome do guitarrista: Yngwie Malmsteen. Como bom jogador de pôker, disse que era um disco de metal farofa e que tinha uma música só, mas que eu poderia ficar se ele me desse uma grana a mais.

E assim se foi! Na época pesquisei e somente 3 pessoas no RJ (incluindo eu), tinham esse disco independente que acredito das primeiras prensagens de 1000 unidades, pois foi nessa época do lançamento. Daí como bom roqueiro que gostava de compartilhar conhecimento com outros que insinuavam gostar de rock, mesmo que não fervorosos, emprestei a um amigo da faculdade que era um roqueiro playboy, maconheiro, criado com a galera do Barão Vermelho (mais precisamente com tecladista Maurício), mas gente boníssima. O cidadão achou muito pesado, mesmo com a linha dele sendo AC/DC e Van Halen. Tempos depois o primeiro disco do Rising Forces foi lançado no Brasil e disse para ele comprar (era filhinho de papai Analista de Sistemas e eu mero estudante sem trabalhar), que se não gostasse eu compraria dele. Comprou e adorou onde prontamente o chamei de corno, pois o disco que tinha emprestado outrora era com esse guitarrista. Então me pediu emprestado novamente. Ia de bus para a faculdade, com dinheiro certinho pro transporte e no intervalo comer um hambúrguer e Coca-Cola, daí pressenti que o bus seria roubado por conta da senhora sentada à minha frente olhar assustada ao ver elementos adentrarem no veículo e eu vestia calça do exército com bolsos laterais, onde joguei carteira no chão e fiquei com o disco no colo (pensando que não o daria de jeito nenhum ao fdp).

Quando o cara veio recolher os pertences (com um marginal armado no fundo e outro na frente do veículo), puxei o relógio banhado em ouro que ganhei aos 8 anos, porém pequeno e, sem olhar pro cara disse que só tinha isso, enquanto ele escalpelava a mulher que estava ao meu lado, daí com braço esticado por uns 20 segundos, coloquei de novo no meu pulso, não sem antes olhar pro cara (suicide rocker). Resumindo: só eu e a senhora que pressentiu o assalto e colocou seu relógio dentro do sutiã não fomos roubados. Emprestado o disco e passado uns dois meses veio a embromação de devolver. Resultado, o corno deixou no carro, pegou sol, empenou e ainda quebraram o vidro dele e roubaram disco, toca-fitas e outros pertences. Levei a criança na Modern Sound e comprou para mim o disco “Heavy Metal Maniac” dos canadenses Exciter, que tenho até hoje.

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Postado em julho 8th, 2022 @ 16:33 | 1.545 views
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