28 May 2017, 4:35 pm

Dream Theater em São Paulo foi um convite para outra realidade


Dream Theater@ Espaço das Américas, São Paulo – 22.06.2016

Texto e Fotos: Marcos Franke

O Dream Theater retornou à cidade da garoa para divulgar o elogiado The Astonishing, um dos álbuns definidos por muitos como um retorno a magia deixada para trás após o lançamento do grande clássico Metropolis Pt.2: Scenes of a Memory. Com uma configuração totalmente diferente da convencional, o Espaço das Américas escolheu cadeiras para acomodar o público, ansioso para ver um dos melhores lançamentos da banda tocado na íntegra. Com um atraso de meia hora, o Dream Theater inicia seu show ás 21h30.

Com um palco todo temático, inspirado na história contada no álbum, bandeiras dos clãs GNEA e Ravenskill e postes de luz antigos fazem contraste com a tecnologia do fundo do palco. Com o escurecer das luzes, somos recepcionados pelos NOMACs, os mascotes e a razão pelo colapso do Mundo futuro retratado pela banda em The Astonishing, pois são a única fonte de música que pode ser ouvida. Eles, pelo ponto de vista da banda, são uma inteligência artificial que automatiza a cacofonia sem alma. Em entrevistas recentes de John Petrucci, a banda pretende explorar mais estas criaturas em uma futura novelização de suas músicas. A história atual no entanto é mais direcionada aos personagens Humanos e suas lutas internas/externas.

A expectativa para The Astonishing se concretiza e público é levado para outra dimensão através da música e temática do álbum novo.

O show foi longo. Foram aproximadamente três horas de muita música e tivemos direito a um intervalo entre os dois atos do álbum. Para muitos fãs, o fim do show foi o fim do primeiro ato, pois muitos ficaram com medo de ficar sem o serviço do metrô. Mas os que assistiram ao primeiro ato testemunharam grandes momentos como a carro chefe do álbum “The Gift of Music” e a maravilhosa “The Answer”, que quase acústica é acompanhada pelo teclado de Jordan Rudess e pelo violão de John Petrucci, além da incrível voz de James Labrie – na minha opinião um dos momentos mais lindos e harmônicos do show. Em “Lord Nafaryus” percebe-se claramente que a competência de Mike Mangini nas baquetas é desafiada, variando de estilos na música inteira – impressionante. The Astonshing tem baladas muito boas como “A Savior In The Square”, outro momento muito belo do primeiro ato com Petrucci tocando sua guitarra com muita alma, sem ser desafiado – os momentos mais belos do guitarrista em ação emendada com “When Your Time Has Come” – que prova que a banda precisa deixar de querer mostrar que é técnica e deixar fluir mais a grande habilidade de criar melodias.

A influência que o palco e as imagens do fundo trazem para a música é simplesmente incrível. Os momentos pesados ficaram com “Three Days” e “A Life Left Behind”. Com poucos momentos de agito, o primeiro ato passou meio que sem muito retorno do público, que mais estava extasiado com os grandes momentos de viagem musical com “Ravenskill, Chosen” e “A Tempting Offer” – que em raros momentos mostrou Petrucci preocupado em agitar o público, que estava em catarse absorvendo a quantidade absurda de informação vinda do palco. Tratando-se de um trabalho ainda recente, era o que o público podia fazer. O primeiro ato termina com músicas pesadas – as incríveis “A New Beginning” e “The Road to Revolution”, com grandes interpretações de John Myung e Mike Mangini.

2º ATO
O segundo ato do show se inicia após um intervalo de 15 – 20 minutos. Mais uma vez somos brindados com os Nomacs, com o público retornando ao Mundo de luta entre clãs e o amor entre duas pessoas. “Moment of Betrayal” é um dos momentos mais incríveis, deixando os que continuam no show perplexos com a técnica de John Myung no baixo, que acompanha com uma aparente facilidade a velocidade da bateria e da harmonia de John Petrucci. Impressionante. Com “Begin Again”, a banda retoma a melodia acústica que acompanha o álbum inteiro, deixando-a ainda mais bela com a grande interação Jordan Rudess e Petrucci. O peso retorna em “The Path That Divides” e possui o seu ápice em “The Walking Shadow”, que até possui uns gritos ousados de Labrie, que dramatiza assim a morte de um dos personagens da trama retratada no painel dos fundos.

Percebe-se que agora que o ápice toma conta com “My Last Farewell”, com interpretações incríveis de Myung, Petrucci, Mangini e Labrie. O clima fica mais triste com as lentas “Losing Faythe” e “Whispers On The Wind”. A banda retoma o clima mais feliz com “Hymn of a Thousand Voices” com uma das melhores interpretações de James Labrie na noite. Com “Our New World” a banda termina seu segundo ato e retorna para o bis com a última música do álbum The Astonishing, chamada “Astonishing”, que encerra o show reprisando a melodia principal do álbum – que momento belo foi este. Esta noite foi uma experiência que pode sim ser retratada como um teatro dos sonhos – que nós possamos testemunhar mais momentos como estes e sonhar com uma das bandas mais incríveis da atualidade. Bravo!

Mosh Live

Postado em julho 4th, 2016 @ 22:06 | 342 views
–> –>


Notícias mais lidas
«
»