24 Jun 2019, 1:13 pm

Entrevista Com A Banda Suffocation


Por Henrique de Paula

Na ativa desde 1988, a banda de Long Island, Nova York, Suffocation, passa pelo Brasil em junho para divulgar seu último álbum “…Of The Dark Light”, lançado na metade de 2017. Ao lado do Atheist, os americanos farão sua apresentação em São Paulo no Backstage Hall, dia 20 de junho, em evento da Dark Dimensions. O lineup atual da banda inclui Terrance Hobbs e Charlie Errigo nas guitarras, Eric Morotti na bateria, e Derek Boyer no baixo. Com oito álbuns completos de estúdio, os americanos ocupam o nobre rol dos nomes consagrados do death metal mundial, vivendo atualmente um momento crucial de sua carreira com a saída definitiva de um de seus membros fundadores, o vocalista Frank Mullen. Confira abaixo a conversa da Fanzine Mosh com o baixista Derek Boyer, que integra a banda desde 2004. 

Suffocation em foto de 2017 retirada do site da Nuclear Blast. Crédito do fotógrafo não disponível.

O Suffocation mudou de formação várias vezes, mas as trocas de integrantes parecem não ter nunca alterado a essência musical do grupo. Um disco do Suffocation é sempre um disco do Suffocation, não importa quem esteja lá tocando. Quando precisam escolher um músico para substituir alguém que está deixando a banda, vocês pensam em pessoas que serão a substituição perfeita, aquele indivíduo que já está pronto para o cargo, ou pensam antes nas qualidades individuais do músico e o próprio processo de composições, ensaios e shows vai lentamente tornando o músico aquilo que o Suffocation precisa?


Derek Boyer: Ao escolher um novo membro depois da partida de outro, muitos fatores entram em jogo. Nós examinamos vários candidatos para a posição, depois reduzimos para apenas alguns deles e os comunicamos para ver quem pensamos que pode ser o melhor. Eles precisam tocar bem, serem pessoas legais, e estarem prontos para a estrada. Há muitas pessoas por aí que podem ir bem em estúdio ou em uma sala de ensaio, mas quando se trata de fazer trinta ou quarenta shows em seguida, sem dias de descanso, é preciso uma pessoa especial para preencher a posição.

A pergunta anterior foi feita justamente, porque com a saída do eterno Frank Mullen, o Suffocation enfrentará um grande desafio, pois não somente perde um de seus membros fundadores, mas uma das vozes mais identificáveis do death metal. Ricky Myers, seu substituto, no momento, nasceu para o cargo?


Derek Boyer : Nós sabíamos, quando Frank estava partindo, que precisaríamos de uma pessoa especial para ocupar seu lugar. Nós tentamos vários vocalistas ao longo dos anos. Ricky era um grande amigo da banda (eu o conheço desde que éramos adolescentes), então quando ele se inscreveu para o cargo nós nos surpreendemos!!! Ele se juntou à banda e realizou uma tonelada de shows conosco, depois deu um tempo, e então retornou ainda melhor do que antes. Ricky estava efetivamente concentrado e constantemente melhorando, além de ser o que chamamos de um “lifer”, ou seja, alguém que não está dentro apenas por um curto prazo. Ele não vai se opor a uma turnê ou recuar diante de nada, ele está totalmente comprometido e esta é uma das muitas qualidades que precisamos em um membro do SUFFOCATION.

O último álbum “…Of The Dark Light” tem excelentes qualidades musicais, isto é inegável. Mas a arte da capa para mim, pessoalmente, se destaca como a melhor que a banda já utilizou. Ela tem algum significado pessoal para vocês? Quem a produziu e qual é a ideia por trás dela?


Derek Boyer: Bem, obrigado por todas as palavras gentis! O conceito da arte foi uma criação minha; uma vez que eu escrevo a maioria das letras, ele teve um significado especial para mim. Eu tive a visão e contatei Colin Marks. Colin e eu fomos e voltamos (bastante) até alcançarmos um ponto em que eu acreditei que havíamos atingido o alvo.

Capa do último álbum do Suffocation intitulado “…Of The Dark Light”.

Vocês já trabalham neste momento no sucessor do grande álbum “…Of The Dark Light”? Vocês, por acaso, deixaram algumas músicas compostas foram do álbum e que serão utilizadas no futuro?


Derek Boyer: Sim, eu tenho a maior parte do conteúdo para um outro álbum. No que diz respeito à música, porém, nós mal começamos a escrever nosso próximo disco. É difícil alguém escrever quando se faz tantas turnês quanto nós. Eu acredito que nossas turnês extensivas são a razão de tanto tempo se passar entre os nossos álbuns.

Vocês refletem sobre a sua própria evolução musical? Como avaliam o lugar de “…Of The Dark Light”, último álbum da banda, em sua discografia?


Derek Boyer: Eu acho que refletimos inconscientemente sobre nossos lançamentos. Mas não estou certo se o coloco acima ou abaixo de outros. Há coisas de que realmente gosto neste álbum, e há coisas que eu gostaria que tivessem saído diferente. Ninguém é individualmente o único responsável por como um álbum do SUFFOCATION resulta, então você faz o melhor que pode e o que sai no final é sempre um mistério.

Sabemos que hoje as bandas não podem mais ganhar a vida com seus discos porque eles são rapidamente disponibilizados na internet e a maioria das pessoas prefere fazer downloads ilegais das músicas. Os malefícios disso para os músicos me parece um tópico esgotado. Será que não podemos pensar também no lado positivo disto aos músicos? Pois agora eles somente lançam um disco quando este é realmente bom o suficiente para vir à luz, sem pressão das gravadoras, sem a preocupação de fazer um som mais comercial para conquistar novos fãs. O que acham disso?


Derek Boyer: Sim, os downloads ilegais arruinaram o ganhar a vida com a venda de álbuns. O lado positivo para a música com a internet, em minha opinião, é que as bandas podem fazer sua música chegar a mais pessoas mais facilmente do que antes. De todo modo, já aconteceu e não há nada que você possa fazer. Você precisa escrever e tocar para si mesmo, e se alguma coisa boa resultar disto, esta é a sua satisfação.

Sempre que ouço alguns dos primeiros álbuns de death metal, aqueles feitos no final dos anos 80 e início dos anos 90, consigo identificar algumas excelentes ideias que acabaram sendo enterradas na produção do disco. Vocês acreditam que a tecnologia, de um modo geral, e as próprias técnicas de produção desenvolvidas ao longo dos anos, ajudaram o death metal a se desenvolver como um gênero?


Derek Boyer: Sim e não. É claro que as produções de hoje são cristalinas e você poderia considerar que todo músico é fantástico, mas este é o problema com as gravações de hoje. Antigamente você precisava dominar sua performance, e hoje em dia você pode editá-la até não aguentar mais, e refazer algo mil vezes até que você chegue perto de editá-lo à perfeição. Então, não, eu acho que as técnicas modernas de gravação trapaceiam um pouco no death metal, porque as bandas estão lançando coisas que elas não podem realmente tocar ao vivo, ou então (como eu vi recentemente) a banda traz trilhas de fundo [“backing tracks”] para as coisas que ela não consegue fazer ao vivo. Insano!

O Suffocation sempre foi uma banda muito apegada a sua fórmula, algo que os fãs reconhecem e agradecem. O que acham do desenvolvimento dos subestilos dentro do gênero do death metal? Vocês apreciam, porém, o que novas bandas estão fazendo com os chamados symphonic death metal, ou o progressive death metal?


Derek Boyer: Eu sou capaz de apreciar todos estes gêneros derivados. Pessoalmente, eu prefiro o death metal old school e o death metal técnico e brutal em relação a todos os outros estilos que foram gerados.

Quais são as memórias que vocês guardam de suas últimas passagens pelo Brasil? O que esperam de seu retorno ao nosso país neste mês de junho?


Derek Boyer: Eu tenho a memória de shows matadores, de pessoas ótimas, e de palcos calorosos!!! Eu espero muito mais destas mesmas experiências em nossa passagem em junho. Estamos realmente animados para isso!!!

Os shows da banda em sua turnê latino-americana focarão nas canções do último álbum, ou podemos esperar ouvir muitos grandes clássicos do Suffocation?


Derek Boyer: Nós traremos os clássicos (velhos, mas bons) e um pouco do material novo. Nós sempre tentamos inserir uma canção nova ou duas para que não seja chato para os fãs que costumam nos ver sempre. Não podemos ficar tocando apenas as mesmas canções, pois pode ficar chato para nós mesmos também.

Passando tanto tempo juntos na estrada, quais são seus passatempos prediletos? Há espaço na vida de vocês para algum hobby? Conseguem se dedicar a outras coisas, ou a música consome todo o seu tempo?


Derek Boyer: Sim, nós temos um pouco de tempo livre na estrada entre os shows, mas geralmente este tempo livre é usado para se recuperar do massacre da noite anterior. Há muita bebedeira e cigarro (e outras merdas) que continuam até tarde nas horas da manhã, então uma boa parte do tempo livre é usado para dormir. Nem sempre foi assim, mas estou descrevendo a formação atual. Estes caras são maníacos! (risos) Nós nos divertimos…

Vocês costumam ouvir o que os seus pares de antigamente estão lançando? Ouviram, por exemplo, os últimos álbuns de Obituary e Cannibal Corpse? Ainda existe camaradagem e amizade entre as antigas bandas americanas de death metal, ou hoje em dia cada uma foca em sua vida e carreira?


Derek Boyer: Nós somos grandes amigos de todas as bandas de death metal antigas! Eu pessoalmente não sento para escutar todas estas bandas como antigamente, mas nós sempre nos comunicamos e saímos juntos nos shows. Nós amamos estas bandas e isso nunca irá mudar! É tão bom saber que todo mundo ainda está mandando ver! Fazendo o que eles sempre fizeram!

Por fim, deixem uma mensagem aos leitores de nosso fanzine e fãs da banda.


Derek Boyer: Com certeza! Esperamos ansiosamente para descer até a América do Sul e destruir nestes shows e encontrar com todos vocês maníacos!!!! A América Latina domina!!!! Nós nunca experimentamos nada mais intenso do que com vocês aí!!! Shows e pessoas incríveis! Encontraremos todos em breve!!!

As bandas Suffocation e Atheist se apresentarão em São Paulo no dia 20/06 durante a Latin American Tour. O evento é uma produção da Dark Dimensions.

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Postado em junho 1st, 2019 @ 09:57 | 137 views
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