21 Nov 2018, 10:55 am

Entrevista Com A Banda Valveline


Banda sorocabana de stoner rock se apresentará no Fábrica Festival

Na ativa desde 2011, a notável banda sorocabana de stoner rock Valveline é hoje formada por Heitor Rosa (vocal), Marcelo Betti (guitarra), Theo Queiroz (bateria) e Hugo Ferraz (baixo). Amplamente reconhecida por sua qualidade e garra em Sorocaba e região, seus principais trabalhos de estúdio até o momento são os EPs “The Final March” de 2011 e o premiado “Raise Your Gun” de 2013, além de um novo single que já circula acompanhado de algumas canções gravadas ao vivo.  Contando, além disso, com diversos clipes no YouTube, a banda é vencedora de diversos prêmios de concursos e acumula ainda significativa experiência em festivais. O próximo grande marco da história da banda é a participação no Fábrica Festival, a ser realizado em Sorocaba em dezembro deste ano, onde irá figurar ao lado de diversas atrações nacionais e internacionais importantes, como os grupos Nenhum de Nós, Plebe Rude, Soul Asylum e Information Society. Sobre todos estes assuntos e outros conversamos com Marcelo Betti e Heitor Rosa. Confira a seguir!

Por Henrique de Paula

A banda Valveline inscreve seu som no gênero do Stoner Rock. De fato, estão presentes em sua sonoridade o peso e a cadência do estilo, além da referência aos medalhões do rock setentista. Mas há também momentos de muita agressividade e uma atitude que a aproximam do hard rock e do metal. Para além de tudo isso, os arranjos e a produção conferem bastante modernidade ao som do grupo. Parece-lhes justa esta descrição? Ela corresponde à maneira como concebem sua música, seus objetivos artísticos e também suas influências?

Marcelo Betti: Se você concluiu dessa forma, ficamos felizes, pois estamos alcançando nosso objetivo. O rock/metal é muito diversificado e seria muito difícil não apreciar tantas bandas boas que existiram e ainda existem. Adoramos aquele peso lento e cadenciado que é a hora em que nós e o público temos a chance de encher novamente os pulmões de ar. Depois, vem a pancadaria agressiva para gastar toda a energia recarregada.

Parece-me que esta sonoridade abrangente da banda abre bastante as portas para suas apresentações, uma vez que ela pode ser escalada para tocar ao lado de grupos de diversos gêneros do rock e do metal, perfeita, deste modo, para os festivais, o que se confirma pela sua presença em diversos deles. Agora em dezembro, a Valveline está escalada para tocar no Fábrica Festival, em Sorocaba, um evento que reunirá grandes nomes nacionais e internacionais do rock. Como surgiu o convite para o festival e como está a expectativa de vocês?

Marcelo Betti: Não sabemos como foi o caminho desse convite, mas o importante é que ele chegou até nós. Claro, abraçamos com toda a nossa força. Sabemos também que os organizadores buscaram colocar artistas que possuem destaque na nossa região para, justamente, prestigiar a cultura local. Não é à toa que nomes como o rapper Tique ou o projeto Her, entre outros, estão no lineup também. A honra de representar o metal e de, praticamente, ser a banda mais pesada do festival é enorme. A expectativa e o frio na barriga só crescem. Com certeza faremos o melhor show que pudermos e que já fizemos.

Até o momento vocês lançaram três EPs, dois de estúdio e um ao vivo, sendo que o último destes registros da banda remonta já a cinco anos. Estamos próximos do tão aguardado primeiro CD completo? O que causa esta relativa demora?

Marcelo Betti: Estamos próximos, sim! Nesse meio caminho a banda continuou produzindo, lançamos singles e clipes. E tem outro single chegando! É muito difícil lançar um CD com qualidade e de forma independente, embora a tecnologia tenha facilitado cada vez mais. Somado a isto, passamos por algumas trocas de integrantes, o que nos forçou a fechar as portas, arrumar a casa, e voltar mais consistentes. Com certeza, estamos no nosso melhor momento; provavelmente virão nossas melhores músicas.

Foto: Theo Queiroz

Os EPs foram lançados de modo independente. Vocês pretendem prosseguir desta maneira com os futuros lançamentos ou pensam em conseguir uma gravadora ou um selo para lançar e apoiar a banda?

Marcelo Betti: Toda ajuda é bem-vinda. Se conseguirmos alguém para nos apoiar neste sonho, perfeito. Se não conseguirmos, vamos fazer de maneira independente de qualquer jeito.

Além dos EPs, tivemos o lançamento do single “In The Name of The Freaks”. De que trata esta canção e por que escolheram lançá-la como single?

Marcelo Betti: Essa canção tenta falar em nome daqueles que estão com a garganta amarrada, que, por qualquer motivo, se sentem sufocados. Todos nós trazemos angústia, injustiças, e às vezes não conseguimos exalar. Escolhemos essa música porque acreditamos que realmente alguém possa ouvi-la e cantá-la de peito cheio, enquanto bota suas raivas para fora. E se você se sente um “estranho”, sem problemas, o seu lugar é aqui.

Há mais de um vídeo oficial da banda figurando no YouTube, mas um chama especialmente a atenção, o realizado para a música “All My Pray For You”. Trata-se de um projeto realizado em parceria com alunos da Universidade de Sorocaba. O que motivou esta realização e como foi tudo concretizado?

Marcelo Betti: Isso mesmo. Recebemos o convite da turma da UNISO para produzir um clipe para a banda. Seria um trabalho de faculdade para eles e, para nós, esse clipe maravilhoso. Agradecemos à professora Amábile, que comandou os trabalhos, e a toda a equipe de alunos que trabalhou duro. Adoramos e essa música não pode faltar nos shows.

A banda acolheu recentemente um reforço de muito valor para seu time, o baixista Hugo Ferraz, que toca também na banda de thrash metal Speed Metal Hell. O que Hugo está agregando à banda? Sua entrada é um sinal de que a Valveline pretende se encaminhar para um caminho mais rápido e agressivo?

Marcelo Betti: Conhecemos o Hugo faz um bom tempo e sabemos que ele acompanhava e curtia a VALVELINE. Com a vaga de baixista em aberto, sabíamos que ele estaria pronto. Sempre o admiramos tocando com a incrível Speed Metal Hell. Sua entrada significa que a VALVELINE está mais forte do que nunca.

Com a entrada de Hugo, Theo Queiroz, que era baixista, agora está na bateria. Como foi, para a banda e para o próprio Theo, esta troca de posição do músico?

Marcelo Betti: Eu tenho outros projetos (covers) com o Theo Queiroz na bateria. Eu tinha certeza de que, com ele na bateria, a banda cresceria muito. Dito e feito. Estamos mais pesados, mais sincronizados. Fora que o Theo é um cara que agrega, não só na música, mas também em todo o trabalho envolvido nos bastidores. O cara dispensa comentários.

A banda já conta com diversas realizações importantes em seu currículo, dentre elas o título recebido de melhor EP lançado em 2013, escolhido por votação popular no site Heavynroll, por seu trabalho intitulado “Raise Your Gun”. Na ocasião vocês superaram nomes importantes como Jackdevil e Fire Strike. Qual das diversas conquistas da Valveline vocês consideram a mais significativa para a história da banda?

Marcelo Betti: Essa, sem dúvida, é uma das mais importantes. Ser escolhido no meio de tanta banda foda realmente é um privilégio.

Outra realização importante foi o nosso ingresso no famoso Araraquara Rock, em 2013. E, mais recentemente, o nosso prêmio em primeiro lugar no Festival MotoFest Cerquilho. Primeiramente, por votação aberta, fomos selecionados para as finais. E nas finais, fizemos um show de 40 minutos para jurados especializados, os quais escolheram a VALVELINE como vencedora e premiada.

Com certeza, esses momentos no abriram muitas portas. E, agora em dezembro de 2018, estaremos no Fábrica Festival. Com certeza, um grande marco na nossa história.

Foto: Theo Queiroz

E nestes quase dez anos de história, quais foram os principais desafios e as principais dificuldades com que tiveram que lidar?

Marcelo Betti: Enfrentamos grandes desafios sempre que algum integrante ruma para novos caminhos. Somos gratos pelos que passaram e nunca saíram por brigas ou desavenças, mas por incompatibilidade de caminhos mesmo. É sempre difícil reestruturar as coisas, mas também ganhamos uma experiência enorme, que nos previne de cometer os mesmos erros.

Fora isso, os desafios não acabam para uma banda independente. Gravar, tocar, fotografar, ganhar dinheiro, reinvestir, manter a produção, criar… Tudo isso é um desafio quando se faz de maneira independente. Mas sentimos que estamos superando bem.

Heitor Rosa, vocalista, é creditado nas redes sociais como o manager geral da banda. Quais são as vantagens de manter a administração das coisas dentro do próprio grupo? Trata-se de uma opção de negócios ou é, de fato, difícil encontrar quem possa agenciar a banda da maneira como ela considera ideal?

Heitor Rosa: É difícil! Pois todos temos outros trabalhos e nosso tempo é bem escasso. Então, todo nosso tempo livre é 100% dedicado a VALVELINE. Acabei assumindo essa função por estar mais envolvido no mercado de marketing e publicidade. Então, foi natural que algumas funções como comunicação visual, artes e alguns contatos ficassem a meu cargo.
No momento estamos em busca de um parceiro no mercado para nos ajudar no gerenciamento do nosso trabalho com a banda. Sentimos que essa hora chegou.

A banda tem um plano traçado de crescimento? Pretendem, de algum modo, ampliar o alcance de sua música em nível nacional ou mesmo internacional?

Marcelo Betti: Temos um plano sim. E estamos executando desde o começo. Pretendemos expandir a nossa música a níveis nacional e internacional. O foco agora é o CD full. A partir dele, vamos definir a estratégia em busca dessa expansão. Estamos em contato com algumas empresas do mercado buscando parcerias.

O que podem nos dizer sobre a cena underground sorocabana de que são parte?

Heitor Rosa: A cena sorocabana sempre foi muito forte em todas as vertentes do Rock. E isso ajuda muito bandas como a nossa, pois quando fazemos contatos com festivais, casas de shows, produtores, e até mesmo outras bandas, o fato de sermos de Sorocaba sempre favorece. Crescemos vendo grandes bandas de Sorocaba despontarem nos anos 90, e o fato é que, até hoje, isso permanece. Como qualquer outro lugar, existem grandes dificuldades com espaço, mídia, estrutura etc. Mas ao que parece, sempre que tocamos pela região, acabamos notando que a nossa cena é rica e de certa forma bem estruturada. Melhor do que muitos lugares que imaginamos.

Deixem uma mensagem para os leitores da Mosh.

Heitor Rosa: Gostaríamos de agradecer a todo apoio que a VALVELINE recebe desde o início da banda. Já contamos com a ajuda de muitas pessoas ligadas à cena de alguma forma, sejam profissionais, amadores, público que vai aos shows, pessoas que sempre nos deram feedbacks importantes para sabermos se estávamos no caminho certo, mas principalmente o contato caloroso que temos com todos nos shows. Isso só nos motiva ainda mais a prosseguir, evoluir e dar em troca o melhor que pudermos fazer em relação as novas composições e shows! Obrigado a todos e nos vemos em breve! \m/

 

Interview · News

Postado em novembro 6th, 2018 @ 16:28 | 143 views
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