22 Oct 2017, 4:54 pm

Entrevista: Atropina


Entrevista com a banda gaúcha Atropina

Por João Calixto.

Dentro das comemorações dos seus 20 anos de estrada no Metal, os gaúchos do Atropina lançaram o magistral álbum “Porões das Luxúrias”. Um trabalho altamente competente e de grande qualidade, colocando a banda entre as de maior destaque dentro do atual Metal Extremo brasileiro. Nessa entrevista com o vocalista Murillo Rocha, ele nos conta sobre a grande recepção do álbum e da visão do Atropina sobre os temas anti religiosos, abordados em suas músicas.

O Atropina completou 20 anos de estrada em 2016 e vocês comemoraram em grande estilo, lançando o sensacional álbum “Porões das Luxúrias”. Fale-nos como foi a recepção dele e sua concepção em um todo.

Isso mesmo, a banda começou em dezembro de 1996, e para celebrar esse marco lançamos o CD Porões das Luxúrias 20 anos depois, em dezembro 2016. Além disso, outro marco celebrado nesse lançamento, foi os 15 anos do nosso debut álbum, Santos de Porcelana, a música título foi regravada como faixa bônus no Porões. O álbum foi planejado durante todo o ano de 2016, e desde seu lançamento está tendo uma excelente recepção por parte do público e da mídia especializada. E pela primeira vez, estamos disponibilizando o álbum na íntegra em todas as principais plataformas digitais de música.

Desde a formação da banda, o foco de suas letras é a ditadura do cristianismo e todos os males que ela causou ao mundo, e em “Porões das Luxúrias”, vocês abordaram um tema, o qual é um grande tabu dentro da igreja. Como surgiu a ideia de abordar esse tema?

As críticas ácidas ao cristianismo sempre foram os assuntos principais em nossas letras, desde o início da banda em 1996. Dessa vez, não foi diferente. As milhares de mortes durante as cruzadas ou a inquisição nunca foram segredo, mas não é só de mortes que se fez esse império de controle de massa. O sexo dentro da igreja sempre existiu, e ainda existe, e por isso resolvemos tocar no assunto. Ficamos sabendo de uma descoberta de vários esqueletos de fetos escondidos em porões de igrejas, o que nos levou a pesquisar diversos casos de abusos sexuais, abortos e abandonos dentro das igrejas, e por parte dos próprios padres e freiras.

Vocês acham que conseguiram passar a mensagem sobre esse assunto em “Porões das Luxúrias”?

Acreditamos que sim, pois a mensagem é passada tanto nas letras, quanto no som, e também na arte do disco. E sabemos que isso ainda acontece. Se no passado as freiras se escondiam grávidas nos porões, até que se abortasse ou abandonasse o fruto de estupros que aconteciam dentro das igrejas. Hoje em dia, esses abortos acontecem em clínicas clandestinas, e assim prossegue a lógica padrão da igreja, faça o que eu digo, não faça o que eu faço.

Após tantos anos mostrando em suas letras, as mazelas da igreja, ainda existe muita coisa para ser contada, não?

Pior que sim. A hipocrisia da igreja não tem fim. E por enquanto, falamos somente da igreja católica. Ainda pretendemos falar de todo mal causado pelas igrejas evangélicas, principalmente as atuais pentecostais, essas igrejas que só servem para tirar dinheiro de otários, e ainda sem incidência de impostos. Ou seja, ainda há muito o que falar.

Vocês tiveram participações especiais em “Porões das Luxúrias”. Fale nos um pouco sobre elas e como elas fizeram a diferença nas composições.

Foram dois convidados que compuseram trilhas e que ajudaram a ambientar o disco. O Fabiano Penna, da Rebaelliun, compôs a nossa intro “Divino Aborto”, e o Fábio

Zperandio, da Ophiolatry e Gorgoroth, compôs “Cordas em Sangue”, que dá uma quebrada no peso do álbum com um violão clássico matador. Nesses dois casos, são amigos de longa data, que nos ajudaram a trazer o clima que desejávamos para o trabalho. E ainda teve a participação do Leonardo Schneider, vocal da DyingBreed, que mesmo não participando da composição da “Cálice Blasfêmico”, também fez uma grande diferença dividindo os vocais comigo, para que chegássemos no melhor resultado possível para o que desejávamos.

Podemos notar que vocês não alteraram o estilo do Atropina desde os seus álbuns anteriores até o mais recente. Era esse o objetivo de vocês? Manter a essência do Atropina, mas demostrando uma evolução natural nas novas composições?

Exatamente. São músicas e músicos diferentes nos três álbuns da banda, mesmo assim há uma coesão no estilo da banda e das composições que mantivemos, e pretendemos manter enquanto durar a banda. Há sempre uma evolução e amadurecimento natural de toda a banda que permanece trabalhando durante 20 anos, e que também se percebe no resultado final dos nossos trabalhos.

E acredito que o resultado final foi o esperado por vocês, porque a qualidade do trabalho é de um nível altíssimo de qualidade.

O resultado final foi exatamente o que planejamos. Trabalhamos mais uma vez com o produtor Ernani Savaris, do Soundstorm Studio, que foi o responsável desde a gravação até a masterização do trabalho. Ele já tinha produzido o Mallevs Maleficarvm e confiamos nele de olhos fechados nesse novo trabalho.

Ele também está disponível em plataforma digital. Acha que essa ferramenta realmente auxilia na divulgação do trabalho de vocês? Seria viável disponibilizar a discografia completa de vocês nessa plataforma?

As plataformas digitais são uma realidade na música atual, do underground ao mainstream, não há como e nem por que escapar disso. Para as bandas independentes, é sempre muito difícil divulgar e rentabilizar o trabalho. A pirataria sempre existiu e vai continuar existindo, então quem quiser escutar nosso álbum vai escutar de um jeito ou de outro, a vantagem é que as plataformas digitais remuneram as bandas de acordo com quanto tocam, mesmo que pouco, já é alguma coisa. Além de ajudar a divulgar a banda em lugares que normalmente não conseguimos chegar, seja para vender o CD físico ou mesmo fazer show.

Sabemos das dificuldades das bandas que tem residência fixa nos extremos do país, realizarem turnês para uma divulgação mais dinâmica do trabalho. Como vocês estão divulgando “Porões das Luxúrias” no sentido de shows?

Estamos, por enquanto, divulgando o Porões pelo sul do país mesmo, mas já estamos esquematizando um tour pelo resto do Brasil para o segundo semestre desse ano, ou início do ano que vem.

A logística é bem complicada para uma turnê pelo país, não?

Sim. Acaba sendo mais complicado para quem reside nos extremos do país, pois tudo se torna mais caro. Para um produtor nos contratar para um show no norte, nordeste, ou mesmo no centro do país, os custos da viagem acabam inviabilizando boa parte dos projetos, mesmo para mandarmos material, CD e/ou camisetas, acaba ficando mais caro o frete do que o próprio produto quando mandamos para o norte e nordeste, duplicando os valores cobrados pelo ‘merchan’.

Vocês fizeram um clipe muito bem produzido para a música “Mallevs Malleficarivm” do álbum de mesmo nome. Existem planos para a realização de algum clipe, visando alguma música de “Porões das Luxúrias”?

Lançamos um lyric vídeo da música “Cálice Blasfêmico” um pouco antes do lançamento do disco, e já estamos em fase de pré-produção do clipe da música título do novo trabalho “Porões das Luxúrias”.

O tema ajudaria muito, não? Acredita na força desse formato de divulgação para o trabalho da banda?

Sim, cada vez mais áudio e vídeo se misturam. Além disso, o vídeo complementa as ideias e até ajuda a passar mensagens a mais do que aquelas que estão nas letras.

A força do Metal Extremo no Sul do país, já é mais do que reconhecido nacional e mundialmente. Vocês sendo uma banda do interior do estado, acreditam que a dificuldade para a divulgação do trabalho seja maior?

Dentro do estado, não percebemos essa dificuldade maior se comparados com bandas da capital.

Obrigado a todos do Atropina pela atenção dada à equipe do Fanzine Mosh. Deixem uma mensagem final aos nossos leitores.

Nós que agradecemos pelo espaço concedido. E aproveitamos para agradecer a todos que acompanham a Atropina e que curtem o nosso trabalho. Continuem apoiando o metal nacional, que não perde em nada em qualidade para qualquer cena gringa.

Atropina na internet:
facebook.com/atropinametal
soundcloud.com/atropina-death-metal
metal-archives.com/bands/Atropina/12852

 

Contatos:            
atropinabanda@gmail.com
muraogro@gmail.com

 

Interview · News

Postado em abril 28th, 2017 @ 15:30 | 423 views
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