25 May 2018, 12:33 pm

Entrevista com Kadavar


Kadavar cede entrevista exclusiva para o Fanzine Mosh

Por Henrique G. de Paula

Dentro de poucos dias, a banda alemã Kadavar chegará ao Brasil para nos presentear novamente com seu poderoso stoner rock calcado nas raízes setentistas do gênero. Os alemães estrearam na indústria musical em 2012 e desde então mantém um ritmo regular de lançamentos. O último álbum é o elogiado “Rough Times”, lançado no ano passado, e que motiva a turnê sul-americana. Tivemos o privilégio de conversar sobre isto e sobre outras questões com o baterista “Tiger”. Confira abaixo a entrevista conduzida por Henrique de Paula e não perca a chance de vê-los em pelo menos um dos diversos shows que farão em nossa terra (confira as datas em nossa Agenda).

Com aproximadamente sete anos de existência, vocês já lançaram quatro álbuns de estúdio, alcançaram boas posições nos charts de vários países, estão com uma popularidade crescente em todo o mundo, participam dos grandes festivais europeus, possuem contrato com a Nuclear Blast, e agora se preparam para a segunda turnê na América do Sul. Os tempos não estão tão difíceis assim, como diz o título do novo disco [“Rough Times”], ao menos não para o Kadavar. Vocês poderiam comentar a atual fase vivida pela banda?

É verdade que até o momento de algum modo nós tivemos sorte de viver tudo isto e ainda continuar a aventura com um grande sentimento de liberdade, quando se trata de escolhas artísticas, mas isto não aconteceu sem esforço nem sem um envolvimento contínuo. O que significa que vamos continuar ocupados com uma pesada agenda de turnê neste ano, e usar nossas folgas para começar a escrever canções novas e ver onde isto nos levará.

É fácil constatar que o Kadavar foi se tornando uma banda cada vez mais pesada em sua breve história. “Into the Wormhole” que abre “Rough Times”, e nos atinge como um soco no estômago, é a prova definitiva disto e parece ser o ápice até o momento do que a banda pode fazer em termos de peso. Poderíamos dizer, no entanto, que “A L’Ombre Du Temps” que fecha o álbum, é a indicação do novo caminho a ser traçado pela banda no futuro, com mais experimentalismo e ousadia?

Fico feliz que você pense o mesmo que nós a respeito de “Wormhole”, e pode ser difícil superar tal “tapa na cara” no futuro. E igualmente com relação à canção que fecha o álbum, a ideia para nós é continuar produzindo peças musicais imprevisíveis enquanto conservamos o que é a essência do Kadavar sob nossa perspectiva. Nós temos outros exemplos em nossa discografia passada, como, “Reich der Traüme” em “Berlin”, “Abracadabra” no segundo álbum, até mesmo um lado inteiro de um disco com improvisações no álbum “White Ring”, onde nos deixamos explorar uma faceta distante de nosso mundo, e continuaremos a fazer isto ocasionalmente. É vital para nossa banda deixar algumas portas abertas, renovar nossos horizontes e surpreender nossos fãs.

Imagino que a Nuclear Blast lhes dê total liberdade criativa para compor e gravar. Estou correto, no entanto, se disser que em “Rough Times” a banda impôs a si mesma, de modo consciente, a pressão de compor e produzir um álbum que superasse seus antecessores? Pergunto isto, pois é nítida no álbum a quantidade de energia e suor entregue pela banda. Há uma certa tensão latente em todo o álbum que denota um trabalho duro e planejado. Vocês poderiam comentar o processo criativo de “Rough Times”?

Eu acredito que eles confiam em nós pelas direções musicais que estamos tomando e, até o momento, têm nos apoiado muito em nossos projetos. Este álbum foi escrito e gravado em aproximadamente dois meses; logo após termos terminado de construir nosso novo estúdio no inverno passado, nos atiramos no processo de escrita, e a tensão que você sentiu talvez derive desta agenda dura e apertada que impusemos a nós mesmos, mas, de modo ainda mais importante, ela encontra sua fonte em nosso mundo presente e em nossa vontade de descrevê-lo. Comparado aos álbuns anteriores, mais trabalho individual foi feito em casa e apenas algumas canções resultaram de improvisações conjuntas, o que no final provavelmente acentuou o sentimento de diversidade que tentávamos alcançar.

Ao lado da evidente importância dos discos da banda produzidos em estúdio, é possível estabelecermos certos marcos em sua história, como a troca de baterista em 2013, e a excursão com o Wolfmother em 2014. Poderíamos dizer que a vinda à América do Sul constitui outro marco importante para a história da banda? Vocês poderiam comentar brevemente o que cada um deste fatos realmente significou para a banda?

Apenas para que fique claro para todos, foi na verdade o baixista que foi substituído em 2013. Seria correto dizer que nós tivemos uma recepção estrondosa e verdadeiramente acalorada em nossa primeira turnê na América do Sul. Nós não fomos mais os mesmos depois disso, nós ficamos impressionados com a loucura e a paixão desse público incrível, e isto é algo que você guarda dentro e reflete a respeito quando está tendo um show ruim em algum outro lugar do mundo.

Apesar de serem uma banda relativamente nova, já podem apontar algum lugar no mundo em que seus fãs ou os principais consumidores de sua música se concentram? Aliás, como é a relação da banda com os fãs brasileiros?

Por vivermos no velho continente, é lá que temos excursionado mais desde nossa origem. Alemanha e França são os lugares com mais seguidores. Mas, depois da Europa, e você pode checar as mídias sociais, eu diria que a América do Sul está no topo da lista, particularmente o Brasil. Estamos realmente animados com a turnê, e esperamos ver ainda mais fãs brasileiros nos próximos shows do que já vimos no passado.

Embora isto não seja uma regra universal, geralmente bandas novas atraem um público jovem, muitas vezes com idade proporcional a de seus integrantes. Acreditam que o Kadavar esteja produzindo jovens fãs de classic rock, ou os apreciadores de sua música são aqueles que já há muito tempo escutam Black Sabbath e Led Zeppelin, influências da própria banda? Vocês acreditam no potencial das novas bandas de rock psicodélico ou de stoner rock de abrir as portas aos jovens para o universo criado pelas grandes bandas dos anos 70?

Nós temos, de fato, todo tipo de gente em nossos shows, dos dez aos setenta anos de idade, e toda vez me impressiono quando um garoto aparece e pede um autógrafo ou apenas quer conversar, porque eu jamais ousaria fazer algo assim em sua idade. É muito positivo que uma banda como a nossa possa influenciar adolescentes que apenas começaram a escutar ou a tocar música, e ver a tocha sendo passada adiante, sabendo que o que amamos irá continuar a viver através deles.

De fato, vocês fazem parte desta gama de bandas que atualmente recebe a alcunha de “Nova Onda do Classic Rock”, onde podemos incluir nomes como Rival Sons, Radio Moscow, Graveyard, Blues Pills e outros. Acreditam que esta nova geração de bandas está preparada para suprir a lacuna que será deixada no mundo pela aposentadoria ou pelo fim dos grandes medalhões, como o próprio Sabbath ou o Deep Purple que já se despedem de seus fãs no momento?

Estas bandas são insubstituíveis e continuarão a viver e a influenciar muitas outras gerações. Mas, para nós, o importante é permanecermos honestos com nós mesmos e com nossa arte, e continuar a melhorar nossa performance, e a gravar novas músicas com as quais as pessoas possam se identificar. Se alguém estiver sentindo falta de seus heróis, será mais do que bem-vindo a se voltar para nós, a vir para nossos rituais e a abraçar conosco a música.

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Interview · News

Postado em Fevereiro 22nd, 2018 @ 09:09 | 367 views
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