23 Aug 2017, 12:33 am

Entrevista: Fleshgod Apocalypse


Fleshgod Apocalypse: Liberdade a arte levada ao Extremo

Por Marcos Franke

Fleshgod Apocalypse é uma banda italiana conceitual de death metal que mistura música extrema com elementos da música clássica. Apesar desta fórmula não ser muito nova, é a primeira vez que uma banda se esforça tanto em manter a agressividade do death metal viva – com seus riffs sujos e aquela bateria acelerada – enquanto todos estes elementos românticos, antes utilizados tanto por bandas como Rhapsody, transcorrem com uma naturalidade entre todas as canções. Alternando por vocais limpos e guturais, Fleshgod Apocalypse se baseia muito em trilhas sonoras de filmes, especialmente em John Williams (Star Wars) fazendo de seu mais recente álbum “King” (2016) um grande clássico, sendo ele um sucesso mundial de crítica. Conversamos com Tomasso Riccardi, vocalista e guitarrista da banda, sobre o complexo conceito do álbum, influências e como será o futuro da banda após este grandioso sucesso que foi “King” – lançado em território nacional pela Shinigami Records.

 

King é um álbum conceitual e é sobre um honroso e sábio Rei que precisa ver como o Mundo ao seu redor lentamente chega ao fim. Você pode descrever por que um Rei sábio e honroso consegue assistir á uma crise destas sem tomar medidas desesperadas?

Tomasso Riccardi – Primeiramente, olá e obrigado pela entrevista. O que podemos dizer é que King não é uma história cronológica. Não é sobre o que um Rei está fazendo  em um certo ponto do tempo ou o que acontece em sua corte. King percorre por todos os personagens da corte usando-os como metáforas de diversos aspectos da vida e da Humanidade, que continuamente nos empurram em direção á autodestruição. História sempre foi cíclica e quando pensamos a respeito disto, sempre houve períodos alternados de ignorância, violência e destruição seguidos por paz e renascimento – voltando novamente para a destruição. Deve ser natureza da vida ou Humanidade, eu acho. É óbvio para mim que vivemos um momento sombrio, no qual a ignorância e medo estão tomando conta de nós e esta é a razão que decidimos contar a história em King. O Rei faz parte de nós e ainda está profundamente consciente do que está correto e do que está errado, é forte e justo, assumir responsabilidades e não se render ao medo – a parte de nós que nós todos deveríamos buscar em nós mesmos e tentar despertar.

Você acha que está “império” é o nosso século atual, nosso Mundo físico ou você diz que ele está perdendo sua razão e ficando louco?

Tomasso Riccardi – Como disse King na verdade é o único personagem positivo cercado por pessoas que são malignas e representam todos estes elementos em nossas mentes que, é claro, em nossa sociedade real nos cerca e são más e corruptas. Todas estas coisas que estão fazendo a gente perder a percepção destas pequenas, mas importantes coisas da vida.

Estes assuntos filosóficos são bem amplos para interpretação. Como você conseguiu conectar filosofia e música?

Tomasso Riccardi – Claro que a história possui dois níveis: o imaginário e os significados profundos dos quais conversamos. O nível “externo”, aquele que traz a nossa imaginação para a corte, onde pessoas corruptas estão tentando destruir o Rei e tomar o seu lugar e aquele que ajuda a música a encaixar perfeitamente. Como na música de John Williams em “Star Wars”, cada personagem possui sua própria trilha sonora.

A música do Fleshgod Apocalypse é inspirada em compositores lendários como Paganini e Vivaldi como também compositores modernos como John Wiliams e Hans Zimmer. Quais características deste compositores te inspiraram mais ao compôr o álbum King?

Tomasso Riccardi – Bem, em termos de inspiração, coisas estão sempre muito livres. Isto significa que a música sai de sua mente como um resultado final de uma elaboração muito complexa do subconsciente de tudo que você ouve. Claro que ouvindo ao álbum King, se você conhece estes compositores, você pode ouvir certas progressões que possuem suspense típico de melodias compostas por Hans Zimmer e alguns temas épicos e grandiosos inspirados por John Williams.

Qual foi a parte mais desafiadora para o processo de criação do álbum King?

Tomasso Riccardi – Acredito que quase a coisa toda (risos). Piadas a parte, King foi muito desafiador no momento em que entendemos o que queríamos criar e fomos extremamente determinados para fazer algo que poderia ser um ponto de chegada como também um de partida ao mesmo tempo. Queríamos escrever um álbum que contivesse uma soma do que aprendemos no passado e ainda colocar base para novas direções e descobertas dentro do nosso próprio estilo. Por isso que gastamos tanto tempo na composição e arranjos e também decidimos trabalhar com tantas pessoas diferentes em termos de produção. Estávamos procurando a nossa fórmula final, de uma forma.

Testemunhamos o black metal ficar muito forte com influências clássicas com Dimmu Borgir e Cradle of Filth. O que você acha fazer parte de uma cena tão importante do death/black metal?

Tomasso Riccardi – Bem, nós apenas amamos o que fazemos e estamos apreciando o fato de ter uma chance de falar a nossa própria língua neste gênero musical. É bom ver que ousar foi uma escolha boa já que sempre acreditamos em nós mesmos em termos musicais e artísticos. Faz bem perceber que talvez possamos também ser um pouco de inspiração para alguns. Claro, para tudo que Humanos fazem, não estaríamos aqui se não fosse por todos que o fizeram antes. Mas somos fãs da música e é por isso que amamos tocar música.

Em comparação com tantos outros países europeus, a Itália não é um grande berço para bandas extremas. Como isto afetou a carreira de vocês?

Tomasso Riccardi – É bem filosófico receber alguma desconfiança quando você vem de um lugar que apenas algumas coisas aconteceram em uma área específica. Mesmo assim, não nos entregamos e apenas pensamos em fazer o melhor que pudermos tentando ser o mais competitivo e profissional que pudermos em todos os aspectos. Eu acho que no final, ter dificuldades é uma coisa boa e te faz mais forte e pronto para lutar por aquilo que você ama.

Black metal é favorecido muito pela sua identidade visual. Como vocês estão lidando com isto sendo uma banda de death metal?

Tomassi Roccardi – Bom, neste ponto achamos que estamos fazendo a nossa própria coisa, isto é, que mesmo no death metal, música clássica é a nossa influências principal. Estamos construindo nosso próprio estilo de certa forma. Tendo isto em mente, isto nos ajudou a pensar sobre o imaginário sem impor limites, especialmente por que muito do que nós soamos combina com a imagem que temos, chamando atenção do ouvinte/expectador longe do conceito de simplesmente ser um simples show de death metal. Fleshgod Apocalypse é uma banda conceitual e tudo que fazemos é atrelado ao imaginário. O conceito neste caso é , como eu disse, uma mistura de idéias e elementos que resultaram em algo que a gente gosta de classificar como “Fleshgod Apocalypse”.

Você acha que a personalidade da banda e sua identidade visual podem se perder com a Era digital?

Tomasso Riccardi – Não. Acho que o contraste entre a nossa identidade e o que acontece em nossa volta hoje, podem ser até o ponto alto desta banda.

E o que acontece agora?

Tomasso Riccardi – Bom, vamos ver. Estamos trabalhando em novas idéias e como sempre estamos nos dando a chance de experimentar sem ter muitas pré-concepções. Eu acho que liberdade é o início para qualquer forma de arte!

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Postado em março 16th, 2017 @ 11:11 | 358 views
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