11 Dec 2017, 3:09 pm

Entrevista com Manu Joker do Uganga


Frontman do Uganga fala dos projetos da banda e relembra passado com o Sarcófago

Uganga

O músico Manoel Henriques, que também atende pela alcunha de Manu Joker, é o vocalista do Uganga – grupo que faz um som com identidade, calcado no Thrash Metal com letras em português. Junto a ele está seu irmão Marco Henriques, na bateria; e os também irmãos Christian Franco (guitarra) e Raphael “Ras” Franco (baixo). Completam o time a dupla de guitarristas Thiago Soraggi e o novato Murcego. O grupo mineiro está na estrada divulgando o diversificado álbum Opressor. Num bate papo rápido com Joker, ele falou sobre o passado, presente e futuro do Uganga, além de relembrar sua passagem pelo Sarcófago.

Entrevista e fotos (ao vivo) por Clovis Roman

Sobre a inspiração para as letras e como elas são criadas.
Eu sempre estou escrevendo, nunca preocupado em que música que aquilo vai ser usado. Sempre guardo trechos, frases ou estrofes. Quando surge uma melodia, eu gravo para memorizar. E quando a gente entra em processo de pré-produção eu vou no meu armário e tiro aquela papelada. 50% do que eu escrevi eu aproveito. A gente prefere fazer o instrumental primeiro, crio as melodias de voz e aí eu vou ver em cima do que eu tenho escrito se dá para adaptar alguma coisa. O que me motiva [a escrever as letras] é o dia a dia, o que se passa com a gente como o  que a gente vê no mundo, tanto de maneira positiva quanto negativa. Eu diria que 90% das letras ficam comigo mesmo.

O documentário Eurotour 2010 e planos para novos vídeos.
Aquele doc que tem na net foi da primeira tour [pela Europa] em 2010. A gente fez outra turnê em 2013, e o documentário dela é um pouco mais abrangente, mostra as gravações do Opressor e vai sair num DVD de 20 anos, pela “Sapólio Radio”. Também vai sair o Opressor em versão vinil. O DVD vai ter um show nosso, feito na nossa área e com o documentário, que vai mostrar essa nova fase com três guitarras. Provavelmente entrará alguma imagem do show de hoje também [N. do R.: ele se refere ao show realizado em Curitiba, dia 27 de janeiro de 2016, ao lado do Exodus]

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Discos que estão em catálogo.
Os dois primeiros não tem mais, e a 2ª prensagem feita acabou também. A gente ainda tem alguma coisa em catálogo, o selo tem na verdade, do Volume 3, mas muito pouco. O Eurocaos ainda tem. Na Galeria do Rock ainda tem algumas cópias [do v.3].

O feedback da crítica, fãs e amigos.
Sempre tem aquele amigo que abre mais o jogo, que a gente debate sobre o som. E o feedback que tivemos com esses parceiros foi totalmente positivo. Todo mundo enxergou uma evolução, a gente buscou isso, equacionando nossas influências de maneira mais eficaz. As críticas estão boas e a resposta nos shows está legal, a galera canta as letras. A gente sente que conseguimos cativar o público. Espero que possamos fazer isto hoje aqui. Estamos muito satisfeito com o álbum. É a primeira vez que eu gravo um disco e um ano depois ainda estou ouvindo ele com prazer. A gente quer se superar no próximo, já estamos em pré-produção.

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Semelhança do som com o Dorsal Atlântica.
Pra mim o Dorsal é uma influência desde sempre, o Antes do Fim é disco de cabeceira. Já toquei vários covers deles em outras bandas que toquei. Eu entendo quando a galera fala que identifica nosso som com o Dorsal, é uma banda que faz parte da minha formação musical. Dos outros caras talvez nem tanto, mas a minha com certeza.

Formação com três guitarras.
Aconteceu de maneira totalmente não planejada. O Christian, meu parceiro de composição há muito tempo, teve que se ausentar dos palcos por ter de fazer um tratamento de saúde pesado, de um ano. [O tratamento] Era no sábado, e depois ele ficava zoado, não tinha como ir tocar. Para não ficar um ano parado, chamamos o Murcego. Ele tem uma formação mais anos 70, totalmente Rock and Roll, e conhece a banda desde quando começou. Um dia a gente pensou “O Cristian tá voltando agora… e se a gente tentasse com três guitarras?”. No começo isso gerou uma certa desconfiança, mas com muito cuidado a gente conseguiu fazer a coisa funcionar. Já temos uma música composta com os três. Vamos gravar o próximo álbum com três guitarras. Enquanto estiverem os três no astral a gente vai continuar. Se um deles sair, acho que não vamos por outro no lugar. Essa situação é só para esses três mesmo.

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Música escondida no álbum Opressor.
Aquela faixa só foi para o CD promo. Mas não foi porque a gente não quis. Acabou ficando uma faixa escondida no disco que foi pra imprensa. Eu gosto de alguns grupos de Rap, não acompanho muito, mas tem coisas que eu gosto. Principalmente os mais antigos, Racionais, Facção Central, Public Enemy, um pessoal mais politizado e agressivo. Eu tinha feito um beat com o Eremita, nosso parceiro. Eu tava lá no estúdio, em cinco minutos eu rabisquei uma letra e no 1º take a gente gravou. Não saiu no Opressor por um erro, mas com certeza vai sair em algum outro lançamento, como bônus no próximo álbum ou no DVD. Nossa escola básica é o Thrash Metal, o Hardcore, mas a gente gosta de outras coisas, como Jazz, Dub jamaicano, mas eu diria que 98% do que a gente faz é Metal e Hardcore.

Manu Joker e os tempos de Sarcófago.
Eu era muito amigo do primo do Wagner, o finado Duarte,que tocava no Nosferatu. Desde quando o Sarcófago lançou sua primeira demo, a gente já tinha em Araguari os “Tape Traders”. Eu tocava no Angel Butcher, que já tinha metranca também, mas mais Crossover. Quando o Wagner se mudou para lá, logo depois do Inri, ele ainda tinha contrato com a Cogumelo. Fui meio que a escolha óbvia, tava perto, já tinha uma brodagem. Entrei sabendo que seria uma coisa provisória. Fui convidado pelos caras a ficar na banda, mas eu sabia que era algo passageiro, eu tava fazendo faculdade. E o meu som era mais o Thrash e o Hardcore. Mas foi uma puta experiência foda. Fui pro estúdio e gravei com os caras, e fizemos três shows com o DRI. Depois que eu saí eles falaram um pouco de merda, e fiquei 16 anos sem falar com eles. Com a ideia do Tributo ao Sarcofago, que rolou em algumas cidades, comemorando os 25 anos da coletânea (Warfare Noise). O Wagner colou lá, tomamos umas e ficou tudo na paz. Fiquei de 88 até 90. Rendeu o Rotting e aqueles três shows. Foi uma parte importante da minha história e tenho muito orgulho dela.

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Três bandas em atividade com as quais gostaria de dividir o palco.
Eu ia chamar o Black Sabbath, antes de acabar [risos]. Outra seria o Faith No More, é uma unanimidade,  uma banda muito importante. Para fechar, eu colocaria o Olho Seco, para ter umas botinadas no começo da parada.

Que banda gostaria que gravasse uma cover do Uganga.
Eu ia curtir o Anthrax da fase John Bush. Gostaria também de ouvir um Suicidal Tendencies, mas seria difícil pro Mike Muir cantar em português [risos]. Aqui do Brasil acho que o Sepultura fazendo uma versão do Uganga ficaria legal também.

CONTATOS
Site: www.uganga.com.br
Facebook: www.facebook.com/ugangaband

“Casa”

“O Campo”

Interview · News

Postado em Maio 28th, 2016 @ 11:11 | 664 views
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