11 Dec 2017, 3:10 pm

Entrevista: Mercy Killing


ENTREVISTA MERCY KILLING

Mercy Killingpor Anna Bárbara Tuttoilmondo
revisão: Willian Jhonnes L. dos Santos

Esse é um excelente exemplo de banda persistente, que está realmente focada nos seus objetivos e não abandona o underground, apesar das dificuldades que todos nós conhecemos. A primeira formação é de 1988 e depois de algumas demos (a primeira é de 1993), mudança de estado e inevitáveis mudanças na formação, a MERCY KILLING conseguiu lançar seu debut “Euthanasia” e está mais do que pronta pra consolidar seu nome na nossa cena. Batemos um papo com alguns dos integrantes, pra conhecer melhor a história e os planos futuros da banda. Confira:

  1. Em quase três décadas de carreira, como foi a experiência e a expectativa de lançar o primeiro LP da banda?

Léo Barzi: A expectativa sempre é grande e o trabalho foi árduo, já que começamos a pré-produção em 2012. Mesmo com algumas faixas muito antigas (como, por exemplo, Ghost of Perdition) a formação da banda se estabilizou  nesse processo e tivemos que reformular todo o set list para ser executado como saiu no álbum, mais direto, cru e com uma pegada “ao vivo”, bem diferente das gravações nos anos 90. Foi cansativo, mas saiu exatamente como queríamos.

  1. O Euthanasia só foi possível graças a uma ação de crowdfunding promovida pela banda. Como foi o processo de elaboração desta ação e a participação do público?

Léo Barzi: Demandou muito trabalho também, como era de se esperar, mas acabou nos ensinando mais até que gerando recursos para o disco. A gravação já estava pronta quando cogitamos a campanha, e isso fez toda a diferença, então apresentamos o projeto, começamos a divulgar de maneira sistemática e acabamos criando uma hype bem interessante. Infelizmente pegamos uma fase econômica turbulenta e os custos saíram do previsto, mas já era esperado, e tivemos uma parceria fundamental com dois selos para lançarmos o álbum em vinil, com a Melômano Discos, de Maringá, e a Neves Records, de Santa Bárbara do Oeste.

  1. A cena metal brasileira vem mudando com a participação das mulheres, principalmente em bandas de metal extremo. Como os fãs mais antigos da Mercy Killing receberam a Tati Klingel?

Léo Barzi: Temos reações diversas, o que era de se esperar, mas o incrível é que o público mais novo tem se aproximado mais por conta da Tati (independente da idade ou gênero, diga-se de passagem). Os amigos que acompanham a banda desde o início e são extremamente críticos ficaram com opiniões adversas, mas poucos deles não gostaram do disco. A banda nunca teve qualquer diferenciação por Tati ser mulher, mesmo porquê não é a única que tocou conosco, apenas sentimos por ainda exista qualquer tipo de questionamento sobre músicos do sexo feminino, pois não nunca vimos isso de forma pitoresca ou anormal, são apenas músicos e devem ser tratadas como tal.

  1. Já falando sobre os vocais, a Tati vem da escola Death Metal. Mesmo a Mercy Killing sendo uma banda de thrash metal, com uma boa dose de crossover, como foi a adaptação de técnicas vocais?

Tati Klingel: A adaptação das músicas para o gutural foi muito trabalhosa, visto que as músicas gravadas na fase antiga apresentavam vocais limpos com um pouco de drive. O Léo me ajudou na adaptação das letras e me deu liberdade para que eu mudasse algumas músicas, obviamente sem mudar a essência Thrash da banda. Tive que estudar bastante o estilo de vocal, pois diferentemente do Death Metal, que eu estava acostumada a cantar, as músicas da Mercy Killing me deixavam sem fôlego. Felizmente, essas mesmas músicas Killing apresentam uma boa estrutura de instrumental que suportam bem o estilo de vocal que faço.

Léo Barzi: a adaptação foi natural. Tati vem de uma escola mais erudita, que faz aulas e acompanha bandas com esmero de produção e execução e a Mercy Killing, apesar da bagagem dos músicos, compõe e executa de maneira diferente, mais calcada na criatividade, sem limites de estilos. Essa combinação foi fundamental, não só por causa dos vocais, mas para toda a banda.

Mercy Killing-3

  1. Tati, quais vocalistas que te inspiraram a trilhar no caminho do gutural?

Tati Klingel: O primeiro vocalista que me inspirou foi o Chuck Schuldiner do Death (quando eu era adolescente), depois conheci os vocais de George Fisher da Cannibal Corpse, e finalmente treinei bastante com o estilo da Angela Gossow, ex-vocalista da Arch Enemy. Atualmente tenho estudado outros estilos também, como os vocais de Randy Blythe da Lamb Of God e de Alissa White-Gluz, atual vocalista da Arch Enemy.

 

  1. O Euthanasia é uma regravação de músicas das antigas demos da banda. Vocês ficaram satisfeitos com essa “repaginada”?

Léo Barzi: Bastante! A idéia é fazer que a pessoa que ouve o disco em casa identifique a banda ao vivo sem uso de subterfúgios eletrônicos além do básico (afinal de contas um overdrive faz diferença). No meu caso essa gravação é algo que sempre busquei desde as primeiras tentativas, “na cara”, sem dar espaço para respirar e que seja uma trilha sonora ideal para moshes, stage-divings e, principalmente, para bater cabeça.

  1. Contem-nos como é o processo de composição. O que os inspira e em quais momentos surgem as ideias para uma nova música?

Léo Barzi: Não temos uma fórmula, a coisa flui de forma natural. Às vezes chegam riffs soltos, outras músicas prontas e temos um monte de músicas para “arrumarmos”. As letras tem forte influência de críticas sociais e abordagem politizada, sem ser panfletário, obviamente, mas atualmente elas saem mais diretas e objetivas.

  1. A Mercy Killing mudou o line-up diversas vezes. Vocês sentem que agora estão estabilizados com a atual formação?

Léo Barzi: Sim, mas a experiência sempre mostrou que o importante é agora. Raramente a formação da banda foi tão unida e família assim, mas todos dependemos de uma vida profissional e pessoal fora da banda e isso acaba influenciando mudanças. Espero que mantenhamos esse grupo fique junto por muito tempo mesmo, mas, como aconteceu anteriormente, seremos amigos mesmo que isso não aconteça.

  1. A sonoridade da Mercy Killing sofreu algumas mudanças ao longo dos anos. Vocês sentem que agora estão no caminho certo?

Léo Barzi: Absolutamente, como comentei anteriormente esse é o som que eu procuro fazer desde o início.

Renan Ramos: Na minha visão, comparando o Euthanasia com as gravações antigas, da pra perceber claramente um amadurecimento musical e a dedicação que a banda teve em compor os arranjos, principalmente para mim, ao analisar, tirar e adaptar as linhas de bateria de Leonardo Sampaio, Rodrigo Macedo e Iuri Bonebreaker.

  1. A banda começou na Bahia e mudou para Curitiba há mais de 10 anos. Quais as principais diferenças e semelhanças entre as cenas das duas regiões? O que poderia ser feito para ambas as cenas crescerem?

Léo Barzi: Os problemas são gerais e creio que no Brasil inteiro:  falta de espaço (creio que em ambas cidades não passam de 5 casas que dão espaço para bandas de Metal extremo), falta de produtores comprometidos com o Underground (poucos se salvam) e apatia de boa parte do público, mas confesso que tem melhorado bastante, sobretudo com bandas e fãs mais novos, em ambas as cenas. Por serem capitais Salvador e Curitiba compartilham problemas semelhantes, mas também uma redescoberta no meio que tem o tem feito  se agitar, com pequenos festivais independentes e parceria entre bandas.

  1. Quais têm sido as influências de vocês ao longo desses mais de 20 anos de estrada e de que forma isso influenciou a banda técnica e musicalmente?

Renan Ramos: Definir minhas influências sempre foi dificil, pois escuto variadas vertentes. Tento me manter na minha escola, Death Metal, mesmo tocando Thrash, afinal de contas violência nunca é demais (risos!). Se pensar exclusivamente na Mercy Killing acho que uma influência forte é o Destruction, a pegada das faixas me remetem aos seus discos.

  1. Quais bandas da nossa cena underground tem chamado a atenção de vocês?

Renan Ramos: Hell Gun (PR), High School Massacre (PR) e Retaliaçao Infernal (PR).
Léo Barzi: Jailor (PR), Enslaver (PR), Mortuo (PR), Mortage (SP), Antichrist Hooligans (SC), Daemoniacal (PR), Rattle (BA), Trepanator (BA), Shitfun (PE)

  1. O Euthanasia foi lançado em diversas mídias, incluindo vinil e fita cassete. Em uma época de mídias digitais e downloads, por que lançar o álbum em fita cassete, por exemplo? Como tem sido as vendas para essa mídia em específico?

Léo Barzi: A saída do nosso álbum coincidiu com o lançamento de vários discos independentes em Curitiba entre 2015 e 2016, o que é um excelente sinal. Mas o mercado retraído acabou intimidando as vendas, que não são incríveis mas estão acontecendo bem lentamente. No caso de itens de colecionador ou aficionados, como LP ou cassete, eu tenho percebido uma procura proporcional ao CD e arquivos digitais, pois são para um nicho específico.

  1. Como vocês analisam toda a trajetória da banda até agora?

Léo Barzi: Eu considero a retomada dos trabalhos a partir dessa formação a consolidação de um sonho típico de adolescentes dos anos 80, que é ter um disco gravado e o público respeitando e cantando nossas músicas. Enquanto isso puder acontecer teremos a sensação de dever cumprido e sonho realizado.

  1. O que podemos esperar da Mercy Killing daqui em diante?

Léo Barzi: Estamos compondo e nos preparando para começarmos um novo processo de pré-produção, pretendemos lançar algumas demos com esse material para avaliação do nosso público (que é a parte mais significativa do processo) e em breve lançarmos o segundo álbum. Esperamos conseguir gravar alguns shows em áudio e vídeo para arquivo pessoal, mas se algo estiver com boa qualidade publicaremos também . Agradeço o apoio do Fanzine Mosh, entidade fundamental do Underground nacional!

#FanzineMosh #MercyKilling

 

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Interview · News

Postado em julho 17th, 2016 @ 11:11 | 931 views
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