21 Nov 2018, 6:17 pm

Entrevista Speed Metal Hell


Banda de thrash metal do interior de S.P. concedeu entrevista exclusiva à Fanzine Mosh

Texto: Henrique de Paula

Fotos: Renato Jacob

Formada em Itapeva-SP em 2005 e hoje sediada em Sorocaba-SP, a banda Speed Metal Hell é atualmente um dos grandes nomes da cena underground no interior paulista. Composta, no presente momento, por Hugo Ferraz (baixo), Zé “Piedade” Godinho (bateria) e Marcos “Oliverthrash” (guitarra e vocal), a banda se prepara para o lançamento de um novo trabalho, sucessor do EP “Prelude of Death”, lançado em 2016. Praticante de um thrash metal veloz, agressivo e bastante técnico, o grupo incorpora influências de diversas bandas da era de ouro do thrash metal, como Coroner, Destruction, Sodom e Kreator, sem deixar de apresentar, contudo, uma identidade bastante particular. Conversamos sobre o passado, o presente e o futuro da banda com Marcos “Oliverthrash”, único membro da formação original. Confira a seguir a entrevista conduzida por Henrique de Paula.

1- Para quem não conhece a banda, como você definiria o som do Speed Metal Hell?

Saudações a todos!!! Somos uma banda que procura constantemente incorporar novos elementos a nossa música, tentando sempre fazer um som trabalhado, mas sem perder as raízes do metal old school.

2-Qual é a inspiração para o nome da banda? Há alguma outra referência além, é claro, do estilo adotado? Pergunto, pois, há uma famosa coletânea de bandas thrash metal lançada aqui no Brasil nos anos 80 pela Rock Brigade com o mesmo nome.

É bem engraçado isso, pois quando eu tinha as coletâneas, nunca havia me imaginado tocando um instrumento musical, já que comecei relativamente tarde na música. Certa vez, nos reunimos na casa de um amigo (Rodrigo) junto com o Edson Wolf e combinamos de tocar uns covers para tirar um lazer mesmo. Lembro-me que eram as músicas “Tormentor” do Kreator, “Witching Hour” do Venom e “Detroned Emperor” do Celtic Frost. Então falei para o pessoal que se isso virasse uma banda se chamaria o Metal rápido do inferno, ou Speed Metal Hell. Essa reunião em um sábado à tarde ocasionou a formação da banda, e alguns meses depois já éramos a banda Speed Metal Hell.

3-Além da influência mais óbvia do grupo suíço Coroner, sempre homenageado pela banda em suas apresentações, quais outras bandas inspiram o Speed Metal Hell?

Temos várias influências, pois curtimos muito Thrash, Death, Black e Heavy Metal. Nas composições atuais misturamos um pouco de cada elemento, mas sem perder a característica rápida e agressiva do Speed.

4-A banda surgiu em Itapeva-SP em 2005, e viveu um hiato entre 2011 e 2014, retornando com força total em Sorocaba, também no interior paulista em 2015. Marcos, como único membro da formação original, poderia comentar brevemente as diferenças entre estas duas fases da banda?

Muito legal essa pergunta!!! Nas duas fases as ideias iniciais de composições sempre partiam de mim, mas na fase nova, com o Hugo Ferraz que é um compositor de mão cheia e a batera do André, sempre surgem muitas e muitas coisas novas no meio da música, coisas que nós não imaginávamos presentes em um som. Do nada, nos ensaios, vamos colocando várias e várias coisas. O processo atual de composição é mais em grupo, antes era mais individual.

5-Marcos, você não era o vocalista originalmente, mas passou a ocupar o posto no retorno da banda, além de tocar guitarra. Como é realizar as duas funções agora na banda?

No começo foi horrível (risos), pois sempre a minha função foi à frente da guitarra. Na volta, chegamos a fazer alguns testes, mas um dia eu virei para o André e disse: “vou fazer o vocal”!!! Aí foi muita prática para aprender a cantar do jeito certo. Hoje consigo fazer honestamente as duas coisas, sem muitas dificuldades.

6-Em 2016 vocês lançaram o EP “Prelude of Death”. Como tem sido a recepção do EP pelo público e pela crítica?

Muito positiva, pois o pessoal que fez resenha gostou muito do trabalho, fizemos bastantes shows e, claro, sempre o público veio elogiar e dar aquela força para a banda.

7-A capa do EP é muito bonita, lembrando o capricho e a importância que as artes das capas tiveram para os discos do estilo nos anos 80. Quem a produziu e qual é a ideia que vocês pretendem que ela transmita?

A capa foi tirada de uma xilogravura da autoria de Alfred Rethel. Desse mesmo autor foram tiradas várias capas de discos de Heavy Metal como o “The Reaper” do Grave Digger e “Punishment for Decadence” do Coroner. A ideia do disco relata exatamente que um dia todos iremos morrer, no caso da capa, o senhor sentado na cadeira, aguardando a sua hora. Mas quem deu o toque especial mesmo foi o nosso amigo Manoel Hellsen que, aliás, vem se destacando pelos vários trabalhos que tem feito para as bandas da nossa região.

8-Com a experiência da gravação do EP, o que aprenderam com o feito? Quais características repetirão nos próximos lançamentos? Manterão, por exemplo, a sonoridade mais suja, típica do thrash oitentista, ou virão com algo mais cristalino, o que parece ser a opção das bandas do estilo hoje?

Geralmente depois de cada trabalho vem a evolução, pois sempre há o senso crítico de que algo poderia ter saído melhor. Mas é olhar para frente e procurar evoluir continuamente, tanto na execução das músicas, como na produção também, num processo constante de melhoria.

9-Já há previsão para um álbum completo? O que poderiam nos revelar sobre um futuro lançamento?

As músicas estão praticamente prontas. A ideia era gravar o disco esse ano, mas tivemos muitos compromissos de ordem pessoal que nos impossibilitaram de fazê-lo no momento. Mas esperem que, em breve, virá um disco muito bom, acredito que será bem recebido, há vários elementos diferentes daquele Thrash chavão. Vem coisa boa por aí.

10-O novo lançamento da banda conterá apenas material inédito ou vocês repetirão alguma música do EP e da demo “Speed of Death”? Já estão testando algumas músicas novas nos shows?

Estamos querendo regravar um som… Mas estamos testando as músicas ao vivo já e a recepção tem sido bem positiva.

11-Muitas bandas brasileiras de thrash metal estão compondo músicas com letras em português. Vocês já consideraram fazer isto? Qual é a vantagem de se escrever em inglês?

Eu curto fazer as músicas em inglês. Acho bacana as bandas fazerem som em português, mas no momento não estamos pensando em fazer algum som em português, acho mais difícil (risos).

12-A banda tem planos para expandir seus horizontes em nível nacional, ou mesmo em nível internacional?

Temos, mas vamos esperar a gravação e lançamento do próximo álbum. Iremos estruturar a parte de agenciamento da banda, pois sempre fomos nós mesmos que fizemos tudo. Chega um momento em que já não dá mais e, por isso, é preciso expandir, arrumar uma pessoa para trabalhar com a banda.

13-Marcos, você é um guitarrista bastante requisitado em Sorocaba e região, participando, com frequência, de apresentações com outros grupos. Quais são seus projetos paralelos atualmente? Como é conciliar o trabalho do Speed Metal Hell com os outros trabalhos?

Quem me dera (risos)… No momento, estou me dedicando 100 % para o Speed e meus estudos na guitarra… Sempre estou por aí fazendo um som com a galera. Participei recentemente da volta da banda Goat Prayers, Black Metal de Sorocaba, banda das antigas. Fizemos a abertura do show do Master’s Hammer em São Paulo.

14-O espaço é aberto para você dizer o que quiser aos leitores da Mosh.

Primeiramente, muito obrigado à revista pelo espaço cedido, a você Henrique pela excelente entrevista e, claro, a todos os leitores que acompanham o ótimo trabalho de vocês. Até a próxima, galera!!!

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Postado em agosto 19th, 2018 @ 17:08 | 475 views
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