22 Oct 2018, 3:11 am

HellFest 2018: Cobertura Completa


Em mais uma cobertura sensacional, o Fanzine Mosh, através de sua repórter Deborah Torre e do fotógrafo Marcos Medeiros estiveram pela primeira vez na França para cobertura do HellFest um dos maiores festivais europeus

No dia 22 de junho de 2018, mais uma edição do HellFest Open Air foi aberta. O festival anual que está em sua 13ª edição acontece sempre no solstício de verão da França, na pequena Clisson, uma comuna francesa na região administrativa da Pays de la Loire, no departamento de Loire-Atlantique, no oeste da França. Com apenas pouco mais 6000 habitantes, Clisson recebeu este ano nos dias 22, 23 e 24; 155 mil “hellbangers”, como a própria produção chama seu público .

HellFest é um dos maiores festivais da Europa e é conhecido por ser um dos mais diversificados do gênero; abrangendo não só o heavy metal, mas quase todas as vertentes do metal, indo do hard ao black metal. Esse ano teve como line up bandas como o Iron Maiden, Judas Priest, Europe, Avenged Sevenfold, Megadeath entre todas as outras 160 bandas que se apresentaram, divididas em 6 palcos.

O festival é grande e consagrado, e não é à toa. Desde os portões de entrada a ultima barraca do camping, a estrutura é para atender a todos com excelência; tudo muito organizado, rápido e limpo. Mesmo com a multidão na entrada principal no primeiro dia – para trocar seus ingressos pelas pulseiras – era tudo muito ágil e seguro. E claro, não faltava trailers e “barraquinhas” vendendo cerveja e chopp enquanto a fila andava.

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O festival em si começa somente na sexta, porém os portões abrem já na quinta. Como grande parte do público fica acampada, o festival abre suas portas um dia antes para que todos se alojem, monte suas barracas e comecem o “esquenta”.

Pulseirinha no braço e cadastrada? Só alegria. Ao adentrar os portões principais (um amplificador gigante de Marshall), nos deparamos com uma infinidade de possibilidades. São diversas opções de comidas, bebidas e lojas. Na 12ª edição, o festival aderiu a tecnologia cashless e dos apps. Através do aplicativo do HellFest, você consegue “carregar” a sua pulseira com o cartão de crédito ou dinheiro nos pontos de recarga e comprar os produtos dentro do festival, de comidas e bebidas a outros produtos, tudo isso sem fila. Para possibilitar tal operação, o festival contém pontos de wifi espalhados por todo o festival para facilitar os “hellbengers” a usar o app e reduzir as filas.

Após a entrada principal, entre o hellcamp e a área de shows, você está na Hellcity Square, local com vários bares temáticos e estande de grandes marcas como Harley Davidson, Dr, Martens, Affliction e ESP Guitars, todos interativos, com produtos e atrações. Ainda na Hellcity Square, em duas grandes tentas chamadas Extreme Market, você pode encontrar produtos de praticamente de todaas as bandas que conseguir imaginar, entre camisetas, patches, cd’s, discos, dvd’s e acessórios. Do lado oposto, são vendidos os ingressos antecipados para a próxima edição, centenas de pessoas ficam ao menos 4 horas na fila no primeiro para garantir o ingresso sem nem mesmo saber o line up para o próximo ano. Quem enfrenta essa fila são geralmente franceses que tem a tradição e vão a todas as edições.

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Em meio à diversão e as compras, quer ver um show? O palco HellStage, que também é uma das atrações inéditas de 2018, recebeu não só bandas menores e DJ’s, como também promoveu apresentações de luta livre e motociclistas.

Mas como disse anteriormente, ainda estamos no “primeiro dia” não é mesmo? Direto para o camping armar a barraca e encontrar os amigos. A área do camping é dividida em 4, red camp, wellow camp, hite camp, blue camp e purple, Sem contarmos com  Easy Camp, que é um acamamento que é pago a parte por aqueles que queiram ter um pouco mais de conforto. Pagando mais ou menos o preço do ingresso – por barraca – você chega ao festival despreocupado; ao entrar você encontra uma barraca com cama, travesseiro, cadeiras, cobertores e toalhas prontas te esperando. O que em minha opinião –  após vivenciar a edição de 2018 – é um investimento em vários aspectos: não pagar excesso de bagagem em viagem internacional, não carregar uma barraca pela Europa (caso for aproveitar para passar em outros países ou cidades), não gastar euro com uma barraca que você talvez deixe para trás, e claro, o conforto; quem dorme melhor, curte melhor o festival.

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Acampamento montado? Hora do mercado. Diferente de outros festivais, no Hellfest, você pode levar para a área do camping bebidas, comidas e outros itens, sem restrição de materiais ou quantidades, o que rende uma boa economia. Na área de shows não é permitido, mas, convenhamos que é um bom adianto poder fazer aquele “esquenta” com uma cerveja boa e gelada que custa em média 2 euro e almoçar ou lanchar um sanduba do mercado por menos da metade do preço que encontramos em outras áreas festival. A cerveja dentro da área de shows, também não é cara. Marcas consagradas – e bem alcoólicas – como Grimbergen e Guinness são vendidas a 5E o copo de 500 ml.

Pertinho do acampamento, no Metal Corner (literalmente um “esquina do metal”) mais opções de comidas, bebidas, agua à vontade e um galpão com mesas, onde geralmente é marcado como ponto de encontro dos grupos  para almoçar, jantar e também passar a noite bebendo e conversando após os shows acabarem.

E assim acaba – ou começa – a quinta feira dentro do HellFest Open Air. Acampamento, amigos, bebidas, festas e aquecimento para a sexta-feira!

Chegou o primeiro dia. Depois de uma noite bem ou nada dormida, 155 mil hellbangers se preparam para o primeiro dia de shows. O Hellsgate (como é chamado o portal que dá acesso a área de shows) abre as 10h e os shows começam as 10:30h, com 3 bandas, 3 palcos diferentes para você escolher. Nessa edição as bandas Malemort, Drakwild e Fange abriram o festival tocando no Mainstage 2, Altar e Valley, respectivamente.

 

Passando o Hellsgate, é outro mundo. Além dos 6 palcos com mega estrutura, sonorização e iluminação de primeira, organização e limpeza 100% é um dos diferenciais. A área, que hoje é toda gramada, possibilita vermos os shows num chão limpo além de poder dar aquela deitada entre uma banda e outra. Vários bebedouros com agua à vontade também possibilita o público ter uma experiência mais refrescante e saudável do festival. Em minha opinião é uma ótima iniciativa, evita os famosos “PT’s” e a desidratação, já que o festival acontece no verão, onde temperaturas batem 35°. Uma novidade este ano também foram as duas estruturas de água. Dois grandes “gols” que saíram água serviam não só para umidificar o ar, mas também para o público passar debaixo e se refrescar um pouco. Não se preocupe em ver o próximo show molhado, o calor é tanto que em 5 minutos você estará seco.

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Pra quem tem acesso a área VIP, o festival fica ainda mais legal. Além do bar – com estrutura e lustres de ossos – oferece bebidas que não vendem na área comum do festival. Gramados e cadeiras fazem seu descanso confortável junto com o wi-fi liberado. Carregadores portáteis de celular estão a sua disposição bem ao lado de um restaurante onde você encontra comidas mais leves. Com calor? Uma fonte de sangue e uma piscina – sim, eu disse piscina – estão a sua disposição.

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A praça de alimentação do festival é composta por mais de 20 restaurante de todos os tipos e gostos: crepes, churrasquinhos, comida mexicana, americana, italiana e também vegetariana. As refeições, que são servidas desde a abertura dos portões até o ultimo acorde do ultimo shows, custam entre 8 e 15 euro. E também é uma boa opção pra quem não optar por voltar ao acampamento e comer o que comprou previamente no mercado, vai gastar o dobro, mas economizará alguns passos e uns bons minutos (para ir e voltar ao acampamento gasta-se no mínimo 30 minutos). Longas mesas fazem a hora da refeição mais um local de confraternização e diversão.

Pontos de vendas de bebidas estão em todos os lugares para facilitar o acesso e reduzir as filas. Nos bares, o publico pode comprar além da bebida, os copos oficiais do festival. O primeiro é obrigatório, compra a cerveja e o copo ou a jarra e, na próxima rodada, enche novamente o recipiente. Mas, para quem assim como eu é fã de uma boa recordação, é legal comprar os diversos modelos que o festival oferece. Copos com 300 ou 500 mls, a jarra de 1 litro e o copo de vinho. Todos com a marca do Hellfest, desenhos de acordo com o tema do ano e capas promocionais de discos de bandas que lançaram álbuns no ano, essas sendo parte do line up ou não! Sem contar os vendedores que ficam rodando o festival com o cooler nas costas; mais uma opção de cerveja fácil e sem fila. Tudo no cashless citado acima. Sem confusão e tumulto. Desconta o valor na pulseira, enche seu copo e só diversão.

Clássica em todos os festivais, a roda gigante é também uma atração do Hellfest, junto com a sua famosa fila. Tem tempo de sobra (o que eu acho difícil) entre as 160 atrações do festival? Vá!

Prefere ver outras coisas? Passa a entrada da atração e segue direto. Fazendo esse trajeto você vai bem à “florestinha”, chamada Kingdon of Museaden, local com árvores e bancos para os hellbangers beberam e descansarem no pico de calor. Falando em fila, uma que vale a pena gastar um tempo é a do merchandising oficial. 3 containers vendem os produtos oficiais da marca hellfest, de camisetas a óculos, produtos exclusivos da edição atual.

Logo após o Kingdon of Museaden, o bar do vinho. A bebida, que é local – sim, a fazenda onde acontece o festival é uma vinícola durante o ano – é mais um entre todos os diferenciais já citados. Ao lado, mais uma área de descanso com bebedouros, cadeiras, bancos e umidificadores de ar. Para os idealizadores, conforto e comodidade (que só aumentam a cada ano) fazem do festival uma festa para todos; além dos metaleiros que vão para curtir a banda e beber – MUITO – podemos observar crianças, famílias, deficientes ou idosos. Todos têm seu espaço e direitos suficientes para curtir com tranquilidade e respeito. Os banheiros também impecáveis. Limpos, sem cheiro e sempre com papel e água.

Mais a frente, mais um palco. O Warzone. Um dos palcos mais “queridinhos” pelos fãs do Hellfest. É lá onde encontramos o monumento que homenageia o Lemmy Kilmister. Uma estátua de ferro de mais de 3 metros de altura do vocalista com um altar na base. Seu chapéu compõe a homenagem junto com as “oferendas” dos fãs. Camisinhas, bebidas e algumas drogas são colocadas dentro do altar, que é gradeada, para complementar a homenagem.

Nos três dias de festival, o Warzone recebeu as bandas Bad Religion, Terror, Cro-Mags, Backyard Babies, entre outros.

 

Três dos 6 palcos do HellFest são um pouco menores que os outros mas, ainda sim grandiosos. Eles são Valley, Altar e Temple. 3 tentas grandiosas definem um espaço de shows.

O Valley é mais direcionado para bandas do estilo Stoner e recebeu nos 3 dias do festival bandas como Ho99o9, Lucifer, Crowbar, Dead Cross e o Baroness, que por problemas familiares do baterista fez as pressas um show acústico, que acabou sendo lindo e emocionante para o público e também para a banda.

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O palco Altar, mais direcionado a bandas do estilo Death e Trash, recebeu Amorphis, Napalm Death, Childrem os Bodon e encerrou o festival com os americanos do Exodus.

Já no palco Temple, que recebe bandas mais próximas do estilo Brack Metal, o publico pode conferir shows de Satyricon, Heilung, Dimmu Borgir e dos franceses do Carpenter Brut, destque no synthwave atual, que já abriu para bandas como Ghost e ficou conhecida por mixar musicas de filmes de terror, metal, rock e claro, música eletrônica.

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Os dois palco que recebem os headlines – Mainstage 1 e Mainstage 2 – são paralelos, separados por um imenso telão de alta resolução que transmite o show com qualidade até para quem está distante do palco. Como eles são lado a lado, enquanto um tem shows, o outro recebe a preparação para a próxima banda. Este ano, para testar a diversidade de bandas e estilos que só o Hellfest tem, alguns dos headlines foram Megadeath, Iron Maiden, Malylin Manson, Killswitch Engage, Body Count, Europe, Iron Maiden, Alice In Chains, Judas Priest, A Perfect Circle, Hollywood Vampires, Converge, Meshuggah, Deftones, entre outros.

O som? Redondo! Mais de 6 linhas de P.A. e pelo menos 6 delays espalhados na área de shows fazem um som limpo, bem estruturado e “baixo”. Sim! Nada de precisar berrar para chamar o vendedor de cerveja ou gritar para chamar algum amigo. Som de qualidade não precisa ser de estourar os tímpanos, precisa ser limpo, claro e perfeitamente equalizado. E é assim no Hellfest, com todas as bandas em todos os palcos. O público escuta claramente a música, com toda qualidade e ainda consegue interagir com os presentes.

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Definitivamente, o Hellfest é uma experiência única. Muitas bandas, muitas nacionalidades. Pra quem gosta do gênero, é sem duvidas um investimento. Digo por experiência própria que Hellfest é igual tatuagem, quanto mais melhor. Antes mesmo de desmontar a sua barraca e pegar o trem de volta para a Nantes ou Paris (cidades mais próximas de Clisson), você já esta pensando no próximo ano. E a produção também não perdoa, no domingo a noite, para a alegria de hellbangers do mundo inteiro antes da apresentação do Marilyn Manson, foram anunciadas algumas das atrações de edição 2019: Slayer, Manowar, Dropkick Murphys, Mass Hysteria e Carcass, mas esse é só o inicio de um line up de mais de 140 bandas.

 

E aí, animou?

Mosh Live · News

Postado em julho 24th, 2018 @ 08:34 | 244 views
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