5 Jul 2020, 9:07 am

Kool Metal Fest: Festival De Energia E Intensidade Abala Os Alicerces Do Carioca Club Em São Paulo


Texto: Bruno Buys

Fotos e revisão final: Renato Jacob

O festival foi um dos mais importantes do metal extremo a acontecer na capital paulista no segundo semestre do ano

O deathgrind brutal do Brujeria encerrou a primeira edição do Kool Metal Fest na capital paulista.

A tarde musical do Kool Metal Fest começou às 15h com a discotecagem de Thiago DJ e às 16h com a pegada antifascista e feminista do Eskröta, banda de crossover do interior do estado de São Paulo. O Eskröta é pura energia e abriu o Fest para um público ainda esparso, que ia chegando e se impressionando com a sonzeira das meninas. Logo a energia contagiou e o mosh comeu solto. Todo mundo subiu no palco, inclusive, e mais ainda, a mulherada que assistia empolgada ao show, estimulada pela própria banda.

Ya Amaral: vocalista e guitarrista da banda Eskröta.
Tamy Leopoldo: baixista da banda Eskröta.

A Eskröta executou seu repertório com garra e agradou ao público que já conhecia o som da banda. Tocaram uma música inédita, “Cruzamento Maldito”. De saída, ainda levaram o hino punk “Aids, Pop, Repressão” dos Ratos de Porão e, por fim, a composição “Mulheres”, super brutal, com a ajuda do público feminino que subiu ao palco para cantar a breve letra da música de 33 segundos que dizia: “Ninguém me representa / Não sou obrigada / Machista não passa”. Haja mosh! O Eskröta é formado por Ya Amaral (vocal e guitarra),Tamy Leopoldo (baixo e backing vocals) e Miriam Momesso (bateria e backing vocals). Curte a banda? Dê uma ajuda no Catarse para o lançamento do novo álbum: https://www.catarse.me/eskrota_full_album.

Miriam Momesso: baterista da Eskröta.
Participação intensa do público feminino durante o show da Esköta em São Paulo.

Após um breve intervalo (palmas a organização por isso), sobem ao palco os paulistanos do Cemitério com seu death metal rápido e brutal, cantado em português e com belos trabalhos de guitarra. A banda do multi-instrumentista e vocalista Hugo Golon tocou “A Volta dos Mortos Vivos”, “Quadrilha de Sádicos”, “Tara Diabólica”, “Sexta-Feira 13”, entre outras músicas que foram acompanhadas com muita atenção pelo público já mais numeroso e que enchia aos poucos o Carioca Club. Assim como aconteceu no show do Eskröta, a banda teve meia hora para dar o seu recado. E a julgar pela quantidade de moshes ocorridos ao longo do show, a apresentação foi muito apreciada pelos presentes. Ao vivo, o Cemitério ainda conta com Henrique Perestrelo (guitarra), Douglas Gatuso (baixo) e Evandro Junor (bateria). Os membros da banda possuem um estilo bem direto de apresentação, sem firulas. E era necessário aproveitar o tempo. Concluíram o show com “Pague Para Entrar, Reze Para Sair”, muito festejada pelo público enlouquecido.

Hugo Golon: vocalista e multi-instrumentista da banda Cemitério.
Henrique Perestrelo: guitarrista da banda Cemitério
Douglas Gatuso: baixista do Cemitério.

Mais um intervalo civilizado e chegam os santistas do Surra para trucidar os ouvidos da massa que se acotovelava no Carioca Club. Leeo Mesquita (vocal e guitarra), Guilherme Elias (baixo e vocal) e Victor Miranda (bateria) tocam muito rápido e pesado executando excelentes trabalhos de guitarra e base de baixo e bateria bem entrosados. Ficou um pouco difícil de entender as letras das músicas ao vivo, mas o público conhecia bem o som da banda e cantava tudo junto. O Surra conduziu o Kool Metal Fest no mesmo alto nível das bandas anteriores, e a galera curtia o peso do som com muito mosh e banging. Subia fã no palco para dar stage diving e para dividir os microfones da banda e, a essa altura, os seguranças que estavam nas laterais começaram a tentar botar limites. O Surra tocou principalmente músicas do último e ótimo trabalho “Escorrendo Pelo Ralo”, mas incluiu também composições de álbuns anteriores, como do “Tamo na Merda”. Quando o público já estava quente, o Surra solta um pato inflável de borracha no meio do povo, que fica “flutuando” pela venue durante um bom tempo, até ser estourado. Galera enlouquece! 

Leeo Mesquita: o competente vocalista e guitarrista da banda Surra.
Leeo Mesquita: força nos vocais e na guitarra da banda Surra.
Guilherme Elias: baixista da banda Surra.
Victor Miranda: baterista da banda Surra.
O público participou ativamente do show do Surra subindo ao palco para cantar algumas músicas da banda.

Após outro breve intervalo, o Kool Metal Fest estava pronto para entregar aos fãs o Nervosa, que entrou disparando seu thrash metal rápido, furioso e gritado pela frontwoman Fernanda Lira, também baixista. Completa o time a endiabrada Prika Amaral (guitarra e backing vocals) e Luana Dametto (bateria). Contando nove anos de estrada e três full-lenghts lançados, o Nervosa vive um belo momento e está em crescente ascendência. Turnês ao redor do mundo tem sido uma constante na carreira das meninas nos últimos anos. Em outubro deste ano realizaram uma apresentação memorável no Rock In Rio e já estão confirmadas no line-up do próximo Wacken, mas isso depois de realizarem uma tour pela Ásia no primeiro bimestre de 2020.

A sensacional Fernanda Lira se sentindo em casa durante a primeira edição do Kool Metal Fest na capital Paulista.
Prika Amaral: competência nas bases e nos solos do Nervosa. Cada vez melhor!

Com a experiência de palco das meninas, não surpreendeu o quanto elas estavam à vontade no Carioca Club. A própria Fernanda Lira disse que era um prazer tocar em casa, depois de tanta turnê. Enquanto isso, a plateia pirava na energia e no entrosamento da banda. Muito interpretativa, a vocalista fazia caras e expressões que acentuavam o lado dramático das letras. Infelizmente, o vocal da Fernanda sofreu com a falta de um ajuste mais preciso no som. O volume estava baixo, e a voz dela misturava-se com o nível de som da guitarra e do baixo.

A frontwoman Fernanda Lira enlouquecendo durante o show da Nervosa no Kool Metal Fest.
A endiabrada Prika Amaral durante a apresentação da Nervosa no Kool Metal Fest.

Prika Amaral, mais discreta e bastante compenetrada, tocava sua bela Kramer Flying V e eventualmente interagia com o público, seja pedindo a participação de todos, seja provocando, com as mãos aos ouvidos como quem diz “não ouvi!”. O Nervosa executou seu repertório de puro thrash metal em 40 minutos! É incrível a facilidade que tem a baterista Luana Dametto de tocar rápido! E o Nervosa aproveita bem o seu talento. No repertório, incluíram composições de todos os seus três full-lenghts de estúdio e fecharam o setlist com a já clássica e celebrada “Into Moshpit”, do álbum de estreia “Victim of Yourself”, em meio ao delírio do público.

Fernanda Lira no Kool Metal Fest.
Prika Amaral mandando ver no show da Nervosa pelo Kool Metal Fest.
Luana Dametto: bateria poderosa assegurando o peso na sonoridade da Nervosa ao vivo.

O Krisiun entrou em palco no horário previsto e executou seu repertório com muito profissionalismo e técnica. De uma postura mais sóbria, em comparação com as bandas anteriores, mas ainda assim com muita comunicação e interação com o público, o Krisiun agradeceu a presença e o apoio, elogiou os presentes e, principalmente, tocou muito death metal! O setlist foi equilibrado, mesclando músicas de diversos álbuns, inclusive das antigas, como “Ravager”, do “Conquerors of Armaggedon”. Do novo trabalho, a banda tocou a faixa-título “Scourge of the Enthroned” e a “Demonic III”. O som do Carioca Club apresentou uma ligeira melhora durante a apresentação do Krisiun, que conseguiu colocar a técnica de seus músicos em evidência. O público, já eletrizado, agitava, abria rodinhas e batia cabeça intensamente. Mas durante o show do Krisiun, os stage divings deram um tempo. Os fotógrafos agradecem, pois estavam correndo o sério risco de serem atingidos por um corpo voador e de terem os seus equipamentos avariados. Integram o trio mais poderoso do death metal brasileiro os porto-alegrenses Alex Camargo (vocal e baixo), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria).  

Moyses Kolesne: profissionalismo e peso na guitarra do Krisiun.
Moyses Kolesne: muita vibração durante a apresentação do Krisiun no Kool Metal Fest em São Paulo.
Alex Camargo: vocalista e baixista do Krisiun.

Do Krisiun para o Brujeria, o Kool Metal Fest interrompeu o regime de intervalos civilizados para a troca de som. A entrada do headliner começou a demorar muito e o público foi ficando impaciente. Após meia hora de atraso em relação ao horário divulgado, chegou ao palco do Carioca Club a banda principal da noite!

O Brujeria terminou de tocar fogo no que já era pura nitroglicerina dentro da venue. Simplesmente, a pista virou uma única super roda durante praticamente todo o show. Já não havia mais fãs subindo no palco só para dar stage divings. Subiam ao palco para agitar e assistir de lá ao show. Batiam fotos com os músicos, faziam gestos para o público, cantavam junto, pulavam, até que eram “devolvidos” à plateia pelos seguranças, que tentavam botar um mínimo de ordem, senão na pista, pelo menos no palco.

E assim começou o show do Brujeria…
Juan Brujo: vocalista do Brujeria.
Fantasma: vocalista do Brujeria

O setlist do Brujeria foi semelhante ao que a banda vinha executando em sua turnê. Iniciaram com “Cuiden a los Niños”, onde uma criança no palco anunciou à banda gritando “Brujeriiiaaaa!”. Em uma hora de show, o grupo tocou vinte músicas distribuídas entre os seus maiores sucessos, com direito a “El Desmadre”, “La Ley de Plomo”, “Lord Nazi Ruso”, “Anti-Castro”, “Colas de Rata” e, claro, “Matando Güeros” – onde entraram em palco portando facões que brandiam junto com os versos – e a incrível paródia “Marijuana”, que fechou a noite, acompanhada com muito swing e descontração pelo público. Estavam na formação da banda Juan Brujo (vocal principal), Fantasma (segundo vocal), Criminal (guitarra), o insano e sensacional Shane Embury, também membro do Napalm Death, no Brujeria chamado de Hongo (baixo) e Hongo Jr. (bateria).

O insano Shane Embury incendiando o show do Braujeria com o som ensurdecedor de seu baixo.
Criminal: guitarrista do Brujeria.
Fantasma e Juan Brujo em um momento “relax” do show.
Fantasma e Shane Embury durante a apresentação do Brujeria em São Paulo.
Brujeria no Kool Metal Fest: intensa participação do público presente.
Brujeria no Kool Metal Fest: intensa participação do público presente.

O Kool Metal Fest ocorreu no dia 10 de novembro e teve a sua primeira edição na cidade de São Paulo, sendo um grande sucesso de público e crítica. Todas as apresentações foram muito enérgicas e o público respondeu à altura tanto na pista, participando ativamente de todos os shows, quanto adquirindo em massa os merchandisings das bandas integrantes do evento. Muitos CDs, LPs e camisetas tiveram os seus estoques esgotados, uma medida indireta de quanto o festival conseguiu cumprir bem o seu papel de entreter o público e de entusiasmá-lo com músicas extremas e de alta qualidade. Acredito que em um futuro não muito distante uma segunda edição do evento deverá ser agendada para a capital paulista. Aguardamos!

Agradecemos imensamente a produção do evento e ao assessor de imprensa Erick Tedesco pela confiança em nosso trabalho e credenciamentos gentilmente concedidos.  

Mosh Live · News

Postado em dezembro 14th, 2019 @ 12:02 | 293 views
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