4 Jun 2020, 1:39 pm

Mosh Interview: Attomica


Esta entrevista exclusiva do Attomica para o Fanzine Mosh rolou poucas horas antes do show matador que eles fizeram no Guaru Metal Fest (Setembro/2018). O clima foi tão descontraído, que eu diria que foi mais um bate-papo entre amigos. Pudemos falar sobre toda a carreira da banda, da perda do vocalista Alex, das incertezas e dificuldades deste período, do excelente álbum novo, do bom momento vivido pela banda e dos projetos pro futuro.

por Emerson Mello

São 03 personalidades distintas mas ficou visível a grande unidade de pensamento que a banda possui, o respeito mútuo entre os membros, uma verdadeira irmandade. Mostra que a banda  está no caminho certo e ainda tem muitos “truques” pra tirar da cartola.

MOSH – Vamos começar falando do novo álbum “The Trick”, que eu considero um álbum muito maduro e consistente, e em minha opinião, pode ser considerados um dos melhores da discografia da banda. Vocês concordam com esta afirmação?

ARGOS – Totalmente!

ANDRÉ – Pô, que legal cara!  A gente trabalhou bastante pra isso. Porque também tinha uma questão de honra aí ,um desafio.

MOSH – Até mesmo de superar os álbuns clássicos do passado que os fãs já conhecem bem.

ANDRÉ – Sim!E muita conversa que houve, muita falação, muita coisa que aconteceu antes. Muita gente se achando o bam bam bam, conhecedor de tudo.

ARGOS – Envolve vários quesitos, formação nova, se a banda iria continuar ou não, como seria a banda como trio, porque o Attomica sempre veio da tradição de cinco integrantes.

ANDRÉ – E também muita porrada que a gente tomou né velho? A morte do Alex que foi a principal porrada.  (nota: Alex Rangel – vocalista que integrou a banda durante os anos de 2012-2014 e que morreu tragicamente em um acidente de moto).

MARCELO – Isto marca um momento de superação pra banda né? Visto que o último acontecimento trágico foi a morte do Alex, teve a saída do Thiago, e a gente precisava firmar esta nova fase. As idéias foram fluindo, a gente chegou num resultado muito satisfatório e estamos muito felizes que os fãs estejam recebendo tão bem este trabalho novo.

ANDRÉ – E a gente fez isto bem tranquilamente entendeu? Sem nenhum estresse, com muita naturalidade. O pessoal hoje faz muita comparação do meu vocal com o vocal do Mustaine, mas posso te dizer sinceramente, o Megadeth não é uma banda que costumo ouvir. O cara tem mais ou menos a mesma idade que eu, ele provavelmente escutou as mesmas coisas que eu.

MOSH – Aproveitando o gancho da resposta do Marcelo, em 2017 a banda teve a saída do guitarrista Thiago Donizeth . A decisão mais previsível seria recrutar outro guitarrista, mas vocês preferiram seguir como trio. O que levou à banda a esta decisão?

ANDRÉ – Duas coisas pesaram pra esta decisão. Primeiro que não é fácil achar alguém que se encaixe na filosofia da banda. E segundo a própria questão da logística, tudo fica mais fácil com três integrantes.  Até mesmo na hora de compor. E o Marcelo não tem como ,é um cara que manda bala!

MOSH – Vocês se sentiram confiantes em seguir porque sabiam que o Marcelo daria conta?

ANDRÉ – Sim!Tudo isso foi conversado  e ele topou na hora.

MARCELO – A gente tinha uma seqüência de shows e teve pouco tempo pra se adaptar, e resolvemos fazer e sentir o que iria acontecer, pra sentir a dinâmica da banda neste formato, como iria soar o entrosamento desta nova formação. E a gente percebeu que tudo correu com muita naturalidade. Inclusive nas composições do disco novo, tudo saiu rápido, flui muito bem.

ARGOS – Quando estávamos em quarteto as coisas estavam fluindo um pouco mais lentas. O último show do Thiago foi em 2016 no SESC e ele decidiu sair por motivos particulares. E a gente tinha o Festival Otacílio pra fazer em Fevereiro e não dava tempo pra chamar alguém, então a gente pensou em fazer um teste como trio. Cara, no primeiro ensaio as músicas saíram naturalmente, inclusive a musica “Feeling Bad”, então a gente percebeu que a formação em trio estava tudo fluindo tudo mais rápido. Então a gente decidiu manter esta formação em Power Trio mesmo.

ANDRÉ – Eu não tinha dúvidas que o Marcelo daria conta.

MARCELO – A confiança que eles me passaram foi fundamental. É uma confiança mútua né? A questão era principalmente nas músicas antigas, com certeza teria aquela análise e tal. Mas a gente foi se adaptando, as músicas foram acontecendo, os shows foram dando seqüência e culminou com este trabalho novo que está sendo muito bem aceito.

ANDRÉ – Todas as resenhas o pessoal tem falado bem. A gente fica feliz que as pessoas têm gostado.

MOSH – E como foi o processo de desenvolvimento do álbum?

MARCELO – O André aparecia nos ensaios com algumas idéias, alguns arranjos e a gente ia acrescentando mais coisas.

ANDRÉ – Acrescentado os detalhes e polindo o som.

ARGOS – O legal também é que no “The Trick” cada faixa que o fã escuta ele fica curioso com o que vai vir na próxima faixa. Não é aquele tipo de cd que tipo a primeira parece a com terceira, a segunda parece com a quarta, aqui cada música tem uma dinâmica diferente.

ANDRÉ – Isto foi legal e acho que foi interessante também porque a faixa “The Trick” comecei a trabalhar nela em 2013. Mas com tudo que aconteceu ela ficou meio de lado, mas eu continuava pensando e repensando nela. Pode ter sido isto que deu uma diferenciada nela das demais faixas do cd. Mas fluiu.

MARCELO – Outro ponto interessante é que cada um tem uma referência diferente, escuta coisas diferentes, vem de escolas diferentes. Claro que sempre respeitando as tradições da banda, mas houve uma liberdade de interpretação, de acrescentar detalhes, mas sem exageros, que é o mais importante, porque ao misturar influências você tem que ter cuidado pra não passar do ponto. Mas fizemos isto juntos , pensando juntos.

ANDRÉ – A gente sempre perguntava um pro outro: ”ta confortável isso?tá soando legal?” Eu por exemplo gosto muito dos anos 70.

MOSH – E o Marcelo por exemplo tem uma influencia de violão clássico muito forte.

ANDRÉ – Sim, todo este tipo de coisa nós pudemos aproveitar no disco porque a gente estava com a cabeça bem tranqüila em relação a estas idéias. Sem aquele tipo de coisa “a gente tem que fazer assim, senão o pessoal pode não gostar e tal”. Pensamos simplesmente, “vamos fazer”.

ARGOS- Tanto é que tem uma faixa que do cd,a “Endless Cycle”, que na época a composição foi feita com arranjo de teclado, que é novidade no Attomica, o André ficou meio cismado. Ficamos naquela “será que coloca ela ou não. E acabou que é uma das músicas mais elogiadas do cd.

MOSH – Para divulgação do “The Trick” vocês lançaram um lyric vídeo da música “Give Me the Gun” e um vídeo oficial da “Kill the Hero”. Como tem sido a divulgação?

ARGOS – A divulgação está sendo feita pelo Facebook, redes sociais , o canal oficial do Attomica pelo You Tube aonde tem disponível o clipe, os vídeos de show. Na página oficial da banda também tem disponível e no Instagram.

MARCELO – Estes lançamentos criaram uma boa expectativa para o que seria o álbum.

MOSH – Quando vocês escolheram estas faixas pra trabalho foi um consenso, vocês sentiram que seriam as melhores músicas pra este tipo de trabalho?

ANDRÉ –  Na verdade a gente tinha idéia de outra música pra ser o single. Quem falou sobre “Kill the Hero” foi o Vagner Alba(nota: Responsável pela gravação e masterização do “The Trick”).  Ele falou que ela era mais cadenciada e que iria funcionar bem como single, que ela teria mais alcance. E a gente aceitou a sugestão dele e funcionou bem.

MOSH – O Attomica sempre teve uma identidade visual muito forte. A capa do novo álbum  me chamou muito a atenção por não ser tão “digitalizada” e sim com traços característicos do artista. Me remonta aquele clima dos anos 80. Como foi desenvolvido o conceito desta arte?

ANDRÉ – A gente não tinha nenhuma concepção. A coisa foi surgindo. Parece que tem alguma coisa que vai surgindo, um dia joga uma coisa, outro dia joga e vai jogando e ai vai chegando no lugar. Não foi assim de explosão, foi acontecendo e chegou uma hora que a idéia e o conceito vieram. Foi um processo mais longo.

ARGOS – Teve o detalhe principal da capa que foi o Fábio que desenhou (nota Fábio Moreira ex-integrante da banda que também fez a arte dos álbuns Limits of Insanity e Disturbing The Noise).

MOSH – Mas vocês já tinham pensando no nome do Fábio pra capa?

ANDRÉ – Eu pensei no Fábio logo de cara. Foi a primeira pessoal que veio à mente. E ele pegou a idéia muito rápido.

MOSH – É uma imagem que quando você vê marca de primeira.

ARGOS – E também o nome que o André sugeriu, The Trick – O Truque, a galera estava cismada com o que viria depois com esta nova formação. Então ficou como se fosse um truque de cartas, você joga lá e deixa pra ver o que vai acontecer.

ANDRÉ – A situação do momento, a situação conturbada, é bom você ter uma carta na manga sempre.

ARGOS – Resumindo, o The Trick foi o Fábio que fez a capa, formação em trio que era novidade, as músicas diferenciadas, então foi um álbum curioso pra galera, eles fizeram questão de ouvir faixa por faixa.

MOSH – Mediante isto tudo vocês diriam que a banda vive o melhor momento?

ANDRÉ – Sempre teve momentos legais. Eu sempre fui muito dedicado à banda. Já aconteceu muita coisa, tanto boa quanto ruim. O que eu vejo hoje é que eu tenho mais seguranças, que estou com caras que são firmes,estão juntos no corre,tem sinceridade, a gente combina tudo. A coisa ta mais sólida. Se  é o melhor momento?Claro que é o melhor momento, porque estou vivendo ele agora!(risos)

ARGOS – Da minha parte, em 2014 quando eu entre pra banda, a gente passou por alguns momentos desagradáveis como a morte do Alex, inclusive a faixa Mistery é em homenagem a ele, e ao longo do tempo dos ensaios e dos shows a gente foi captando a mensagem do André, e praticamente o pensamento é igual, por isto a banda flui bem desta maneira.

MOSH – A You Bet Tour já tem algumas datas pra 2019. Vocês pretendem parar pra trabalhar num álbum novo?

ANDRÉ – não vai dar pra parar não.

ARGOS – As duas coisas já estão rolando em paralelo. Em off aqui posso te dizer que já tem músicas novas prontas.

MARCELO – Não era pra vazar né?(risos)

ANDRÉ – A idéia é lançar alguma coisa nova pro segundo semestre de 2019. Tem uma música antiga do meu irmão, que ele fez em casa, tipo demo, que eu penso em regravá-la. Ela saiu como faixa bônus do Limits of insanity. E o meu irmão é legal falar sobre isso também porque ele fez parte do Attomica até 1990 (nota: Pyda Rod), e ele tá sempre com a gente, tira foto, ajudou na arte interna deste novo cd. Então é muito legal você ter este tipo de parceria.

MOSH – E qual será o direcionamento musical?

ANDRÉ – Acredito que vai seguir a mesma linha do “The Trick”, abrangendo esta sonoridade e não deixando de lado a veia old school e principalmente o peso, que a gente não abre mão.

MARCELO – As composições são baseadas no Heavy Metal e no Thrash Metal, mas a gente tem liberdade pra contribuir né?Cada um coloca sua cara no som. Tanto é que quando fomos gravar e rolou a pergunta, como que o disco soaria o André falou ,”tem que soar como “The Trick,tem que soar o disco novo”. E a gente foi pro estúdio , timbrou, gravou a bateria, a guitarra e no final ficamos bem satisfeitos com o resultado.

MOSH – E como é a pressão de superar um trabalho que foi aclamado tanto pela crítica e pelo fãs, como foi o “The Trick”?

ANDRÉ – Isto tem que rolar né?É uma coisa natural. Você sempre tem que procurar melhorar, se superar.

MOSH – o Attomica é um dos pioneiros do Metal Nacional e vocês pegaram a época de fita demo e fanzine de Xerox. Como vêem as mudanças do mercado musical na atualidade?

MARCELO – A gente tem uma forma de pensar que é fazer tudo com total dedicação e máxima qualidade possível, e atingir o resultado. Muitas pessoas às vezes reclamam do momento atual e tudo, sabemos que é delicado sim, porém as bandas que estão trabalhando intensamente estão comprometidas com a qualidade, com os fãs e são fiéis ao que se propõe a fazer eu acredito que não tem esta dificuldade toda, e chega ao objetivo.  Tanto é que neste novo momento da banda, estamos vindo com bons shows, todos bem estruturados, as vendas do cd estão indo bem.

ARGOS – Vontade e acreditar. Até mesmo porque se você pegar de 2014 pra cá, por todas as dificuldades que a gente passou, muitas bandas teriam desistido. Quando o Alex faleceu a gente deu um stand by de 02 meses, até mesmo porque não tem clima nem pra ensaiar num situação destas,e depois que passou este período e nós fizemos uma reunião nós decidimos continuar, até mesmo porque isto era um sonho do Alex também, era um cara que sempre levantou a bandeira. Muito gente às vezes fala, “ah mas eu não tenho grana pra fazer isso”. A gente fez o “The Trick” no braço mesmo. Quando você faz algo em que você acredita você vê o resultado final através do seu público,dos fãs. 

MOSH – Vocês tem uma novidade legal que é o aplicativo da banda.

ARGOS – É uma coisa inovadora, você baixa pelo Google Play e lá tem todas as informações, tanto pra quem é fã da banda ou para um produtor que queira contratar a banda.

ANDRÉ – A idéia foi de um amigo lá de São José que é fã da banda e ele me procurou e ele me explicou como funcionaria.

ARGOS – E a galera nova hoje vive com o celular na mão. E é uma forma de seguir o que está rolando no mercado né?Temos fãs da banda que ainda compra fita k-7, compra vinil no nosso merchan, e compram bem. Mas o Attomica também tem fãs de 15,16 anos que não conhecem este formato que gostam do formato mais atual.

MOSH – Pra gente fechar gostaria de agradecer pela entrevista e deixo aberto pra vocês.

ARGOS – Agradecer a galera que sempre acompanha a banda, tanta nas redes sócias quanto nos shows. É muito legal esta interação que temos com os fãs. A gente não só faz o show e vai embora, a gente conversa com eles, dá atenção. Esta galera que faz o Attomica seguir cada vez mais e gostaria de agradecê-los.

MARCELO – só pra concluir o que o Argos falou o Attomica continua pelos faz, pela superação, a gente sabe que não é fácil manter uma banda em atividade durante tantos anos. Ebtao eu quero agradecer e convidar a todos pra sempre compareceram nos shows e ainda vem muita coisa boa pela frente.

ANDRÉ – Queria também agradecer ao Fanzine Mosh,valeu mesmo meu velho!

Formação Atual

Andre Rod – Bass/Vocal
Marcelo Souza – Lead Guitar
Argos Danckas – Drums

Discografia

(1987) – Attomica

(1989) – Limits of Insanity

(1991) – Disturbing the Noise

(2012) – IV

(2018) – The Trick

FACEBOOK: https://www.facebook.com/AttomicaOficial/

TWITTER: https://twitter.com/attomicaoficial
INSTAGRAM: https://www.instagram.com/attomicaoficial/
YOUTUBE: https://www.youtube.com/attomicametal

Interview · News

Postado em março 31st, 2020 @ 19:19 | 364 views
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