4 Jun 2020, 11:53 am

Mosh Interview: Brunno Mariante


Com quinze anos de carreira, tendo passado por bandas como Nitrojam e Vindicta, o vocalista Brunno Mariante resolveu partir para um trabalho solo chamado: Brunno Mariante – Heal or Kill. Fiz essa entrevista de dez perguntas, na qual ele nos fala sobre seus dois CDs lançados, da participação de Blaze Bayley em seu trabalho, sobre sua participação na banda V Project com o baterista Sergio Facci (Vodu / Volkana / Viper) entre outros assuntos.

por Carlos Henrique Bueno

Conte um pouco de sua carreira, as bandas que você fez parte, se chegou lançar álbuns com elas e como pintou a ideia de formar o seu projeto solo?
Bom, eu fiz parte de várias bandas no decorrer da minha vida, já faz 15 anos que estou na música como vocalista. Eu citarei as principais bandas que são as mais importantes que chegaram a gravar álbuns que foram a Nitrojam e o Vindicta.Na primeira fase da minha vida como músico, tive já idéias de composições que acabaram feitas para essas bandas e principalmente a Nitrojam teve 3 álbuns de estúdio, além de uma Demo que gravamos antes e posteriormente gravamos um CD ao vivo de um show que fizemos.Além disso teve o Vindicta que surgiu uns anos depois, que gravamos um EP com várias músicas próprias e também teve um CD de músicas ao vivo.

Em 2018 você lançou o seu primeiro álbum solo “Heal or Kill”, além de sua banda de apoio, este álbum contou com várias participações especiais como Felipe Machado, Val Santos, etc…Como surgiu a ideia de convidar esses músicos e como você teve a idéia de convidar Blaze Bayley para participar?
O meu projeto solo começou de uma forma muito inocente, eu tinha muitas musicas guardadas e “uma gaveta” com arquivos de Guitar Pro ou Demos gravadas de uma forma bem simples que não estavam sendo usadas para nenhuma banda que eu fazia parte.No caso, eu estive em uma situação em que eu resolvi gravar todas elas de uma só vez, fazendo um “Mix” de músicas que não tinham nada a ver com uma banda ou com outra. Mas que tinham a ver comigo pessoalmente, pois eram composições pessoais minhas.E eu também queria ter esta liberdade de chamar vários convidados especiais diferentes, pessoas que eram de minha “Network” como músico ou que eu já admirava (no caso o Blaze Bayley) como fã. E que eu tinha um certo contato de chegar até essas pessoas e pedir para que elas viessem participar comigo do meu primeiro CD solo.Assim como o meu primeiro CD da banda Nitrojam, já teve a participação especial do Val Santos que na época tocava na banda Viper, quanto o Ricardo Confessori que estava no Angra e Shaman.Eu quis fazer uma linha como essa, mas mais ampla, com mais convidados especiais e uma variação maior de estilos musicais (Heavy / Thrash / Power Metal) dentro do mesmo CD, que por mais que fugissem da linha, ainda assim eram coisas particulares minhas.

Em 2019 você foi para Londres divulgar seu primeiro álbum, chegou a participar de programas de rádio além de fazer dois shows por lá em Pubs com músicos locais.Como foram esses shows por lá e a recepção do público com seu trabalho?
Em Londres, diferente do que muitos acreditam por aqui, a “Cena Rock N’ Roll”  é muito mais fácil de acontecer. As pessoas tem a cultura de assistir a shows de segunda a sexta. Coisa que aqui no Brasil não é tão comum. Você tem na saída do seu trabalho shows começando por volta das 19:30 / 20h. Da tempo das pessoas assistirem o show, jantar, beber uma cerveja e voltar para casa antes da meia noite para dormir e acordar para o trabalho no dia seguinte.Quando eu fui me apresentar para alguns Pubs de Londres, eles já me deram datas no mesmo momento.Eu estava sozinho lá e não pude levar a minha banda junto, então eles me conseguiram músicos lá que eram os próprios funcionários do Pub, para que pudessem ser a minha banda de apoio para fazer o show comigo.No caso eles usaram algumas músicas do meu CD como repertório e alguns covers variados que todos já sabiam tocar de imediato.Já o meu segundo show de Londres foi muito mais legal, pois o meu primeiro foi feito no “The Castle Pub” no bairro Acton e a banda que tocou em seguida da minha foi a de um cara muito gente boa que conheci lá chamado Leo Hendrix.Ele tem uma banda só de Argentinos que moram lá, em seguida o Leo me convidou para um show que ocorreria alguns dias depois daquele em um outro Pub chamado “The George and The Dragon”. Combinamos o repertório para tocar alguns covers e foi uma experiência muito legal.Os shows renderam uma venda muito boa de merchandising, levei alguns CDs nesta viagem e a recepção de Londres é muito legal. Compraram muitos CDs, palhetas e eu voltei para o Brasil praticamente sem nenhum merchandising.

A participação de Blaze Bayley no álbum “Heal or Kill”, de alguma maneira ajudou na divulgação na época do lançamento?
A participação especial do Blaze Bayley era algo que eu já almejava a muito tempo, pois eu já estava conversando com o empresário dele a algum tempo pela internet. E eu queria fazer um CD de estréia com da minha banda solo com uma participação de peso, quem melhor do que um Ex integrante do Iron Maiden para fazer parte disso?Acredito que tenha sido um tiro certeiro, pois compraram muitos de meus CDs, elogiaram e acabamos até fazendo um Clipe juntos.Foi uma situação extremamente necessária para aquele primeiro momento.

Alguns músicos passam por situações bizarras, como cair do palco, tocar para um publico que especificamente não seja Metal, etc…Mais sei que em 2018 você fez um show “diferente digamos”, em um Casamento.Como surgiu esse convite e como foi a reação dos convidados?
Esse evento de casamento foi uma situação muito legal, fui convidado por Sergio Lima da banda Palooza para fazer uma participação especial como vocalista em uma “Banda de Baile” que estava rolando aqui em Campinas. Esta indicação veio através de Luis Fonseca que é um vocalista amigão meu. Esse show na verdade era para ter sido feito com ele no vocal, mas ele me intermediou para fazer isso no lugar dele. Pois ele teria um outro evento neste mesmo dia com uma Orquestra.Então ele me “passou a bola” para conversar com o Sergio Lima que foi me passando o repertório.Foi realmente muito legal, pois foi um casamento em que tocou musicas de: Pantera, Metallica, Deep Purple, Black Sabbath e muita coisa legal. O que eu mais gostei foi que os convidados do casamento já estavam esperando por algo assim, tanto o noivo quanto a noiva eram dois roqueiros “Juramentados” que já estavam programando algo para que acontecesse deste tipo.Os convidados banguearam e curtiram com roupas de casamento mesmo, uma situação muito bacana. 

Além do seu trabalho solo, você tambem e vocalista do V Project. Banda do baterista Sergio Facci (Vodu / Volkana / Viper).Como surgiu o convite para participar desse projeto?
O V Project foi uma banda muito importante que surgiu um pouco mais a diante, eu até não havia mencionado ela no início da entrevista. pois eu não tinha gravado nenhum álbum com ela. Porém eu me lembro até hoje que fui convidado na semana de um aniversário meu a 5 anos atrás.Essa banda já havia feito um único show de estréia em São Paulo com vários vocalistas, dentre eles uma das meninas que cantou na banda Volkana, o André Gois da banda Vodu, etc…Foi realmente um show bem completo com vários vocalistas, no caso o Sergio Facci que é o dono deste projeto quis fazer um novo formato desta banda com apenas um único vocalista fazendo o show completo na íntegra. Foi dai veio este convite até mim e ele passou as músicas para que eu tirasse para o teste que foi realizado em São Paulo.Não vou negar que foi um teste em que eu fiz extremamente desesperado, pois havia a música “Living For the Night”, um clássico do Viper que eu considero super difícil de se cantar.Mas por sorte deu tudo certo e eu já estou na banda fazem 5 anos.

Entre Junho e Julho de 2019, você lançou o segundo álbum solo “No Time To Waste”.Novamente este teve vários músicos convidados.
Como foram as gravações dele, como tem sido a divulgação?

Este CD tem uma história muito bacana, porque as músicas deste álbum, ou podemos chamar de “Compilado” eram músicas que eram para terem entrado no meu primeiro CD “Heal or Kill”. Mas o mesmo já tinha muitas faixas, eram 12 se não contasse com a faixa bônus. Colocar mais 4 músicas neste seria um exagero e eu achei que as pessoas iriam se dispersar e não dar a devida atenção para todas.Guardei essas 4 músicas para serem usadas em um futuro, elas já estavam até mixadas, masterizadas e prontas para serem lançadas quando precisasse.Além dessas faixas ele acabou contando com mais outras faixas que eram 2 músicas que já estavam no primeiro CD, mas executadas por outros convidados especiais e também uma faixa bônus ao vivo de uma música que considero um Hit da minha banda “Shadows Remain”.

Sei que você mesmo é quem faz seus vídeos, desde filmagens até a produção final.O clip da musica “Liar” teve participaçoes de Blaze Bayley e Felipe Machado.Conte-nos como é fazer e produzir seus proprios Video Clips. Você faz “na raça” ou tem alguma formação nesse meio?
Sim, na verdade eu já trabalhava a muitos anos atrás com vídeos, por 4 anos eu era funcionário de uma empresa em que eu só fazia isso o dia todo. Então eu já tinha muitas habilidades com a câmera, edição, calibragem de iluminação. Já era uma boa bagagem trazida para a música em que eu poderia fazer esses vídeos com maior qualidade.Comecei tudo com câmeras mais simples, depois fui trocando de equipamentos, adquirindo outras mais sofisticadas e também adquiri iluminações extras.Então normalmente sou eu mesmo que faço toda essa parte “Audio Visual” que esta ai constada no Youtube, vocês também podem acompanhar tudo pelo meu site www.brunnomariante.com.br lá estão todos os Clipes que eu lancei até hoje.

De alguma maneira morar no interior de São Paulo “ajuda ou atrapalha” você a divulgar seus trabalhos?Você mora em Campinas, cidade do “interior” de São Paulo mas considerada grande, mais de 1 milhão de habitantes.Fale um pouco de Campinas locais para shows, bandas, etc…
Morar no interior de São Paulo não há problema algum, pois eu posso pegar um ônibus e em 2 horas estou na Capital. Além do que Campinas é uma cidade grande e ela tem portais de saída para muitas outras cidades pegando as estradas, Isso facilita muito para o meu lado.Porém tenho que considerar que a cidade de Campinas não é forte no quisito “Metal Autoral”, principalmente por ser uma cidade muito grande e movimentada e as pessoas se dispersam com muita facilidade.E a cidade neste momento agora de 2020 também esta passando por um momento de escassez de casas noturnas que aceitem este tipo de shows de bandas autorais, de certa forma isso atrapalha um pouco. Porém a acessibilidade para outras cidades aqui é bem simples.

Sei que no momento você esta divulgando o álbum “No Time to Waste”.Devido a essa pandemia do “Covid 19” os shows tiveram que ser cancelados. Quando tudo voltar ao “normal” pretende voltar com os shows, quais são seus planos?
Já pensa em um novo álbum?

Neste período da Pandemia, infelizmente tivemos ai uns cancelamentos de 3 shows e de 2 participações em rádios. Mas eu diria que é um período bom para se fazer composições em casa principalmente, se você tem Home Studio / Interfaces de Gravação em casa ou habilidades para compor no Guitar Pro.Eu mesmo estou usando uma grande parte do meu tempo livre para compor para um seguinte CD solo que possa estar vindo a acontecer no futuro. Se essa Pandemia acabar logo principalmente posso por isso mais em pratica ainda.Uma outra coisa que facilita muito é que parte de convidados especiais estão aproveitando deste tempo livre para gravar musicas em suas casas para o meu CD novo. 

Para finalizar deixe um recado aos leitores do Mosh.
Queria muito estar agradecendo a equipe toda do Fanzine Mosh, principalmente ao Henrique Bigode e Andre Smirnoff. Precisando de mim é só chamar.

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Postado em abril 5th, 2020 @ 11:11 | 280 views
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