5 Dec 2020, 6:10 am

Mosh Interview Com A Banda Korvak


A qualidade técnica percebida na primeira audição de “Korvak”, o full lenght autointitulado dessa banda de Campina Grande/PB, é espantosa. Para os desavisados, pode parecer apenas mais uma banda de Thrash Old School entre tantas que circulam na cena brasileira, mas o que temos é um excelente álbum, recheado de passagens clássicas, muita técnica e peso na medida certa.

Por João Calixto

O trio conversou com a equipe do Fanzine Mosh e contou como esta sendo a repercussão do lançamento desse play.  

O álbum “Korvak” foi lançado ainda no final de 2019, mas vocês ainda continuam na divulgação dele. Como está sendo a aceitação do trabalho pelo público?

R: Salve Mosh! É uma honra estar fazendo parte das suas páginas virtuais! Bem, ao mesmo tempo em que a internet traz a facilidade de acessibilidade, destacar-se dentre tantas bandas de qualidade é um trabalho árduo e incessante. Dentro disso buscamos estar melhorando sempre. Neste ano foi feito o lançamento físico em conjunto com os selos “Thrash or Death” e “Cianeto discos”, que também estão auxiliando na divulgação. Paralelamente estamos realizando entrevistas e vendo citações da banda em páginas, vídeos do Youtube, etc., e em suma está sendo bem gratificante! Em grande maioria são elogios e críticas construtivas, o que nos instiga bastante a continuar a caminhada.

E o resultado final foi o esperado por vocês?

R: O resultado foi bastante satisfatório. O que tínhamos em mente foi expressado exatamente como queríamos, tanto na parte musical como também em relação às letras. O mais importante é que nossa mensagem está sendo transmitida e o público está captando toda essa essência de forma positiva. Analisamos os pontos de melhoria, a parte crítica aflora, mas são aprendizados. Resumindo, estamos com aquela sensação de dever cumprido.

Fiquei surpreso com a técnica, a qualidade das músicas e a produção do álbum, a qual é digna de elogios. Como foi a concepção de “Korvak”?

R: Muito obrigado pelas palavras! A “entidade” surgiu naturalmente, nós estamos acostumados a tocar desde nossos 12 anos de idade, em média, e os covers não foram satisfazendo nossa vontade por tocar com técnica o mais rápido e pesado possível, culminando ao ponto de aliar todas nossas vivencias e visões de mundo para materializar tudo isso em forma de música. Após diversas mudanças de nome da banda, Cláudio chegou à ideia desse ser anti-heroico e cósmico, inspirado em revistas de quadrinhos, e o título do álbum se apresentou muito naturalmente, tendo em vista todas as temáticas. Em suma: o disco não foi nada menos que todos esses anos resumidos em aproximadamente 50 minutos.

Suas influências são bem visíveis em todas as faixas, mas vemos muitos elementos estranhos ao Heavy Metal em vários momentos no play. Conseguiria analisar essa mistura de estilos dentro das composições? No que elas enriquecem o trabalho?

R: Basicamente tentamos buscar influências da música em geral, e partir disso, buscamos deixar elas com a “cara” do metal, nada se cria, tudo se transforma. Cláudio é filho de Jorge Ribbas, da Musidom, uma escola de música daqui da Paraíba, ele cresceu em meio dessa variedade, André e Gabriel fizeram aulas de música lá também, lendo partituras de música clássica, aprendemos a ter amor às variadas facetas da música, inclusive da música regional, e mesmo que nós não tenhamos intenção, acabamos incorporando isso de uma forma bem orgânica. No fim das contas, enriquece pra caramba! O meio do metal (às vezes) por medo da não aceitação se prende a fórmulas prontas, ficam vitimas do pragmatismo, e para inovar, é necessário agregar referencias, tomemos o exemplo do Sabbath: foi um experimento que buscou o rock do mais pesado possível, a adição de linhas jazzísticas experimentais de Bill Ward, tudo isso temperado com letras abomináveis para a sociedade na época. (Não estamos dando nenhuma indireta, cada um é livre para fazer o som que quiser).

Vocês inicialmente começaram a banda como um quarteto e hoje, é um trio. O que essa mudança interferiu no trabalho de criação do Korvak?

R: Compomos muito mais como trio do que como quarteto. Há muitos fatores a se levar em conta, em relação a isso, mas a principal diferença é na quantidade de pessoas para opinar em uma ideia. Na época que Matheus fazia parte da banda, havia sempre mais uma opinião para cada composição de um modo geral, além de ser também outra fonte de ideias. São aproximadamente cinco anos desde que Matheus saiu. Durante esse tempo, houve também muito amadurecimento de cada participante da banda (musicalmente falando) e isso com certeza pesou em como compomos e pensamos na música.

A ilustração da capa traz elementos bem peculiares, como uma paisagem de características regionais, que mostra as origens da banda. Fale-nos de como foi à escolha da capa.

R: Tudo começou com o contato que fizemos com Guga Burkhardt, que também é escritor da Acclamatur Zine, de Recife-PE. E ele curte muito nosso som, e adoramos várias artes que ele fez para outras bandas, como Thrashera, Orgia Nuclear, etc. Acabou que deu certo! Hahaha. Quanto à capa, nós mandamos nossas letras pra ele, para que unisse as ideias, pois as letras se comunicam de uma forma bem coesa, até a ordem das músicas, para quem se atentar com um olha mais detalhista, enfim, um grande resumo da ideia seria: toda materialidade de uma pessoa gananciosa, cheia de vícios (representado pelo político), com sua maleta cheia de riquezas materiais sugadas pelo vortex (com o olho que tudo vê) junto ao império de areia que ele construiu ao longo da sua vida insignificante, e em contraponto, a águia, símbolo solar da natureza, voando em oposição a isso (caminho da mão esquerda) e levando a espinha dorsal do político, sua sustentação, é recheada de simbologia ocultista. Mas para não ser apenas uma reprodução de coisas que vimos, decidimos dar o toque nordestino, colocando a vegetação comum da região do semiárido, a nossa Caatinga, além disso, colocamos a constelação de Orion, que pode ser vista da nossa região também. Foi bem divertido viajar nessa concepção da capa.

O Korvak já conta com um público bem fiel, apesar do pouco tempo de criação. Isso faz uma grande diferença na divulgação do trabalho, não?

R: Faz demais! Nós tentamos manter uma relação de amizade com o público, não temos nenhum empresário, muito menos assessoria de imprensa, então nossa maior divulgação é o boca-boca dos fãs, sempre trocamos ideia com a galera, procuramos nos atualizar no underground, e isso é muito massa! A grande mídia só dá ibope para uma banda quando ela alcança altos patamares ou está envolvida em fofocas (rs), e ver que com um trabalho feito puramente por amor à toda aura que

Vejo um crescimento enorme na quantidade e principalmente na qualidade das bandas oriundas da Região Nordeste. Indiferente do estilo escolhido, o talento que elas apresentam é grandioso. Como vocês analisam esse crescimento da cena metálica na região?

R: Total! Basicamente que são dois fatores que impulsionaram isso, pois a qualidade sempre esteve presente. O primeiro é a acessibilidade que os estúdios estão conseguindo proporcionar, pois com garra, qualquer um pode aprender muito com mixagem ao estilo D.I.Y., dando uma boa produção ao atentado sonoro, o que já conta bastante. O segundo aspecto, talvez seja o que dê o maior diferencial: o fato de viver no Nordeste! Hahaha. Historicamente, o Nordeste sempre foi uma “região resistência”, desde a época colonial, até as eleições de 2018 (única região que a desgraça presidencial não foi absoluta); então trazemos essa cultura, sentimos na pele a opressão, temos muito que falar e externar, que bom que estamos sendo ouvidos!

Vocês recentemente lançaram um split, juntamente com as bandas Tyranno e Torment Grave, utilizando material de “Korvak” no repertório. Fale-nos desse trabalho.

R: Isso, o Split acabou de ficar pronto no início de Julho, e já está a caminho, quem quiser adquirir é só mandar mensagem pra banda ou pros selos responsáveis, alguns deles são: Deliver prods., Cianeto discos, Metal Island, Native Blood… Ele basicamente tem as músicas do EP “Mind Malefactor”, as bandas são ótimas o Torment Grave com sua mistura do Black/Death/Thrash na medida certa e a Tyranno com seu Speed à La Motörhead com pitadas de Hellhammer/Celtic Frost. O trabalho ficou muito massa!

Como foi o contato para a realização dele?

R: Bem, uma amiga de Recife que possui um selo fez a ponte com as bandas, mas ela teve de se retirar do lançamento, cada banda ficou responsável por agregar alguns selos. Os caras das bandas são gente fina demais, foi massa a troca de contato inter-regional.

E os planos pós-pandemia para o Korvak? Quais são?

R: Temos muitos planos, mas o foco principal será fazer uma turnê, pelo menos no Nordeste, pois muita coisa desandou com essa pandemia, várias datas e esquemas que vínhamos pensando. Também temos o plano de gravar um clipe. Mas como vivemos no pior país para se passar por uma pandemia, o que nos resta no momento é trabalhar no merchandising e novas letras e melodias, além das entrevistas, que vêm sendo uma constante desde o lançamento do álbum.

Já tem planos para um novo álbum de inéditas?

R: Sim! A gente tem muita ideia, e como não estamos com tanta pressa, produzimos um material bruto, a partir disso iremos lapidar para o próximo caos sonoro. Já adiantamos que temos por volta de quatro músicas completas, está ficando melhor, mais pesado, técnico e rápido.

Em nome do Fanzine Mosh, agradeço a todos do Korvak por ter nos atendido e desejamos muito sucesso na trajetória de vocês. Deixem uma mensagem final para nossos leitores.

Interview · News · Underground

Postado em julho 14th, 2020 @ 19:34 | 336 views
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