25 Sep 2020, 11:01 pm

Mosh Interview Com Ancestor


Veteranos da cena underground nacional, os paulistas do Ancestor nos deu a honra desta entrevista, e nos conta sobre toda sua trajetória de tantos anos na cena metálica e os preparativos de seu mais novo trabalho, ainda em fase de produção. 

Por João Calixto 

O Ancestor é um nome já bem conhecido da cena metálica paulista. A experiência de vocês torna a banda como uma das melhores ao vivo do circuito de shows underground.

Devido aos contratempos que vocês tiveram com a produção de seus trabalhos em estúdio, a banda optou por priorizar a divulgação do trabalho através das apresentações ao vivo. Conte-nos o motivo para essa escolha? 

Obrigado pelo convite e pelas palavras, estamos sempre na luta, independente dos contratempos, a vontade de tocar sempre prevaleceu, sempre o foco principal foi em tocar ao vivo, ter o contato com o pessoal, trocar ideia, tomar cerveja e se divertir, mas sempre nos cobraram um material gravado, daí surgiu essa necessidade, então fizemos um apanhado do material que tínhamos gravado e compilamos no CD “Greatest Shits”, com certa precariedade na produção, visto que não era nosso foco, e essa falta de foco nos colocou em algumas roubadas, porque pela falta de experiência na ocasião, não fomos felizes nas escolhas que fizemos na condução dessas gravações, mas isso agora faz parte do passado, e pensando em não cometer os mesmos erros, tomamos as rédeas dessas produções e os últimos trabalhos estamos fazendo nós mesmos a produção com as ferramentas disponíveis hoje, que facilitam muito, e à medida que vamos produzindo, já fazemos a divulgação de singles pelo Youtube e Facebook, mas tem material novo que estamos segurando pra lançar em breve em um novo CD. 

Sendo uma banda “ao vivo”, ficar longe dos palcos, deve estar sendo muito penoso para vocês, não é? 

Putz, nem fala! Tá todo mundo com síndrome de abstinência de palco! Faz muita falta tomar uma gelada com a galera, fazer um barulho e dar risada com os amigos. 

A necessidade de se ter um material para divulgação, traz a tona a necessidade da produção de um disco de trabalho. Vocês pensam em produzir algum material novo para alavancar o nome do Ancestor no cenário? 

Como havia falado , estamos produzindo material novo pra ser lançado junto com os singles que já estamos divulgando , estamos com três músicas novas gravadas que estamos trampando na mixagem, estamos estudando de regravar. 

Algum som antigo com uma produção melhor, com uma pegada mais atual e até gravar um cover que já tocamos ao vivo, já que o nosso foco é tocar ao vivo, acho que incluir um cover que a galera já tá acostumada a ouvir nos shows, pode agregar. 

Afinal, já se passaram seis anos desde o lançamento de “Greatest Shits”. O que representou na época, o lançamento desse trabalho, após tantos atropelos? 

Então, já se vão mais de seis anos, esperamos ter aprendido com os erros do passado para melhorar os próximos trabalhos, e posso afirmar, até deixando de lado a modéstia, que tá muito melhor o que está por vir, em termos de produção, o nosso problema é que todos temos os afazeres diários, trampo, família, e não temos como dedicarmos todo nosso tempo à música, mas na medida do possível, tentamos fazer um trabalho honesto e de qualidade, da melhor maneira possível, mas isso demanda um tempo que não temos. Lembrando que estamos na coletânea “Cangaço Rock” que só não estamos distribuindo por causa dessa quarentena , mas quem quiser , é só contatar pelo Facebook, essa coletânea tem Ancestor, Aberratio, Hierarchical Punishment e mais uma pá de banda foda! 

O Ancestor é um representante fiel daquele Death Metal clássico, oriundo do final dos 80´s, início dos 90´s. Essa fidelidade ao som extremo se mantém até hoje, devido somente as suas influências, ou seria uma adesão natural a todo movimento Old School, apreciado por um grande número de fãs dentro da cena? 

Essa questão de estilo, a gente nunca se apegou, o som é atemporal, mas nossas principais influências são mais antigas, mas ouvimos muita coisa nova dentro da cena underground, o problema é que todos na banda tem uma idade já avançada, e velha escuta som há muito tempo, e essas influências mais antigas já estão no DNA, aí não tem como tirar essa característica. 

Depois de tantos anos de estrada batalhando na cena, quais seriam as diferenças entre a época do início de vocês, e os dias atuais? Certa vez, ouvi um comentário, que a nova geração tem um comodismo brutal. Vocês concordam com essa análise? 

Em parte, vejo que a tecnologia tem tirado muita gente do mundo “real” que prefere ver um show no Youtube, isso esvazia os shows, nós somos de uma época que fazíamos eventos juntando um monte de equipamento podre, porque ninguém tinha algo que prestasse, e saía uns puta show louco! A divulgação era feita com flyer que eram distribuídos de mão em mão, isso não rola mais, é tudo via mídias sociais, o que é bom, pois facilita e melhora a divulgação dos eventos, mas por outro lado, a experiência ao vivo está cada vez mais escassa, apesar de hoje termos muito melhores recursos e equipamentos. 

Pesquisando o canal de vocês no You Tube, verifiquei que vocês utilizaram o formato Lyric Vídeo, em algumas músicas do Ancestor. Como foi se adaptar a essa nova forma de divulgação de conteúdo? Qual a importância desse tipo de canal de divulgação para o trabalho de vocês? 

Nós sempre tivemos essa preocupação em ter letras com conteúdo, apesar da ironia e do humor nessas letras, sempre prezamos pela clareza na abordagem, uma vez que tem um conteúdo e deve ser divulgado. 

Vocês acreditam que os percalços que o Ancestor passou durante toda a sua trajetória, foram determinantes para que a banda não obtivesse um destaque maior dentro do cenário metálico? Competência e talento, vocês tem de sobra! 

Não podemos culpar nenhuma circunstância externa por isso, a posição em que o Ancestor se encontra no cenário underground é única e exclusivamente decorrente de nossas escolhas, não podemos nos dedicar 100% à banda, por causa de trabalho e outras obrigações, logo o que conseguimos conquistar até agora, e o que não conseguimos também, é em virtude dessas escolhas, adoraríamos ter disponibilidade de dedicar 100% de nossas vidas a isso, mas, infelizmente esse mundo perfeito não existe, e seria fácil ficar culpando isso ou aquilo por não termos uma exposição que gostaríamos, mas o empenho necessário, não tem talento que prevaleça. 

E os planos após o retorno da vida “normal”? Já pensaram como será a retomada do Ancestor? 

Putz! Tocar ao vivo, tomar muita brejal, dar risada com os amigos que conquistamos no underground, e logicamente, em breve, lançarmos nosso material novo que temos engatilhado. 

Finalizamos agradecendo imensamente a todos do Ancestor, por nos conceder esse excelente bate papo e pedimos que deixem uma mensagem final aos nossos seguidores. 

Só temos a agradecer por suas palavras, seu reconhecimento, o feedback do público que curte o som pesado, isso pra nós já seria o suficiente para termos o sentimento do dever cumprido, mas sabemos que deveríamos fazer muito mais, na medida do possível, tentamos fazer cada vez melhor e da forma mais honesta possível, mesmo que essa qualidade exija um esforço grande que no final vale a pena. Mais uma vez, agradecemos ao todos do Fanzine Mosh e á todos que dedicarem um tempo pra ler essa entrevista, isso nos motiva a sempre fazer mais e melhor, obrigado! 

Interview · News · Underground

Postado em agosto 13th, 2020 @ 20:20 | 236 views
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