26 Sep 2020, 1:40 am

Mosh Interview Com Eros


Conversamos com o líder e fundador do Eros, Themys Barros, que nos fala de toda a trajetória da banda, que iniciou a carreira ainda na década de 1980, teve algumas pausas e em 2016 retornou com força total.

Themys nos fala dos novos projetos, do novo vídeo lançado recentemente, da experiência em grandes festivais como Hell in Rio e o MMM e como não poderia deixar de ser, nos deixa algumas reflexões sobre a pandemia.

FM – Pode nos contar de forma resumida a trajetória do Eros para nossos leitores?

Themys Barros – O Primeiro show da EROS foi em 1983, finalzinho da ditadura. Época ainda da Guerra Fria, das superpotências disputando quem tinha o maior arsenal nuclear. Até 1987 a EROS tem muitas mudanças de integrantes, firmando como um power trio. Nessa formação, Themys Barros, Marcos Klajman e Klayton Orion, lançamos nosso único disco da fase inicial em 1990, disco cheio de influências de speed, heavy e thrash metal. Em 1992, depois de muitos shows em todo o sudeste do País, a banda se separa.

Depois de algumas tentativas de retomada em 2014, em 2016 a volta se consolidou, com Gabriel Barros na Batera, Raphael Marins na outra Guitarra, Klayton Orion no Baixo e Themys Barros na guitarra e voz. Logo a seguir do primeiro show de volta, Klayto dá lugar para Thomas Abrantes no baixo. Com esse quarteto a EROS fez alguns festivais, como Hell in Rio e MMM (SC), além de vários shows, inclusive dividindo palco com a Banda Claustrofobia. Esta formação foi responsável pelas novas gravações.

FM – De acordo com o que você nos falou, o primeiro lançamento do Eros, Road to Wisdom, é um lançamento ainda da década de 1990. Sendo que a Eros viveu épocas diversas dentro da cena, como vocês avaliam a cena ao longo da trajetória da banda?As principais diferenças entre uma época e outra, espaços pra show, público, etc.

Themys Barros – A década de 80 e até meados da década de 90, Rio e São Paulo eram mais evidentes dentro da cena, tínhamos alguns espaços pra shows bem freqüentados. Não me lembro de show vazio. Normalmente era lotação completa. Poucas bandas se destacavam. A divulgação era feita através de cartazes em locais já marcados, onde a galera sempre passava para ver as coisas, tipo bares, lojas de discos, lojas de músicas, ou seja, era palpável. Você sabia pelos comentários se teria muita gente. Mas a verdade é que quase sempre tinha.

Hoje as coisas são um pouco aleatórias, você tem um grande movimento na internet, nos sites, mas quando chega no local do show, na hora de tocar o primeiro acorde, não tem tanta gente assim. Já vi Krisium tocar pra pouca gente, Claustrofobia tocar pra quase ninguém, enfim, hoje é menos palpável. É sempre uma aposta. Uma diferença também muito grande entre as duas fases, é a qualidade técnica dos equipamentos e das bandas. Nos anos 80, as bandas de metal não tinham equipamentos adequados para o estilo, assim como as bandas iniciantes eram muito inexperientes e despreparadas tecnicamente. Hoje em dia não, as bandas já chegam com equipamentos de primeira linha e seus músicos têm capacidade técnica fantástica. As bandas de hoje chegam em alto nível.  

FM – Falando da estrutura musical, percebe-se uma grande influencia das bandas da Bay Area dos anos 80, mas em minha opinião a influencia mais forte é do Megadeth. Concordam com esta visão?

Themys Barros – Se você pegar a primeira música da EROS depois da volta, a música “Assassin”, você vai notar a forte influência do Megadeth, mas as músicas do disco de 1990 não têm influência do Megadeth. As influências mais fortes são Slayer, Exodus, Metallica, Iron, Anthrax e alguma coisa de Black Sabbath.

FM – A música The Assassin tem uma história muito interessante e o vídeo ficou bem fiel à história, fazendo com que o ouvinte entre naquela atmosfera e sinta toda agonia da personagem principal. Primeiramente como surgiu a idéia deste tema?Você se baseou em alguma história real?

Themys Barros – A música Assassin, é o debute do Guitarrista Raphael Marins, pra que ficasse bem nítido um novo caminho da banda. Já a letra da música está num sentido muito maior. A letra de Assassin é o prelúdio do próximo disco, que será conceitual. Será uma história contada do início ao fim através das músicas, que serão dispostas no disco cronologicamente. Em Assassin, é uma história comum de um Punisher, mas o final da música fica claro no clipe, é o assassino sendo levado para outra dimensão. Um Universo paralelo, onde lá acontecerá a história do disco novo. Uma história de aventura, com Magos, Anjos, Vikings… Veja novamente o clipe, com o que acabei de contar e perceba a transição no final. Toda a Ilustração do clipe Assassin é do desenhista Daniel Araújo.

FM – Em segundo, como surgiu a idéia de fazer o vídeo naquele formato de animação, e também  alternando com imagens reais da banda?

Themys Barros – Todos nós da banda somos fãs de HQ e a idéia é prestigiar esse público e nossa imaginação. O novo disco tem o projeto de cada música ser parte de uma história com início, meio e fim, sendo que cada música terá sua própria revista HQ. Ou seja, 8 ou 10 músicas, 8 ou 10 HQs. Então, Assassin foi o ensaio geral para o quem vem em 2021. A idéia de colocar a banda era estar no cenário do filme, como se fizéssemos parte daquela história.

FM – O Hell in Rio, que aconteceu em 2016, foi um festival muito bem organizado, com uma grande estrutura e teve nomes importantes do Metal Nacional como Korzus, Sepultura, Angra. Você considera que foi o ponto alto da carreira do Eros?Quais são as principais lembranças deste evento?

Themys Barros – Foi um grande festival, com praticamente todas as bandas importantes do cenário, faltando Krisium, Ratos e algumas outras, mas com certeza o metal nacional estava bem representado ali. Não diria que foi o ponto alto, mais um dos shows importantes da nossa carreira. Digo isso porque no passado, no lançamento do disco fizemos shows onde éramos headline pra mais de 10 mil pessoas, eventos de motocross, skate. Mas sem dúvida nenhuma, em termos de estrutura e backstage voltada para o artista, foi o melhor que já tivemos. Foram momentos fantásticos, que pudemos interagir com nossos amigos e ídolos que temos. Sou fã do cenário nacional. Não devemos nada pra ninguém no mundo, em termos de capacidade e boa música. 

FM – Outro festival importante que vocês participaram foi o Manic Metal Meetings em Santa Catarina. Como foi a recepção ao Eros?

Themys Barros – O MMM nos surpreendeu de diversas formas, tanto antes de chegarmos,quanto no local. Depois de tanto tempo fora da cena imaginamos que seria um público mais ligado na novidade, como uma banda nova. Acontece que antes de irmos, recebemos várias mensagens de fãs aguardando nossa chegada, ansiosos para ver o show. Um grupo que iria sair de São Paulo para ver o nosso show lá, já que no Rio não deu pra vir por conta da prova do ENEM. Quando começamos o show todos estavam lá, muitos não conheciam e muitos conheciam. O público mais de meia idade conhecia a banda, mas tinham jovens com o disco na mão para ser autografado. E assim aconteceu. No final do show assinamos alguns autógrafos e dedicatórias no disco de vinil.

FM – No meio Thrash sempre foi comum a temática de guerras, pandemias, etc. Agora estamos em plena pandemia e o cenário muita vezes é bem assustador. Acredita que este momento irá se refletir nas temáticas da Eros no futuro?Como vocês enxergam esta questão?

Themys Barros – É um momento onde a sociedade precisa raciocinar pra onde quer ir. O novo disco da EROS já tem um tema fictício definido, então esta pandemia não irá influenciar, mas vamos lançar um Single, se tudo der certo, em Setembro que trata um pouco desta temática, falando um pouco do final dos tempos. A pandemia é um reflexo de tudo que se vive hoje. Desrespeitos em geral, a cor, raça, religião, gênero, a vida, a criança, idosos, opinião, ou seja, uma sociedade completamente doente, sem noção de nada. A Natureza está dando seu aviso, pois a pandemia nada mais é que uma reação da natureza. Seja um vírus fabricado ou não, o resultado é o mesmo. Estamos perdendo o sentimento de Humanidade.

FM – Recentemente vocês lançaram um vídeo de “Universal Warrior’, porém esta música já havia gravada há mais tempo. Porque a decisão de lançar o vídeo somente agora?

Themys Barros – Após o lançamento da música Assassin em 2017, minha vontade era ouvir gravado várias músicas do disco Road to Wisdom. Então, em 2018, lançamos o EP “Back with Wisdom”, com a regravação de 4 músicas de 1990, porém, com arranjos novos, duas guitarras, efeitos e solos mais qualificados. Financeiramente não é fácil lançar vários vídeos, então lançamos lyrics videos de algumas, mas Universal Warrior é a minha música preferida e queria uma coisa especial pra ela. Mas todas as músicas do EP estão sendo lançadas em vídeo também. O último lançamento, feito no último dia 05/08/2020, foi o Lyric da música Terrorist. 

FM – Falando ainda da ‘Universal Warrior’, vocês se inspiraram no filme Heavy Metal Universo em Fantasia, do qual eu particularmente sou muito fã, e achei que o resultado do vídeo ficou muito bom. Como surgiu esta Idea de fazer algo baseado nesta temática?

Themys Barros – Como eu disse, é a minha música preferida e acho que tem tudo a ver com o filme Heavy Metal Universo em Fantasia, pelo menos pra mim. Como estamos fazendo diversas ações de mídia como introdução do novo disco, que terá essa característica de HQ, nada mais justo do que fazer um clipe em animação ao estilo da Revista Heavy Metal. O artista que fez a ilustração para animação foi o Clóvis Brasil, aliás, quem vem fazendo nossas capas. 

FM – Como você disse, estão com um vídeo novo saindo do forno que é o Lyric Video da música Terrorist, e o resultado ficou muito bom. É notório que vocês sempre têm um conceito forte por trás dos vídeos e das letras. Como funciona este processo, quando você compõe já pensa nas imagens?Participam ativamente do processo de criação dos vídeos?

Themys Barros – Essa música em especial foi regravação e naquela época, final dos anos 80 imaginar um terrorista era fácil, falava-se nisso o tempo todo. Mas hoje, quando você compõe, automaticamente pensa na imagem, pois hoje não basta só o som, tem que ter imagem.

Os vídeos nascem de nossas idéias. Passamos a idéia básica, a letra da música e a música, para que o diretor e editor entendam bem a mensagem que queremos transmitir.Ao final do vídeo, a última imagem, é o sinal do avião sumindo do radar, como se o terrorista tivesse atingido seu objetivo.

FM – Na trajetória do Eros vocês já tiveram algumas interrupções nas atividades. O que falta para conseguir dar uma melhor seqüência na banda? Os compromissos extra banda prejudicam  nisso?

Themys Barros – Os compromissos extra banda sempre rivalizam, mas também estamos focados em criar material. Este ano tínhamos a previsão de ser um ano muito bom, com os projetos se concretizando, mas o mundo deu uma pausa, então estamos focando para 2021 atingir os festivais nacionais e tentar festivais fora do País.

FM – Vocês já estão trabalhando num próximo trabalho a ser lançado em breve. O que podem nos adiantar sobre ele, será um cd full, as músicas irão manter a linha tradicional  da banda?

FM – Themys Barros – Será sim um CD full, com 8 ou 10 músicas. Disco conceitual, contando uma história de ficção em um universo paralelo. Quanto ao estilo, será um misto do antigo com o novo e o novo certamente é a linha de Assassin.

FM – Considerações finais.

Themys Barros – Espero que gostem do material novo que já lançamos nas plataformas digitais de streaming, assim como You Tube.

Vida Longa ao Metal Nacional!

*Line up:

Themys Barros – Vocal/Guitarra
Raphael Marins – Guitarra
Thomas Abrantes – Baixo
Gabriel Barros – Bateria

*Discografia

(1990) – Road to Wisdom

(2017) – The Assassin (Single)

(2018) – Back With Wisdom (EP)

(2018) – Mind Control (Single)

*Redes Sociais

Facebook – https://www.facebook.com/erostheofficial

Instagram – https://www.instagram.com/erostheofficial/

You Tube – Eros TheOfficial

*Contato

 erostheofficial@gmail.com

Interview · News

Postado em agosto 14th, 2020 @ 20:20 | 233 views
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