27 Sep 2020, 7:00 am

Mosh Interview Com Melyra


Batemos um papo com uma das fundadoras da banda, Fernanda Schenker, que nos contou sobre as atividades da Melyra, sobre os novos planos, como foi participar do tributo a Edu Falashi, a emoção de abrir para o Arch Enemy.

por Emerson Mello

FM – Melyra é um nome diferente em se tratando de bandas de Rock. Ele tem algum significado especial, qual mensagem vocês querem passar com ele?

Fernanda Schenker – Esse nome saiu num brainstorming nosso. Nós queríamos um nome feminino e que a gente achasse sonoro e bonito. Acabamos encontrando esse e é um nome que eu particularmente gosto muito. É bem singular, único, forte e dá identidade pra gente como uma banda formada por mulheres que querem ir muito longe.

FM – A banda tem algum tipo de suporte, como gravadora, assessoria de imprensa, ou vocês mesmas se envolvem em todo o processo?

Fernanda Schenker – A maioria das coisas é a gente que faz mesmo. Em alguns pontos da nossa trajetória nós já trabalhamos com assessorias, que nos ajudaram muito. Também fizemos parte do casting da MS Metal Agency por um tempo, que nos proporcionou a participação no tributo ao Edu Falaschi que é um dos pontos altos da nossa carreira. Atualmente trabalhamos com a Monique Ferreira como produtora, que nos ajuda em vários pontos do nosso planejamento e também com os shows.

FM – Abrir para bandas internacionais sempre dá uma excelente visibilidade e também uma boa kilometragem. Quase foram os principais aprendizados na abertura para o Arch Enemy?

Fernanda Schenker – Esse dia foi tipo um dia de princesa pra gente, sabe? (Rsrsrs) Muitas pessoas até hoje vem falar com a gente que nos conheceram neste show. Aprendemos muito. Vimos como uma produção maior funciona, com planejamento muito organizado de horários e de pessoal, por exemplo. Também foi a primeira vez que tivemos a oportunidade de tocar num palco realmente grande da nossa cidade, que é o Circo Voador, com som de primeira qualidade, o que fez com que nosso show também ficasse muito melhor.

FM – A Melyra também abriu para a Nervosa, que é um dos maiores nomes nosso Metal na atualidade. Como foi a experiência?

Fernanda Schenker – Essa foi outra noite incrível. Foi lá em 2012, nosso primeiro show! Nessa época a gente ainda não tinha nem som autoral e estávamos procurando a nossa identidade. Ver as meninas da Nervosa no palco nos deu muito ânimo, mostrando pra gente que uma banda só de minas pode chegar lá também e fazer um puta som pesado! Foi muito importante pra nós.

FM – Na época do EP a banda tinha uma formação diferente da atual, sendo que daquela formação permanecem você e a baixista Helena Accioly. Mudanças de formação são sempre complicadas, ainda mais se muda o vocalista. Como foi este processo de transição para recrutar as atuais integrantes?

Fernanda Schenker – Como você disse, mudanças de formação são complicadas (rsrsrs). É bem difícil encontrar pessoas que tenham vontade, disponibilidade e se encaixem com a banda. Às vezes a pessoa quer e não pode, ou não encaixa exatamente no que precisamos. Foi um processo difícil, mas ao mesmo tempo aprendemos muito com ele. A banda cresceu em profissionalismo e maturidade e isso fica claro no nosso disco.

FM – Nos anos 80, dentro do Metal, o Rio sempre foi referência e pioneiro em termos de bandas. Em sua opinião, quais as principais diferenças entre o cenário da cidade daquela época e o atual?

Fernanda Schenker – Eu infelizmente não vivi a cena dos anos 80, era uma criancinha ainda! Mas acredito que a grande revolução na nossa cena e em todas as outras foi a vinda da internet que democratizou muito o acesso a bandas e ao mesmo tempo fez com que as bandas tivessem que se reinventar. Mas nossa cena continua forte e atualmente tenho visto um movimento muito legal de união entre bandas (não só de metal, mas rock em geral) que me deixa bem otimista. 

FM – A Melyra participou de festivais importantes no Rio, sendo eles Rio Novo Rock, Rio Banda Fest e Roquealize-se. Acredita que isto ajudou a fortalecer o nome da banda?

Fernanda Schenker – Sem dúvida! Esses são alguns dos principais palcos da cidade e tocar neles foi uma grande experiência pra nós. Muitas pessoas conheceram nosso som e nos conheceram pessoalmente nesses eventos e passaram a freqüentar outros shows nossos e acompanhar na internet. Também tivemos a oportunidade de tocar com bandas incríveis, como a extinta Statik Magik, Facção Caipira, Diabo Verde, entre outras, o que permitiu a gente conhecer muitos trabalhos incríveis e ter uma troca legal com eles.

FM – Vocês trouxeram um conceito de que a música pode ser uma válvula de escape para as batalhas do dia a dia na vida das pessoas. Como você se relaciona com a música enquanto fã?O que você busca ou o que te chama atenção em uma banda que você curte?

Fernanda Schenker – A música sempre foi uma parte essencial da minha vida. Desde criança, eu amava ir em lojas de discos e ficava radiante ao sair dela com um disco debaixo do braço. Depois ouvia até os meus pais pedirem pelo amor de Deus pra eu tirar aquilo (rsrsrs). A música me completa e me inspira demais e por isso eu tenho uma relação de muito carinho com as bandas e artistas que sou fã, além de uma pequena coleção de CDs da qual não me desfaço por nada! Quando escuto bandas novas busco algo que me toque. Pode ser uma melodia que me soe especial, uma letra com a qual eu me identifique, até um vídeo ou capa de disco que me intrigue ou me faça refletir de alguma forma. Só tem mesmo que tocar meu coração!

FM – ‘Dead Light’ do álbum ‘Saving You From Reality’, tem uma letra que fala de olharmos para nós mesmos, encarar as dificuldades e enfrentar a realidade, por mais dura que ela seja. Acredita que esta música possa ser um incentivo para as pessoas seguirem em frente?

Fernanda Schenker – Acredito sim! E foi por isso que a escolhemos pra ser nosso primeiro single, por ela ser bem impactante. Muitas pessoas já nos falaram sobre como essa música as inspirou ou pelo menos as fez se sentirem acolhidas, sabendo que esse sentimento, de vencer dificuldades, vive em outras pessoas também. 

FM – O fato de cantarem em inglês abre mais oportunidades para o mercado externo. Vocês têm alguma estratégia voltada para este mercado?

Fernanda Schenker – Temos sim. Inclusive cantar em inglês é uma delas. Temos metas de conseguir levar nosso som para longe e tocar em grandes palcos no mundo inteiro!

FM – Do EP ‘Catch Me If You Can’ para o album ‘Saving You From Reality’ o amadurecimento da produção é nítido. O que mais contribuiu para esta evolução?

Fernanda Schenker – Foram muitos fatores na verdade. Primeiro, o amadurecimento pessoal de cada uma, como seres humanos e como musicistas. Nesse disco a gente já sabia como seria uma gravação, já tínhamos mais experiência e sabíamos melhor como queríamos que o produto final soasse. O processo de pré produção mais longo também ajudou muito a gente a amadurecer os arranjos e organizar idéias. E as novas integrantes também trouxeram cada uma um pouco das suas influencias e experiências, que contribuíram muito para o álbum se tornar o que ele é.

FM – Vocês participaram de um tributo ao vocalista Edu Falash, aonde regravaram a música Living and Drifting (Almah), que teve Tito Falashi (irmão de Edu Falashi) envolvido no processo de mixagem e masterização do tributo. Poderia nos contar como surgiu esta oportunidade e o como foi a receptividade ao trabalho?

Fernanda Schenker – A oportunidade surgiu com ajuda do Edu Macedo, da MS Metal Agency (da qual fazíamos parte do casting), que nos colocou entre as bandas participantes e como eu disse antes, foi um dos pontos mais altos da nossa carreira. Fizemos essa versão com muito carinho, tentando ao mesmo tempo dar a nossa cara e respeitar a versão original do Almah. A receptividade do trabalho não poderia ter sido melhor, muitas pessoas chegam até nós através dele e até hoje está no top 5 das músicas mais ouvidas no nosso Spotify. 

FM – Mediante a situação da pandemia, tudo ficou incerto. Existem planos para um novo cd full?

Fernanda Schenker – Existem muitos planos (rsrsrs) Queremos lançar em breve alguma coisa, mas provavelmente será um single ou um EP, por conta da situação do mundo nesse momento. Mas a gente nunca para de compor, então com certeza um full faz parte de um plano mais pra frente.

FM – A banda foi formada em 2012 e agora completa 08 anos de atividade. Qual o balanço que você faria da carreira da Melyra, principais conquistas e objetivos a serem conquistados?

Fernanda Schenker – O balanço pra mim é super positivo. Mesmo nos momentos mais difíceis, como nas trocas de integrantes, a gente teve muito aprendizado. Considero cada lançamento musical (o EP, o disco e o tributo) que fizemos foi uma conquista muito importante que nos ajudou a subir um ou mais degraus na nossa carreira. Tivemos também muitos shows importantes. Tocamos nos principais palcos do nosso estado e fizemos alguns shows fora do estado também e isso é muito recompensador. Os objetivos são fazer com que a banda cresça cada vez mais, e vá cada vez mais longe. Queremos fazer mais música e tocar em muitos outros lugares, no Brasil e no mundo.

FM – Considerações finais.

Fernanda Schenker – Gostaria muito de agradecer ao Emerson por essa entrevista. É sempre muito legal poder falar sobre a Melyra e relembrar nossa trajetória. Também gostaria de convidar os leitores que ainda não nos conhecem a conhecer nosso som e acompanhar a gente. Estamos em todas as redes sociais (@melyraband no facebook, instagram, twitter e youtube) e em todas as plataformas de streaming (Spotify, Tidal, Amazon, Deezer, etc). No mais, gostaria de desejar a todos muita paz e tranquilidade nesse momento que estamos passando. Se cuidem, usem máscara e fiquem em casa o máximo que puderem! 

*Line up:

Verônica Vox – Vocais
Fernanda Schenker  – Guitarra & backing vocals
Roberta Tesch   – Guitarra & backing vocals
Helena Accioly – Baixo

Drika Martins – Bateria

*Discografia

(2014) – Catch Me  If You Can (EP)

(2018) – Saving You From Reality

*Redes Sociais

Facebook – https://www.facebook.com/melyraband
Instagram – https://www.instagram.com/melyraband
You Tube – https://www.youtube.com/user/melyraband
Twitter – https://twitter.com/melyraband

*Contatos
melyra.band@gmail.com

Interview · News · Underground

Postado em agosto 9th, 2020 @ 11:11 | 195 views
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