27 Jan 2021, 2:17 pm

Mosh Interview Exclusivo Com Electric Mob


por Emerson Mello

O nome da Electric Mob vem despontando mais e mais a cada dia tanto no Brasil como no restante do mundo, e com certeza é um nome a ser guardado, pois a banda tem potencial, garra e vontade de fazer acontecer. Não é a toa que conseguiram entrar no cast da exigente gravadora italiana Frontiers, responsável por muitos dos lançamentos de Hard Rock e AOR da atualidade

FM – Sabemos que a gravadora Frontiers, que é comandada pelo Serafino Perugino, tem um alto nível de exigência para selecionar os artista do cast. Como pintou a oportunidade de apresentar o material da Electric Mob pra eles?

Renan Zonta – Tentamos do jeito que todos sabem que não dá certo: enviando material por e-mail no lance do “me mande sua demo”, hahaha! Em 2017 lançamos um EP que fez um barulhinho e nos rendeu alguns shows e em 2019, quando estávamos com o segundo EP já na mão pra lançar, a Frontiers respondeu nosso e-mail perguntando se tínhamos interesse em lançar um full lenght já com um contrato multi álbum anexado. Foi uma história muito doida que vem dando certo.

FM – E vocês já conseguiram perceber os resultados de trabalhar com uma gravadora do porte da Frontiers?

Renan Zonta – Com certeza! O primeiro impacto que sentimos foi o alcance do álbum. O impulso que uma gravadora como a Frontiers dá para os artistas é incrível. Logicamente, o artista tem que estar pronto pra isso, com material de qualidade e sangue nos olhos pra conquistar os objetivos, e a Frontiers sabe bem disso.

FM – Tem algum país específico em que a banda está obtendo melhor receptividade?

Renan Zonta – Obtivemos grande receptividade na Europa como um todo após o lançamento do “Discharge”, mas estamos numa crescente incrível nos Estados Unidos – que todos sabem que é o mercado mais difícil pra música estrangeira – e também no Brasil. Crescer na nossa terra é um dos principais objetivos, ainda mais quando vemos o quão desvalorizados são os “santos de casa”.

FM – E você acredita que esta desvalorização ou esta não valorização se deve a que, já que temos um celeiro de grandes músicos e bandas do estilo no Brasil, inclusive com alguns tocando em bandas de renome internacional?

Renan Zonta – O nosso “complexo de vira-lata” é um dos principais motivos. Apesar do Brasil ser um dos países mais ricos em cultura e exportar muito isso, quando se fala de Rock e música estrangeira, se cria esse bloqueio com o que nasce aqui. Pura e simplesmente por preguiça e preconceito. O roqueiro tem se mostrado muito conservador e chato. Se faz som moderno é muito moderno, se faz som inspirado nos clássicos, é cópia. Então, acaba sendo uma auto-sabotagem.

FM – Como foi lançar o Discharge em plena pandemia? Lançar o álbum e não poder cair na estrada foi frustrante?

Renan Zonta – Lançar o “Discharge” foi a coisa mais importante que aconteceu na nossa carreira, até agora. Tínhamos muita coisa entalada e estávamos loucos pra botar logo pra fora. Com certeza a pandemia atrapalhou os planos, pra dizer o mínimo. Mas, temos plena noção de que o que o mundo vive hoje é muito maior do que qualquer carreira. É uma pandemia que afeta todos os setores e agora não somos artistas, mas sim seres humanos apoiados na esperança de passar por esse momento trágico juntos e nos reerguermos aos poucos.

FM – O vídeo de ‘Devil You Know’ ficou muito bem produzido, quem desenvolveu esta concepção para o vídeo?

Renan Zonta – Sempre focamos na qualidade do material e nunca nos contentaremos com pouco. O artista sempre deve ter em mente que a música é apenas um dos pontos envolvidos no entretenimento. O KISS, o Aerosmith, o Guns N’ Roses, nunca foram só música e nos atemos muito a isso. Sobre “Devil You Know”, foi um desses passos que demos querendo produzir um clipe que chocasse pela qualidade e que suportasse o poder da música. Aliamos isso ao nosso pequeno gênio Fernando Hideki – que está por trás de quase todo o nosso audiovisual – e saiu essa doideira.

FM – O resultado ficou ótimo, mas sabemos que deu bastante trabalho pra ser feito, principalmente as cenas aonde você está amarrado. Conte-nos um pouco como foi isso.

Renan Zonta – Um dos problemas de ser frontman é que todas as “piores” ou mais arriscadas ideias recaem sobre você e essa foi uma delas, hahaha! Eu gostaria muito de dizer que foi tranquilo e que fizemos tudo com equipamentos de segurança adequados, mas não. Foi um tanto quanto traumático, cheio de gambiarra, apoiado na força do ódio e na esperança do retorno. Pra quem tiver curiosidade de ver como foi todo o processo, acesse nosso Instagram (@electricmob) e partilhe do meu desespero, hahaha! (Nota: Renan está se referindo ao Making of do vídeo aonde tem os detalhes de como foram feitas as cenas).

FM – Músicas como ‘Devil You Know’ e ‘Far Off’ tem uma temática mais despojada e sacana na linha Whitesnake, enquanto ‘Your Ghost’ já é uma coisa mais intimista. Como surgem os temas, as ideias partem de todos da banda ou cada um fica responsável por uma determinada parte?

Renan Zonta – Tudo é 100% colaborativo. Normalmente, as ideias iniciais vêm de uma cabeça, aí partimos pro desenvolvimento do conceito juntos. As letras são mais da minha responsabilidade e fico muito feliz dos outros confiarem no meu trabalho como letrista e gostarem do que apresento. Mas, tudo é sempre aberto para discussão ou mudança. Funcionamos de maneira bem democrática.

FM – Do EP ‘Leave a Scar’ as músicas ‘Black Tide’ e Need to Rush’ ganharam vídeo oficial e ‘Until the Sun’ um lyric video. A evolução e amadurecimento da banda é nítida deste trabalho para o atual, Discharge. O que contribuiu pra este amadurecimento?

Renan Zonta – Acho que o principal fator mudança é justamente o amadurecimento e tudo contribui pra isso, principalmente o tempo. Depois do lançamento do “Leave a Scar” fizemos centenas de shows, conhecemos centenas de pessoas, visitamos centenas de lugares e absorvemos outras culturas. Tudo isso contribui para diferentes visões, diferentes concepções e diferentes rumos que acabam se traduzindo em música.

FM – Inclusive na música ‘Higher Than Your Heels’ tem um arranjo de metais(sopro) que encaixou muito bem. Como surgiu esta ideia?

Renan Zonta – Desde o começo da banda tentamos incorporar todas as nossas diferenciadas influências dentro do nosso próprio som. Uma dessas que é muito forte é o Funk e não dá pra fazer Funk sem naipe de metais. Logo nas primeiras jams de “Higher Than Your Heels” já sabíamos o que ia acontecer.

FM – Eu diria que ‘123 Burn’ é a música mais experimental do disco, em que se percebe um esforço da banda de trazer ideias diferentes pra mesma canção.

Renan Zonta – Discordo na parte do esforço. Nada na banda é feito por esforço ou tentando provar algo. Com certeza queríamos algo diferente, mas a música não surgiu disso. Ela foi tomando forma por conta e o fato dela mostrar um outro lado nosso a transformou em algo mais experimental, mas pra gente ela veio naturalmente. Ela, sem dúvida, é uma das mais ousadas do disco, desde concepção, arranjos, timbres etc. Mas ainda é Electric Mob.

FM – Quando vemos algumas edições do The Voice em outros países constatamos que rola bastante Rock e Metal, mas sabemos que aqui no Brasil este estilo não é popular. Como foi encarar esta competição ciente disso?

Renan Zonta – Em momento nenhum levei isso em consideração. Na verdade, até hoje não levo. Se me colocaram lá foi porque gostaram do que viram e eu simplesmente executei o que faço normalmente. Fui tratado com muito respeito e, mesmo sabendo da falta de popularidade do meu estilo em veículos de massa, fui abraçado e entenderam meu recado. Fui até onde deu e não me arrependo de nada. Foi lindo!

FM – Sua voz é bem versátil e é interessante notar que você passeia com naturalidade, mesmo cantando músicas de cantores distintos. Obviamente existe muito estudo e treino pra você obter a melhor performance da sua voz, mas pra você cantar é uma coisa natural?

Renan Zonta – Muito obrigado! Sempre encarei o canto com muita naturalidade. Obviamente, quando se trata de uma questão profissional, o estudo é necessário para estar sempre em desenvolvimento e não se perder no caminho. Mas, acho que além de qualquer técnica, o coração sempre faz frente no meu trabalho.

FM – Além de cantar, você tem boa desenvoltura em outros instrumentos. Você sempre se dedicou a estudos formais de música ou se considera um auto didata?

Renan Zonta – Pra não dizer que sou totalmente autodidata em todos os instrumentos que toco, fiz uma semana de aula de guitarra, hahaha! Mas, me considero autodidata. Tive a sorte de me envolver numa cena de Rock muito promissora quando adolescente e isso me fez tocar bateria numa banda de Punk/Hardcore, guitarra numa banda de Metal e em outra de Blues, além de cantar em todas que tive oportunidade.

FM – Você regravou um dos maiores clássicos da cantora Etta James, a canção “I’d Rather Go Blind”. Considero ela uma cantora um pouco subestimada, quase nunca lembrada junto às outras da sua geração. Ela seria uma referência pra você como cantor?

Renan Zonta – Vejo por outro lado. Nos anos 50/60 a Etta era referência total nessa onda do Soul/Blues de Chicago. Os problemas pessoais dela a afastaram dos holofotes e, talvez, por isso ela seja um pouco esquecida. Ela sempre foi uma referência muito forte no meu jeito de cantar e de compor as melodias e eu amo tudo o que ela fez. A força dessa mulher ecoa até hoje e vai continuar pra sempre.

FM – Comparações são sempre delicadas de se fazer, mas percebo similaridades da sua voz com a do Ray Gillen, principalmente nos drives e nas notas mais altas e também algo do Sebastian Bach. Concorda com esta afirmação?

Renan Zonta – Acho que concordar seria um pouco arrogante, mas me sinto honrado! Os dois são grandes ídolos pessoais e os levo como influência, com certeza.

FM – Se fosse pra você dividir o palco com alguma banda ou artista, você pensa em quem?

Renan Zonta – Whitesnake, sem pensar duas vezes. Coverdale é meu pastor e nada me faltará, hahaha!

FM – A Electric Mob é uma banda jovem e como tal já está totalmente adaptada aos tempos do streaming e vocês tem tido um resultado espetacular nas plataformas digitais. Qual tem sido o direcionamento da banda nas plataformas?

Renan Zonta – A rede social é o maior veículo de divulgação de hoje e levamos isso muito a sério. O conjunto de música boa, foto bonita, vídeo bem produzido e produto direcionado faz o artista alcançar os resultados. Entramos em dezenas de playlists de streaming com as músicas do “Discharge” de forma totalmente orgânica e isso tem sido incrível!

FM – Apesar do Brasil não ter uma tradição tão forte no Hard Rock, a banda tem colhido bastante comentários positivos e está tendo uma visibilidade excelente. Este resultado surpreendeu vocês ou de certa forma já esperavam uma boa receptividade?

Renan Zonta – Sabíamos do material que tínhamos nas mãos, mas não imaginávamos o alcance que isso tudo teria. Estamos muito felizes com os frutos que estamos colhendo, mas, ao mesmo tempo, mantemos os pés no chão por sabermos que é só o começo e que é agora que o trabalho realmente começa.

FM – Num ano de pandemia de muitas incertezas e restrições muitos projetos foram adiados. Quando as coisas começarem a se normalizar quais são os planos da banda?

Renan Zonta – Temos certeza de que quando as coisas se normalizarem, vai ser uma loucura total. Por isso já estamos com boa parte do material do próximo disco já encaminhada, nos preparando pra ter tudo na mão quando chegar a hora certa e podermos cair na estrada sem a pressão de ter que escrever um disco no ônibus, hahaha! Com certeza o plano principal é fazer a maior quantidade de shows possível, em todos os lugares possíveis.

FM – Espaço livre pra vocês mandaram mensagens para os seus fãs.

Renan Zonta –   Quero agradecer o espaço e a oportunidade de poder dividir um pouco do Electric Mob e dizer que, quando tudo passar, o pau vai torar!

*Line up:

Renan Zonta – vocal

Ben Hur Auwarter – guitarra

 Yuri Elero – baixo

 André Leister – bateria

*Discografia

(2017) – Leave A Scar (EP)

(2020) – Discharge

*Redes Sociais

Facebook – https://www.facebook.com/ElectricMob Instagram –

You Tube – https://www.youtube.com/ElectricMob

Instagram – https://www.instagram.com/ElectricMob

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Postado em novembro 28th, 2020 @ 20:20 | 214 views
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