25 Apr 2017, 6:31 pm

Rotting Christ faz show histórico no festival Demone in Hell


Rotting Christ faz show histórico no festival Demone in Hell

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por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Brusque/SC: 19 de novembro de 2016

Em sua quarta edição, o festival Demone in Hell resolveu apostar mais uma vez em uma atração internacional, no caso, um dos nomes mais importantes do Metal extremo: o Rotting Christ. Oriundos da Grécia, estão na estrada há cerca de 30 anos, e tem em Sakis Tolis seu líder. Ao seu lado está o seu fiel companheiro e irmão Themis Tolis. O grupo, cuja criação musical é toda oriunda da mente criativa de Sakis, está na estrada divulgando seu mais recente disco, o espetacular Rituals (o 12º de sua história). Entrevistamos a banda no começo de 2016, e eles haviam prometido vir para cá no segundo semestre: promessa cumprida, e mais uma vez, com shows espetaculares!

O Demone in Hell é um evento de pequeno porte mas de grande qualidade. A estrutura oferecida ao público era excelente. Você podia comer e beber tranquilamente sentado em um ambiente isolado do palco, caso quisesse, podia ficar ao ar livre para fumar uns cigarros e jogar conversa fora, e podia também dar uma volta pelas redondezas se quisesse, pois todos receberam pulseiras de identificação. Louvável a iniciativa de propor uma arrecadação de ração para bichinhos; também havia como doar dinheiro em uma “caixinha da castração”. A cama elástica foi outra sacada genial. Quanto aos shows, todos tiveram um som bacana e iluminação idem. O atendimento à imprensa também foi exemplar.

Bullet Course

Após alguns percalços na estrada nossa equipe chegou ao Rock Bar minutos antes do Bullet Course subir ao palco. O grupo curitibano de post-metal mostrou um som com algumas passagens mais rápidas recheadas de melodias sorumbáticas e climas tétricos, que ressalta na alma dos ouvintes o vazio da existência. Sons como “November” e a nova “Nowhere’s Feeling” gelaram o ambiente interno do Rock Bar. Com exceção desta última, todas as outras quatro canções apresentadas são do álbum She’s Looking for Flowers Under City Light, que saiu ano passado. Vale frisar que a formação da banda conta com dois ex-membros de bandas lendárias de Curitiba: Vicente Palazzo já passou pelo Evil War, e Israel Erthal esteve no Amen Corner desde o EP Darken in Quir Haresete até a fase Lucification. Caso não conheça o Bullet Course, acesse imediatamente o bandcamp do grupo.

Ordo Natum

Ordo Natum

Outro nome responsável pela abertura foi o Ordo Natum, banda de Black Metal com quase 20 anos de existência, mas que teve alguns hiatos nesse meio tempo. O grupo, que antigamente renegava o baixo, agora conta com um integrante responsável pelas quatro cordas. As composições são em sua maioria agressivas, com o bom uso dos teclados para alicerçar as composições. Com a volta às atividades, agora é esperar um novo disco dos caras, afinal, a sua demo lançada em 2004 – Crom: God and King – ficou no passado, pois nenhuma das oito músicas apresentadas é desse trabalho. É difícil encontrar informações da banda na internet, mas se tiver acesso, confira.

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Antes deles, o Heavy Metal havia dominando as dependências do recinto com os veteranos do Steel Warrior. Com a presença marcante de Andre Fabian (guitarra e vocal), o grupo catarinense repassou sua discografia em ordem cronológica, começando com petardos vindos dos anos 90 e avançando para materiais mais recentes. Com isto, pudemos conferir sons como “Rasalom”, “Army of the Time” e “Metal Rebel”. Ainda houve tempo para “Vodu” e a maravilhosa “Headless Cross”, do Black Sabbath, numa versão com arranjos muito bem feitos. Eu já assisti o Steel Warrior diversas vezes nos últimos 15 anos, e é impressionante como eles se adaptam a qualquer cenário: Seja em um show de Hard Rock ou de Black Metal, os caras sempre fazer shows eletrizantes que realmente empolgam os presentes. Dessa vez não foi diferente!

Rotting Christ

Rotting Christ

Se uma parte considerável do público ficou pra fora durante as bandas de abertura, a coisa mudou drasticamente momentos antes do começo do show do Rotting Christ. A área interna do Rock Bar ficou socada de gente, e a temperatura subiu bastante. E o começo veio com a agonizante e colossal “Ze Nigmar”, do último trampo dos gregos, Rituals. A faixa título do álbum anterior, “Kata ton Demona Eautou”, veio a seguir, com velocidade e um trampo vocal espetacular. Com discografia extensa, infelizmente muitos trabalhos espetaculares tiveram apenas um representante, como Sanctos Diavolos (com “Athanati Este”), Passage to Arcturo (“The Forest of N’Gai”) e Triarchy of the Lost Lovers (com “King of a Stellar War”. Pérolas como Sleep of the Angels e Genesis ficaram de fora do repertório dessa vez.

Com esta apresentação o Rotting Christ mais uma vez comprovou estar um tanto acima da média, afinal, mesmo tendo registros clássicos oriundos dos anos 90, eles continuam fazendo discos relevantes até os dias atuais: Os supracitados Rituals e Kata ton Demona Eautou, mesmo mais recentes, são tão bons quanto Nom Serviam e Passage to Arcturo, mesmo que tenha havido uma evolução natural na música, o que os torna diferentes em vários aspectos. Mas quando se fala na força e qualidade desses trabalhos, são, cada um a sua maneira, todos excelentes. Mais da metade do repertório veio dos três últimos álbuns.

Rotting Christ

Rotting Christ

Quem queria ver as velharias, entretanto, não saiu decepcionado. O encerramento veio com “Nom Serviam”, gritada a plenos pulmões pela galera; e também tivemos “The Sign of Evil Existence”, “King of a Stellar War” e até mesmo “Societas Satanas”, do Thou Art Lord, outra banda de Sakis Tolis. Ainda merecem menção honrosa sons como “666” e “Noctis Era”, a mais ‘acessível’ do setlist. Um show inacreditável, que marcou a terceira visita dos gregos ao estado de Santa Catarina. A primeira vez foi em 2006, para um show histórico no Curupira, em Guaramirim, e a segunda no Teatro Harmonia Lyra, em Joinville, no ano de 2013.

Frade Negro

Frade Negro

O encerramento da quarta edição do Demone in Hell ficou a cargo do Frade Negro. A banda de Jaraguá do Sul acabou tocando para poucas pessoas, já que muitos foram embora após o show principal, outros saíram para fumar, beber ou comer uma pizza, e tantos outros foram para a porta do camarim tentar uma foto com os caras do Rotting Christ. O grupo apresentou algumas de suas canções, e o guitarrista Murilo Soares (que já havia tocado antes, já que ele entrou este ano no Steel Warrior) se mostrou um ótimo músico. Mas com tão pouca gente, o show passou despercebido. Enquanto você espera por uma oportunidade de vê-los ao vivo, dê uma ouvida no último play deles, The Attack of the Damned.

EVENTO
Com frisado no início da matéria, o Demone in Hell é um festival já tradicional no calendário de eventos catarinenses (que conta com inúmeros festivais, de pequeno, médio e grande porte). E a quarta edição foi marcante, pelas apresentações cheias de raça das bandas de abertura e também pelo Rotting Christ, um dos grupos mais alucinantes e íntegros do Metal. Mesmo que associados ao Black Metal por seus primeiros registros, a banda está muito acima desse rótulo, tendo liberdade lírica e musical para desbravar territórios sonoros distintos – tanto que eles têm uma identidade única. Os caras, além de artistas plenos, são muito humildes, pois atenderam todos os que se aproximaram para fotos e autógrafos. Memorável.

Por falha técnica, ficamos sem o vídeo. Um vídeo alternativo será disponibilizado caso seja possível uma restauração dos arquivos.
Agradecimento especial a Simône Demone, pelo atendimento à equipe do Fanzine Mosh!
Mosh Live · News

Postado em novembro 25th, 2016 @ 13:13 | 671 views
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