15 Dec 2019, 2:21 pm

Setembro Negro Festival: Casa Cheia No 1º Dia De Culto Ao Metal Underground


Exodus dita o ritmo no primeiro dia do tradicional festival em São Paulo

Texto: Giovani Marcello

Fotos e revisão final: Renato Jacob

Setembro é um mês muito aguardado pelos apreciadores das bandas underground de metal, pois acontece o tradicional Setembro Negro Festival. O Festival, atualmente em sua 13ª edição, retornou desde o ano passado com força total! As novidades desta edição de 2019, que ocorreram nos dias 06, 07 e 08 de setembro no famigerado Carioca Club, no bairro Pinheiros, em São Paulo, foram a inclusão de mais um dia de fest, totalizando três dias de muito massacre sonoro e a implementação do sistema de pulseiras, o que facilitou o acesso ao recinto, além de permitir aos fãs transitarem para os arredores da venue, ação comumente observada principalmente entre os breves intervalos entre as apresentações ou até mesmo nas ocasiões em que os headbangers preferiam assistir à shows pontuais durante o Festival. A Tumba Productions ainda teve o capricho de entregar ao público um livretinho com informações referentes à todas as bandas que integraram o Festival e em ordem cronológica de apresentação! Um mimo que todo mundo adorou.

Gary Holt em noite inspiradíssima fechando o primeiro dia do Setembro Negro Festival em São Paulo. O guitarrista postou esta foto em seu Instagram oficial.

Repetindo o sucesso do ano passado, havia lojinhas no interior da venue vendendo merchandising das bandas do festival, camisetas do festival em três modelos diferentes e de boa qualidade com preço justo (que se esgotaram em poucas horas!), camisetas das bandas participantes do evento, além de CDs e de LPs. Esses últimos foram disputados a tapas pelos fãs e colecionadores e incluíram edições raras de pictures numeradas a mão por valores acessíveis.

Para os adeptos de uma boa cerveja artesanal, as opções eram bastante diversificadas e o atendimento ocorreu em uma tenda específica. A alimentação, não muito diversificada, mas com ótimos valores foi conduzida por duas simpáticas senhoras ao longo de todos os dias do Festival.

Chegando nas proximidades do Carioca Club por volta das 18h00, a movimentação ainda era pequena, pois a maioria do público ainda estava se deslocando em direção ao fest e o trânsito na capital paulista neste horário em plena sexta-feira costuma ser caótico!

Pontualmente às 18h00, no horário informado, a casa abre e aos poucos o público vai tomando conta das dependências da venue. Como previsto pela programação do evento, às 19h00 em ponto a banda de black metal de Mogi das Cruzes, Shaytan, sobe no palco dando início à maratona de vinte e quatro shows em três dias. Com o veterano Daniel Blasphemoon, ex-Nervochaos (vocais), Claudius (guitarra), Alan N. (baixo) e Getulio Bonelli Filho (bateria), a banda fez uma apresentação tétrica de 35 minutos, baseada no EP de 2017, ”Ancient dreams”, este tocado na íntegra, a horda saiu ovacionada pelos presentes que ali estavam. A 13ª edição do festival mais macabro e pesado do Brasil enfim havia começado!

Daniel Blasphemoon: o veterano e competente vocalista do Shaytan agitando o público nos primeiros momentos da 13ª edição do Setembro Negro Festival.
Claudius: guitarrista do Shaytan.

A pontualidade é algo que tem que ser citada na matéria. Com raríssimos casos, sempre foi seguida a risca. Mais um ponto para a organização impecável do festival. Os cariocas do Grave Desecrator subiram no palco às 19h50. O palco estava decorado com dois caixões e uma iluminação soturna e o setlist mesclou músicas dos três álbuns lançados pela banda. Butcherazor “The Black Death” (vocal/guitarra), Black Sin & Damnation (guitarra), Sub Umbra (baixo) e M. Kult (bateria) em seus quarentas minutos fizeram o público abrir o primeiro mosh pit, mesmo que tímido, do final de semana.

Sub Umbra: baixista do Grave Desecrator.
Grave Desecrator no Setembro Negro Festival!
Grave Desecrator no Setembro Negro Festival!

A primeira banda gringa a subir no palco foram os americanos do Gorgasm, banda fundada em 1994 e composta por Damian “Tom” Leski (guitarra/vocal), Anthony Voight (baixo/vocal), Sasha Chrosciewicz (guitarra/vocal) e Matt Kilner (bateria). O grupo atingiu as expectativas do público durante a sua apresentação de 45 minutos. Mesmo sem lançar um full lenght desde 2014, conquistou a atenção do público com seu brutal death metal direto, com os guitarristas e o baixista se revezando nos vocais de uma forma bem entrosada e diversificada. Claramente empolgados por tocar no Brasil foram extremamente simpáticos durante toda a apresentação. Entre uma música e outra algumas pessoas gritavam em coro o nome da banda e os músicos agradeciam satisfeitos.

Anthony Voight: baixista/vocalista do Gorgasm.
Damian “Tom” Leski: guitarrista/vocalista do Gorgasm.
Sasha Chrosciewicz : guitarrista/vocalista do Gorgasm.
Anthony Voight: baixista/vocalista do Gorgasm.
Gorgasm no Setembro Negro Festival!

Com o Carioca Club já tomado, às 21h45, os holandeses do Legion of the Damned subiram ao palco executando seu thrash metal extremamente técnico. Maurice Swinkels (vocal), Erik Fleuren (bateria), Harold Gielen (baixo), Twan Van Geel (guitarra) e Fabian Verwije (guitarra) estão em plena turnê do mais recente lançamento da banda, o álbum “Slaves of the Shadow Realm”. Assim, de dez músicas do setlist, quatro foram desse álbum e, entre elas, a composição que abriu o show, “Warhounds of Hades”.

Maurice Swinkels: vocalista e competente frontman do Legion Of The Damned.
Legion Of The Damned no Setembro Negro Festival!

 “Warhounds…” abriu uma roda no meio da pista e conforme a apresentação se desenrolava, o circle pit crescia e ficava mais intenso. A dupla das seis cordas, os músicos Twan Van Geel e Fabian Verwije tem um entrosamento impressionante, colocando tudo abaixo com seus riffs pesados e solos intrincados, mas carregados de feeling.  Maurice Swinkles ocupava todos os espaços do palco. Clássicos da banda como “Son of the Jackal”, do álbum “Sons of the Jackal” e “Pray and Suffer” do álbum “Cult of Dead”, aumentaram ainda mais a adrenalina na pista até a conclusão com o hino “Legion of the Damned”, com direito a um par de muletas sendo levantado no meio da galera após 50 minutos de show!

Infelizmente, a imagem do quinteto holandês ficou manchada após uma postagem infeliz de três membros da banda, no domingo dia 08 de setembro, imitando macacos no aeroporto e com bananas na boca.  O fato gerou muita revolta nas redes sociais, tanto de fãs como de quem não conhecia muito bem a banda. Por mais que os membros posteriormente tenham se pronunciado e pedido mil desculpas, o público não digeriu o ocorrido. Provavelmente não veremos o Legion of the Damned tão cedo novamente por aqui.

O Legion of the Damned não deverá retornar tão cedo ao Brasil.

Com um perdoável atraso de dez minutos, os veteranos thrashers ianques do At War, criadores de duas pequenas obras-primas do estilo, “Ordered To Kill” (1986) e “Retaliatory Strike” (1988), além do excelente “Infidel” de 2009, iniciaram sua apresentação de 60 minutos no melhor estilo old school mandando ver duas músicas dos plays oitentistas: “Conscientious Objector” do álbum “Retaliatory Strike” e o hino “ Ordered to Kill” do primeiro fulllenght de estúdio.

Pausa para uma rápida conversa com a galera para saudar o público presente e o show segue com os membros originais Paul Arnold (baixo/vocal) e Shawn Helsel (guitarra) acompanhados de Brian Williams (bateria). Shawn pode não ser um às do instrumento, mas suas palhetadas pesadas mantém o público sempre animado na imensa roda que abriu na pista e que se manteve por toda a apresentação.

Paul Arnold: vocalista e baixista do At War. Presença marcante no palco!
Shawn Helsel: guitarrista do At War.

Depois de “Semper Fi”, do álbum “Infidel” (2009), mais duas pérolas do “Retaliatory…” foram executadas: “Ilsa (She-Wolf of the S.S.)” e “Dawn of Death”. A música “Assassin” foi a penultima do álbum “Infidel” a ser tocada no show. A partir daí, a sequência de sons matadores levou boa parte do público veterano presente ao êxtase – presenciei dois senhores sexagenários enlouquecidos ao meu lado na parte final do show!

 Muitos garotos de 18 anos não teriam o pique dos tiozões. Duas composições do “Ordered to Kill” e duas do “Retaliatory to Strike” deram sequência ao ótimo show do At War e foram intercaladas com o clássico “The Hammer”, uma homenagem a Ian “Lemmy” Kilmister. Tudo que remete a essa lenda merece ser citado. Lembrando que o At War regravou essa música no “Retaliatory Strike”.

Brian Williams: baterista do At War.

A música que dá o nome para a banda, “At War”, do play “Infidel” encerrou essa aula de thrash metal. Os veteranos saíram emocionados pela ótima recepção que obtiveram do público durante todo o show. Um fato que não pode deixar de ser comentado e que envolveu Steve “Zetro” Souza foi que no começo da primeira música, o lendário vocalista do Exodus assistia ao show do lado do palco quando um fã jogou uma camiseta com uma caricatura do próprio ao estilo “South Park”. O fã pediu para Steve tirar uma foto segurando a mesma. E sem pensar duas vezes, o americano fez pose com a camiseta para a foto do fã com o show do At War rolando solto. Respeito aos fãs é isso!

Paul Arnold: força nos vocais, peso no baixo e muita agressividade no palco!
Paul Arnold do At War. Presença marcante nesta 13ª edição do festival.
Shawn Helsel: guitarrista do At War.
Paul Arnold: vocalista e baixista do At War.

Após a aula de thrash metal do At War, chegou o momento da apresentação do headliner do primeiro dia. Falar sobre a instituição do estilo, a banda Exodus, é meio que chover no molhado. O quinteto capitaneado pelo insano Gary Holt faz parte de um seleto grupo de bandas que a confirmação em qualquer tipo de festival underground já é garantia de um ótimo público. E não foi diferente desta vez! O Carioca Club estava praticamente lotado quando às 00h15, Steve “Zetro” Souza (vocal), Gary Holt (guitarra) Lee Altus (guitarra), Jack Gibson (baixo) e Tom Hunting (bateria) causaram uma esquizofrenia coletiva abrindo o show com “Bonded By Blood”, faixa de abertura do maior clássico da banda, o álbum “Bonded By Blood” de 1983  (teve gente que caiu dentro do photo pit enquanto os fotógrafos trabalhavam!), que é também um dos álbuns mais cultuados de thrash metal de todos os tempos.

O antológico vocalista do Exodus Steve “Zetro” Souza.
Gary Holt: guitarrista e fundador do Exodus. O guitarrista também é membro atual do Slayer.

A roda seguiu furiosa com mais uma faixa título, a pesadíssima e frenética “Blood In, Blood Out”, do último e ótimo lançamento da banda de 2014. O show continuou em ritmo alucinante com “And Then There Were None” e algo curioso aconteceu neste momento. Um fã jogou uma camiseta do Slayer na direção de Zetro e o músico tirou sarro da situação devolvendo ao fã o “presente” logo em seguida. Aliás, a presença de palco deste senhor é algo digno de nota. É um headbanger fazendo show para headbangers! Zetro se diverte a cada segundo no palco e em sua primeira pausa para falar com a galera menciona cita o administrador da página do Facebook “Exodus Brasil” Lucca Ferreira. A página é reconhecida oficialmente pelos músicos.

“Iconoclasm”, única faixa executada do álbum “The Atrocity Exhibition… Exhibit A” de 2007, vem em seguida e mostra como as composições gravadas por Rob Dukes ficam perfeitas na voz de Zetro. Mesmo com perfis completamente opostos, a música fica com a identidade própria do atual vocalista.

Lee Altus: guitarrista do Exodus.
Lee Altus e Jack Gibson lado a lado.
Steve “Zetro” Souza: frontman do Exodus. Headbanger de alma!

A imensa roda que se formou no meio do público fica ainda mais violenta com o anúncio de “Fabulous Disaster”, faixa que nomeia o terceiro disco do Exodus que foi lançado em 1989. Literalmente tivemos até corpo voando neste som! Um fã na plateia conseguiu essa proeza subindo nas costas de um amigo que estava ao meu lado caindo no meio do mosh. Insano!!!! E falando nesta palavra, nada é mais insano do que presenciar  Gary Holt no palco. Dono de uma técnica e pegada únicas, o músico cobre todos os lugares do palco, bangeia sem parar e constantemente chama o público para o show.

Lee Altus é o escudeiro perfeito. Sempre vindo a frente do palco para incendiar o pessoal do gargarejo, mas sempre respeitando o patrão.  Uma das melhores músicas da banda da era de 2000 deixa o público ainda mais eufórico (se é que isso era possível): “Body Harvest”, do “Blood In, Blood Out”, tem seu refrão bradados por todos e mantém a roda acesa.

Gary Holt: guitarrista e membro fundador do Exodus.

Agora é hora de ver a banda tocar! “Deathamphetamine”, integrante do ótimo “Shovel Headed Kill Machine” (2005) é uma das músicas mais trabalhadas e técnicas do Exodus e o som deixa a plateia hipnotizada com sua complexidade e perfeição na qual é executada ao vivo. Minha música favorita da era Rob Dukes, sem dúvida.

 “Blacklist”, hino do genial “Tempo of the Damned (2004), vem na sequência com seu riff acachapante que faz a pista pegar fogo novamente. Um dos hinos da banda dotada de um dos melhores refrãos da história do thrash metal sempre faz um estrago absurdo quando é executada. E lembram do cidadão da muleta no show do Legion Of The Damned? Novamente as muletas são levantadas! Bizarrices no show do Exodus em SP é algo normal.

Um outro hino vem na sequência, literalmente uma lição de violência. Estou falando de “A Lesson in Violence” do debut grandioso do Exodus. A velha guarda tanto como a nova geração de fãs enlouquecem mais uma vez!

Depois de mais um bate papo rápido com os fãs onde se mostra completamente satisfeito com o desenrolar do show até então, Zetro anuncia “War is my Shepherd”, composição clássica do “Tempo of the Damned”. Quando abruptamente a banda interrompe a música, todo mundo imagina que deu algum problema na bateria, pois Tom Hunting sobe na mesma e depois vem a frente do palco. Na verdade, era para anunciar o aniversário do discreto e competente baixista Jack Gibson, agora cinquentão. A “festa” teve direito a bolo e drinks que alguns membros fizeram cara feia ao ingerirem. Com certeza, estava bem forte! Gibson tem uma aura setentista, é o músico mais discreto da banda no palco e com uma certa timidez em contato com o público, mas sempre muito solicito. Assim como todos os membros, sempre que solicitados pelos fãs tanto no palco, como fora dele.

Agora é hora de parar tudo e comemorar o aniversário do baixista Jack Gibson. Parabéns Jack!

Após a curta festa de aniversário do baixista e a execução sempre perfeita da música citada, é anunciado que o show está terminando. “The Toxic Waltz”, mais uma do álbum “Fabolous Disaster é executada. Impossível não lembrar da época do vídeoclip que passava direto na MTV.  E o caos continua na pista com “Strike of the Beast”, mais uma música integrante do clássico “Bonded By Blood”. No meio da música ocorre a tradicional parada para dividir a roda para o Wall of Death. Outras bandas copiaram a criação dos americanos, fazem até maiores em festivais, mas nada supera a adrenalina em estar com um dos criadores da coisa toda! E como sempre, a festa é garantida aos corajosos que fazem parte do desafio.

 O show chega (infelizmente) ao seu final, com distribuição farta de palhetas e com dois momentos a serem citados. Todos os integrantes distribuíram palhetas, baquetas e munhequeiras ao  administrador da página “Exodus Brasil” que estava na primeira fila, deixando o jovem fã em total êxtâse.  Atitude digna de aplausos aos músicos. O outro momento envolve Gary Holt e o fã que havia dado uma camiseta ao Zetro. O mesmo fã entregou uma camiseta do Slayer e com todos os membros caracterizados ao estilo “South Park”. Gary agradeceu e entregou uma palheta, retribuindo ao presente.

Steve “Zetro” Souza: o frontman do Exodus.
Gary Holt realizou apresentação impecável com o Exodus em São Paulo. Os fãs do metal pesado estão ansiosos para os próximos shows do Slayer no Brasil.

O show chega (infelizmente) ao seu final, com distribuição farta de palhetas e com dois momentos a serem citados. Todos os integrantes distribuíram palhetas, baquetas e munhequeiras ao  administrador da página “Exodus Brasil” que estava na primeira fila, deixando o jovem fã em total êxtâse.  Atitude digna de aplausos aos músicos. O outro momento envolve Gary Holt e o fã que havia dado uma camiseta ao Zetro. O mesmo fã entregou uma camiseta do Slayer e com todos os membros caracterizados ao estilo “South Park”. Gary agradeceu e entregou uma palheta, retribuindo ao presente.

Contudo, o público não estava ainda satisfeito e pediu avidamente por mais um som. O tempo já estava no limite, pois a banda já havia completado o seu show de 75 minutos conforme previsto no cronograma. Mas o que foi que a banda fez para a infelicidade dos seguranças? Tocaram mais duas músicas!!!! “Metal Commando” e “Piranha”, ambas do matador “Bonded By Blood”! Que show incrível dos veteranos do Exodus. E assim encerrouo ótimo primeiro dia do Setembro Negro Festival. Ainda tínhamos uma maratona de 18 shows divididos igualmente entre sábado e domingo para cobrir. Então, foi melhor ir para a casa e descansar porque o Setembro Negro estava apenas começando. E em grande estilo! Somos muito gratos à LP Metal Press e a Tumba Productions pelo ótimo acolhimento, profissionalismo, confiança em nosso trabalho e credenciamentos concedidos.

O Exodus fechou brilhantemente a primeira noite da 13ª edição do Setembro Negro Festival em São Paulo!

Setlist

EXODUS

1- Bonded By Blood

2- Blood In, Blood Out

3- And Then There Were None

4- Iconoclasm

5- Fabulous Disaster

6- Body Harvest

7- Deathamphetamine

8- Blacklist

9- A Lesson In Violence

10- War Is My Shepherd

11- The Toxic Waltz

12- Strike Of The Beast

Encore:

13- Metal Command

14 – Piranha

AT WAR

1- Intro (F.Y.I.)

2- Conscientious Objector

3- Ordered to Kill

4- Semper Fi

5- Ilsa (She-Wolf of the S.S.)

6- Dawn of Death

7- Assassins

8- Creed Of The Sniper

9- Gutless Sympathizer

10- Mortally Wounded

11- The Hammer (Motörhead cover)

12- Rapechase

13- At War

LEGION OF THE DAMNED

1- Warhounds Of Hades   

2- Son Of The Jackal

3- Palace Of Sin

4- Bleed For Me

5- Slaves Of The Southern Cross

6- The Widow’s Breed

7- Pray And Suffer

8- Doom Priest

9- Dark Coronation

10- Legion Of The Damned

GORGASM

1- Dirty Cunt Beatdown

2- Starved For Perversion    

3- Lesbian Stool Orgy

4- Anal Skewer

5- Stabwound Intercourse

6- Bleeding Profusely

7- Corpsefiend

8- Mouthful Of Menstruation

9- Seminal Embalmet

10- Infected With Lunacy

11- Disembodied   

12- Deadfuck

GRAVE DESECRATOR

Intro

Sign Of Doom

Revelations (Of the Beast)

Gods Of Death

Temple Of Abominations

Funeral Mist

A Witching Whore

Serpent Seedline

Insult

SHAYTAN

Intro

Night Of sacrifice

Lords Of hell

Ishtar

Naturom Demonto

Mysterium Baphometis Revelatum

Funeral Soul

Dark Mistress Of Death

Mosh Live · News

Postado em setembro 24th, 2019 @ 09:30 | 161 views
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