22 Sep 2019, 10:48 am

Symphony X Em São Paulo: Técnica E Feeling Em Prol Da Boa Música


Michael Romeo e cia conquistam o público paulistano.

Texto: Giovani Marcello

Fotos e revisão final: Renato Jacob

Em 25 anos de carreira, o Symphony X, banda de New Jersey fundada pelo exímio guitarrista Michael Romeo, aportou no Brasil pela sétima vez para duas apresentações no mês de agosto. Dia 03 na cidade de São Paulo na casa de shows Tropical Butantã e no dia 04 no interior paulista, precisamente em Limeira, no tradicional Bar da Montanha.

O carismático e competente vocalista do Symphony X, Michael Romeo, durante o início do show em São Paulo.

Com nove discos de estúdio em sua discografia, entre eles clássicos absolutos do prog metal, tais como “The Divine Wings of Tragedy” (1997), “The Odyssey” (2002), “Paradise Lost” (2007)  e o mais recente “Underworld” (2015), a banda trouxe ao Brasil a sua nova turnê “Odyssey Through the Underworld – Latin America Tour” na qual está em ritmo frenético com apresentações praticamente diárias.

No entorno da tradicional casa de shows da capital paulista, localizada no bairro do Butantã, antes da abertura dos portões com horário estipulado para às 18h00, um bom número de fãs já ia tomando conta dos bares das redondezas, além de estarem se organizando na fila para a entrada. Com um atraso de 60 minutos, a casa abriu e as pessoas aos poucos foram se dirigindo aos diferentes setores da venue e para a barraca de merchandising a fim de garantirem as camisetas mais bonitas.

Nesta apresentação em que realizamos a cobertura completa do show, a abertura ficou por conta da experiente VersOver, banda oriunda de Bebedouro, cidade interiorana do estado de São Paulo. Com uma discografia composta por três full-lenghts, um EP e um disco ao vivo, a banda formada em 1997, depois de um hiato de 10 anos, lançou um novo álbum em 2017, o ótimo “Hell’s Inc.”.  

VersOver

Por volta das 19h30, com boa parte do público ainda entrando na casa, o quarteto bebedourense, formado por Rodrigo Carmo (vocal), Gustavo Carmo (guitarra), Leandro Moreira (baixo) e Maurício Magaldi (bateria), começou a sua breve, mas eficiente apresentação.

Rodrigo Carmo: vocalista do VersOver.
Gustavo Carmo: o guitarrista do VersOver demonstrou muita fluência com o instrumento.

Com um setlist correndo toda a discografia da banda, destaco as performances de “Thirst”, música que foi apresentada no Programa do Jô em 2001, “House of Bones” e a excelente “Enemy”, dedicada aos nossos políticos. Impossível destacar apenas um dos músicos, porque todos estavam inspiradíssimos nesta noite. O vocalista Rodrigo Carmo cobriu todos os lugares do palco de maneira enérgica, o guitarrista Gustavo Carmo, muito hábil com o instrumento, executou riffs e solos de modo bastante competente e criativo.

A cozinha, formada por Maurício Magaldi e o carismático Leandro Moreira com sua marcante presença de palco, deixaram um gosto de “quero mais” depois de uma apresentação de aproximadamente 40 minutos. A banda foi muito bem recebida e elogiada pelo público. Indubitavelmente, o que enalteceu a apresentação do VersOver nesta noite foi o fato de a banda ter utilizado o mesmo técnico de som e iluminador do Symphony X. Na esmagadora maioria das vezes, as bandas de abertura contam com um som e uma iluminação bastante inferiores em relação às das bandas principais. Diversas pessoas, após o término da apresentação do VersOver se dirigiram para a barraca de merchandising a fim de adquirirem alguns CDs da banda. O nosso fotógrafo, Renato Jacob, foi uma destas pessoas.

Leandro Moreira: o ótimo baixista do VersOver esbanjou presença de palco durante toda a apresentação.

Symphony X

Com um pequeno atraso, às 20h30, os estadunidenses do Symphony X iniciaram a sua apresentação para um Tropical Butantã praticamente lotado e com uma numerosa quantidade de fãs espalhados por todos os cantos da venue. Público muito bonito, diga-se de passagem.

“Iconoclast”, presente no álbum homônimo de 2011, abriu o espetáculo de forma devastadora, com Michael Romeo (guitarra), Michael Pinnella (teclado), Mike LePond (baixo) e Jason Rullo (bateria) demonstrando estarem afiadíssimos e bastante dispostos a realizarem um show nota 10 para o público paulistano. O carismático vocalista Russell Allen foi o último a aparecer no palco. Com uma versatilidade e plasticidade vocal impressionante, além de uma presença de palco que domina totalmente a plateia, demonstra in loco porque é um dos grandes vocalistas do gênero na atualidade.

O fundador e excepcional guitarrista do Symphony X Michael Romeo.
O insano Mike LePond, baixista do Symphony X, esbanjou talento e presença de palco durante a recente apresentação da banda em São Paulo.

 “Evolution (The Grand Design)”, a única composição presente do álbum “V: The New Mythology Suite” (2000) manteve a pegada empolgada do início do show e os ânimos do público nas alturas. Sem deixar a adrenalina cair, a pesadíssima “Serpent’s Kiss”, música do álbum “Paradise Lost” (2007) veio na sequência e abriu brecha para a saudação de Russell Allen ao público paulistano.

 As próximas músicas consistiram de uma dobradinha do lançamento mais recente da banda, o elogiado e muito bem recebido ”Underworld” (2015). Foram elas, “Nevermore”, e uma das músicas mais sentimentais do grupo, que correspondeu a um dos pontos altos do show, a bela “Without You”, com destaque para a interpretação de Russell Allen.

Russell Allen soltando a voz no início do show do Symphony X em São Paulo.
Michael Pinnella: muita criatividade nos teclados do Symphony X.

Não tem o que questionar sobre a musicalidade dos integrantes do Symphony X, a não ser tecer elogios. Michael LePond e Jason Rullo são referências do gênero e formam uma base competente e sólida, com o baixista assumindo uma presença de palco insana e com o dom de transmitir ao público toda essa energia e tesão ao tocar. Jason é certamente um dos bateristas mais talentosos e criativos do prog metal do cenário atual e merece ter um reconhecimento maior pelo público e mídia especializada. Michael Pinnella é preciso nos teclados, com grande destaque no desenvolvimento dos arranjos das partes orquestradas. Mas a grande estrela da banda é o genial guitarrista e fundador do grupo Michael Romeo. Com licks bem encaixados, solos intrincados e ao mesmo tempo carregados de feeling, bases pesadas e muito carisma é o grande cérebro por trás da magistralidade do Symphony X.

Michael Romeo: a genialidade por trás do Symphony X.

“Domination”, mais uma música do álbum “Paradise Lost” e “Run With the Devil”, terceira e última música de Underworld a ser executada na noite deram sequência ao excelente show. Muitas composições, apesar de toda a sua complexidade, eram cantadas na íntegra por boa parte do público presente. Foi muito bonito ver o quanto os fãs do Symphony X prezam e curtem as composições do grupo.

 “Sea of Lies”, pertencente à um dos melhores álbuns do Symphony X, o “The Diving Wings of Tragedy”, do longínquo ano de 1997, contou com uma brilhante execução na noite e antecedeu a canção “Set the World On Fire (The Lie Of Lies)”, última do disco “Paradise Lost” a ser tocada, encerrando o setlist regular.

O Symphony X praticamente lotou o Tropical Butantã em São Paulo.

Com um pouco mais de 60 minutos de show, o Symphony X deixou momentaneamente o palco sob muitos aplausos e gritos do público e imediatamente os fãs pediram o retorno da banda para a execução do tão aguardado bis e grand finale.

Todos os presentes sabiam que apenas uma música seria apresentada. Mas estamos falando de um dos maiores hinos do prog metal de todos os tempos: a clássica “The Odyssey”, épica e longa faixa que nomeia o aclamado disco de 2002 gravado inteiramente no estúdio caseiro de Michael Romeo. Com quase 25 minutos de duração e sete partes sendo executadas de modo cirúrgico e relacionadas as orquestrações impecavelmente executadas pelo tecladista Michael Pinnella, todo o seu complexo desenvolvimento comove os presentes que, boquiabertos, observam toda a magia desta obra-prima do metal ao vivo e fechando de forma mágica um show perfeito.

Com tanto talento individual em cima do palco já era de se esperar que a sinergia entre os membros fosse incrível! E quem esteve presente nesta noite no Tropical Butantã pode testemunhar de perto o quão bem o Symphony X funciona ao vivo. O nível da apresentação foi amplificado pela ótima qualidade do áudio que ecoava dos P.A.s da venue, uma variável praticamente constante no Tropical Butantã e, obviamente pelo enorme poder criativo de improvisação do grupo, uma vez que todas as músicas executadas na noite tiveram as suas durações superiores em relação as versões de estúdio.

Russell Allen cantou muito no recente show do Symphony X em São Paulo.

Somos imensamente gratos a Honoursounds e a The Ultimate Music pela confiança em nosso trabalho e pelos credenciamentos gentilmente concedidos. Confira abaixo logo após os setlists mais imagens inéditas dos shows.

Setlist

SYMPHONY X

01 – Iconoclast

02 – Evolution (The Grand Design)

03 – Serpent’s Kiss

04 – Nevermore

05 – Without You

06 – Domination

07 – Run With the Devil

08 – Sea of Lies

09 – Set the World On Fire (The Lie of Lies)

ENCORE

10 – The Odyssey

VERSOVER

01 – Spleen

02 – Thirst

03 – Rain Bender

04 – Gala Night

05 – House of Bones

06 – Dead Hour

07 – Enemy

08 – Bob and Jack

09 – Prologue

Russell Allen: vocalista do Symphony X.
Russell Allen: vocalista do Symphony X.
O insano Mike LePond: técnica e energia a serviço do Symphony X.
Michael Pinnella: o competente tecladista do Symphony X.
Jason Rullo: o habilidoso baterista matador do Symphony X.
Mike LePond: apoio nos vocais do Symphony X.
Michael Romeo: guitarrista fundador do Symphony X.
Russell Allen agitando no início do show do Symphony X em São Paulo.
Michael Romeo: guitarrista fundador do Symphony X.
Competência, carisma e alto astral no show do Symphony X em São Paulo.
Michael Romeo: o cérebro do Symphony X.
Fã filmando o show do Symphony X em São Paulo.
Symphony X em São Paulo: um show irretocável!
O vocalista Rodrigo Carmo à frente do VersOver no Tropical Butantã em São Paulo.
O excelente guitarrista do VersOver Gustavo Carmo.
Leandro Moreira: presença de palco admirável!
Maurício Magaldi: baterista do VersOver.
Rodrigo Carmo: vocalista do VersOver.
Gustavo Carmo: o habilidoso guitarrista do VersOver.
Leandro Moreira: baixista do VersOver.
Maurício Magaldi: baterista do VersOver.
Rodrigo Carmo: vocalista do VersOver.
Leandro Moreira: baixista do VersOver.
Gustavo Carmo: o habilidoso guitarrista do VersOver.
VersOver: intensa interação entre os músicos no palco.
VersOver: intensa interação entre os músicos no palco.
VersOver: intensa interação entre os músicos no palco.
VersOver em São Paulo!
Mosh Live · News

Postado em agosto 31st, 2019 @ 10:05 | 122 views
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