FESTIVAL ARENA HEADBANGER
Cidade Nua, Creatures, Apokalyptic Raids, Whipstriker, Selvageria e Flagelador
Areninha Hermeto Pascoal, Bangú – RJ 04-04-26
Por Marcelo Pereira de Souza
Em mais um evento do incansável produtor, Luís Carlos Pires, o CEO da Be Magic, tivemos esse maravilhoso evento, Arena Hedbanger, que fatidicamente teve um público razoável, mas não o suficiente para a aposta nas bandas paulistas, paranaenses e cariocas, que mereciam ter ao menos um público presente de umas 500 pessoas, que, aos meus olhos, teve apenas um pouco mais da metade desse público. Culpa do feriado da semana santa? Seja lá o que for, esse batalhador e produtor merece ser enaltecido pela resiliência e fica aqui meu protesto com os ausentes. Se vocês não prestigiarem eventos cariocas, seja de que porte for, a já “cambaleante” cena metálica carioca pode sucumbir e daqui pra frente ter cada vez menos interesse dos produtores em qualquer parte do cenário carioca. Vamos prestigiar, pois correm sérios riscos de cada vez mais o público ter de ir em outros estados brasileiros para verem shows de metal. Em 1988, a banda Dorsal Atlântica já cantava “Metal Desunido” do seu disco “Dividir e Conquistar” e será que passados quase 40 anos ainda não aprendemos que a união faz a força? Vamos refletir, ir aos shows, comprar discos e materiais das bandas ou de alguma forma incentivar o ego de cada músico que faz bem para alma e espírito.
Abrindo, com um certo atraso, veio o quarteto carioca, Cidade Nua, com um visual mesclado de Glam Metal com bandas de heavy metal dos anos 80. Em nada tem o som com a nova yorkina Naked City (tradução de Cidade Nua) dos anos 80. Fundada por Pedro Casanova (Voz) e Valentim Danillo (Voz&guitarra), tem a participação de Diego Goettenauer (baixo) e Fernando Júnior (bateria). São jovens, da baixada fluminense que fundaram a banda em 2016 e tem um som de hard rock muito bem executado, que me remeteu aos anos 80 com um visual da banda carioca hard do estilo “farofa”, Broken Heart, que contava com o ex-baterista do Explicit Hate (banda de Thrash Metal carioca), Rod Santoro, mas com um som distinto dessa banda da baixada. Determinados momentos, o vocal foi do guitarrista, que agitava como em outrora fazia o simpático Eddie Van Halen (RIP), sem a mesma técnica comparativa como é de se esperar do mago que se foi e era ponto fora da curva, mas em termos visual, tamanha referência ao magnífico período dos anos 80. Uma banda a ser explorada num estilo que hoje parece pouco apreciado, mas que tem um público fiel e mais feminino pelo som e sex appeal dos componentes. Vale escutar seu trabalho autoral bem executado!
Set List: “Killer On The Road”, “Dogs From Weastside”, “Summer of 15”, “Master of Illusion”, “I Walk By My Rules” e “Working”.
Na sequência veio a banda Creatures, oriunda do Paraná, mais precisamente da cidade de Curitiba, onde o quarteto formado por Mateus Cantaleano (guitarra), CJ Dubiella (bateria), Marc Brito (vocal) e Rick Nunes (baixo), faz um som calcado no Heavy Metal com pitadas do Hard Rock, maravilhosamente executado, que foi uma grata surpresa tamanha excelência musical. Eles lançaram dois full-lenghts, (Creatures em 2021 e Creatures II em 2025), fora alguns singles e uma compilação, que o mercado internacional já abocanhou parte dessa jóia. A banda foi formada em 2019, onde diria ser criada por componentes que em outrora foram do metal extremo, mas com a escola do heavy metal tradicional. O guitarrista me lembrou visualmente o lendário Uli Jon Roth (ex-Scorpions), onde executou um solo que imediatamente percebi semelhanças com parte da “Hot on Yours Heels” da banda americana Steeler (com solo do extraordinário Yngwie Malmsteen com seus então 17 anos) e outra parte do lendário Eddie Van Halen, que também não necessita adjetivos, tamanha monstruosidade que fez nas seis cordas, enquanto encarnado. Nesse momento, percebi no público, a menina Elisa, de 9 anos, uma simpatia de criança muito bem orientada pelos pais e amigos em gosto musical, que curtia e agitava como se fosse parte integrante da banda (e nada tinha com estes) e me faz um bem danado ver um verdadeiro rocker encaminhar o filho para o trilho da cultura e atitudes. Voltando para a banda, fica aqui a sensação de nesse país enorme que vivemos, de não precisarmos ter a língua universal para termos orgulho dos maravilhosos músicos e suas composições com nível internacional. Vamos prestigiar o metal nacional!
Set List: “Intro”, “Devil In Disguise”, “Night Of The Ritual”, “Children Of The Moon”, “Nothing Losts”, Guitar Solo”, “End Of The Line” e “Dressed To Die”.
Depois dessa porrada sonora, veio não menos outra pancada, Apokalyptic Raids, capitaneado por outro batalhador, Leon Mansur, já conhecido por seu carisma e som rodeado da sonoridade dos pioneiros do estilo (Hell Hammer e Celtic Frost), que executaram um show bem pesado apesar de na segunda música apresentar problemas no som da guitarra (que perderam alguns minutos com problema aleatório de algum dos pedais e tiveram que retirar do set list a última música: “I´m a Metalhead”). A banda é composta por Leon Mansur “Necronomiac” (guitarra&vocal), Pedro Rocha “Skullkrucher” (bateria, que também faz parte da banda Whipstrike) e Armando “Exekutor” (baixo, que faz guitarra&voz também no Flagelador). Esse trio é sensacional e já fez inúmeras turnês internacionais, tendo um vasto público fiel e seguidor por onde vão tocar, principalmente no “Hell de Janeiro”. Quem ama as tais bandas suiças, com certeza já conhece a vasta discografia desses cariocas. O metal extremo brasileiro, cada vez mais se consolida como um dos melhores do planeta! Go to Hell!
Set List: “Necronomiac (Is Back)”, “Keep My Grave Open”, “The Impaler”, “Fallen Beyond Hope”, “Letter From Lucifer”, “The Ghost of the Hammer”, “Evil”, “Apokalyptic Raids”, “Agressor” e “Occult & Real”.
Após pequena pausa para mudança de palco, tivemos a entrada de outra banda carioca, Whipstrike um quarteto já de renome no cenário nacional, que executa um speed/heavy metal de altíssima qualidade. Para quem não conhece ainda a banda, formada em 2008, pode imaginar uma mistura do Venom com o Motorhead que vai resultar no som deles. É uma crueza que traz um certo encanto nostálgico dessas lendas old school, com uma certa modernidade, peso e mistura de sons, dando algo impossível de não ter agito. Esse quarteto conta com Victor “Whipstriker”(baixo&vocal), Pedro “Skullkrucher” (bateria), além da dupla de guitarristas Leonardo “Witchcaptor” e Rodrigo “Doomhammer”. O show calcado no aclamado álbum “Cry of Extinction” de 2025, que inclusive ganhou no lançamento, elogios da revista inglesa Kerrang, teve como destaque a música título, que faz qualquer um viajar na pegada do saudoso Lemmy e seu Motorhead, além das conhecidas pitadas do Sodom, Venom e Exciter. Go Rules!
Set List: “Troopers of Mayhem”, “We Came From The Wild Lands”, “Lucifer Set Me Free”, “Merciless Artillery”, “Waiting For The Doom´s Day”, “Nuclear Metal Blood”, “Cry of Extinction”, “Heart Rippers”, “These Gray Days” e “Crude Rock n´Roll”.
Chegado o momento da paulistana Selvageria, outra banda old school na linha do speed/thrash/black metal, criada em 2005 e hoje um trio consolidado com discos lançados. O último saiu em 2017 (está mais do que na hora de novo lançamento, né rapaziada). Com vasta experiência e de abertura em shows de entidades consagradas, como da norueguesa “Aura Noir”, Neil Turbin (ex-vocal do Anthrax) e da americana “Whiplash”, entre outras, para citar os anos de estrada, eles eram esperados com ansiedade pela galera. Das raridades de bandas nacionais pesadas, eles fazem questão de cantarem na língua portuguesa. Para quem gosta do estilo da Agent Steel e do Exciter na era do Dan Beehler, principalmente pelo baterista Danilo Toloza que também faz os vocais como o ídolo canadense, que complementando o trio, temos seu irmão, Tomás Toloza (baixo e também vocal) e César Capi (guitarra). O show iniciou lá pelas 23hs com a galera já cansada, mas que com aquele gás da banda e do oxigênio restante do público, deu um bom aval daquela transição do speed para thrash metal, típica no início dos anos 80, que os bangers cinquentões agitavam como nos seus vinte poucos anos (Fábio Júnior que me perdoe pelo trocadilho). Enfim, nem toda selvageria é algo negativo. Viva o old school e por mais vindas ao Rio!
Set List: “Intro”, “Metal Invasor”, “Selvageria”, “Maldição”, “Lâmina da Foice”, “Cinzas da Inquisição”, “Águias Assassinas”, “Trovão de Aço” e “Hino do Mal”.
Finalizando a noite maravilhosa, tivemos o quarteto carioca-paulista, Flagelador, conhecido visualmente pelo uso do capirote negro, que nos remete a era da inquisição, que aqui entre nós, é mais conhecido como máscara do ceifador (o nome capirote parece mais apropriado tecnicamente falando, se é que me entendem). O show basicamente foi para comemorar os 20 anos do primeiro full-lenght, “A Noite do Ceifador”. Quem faz essa missão de ceifador, é o Armando Exekutor (aqui, guitarra e vocal), acrescido de Alan Magno (baixo), Vinicius Talamonte (bateria) e Júnior Bzrra (guitarra). A performance da banda é a mesma desde o início, sinalizando como um dos pilares do metal extremo brasileiro, onde entregam um show coeso e direto, sem firulas com técnica, rapidez e uma agressividade característica do estilo inicial do speed/thrash metal. Foram praticamente uns 50 minutos de um show nostálgico da sonoridade de 20 anos do primeiro petardo com esse repertório nostálgico e maravilhoso. Com certeza saíram realizados como divulgados em outros locais que também assistiram essa “festa” primordial principalmente para quem acompanha a banda desde seus passos iniciais. Atemporal!
Set List: ”Ultimatum/Flagelador”, “Perseguir e Exterminar”, “Cruzada ao Lado de Satã”, “Expresso Para o Inferno”, “A Noite do Ceifador”, “Carnificina”, “Somente o Aço Nos Salvará”, “Unidos Pelo Metal”, “Nas Minhas Veias Corre Fogo”, “Ao Vivo no Inferno”, “Obcecado Por Sangue”, “Queimando Nas Chamas”, “Massacre Bestial”, “Assalto da Motosserra”, “Máxima Voltagem” e “Conjuração”.
Fica aqui meu agradecimento ao produtor “Carlinhos” e sua grande equipe da Be Magic, por sua generosidade (ele distribui alguns pôsteres coloridos para as bandas e público no fim dos shows), as bandas que se doaram por completo, num evento marcante e principalmente aos headbangers presentes, que mostram o real sangue que corre nas veias de um verdadeiro roqueiro, prestigiando o evento seja lá por onde for e sem frescura. ARENA HEADBANGER II, os fracos virão fortes e sem frescuras. Go Away, Asshole!
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