9 Jan 2026, 6:13 am

Mosh Live: Krisiun, Taurus & Sutura em Bangu

KRISIUN, TAURUS e SUTURA – Areninha Hermeto Pascoal, Bangu-RJ  18-10-25 

                                                                                                     
Por Marcelo Pereira de Souza 

Comemorando os 10 anos da produtora Be Magic, capitaneada pelo incansável Luis Carlos Pires, tivemos esse grandioso show com duas lendas do metal tupiniquim e outra promissora, que mesmo num local distante da maioria e muita chuva, lotou o agradabilíssimo espaço, onde os verdadeiros headbangers não se curvam diante de qualquer possível dificuldade, ainda mais se tratando de um showzaço desse. Vamos a resenha! 

Abrindo o show, veio a promissora banda de Nova Friburgo (região serrana do Rio de Janeiro), SUTURA (não confundir com a curitibana de mesmo nome), criada em 2016 e que toca o extremo death/black metal “old school” como influência raiz, incluindo os rostos pintados. Já tem experiência fonográfica com um EP e dois full lenghts. A banda atualmente está com William “Delta X” Toledo na bateria, Erik Amorim no baixo, Luciano Galvão na guitarra e Nathan Azevedo na guitarra e vocal. Interessante lançamento com o selo chinês “Awakening Records”, que a invasão chinesa no mundo faz do confronto entre o comunismo x capitalismo nos presentear com o lado underground, que nós brasileiros não tivemos a competência de dar oportunidade aos conterrâneos. Infelizmente, por motivo de saúde, o baixista Erick Amorim não pôde se apresentar, porém o trio mandou bem com as duas guitarras e bateria. A chuva pode ter estragado um pouco, mas para mais de 400 pessoas presentes, algumas vindas de outros estados brasileiros, foi um show para ficar marcado eternamente pelas bandas, organização exemplar e do próprio público tamanha energia positiva. 

Set List: “Worms in Disguise”, “Under The Black Mark”, “Sacramental”, “Where Shadows”, “Surfering Case”, “Black Flame” e “Dawn”. 

Na sequência veio a banda niteroiense dos irmãos Cláudio e Sérgio Bezz (guitarra e batera respectivamente), TAURUS, com Felipe “El Sonoro” Melo no baixo e Rudi Sgarbi nos vocais. Sou amigo e admirador do som da banda desde o início e sem nenhuma “peixada”, são 40 anos (teve um hiato de 1994 -2006) que eles nos presenteiam com maravilhosas canções. Mais bacana do que isso, foi ver o Guga (ex-baterista do Dorsal Atlântica), como roadie do Serginho, algo que mostra a humildade e valorização da longa amizade, pois o Guga teve três avc´s e se recuperou das sequelas, onde é muito bonito ver que as verdadeiras amizades são reveladas bastando um dos lados passar por dificuldades, incluindo em determinado momento do show ele sair da batera e ir pro microfone da frente do palco para anunciar a presença do amigo, que foi reverenciado pelo público. Começaram com o clássico “Mundo em Alerta”, eternizada na voz original de Otávio Augusto, mas que Rudi, mesmo no início estar com o vocal baixo, já mostrava o carisma e talento, que aliado aos riffs do Cláudio, faz dessa música um clássico do metal nacional. O público ficou insano! Essa turnê (Taurus 1985), relembra os 40 anos da banda e obviamente remete toda discografia com ênfase nos clássicos atemporais, que é um verdadeiro deleite para os fãs. A próxima foi “Fissura”, que é título do disco de 2010 e uma canção forte do fruto de muito diálogo entre os componentes, com um sentido democrático da participação de todos na composição, que foi uma época marcante para a banda. Na sequência, vieram com “Nove Vidas” do álbum “V”, conhecido como “Cinco”, pela ênfase do português nas letras, que mesmo tendo a volta do grande Otávio Augusto nos vocais na mídia física, eu diria que hoje teria o título de “Nova Vida”, vide os vocais do não menos sensacional e carismático Rudi Sgarbi. O próximo petardo foi “Império Humano” do first-lenght “Signo de Taurus” de 1986, que mostra toda fúria do speed-thrash metal da banda, fazendo o público vibrar com rodas, punhos cerrados e guitarra imaginária, mostrando o verdadeiro espírito heavy metal aflorar naturalmente. Dando prosseguimento, agora das letras em inglês, tocaram do segundo disco “Trapped in Lies” de 1988, a faixa-título, da era do guitarrista/ vocalista Jeziel (um pseudo-clone de James Hetfield do Metallica), que nitidamente vemos uma pegada menos speed e mais heavy metal da banda, mas com um feeling mais agressivo e técnico nessa fase da banda, que caiu muito bem na voz e performance do Rudi, que controlava a atenção do público como um verdadeiro frontman. Depois de mais um clássico, vieram com outra faixa-título, dessa vez a “Pornography”, do homônimo álbum de 1989, que é na mesma pegada do anterior e manteve o nível da apresentação. Seguiram com “Dias de Cão”, do álbum “Fissura”, que é um tema que aborda o cotidiano do crime, tráfico, corrupção policial, violência e coisas do mundo real, principalmente de quem vive na terra da garota de Ipanema, então pelo tema já podemos imaginar ter uma pegada forte e coesa, que os riffs do Cláudio, ao ritmo galopante do Felipe, da pegada coesa e forte do Sérgio, aliada a potência e energia do Rudi, faz dessa música ainda não clássica, de ter uma atenção especial. Seguiram com “Lunático”, que é de um “single” da banda, que partiu da ideia através de uma peça de Shakespeare, Rei Lear, ato IV, cena 1, chamada “O Louco Guia os Cegos”. A letra gira em torno desse tal lunático, que foi um ser realístico, mas aparentemente inofensivo e que deixa tudo correr de forma aleatória, que por isso, suas ideias não são levadas a sério, onde podemos dizer que seus pensamentos são tão estúpidos sem contexto que nunca teriam seguidores para espalhar essa desgraça, mas que parece que nos dias atuais tomam de assalto as mentes do povo da internet. Mistérios à parte se tem algum viés político ou religioso à algum brasileiro amado e odiado, a pegada do som é que importa para vermos o tamanho, dessa loucura toda. Damien, veio na sequência, que é um clássico baseado no personagem Damien Thorn, o Anticristo do filme “A Profecia” (The Omen), ao qual a letra fala sobre o “filho das trevas” e o “sinal da besta”, que é apreciado esse ocultismo, tanto pela banda como pelo público, que deixou o público insano e rodinhas criadas, para finalizarem com “Massacre”, que sem trocadilhos fez dessa apresentação um massacre sonoro e uma aula do verdadeiro Thrash Metal. Eternamente Atemporal! 

Set List: “Intro/Mundo em Alerta”, “Fissura”, “Nove Vidas”, “Império Humano”, “Trapped in Lies”, “Pornography”, “Dias de Cão”, “Lunático”, “Damien” e “Massacre”. 

Chegado o momento mais aguardado pelo público já aquecido e insano, o trio dos irmãos gaúchos, KRISIUM, formado por Alex Camargo (baixo e vocal), Moyses Koslene (guitarra) e Max Koslene (bateria), que com certeza construiu seu nome no cenário mundial e que a humildade deles, os faz cada vez mais arrebanhar fãs que até não curtem muito o metal extremo, principalmente pela simpatia e entrega nos shows cariocas. A influência do irmão mais velho no mundo do rock e a adoração pelas capas insanas fez chegar ao “Show No Mercy” do Slayer e “Altars of Madness” do Morbid Angel, que foi o início de tudo. A banda ficou marcada instrumental e musicalmente falando, pela batida imposta por Max, que é violenta e extremamente pesada, enquanto a guitarra do Moyses tem uma mistura avassaladora entre a técnica refinada no estilo bastante agressivo do Death Metal, que aliada ao baixo marcante e voz gutural do Alex, fazem dessa banda ter um borogodó diferente no estilo limitado do metal. O lado simples e sincero do trio, com visual bruto e um coração acolhedor, talvez seja um carisma natural que conquista qualquer ser radical e faz cada vez mais angariar fãs pelo mundo afora. Talvez fora o Sepultura, eles sejam o número dois “brasilis” no mundo do metal atual. Os caras simplesmente no meio do show, agradecem e enaltecem os brothers do TAURUS, informando que são fãs desde o início da carreira deles. Além do show, Alex e Moyses, tem uma afinidade com eles na participação da gravação de “Existe um Lugar?”, faixa do álbum “V”, que obteve uma excelente repercussão nos canais de streaming. Após um show conjunto em Manaus, Alex, que é fã deles desde o debut álbum, escreveu um texto que foi publicado no DVD dos 30 anos da banda. Como, não ser fãs dos caras mais humildes do metal? Se são “Capitão Caverna” no visual e coração de “Sherek”, o som emanado de seus instrumentos já é conhecido nos acordes de cada instrumentista, deixando marcado o estilo. O show foi uma mescla dos álbuns de sua carreira. Abrindo a porradaria, veio “Ravager”, que como a letra foca em temas apocalípticos de destruição, guerra cósmica, rebelião contra os dogmas religiosos e coisas do tipo para em seguida vir com “Endless Madness Descends”, que é na mesma linha de ódio e remete os primórdios da banda pelo título, emendando com “Abomination”, onde os riffs de Moyses se destacam aliado aos dedos do público em movimento na direção de sua guitarra e umas pequenas rodas se formando. Alex, como sempre agradece aos fãs afirmando que não estariam nesse posto sem ajuda do público e entre uma música e outra, bebe uma aguinha e dá mais um recado que deixa o público vibrando e tal, onde consegue mesclar a porrada e o descanso sem as brigas do tico&teco, afinal já são veteranos. Na sequência, vieram com “Scourge of the Enthroned”, que é título de álbum, para depois emendar com a clássica “Necronomical”, do petardo de 2022, “Mortem Solis”, até então seu último full-lenght. Após mais um formato, porradaria e pequena pausa de conversas e repor as energias, seguiram com “Combustion Inferno”, outra porrada do álbum “Southern Storm” de 2008, que é uma metáfora de uma destruição irreversível evocando medo e admiração diante da força da natureza. Seguiram com “Messiah of the Double Cross” do enigmático “Black Force Domain” de 1995 emendando com “Descending Abomination” do álbum de 2011, “The Great Execution”. Como podemos ver, foi uma festa relembrando os 35 anos de existência. A próxima foi “Abyssal Gates”, do terceiro álbum, “Conquerors of Armageddon” de 2000, aqui com as músicas mais tocadas. Voltaram ao álbum de 2011 tocando “Blood Lions”, que nada mais é do que reforçar do sangue que corre nas veias dos leões como simbologia de força, coragem e resistência diante de qualquer situação. Após umas palavras e mais aguinha, seguiram com os clássicos, fazendo medley, para ensandecer na sequência com “Serpente Messiah/Hatred Inherit” e finalizando “Conquerors Of Armageddon/Black Force Domain”. A chuva atrapalhou um pouquinho, mas quem é verdadeiro headbanger, desdenhou da natureza e foi com toda certeza desse mundo, abrilhantar este espetáculo que em nada deveu aos estrangeiros e cada vez mais está fortalecendo o metal nacional. GO AHEAD! 

Set List: “Ravager”, “Endless Madness Descends”, “Abomination”, “Scourge of the Enthroned”, “Necronomical”, “Combustion Inferno”, “Messiah of the Double Cross”, “Descending Abomination”, “Abysaal Gates”, “Blood of Lions”, “Serpente Messiah/Hatred Inherit” e “Conquerors Of Armageddon/Black Force Domain” 

 

Mosh Live · News

Postado em janeiro 6th, 2026 @ 15:47 | 114 views



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