Master (EUA), Sutura (RJ) e Ereboros (RJ) – 02/05/2026 Garage Grindhouse, Pça da Bandeira-RJ
Por Marcelo Pereira de Souza
Em mais uma produção do incansável Luís Carlos Pires da Be Magic, tivemos esse showzaço no reduto consagrado do Garage Grindcore (antigo Garage Art Cult) na “Rua Ceará”, imortalizado pelos cariocas e que já teve show do Exodus com Paul Baloff (R.I.P; 2002) nos vocais para umas míseras 50 privilegiadas pessoas, visto a banda querer tocar no RIO em cima da hora e tudo feito na correria. Quem viu, viu! Detalhe pitoresco: o som mecânico antes das apresentações, todo calcado na carreira do Black Sabbath. O embrião do Death Metal foi o co-anfitrião da festa sem correlação proposital. A natureza foi deliberadamente representada pela espontaneidade! Vamos ao show!
Abrindo a noite macabra, tivemos a banda carioca de Death Metal, Ereboros, fundada em maio de 2022 com músicos experientes que já fizeram turnês pela América do Sul, Europa, Estados Unidos e obviamente pelo território nacional. Fazem parte da banda Thiago Barbosa (guitarra&voz), Juan Carlos (guitarra), Paulo Doc (baixo) e Victor Mendonça (bateria). Eles ainda não lançaram seu full-lenght, mas seus singles e vídeos nas redes sociais mostram o grande potencial com seu set list poderoso, onde a presença de palco e forte postura aliada a técnica do estilo brutal que o Death Metal proporciona, já deixou o agitado e exigente público literalmente viajando nas trevas, se é que me entendem. O vocal do Thiago é bem visceral, energético e que faz da mistura agressiva de Death Metal com Metalcore, que aliado aos riffs rápidos e palhetadas intensas nas guitarras e as marcações da incessante cozinha, ficar com um som mais modernizado, porém com muita raiz do estilo. Olho neles que prometem!
Set List:”Into (The Omen), “Corruptio Signum”, “Dubium Sapienta Est”, “Path of Solomon”, “Salute to Disorder”, “Blasphemous Era”, “Progenies of the Unseen”, “Depths of Misery” e “Ereboros”.
Na sequência, veio outra carioca, Sutura, com seu Black/Death Metal “old school”, que em outrora nos anos iniciais era Black/Death/Grindcore. Criada em 2016 em Nova Friburgo (região serrana do Rio de Janeiro), conta com William “Delta X” Toledo na bateria, Erik Amorim no baixo, Luciano Galvão na guitarra e Nathan Azevedo na guitarra e vocal, no seu line-up. Seu som raiz, incluindo os rostos pintados, já é conhecido dos “deathbangers”, que agitam sem parar no show, com uma pseudo-energia infinita que contagia geral, parecendo fazer parte integrante do show. Interessante lançamento com o selo chinês “Awakening Records”, do qual, esta invasão chinesa mundo afora, faz do confronto entre comunismo e capitalismo, nos presentear com o lado underground, que nós brasileiros não tivemos a competência de dar oportunidade aos conterrâneos. Fizeram um show coeso, pesado e brutal como de costume e que serviu de aperitivo para o que veio a seguir. 
Set List: “Moutains of Grievance”, “Edges of Deception”, “Sacramental Bleed”, “I am The Black Flame”, “Under The Black mark”, “Suffering Cage”, “Clasta” e “Covenant of The Wicked”.
Chegada a hora da atração principal, a norte americana MASTER, oriunda de Chicago, uma das pioneiras do Death Metal americano junto de outras lendas como o Death, Possessed e Morbid Angel, que o Tio Sam nos fez conhecer e que até hoje tem o respeito pela sonoridade. Além de promover o último álbum “Saints Dispelled” e outros petardos da extensa carreira, entregaram uma das melhores performances de 2026 em solo carioca. Como no mesmo dia, tivemos o show da Shakira em Copacabana (com nosso dinheiro público e gastos em torno de 15 milhões), nada mais justo que o CEO da Be Magic (vulgo “Carlinhos”), dar anunciada na banda e brincar com o sucesso da colombiana, “Waka Waka”, que levou o público às gargalhadas. O baixista Paul Speckman, lidera a banda desde sua criação em 1983, com o singelo nome “Death Strike”, quando já nos idos de 1985 (primeiro Rock In Rio), resolveu rebatizar para o nome Master. Hoje, Paul vive na República Tcheca (antiga cortina de ferro), talvez por conta de ter entrado para a banda tcheca, Krabathor. Como todo “old school” que se preza, é bem atencioso e ficou no stand da banda vendendo merchandise (camisa, cd, patches e etc), antes de iniciar o show, atendendo com simpatia a todos, conversando e tirando fotos sem estrelismo algum. Em 2010 já estiveram no Brasil com a “Masters of Hate Tour” (tiveram outros anos também, 2014 e 2024), onde fizeram vários shows Brasil afora. 
São mais de 40 anos de estrada com diversos discos lançados e que obviamente a banda conta com o líder americano no baixo e vocal, além de outros músicos, tchecos, que estão com ele desde 2003, compondo o trio, que são eles: Ales “Alex 93” Nejezchleba (guitarra) e Zdenek “Zdenal” Pradlovsky (bateria). Zdeneck, me impressionou bastante com seu duplo pedal, dando uma marcação extraordinária no preenchimento das notas com o bumbo, me fazendo literalmente batizar a banda como sendo o Motorhead do Death Metal. Já Alex, faz da sua surrada flying V, viajar num ritmo acelerado e de um compasso de riffs alucinantes que não parece sair de uma única guitarra. Paul, é um caso a parte de transpiração, dedicação e entretenimento, onde as letras têm como base a energia punk/adolescente contra os disseminadores de poder, a riqueza do mundo que gera desigualdade e principalmente da saga do Tio Sam em controlar a vida de todos ao redor do mundo e que na minha opinião foi o aceite para ele mudar de país. Seu conceito é de viver pela música e para a música, onde o que importa é o público, seja de 1 ou 10000 pessoas, entenderem e verem ao vivo a essência e não tocar apenas por dinheiro. A banda toca com prazer e ira de ímpeto inicial, onde os clássicos atemporais que não são datados, deixam o público em êxtase, que os 62 anos do líder faz parecer a mesma energia de um trio de jovens iniciantes, tamanha energia e dedicação a entrega de um show de qualidade. O Kit da batera foi minuciosamente montada e já sentimos o som com volume e clareza bem maior, onde todos os músicos tiveram a timbragem de seus instrumentos na “altura” certa para escutarmos o som límpido e claro de cada um. Foram cerca de 1:30h de show, onde a doação dos músicos em cada música do set list, mostrou realmente o prazer e dedicação a entrega de um show com intuito de valer cada centavo que o público pagante fez. Paul, saiu “derretido” e extremamente esgotado, mas feliz (perante o stand de merchandise, ele informou que eu poderia fazer uma entrevista após o show onde comecei a rir e disse que ele estaria mortinho e não faria….aconteceu minha previsão kkkkkk), Zedeneck com o bumbo e paninho do logo da banda preso nele e constantemente subindo e descendo vide o tamanho das porradas, me impressionou bastante com sua marcação parecendo um metrônomo humano, tamanha precisão e nosso amigo “carequinha”, Alex, manteve a linha com riffs crescentes e incansavelmente precisos. Clássicos como “Master”, “Unknown Soldier” e outras foram executadas na íntegra como nos discos e cantaroladas e agitadas pelo público, onde por diversas vezes, o baterista levantava do seu banquinho, agitando as baquetas no sentido giratório, onde o público imediatamente captou a mensagem e fez a famosa rodinha. Perto do fim do show, a banda tocou um blues para dar uma relaxada e continuar a porradaria para finalizar o show no limite extremo do esgotamento físico, mas feliz como um pinto no lixo, como dizia o famoso intérprete Jamelão.
Podem ter certeza que a Be Magic, só trás coisas boas para o público carioca que é controverso mas os fiéis e presentes terão esse show eternamente gravados na mente. Viva o “Old School”! 
Set List: “Master”, “Subdue The Politician”, Collection Of Souls”, “Judgement of Will”, “Submerged in Sin”, “Terrorizer”, “Vindictive Miscreant”, “Unknown Soldier”, “Destruction in June”, “Inner Strength Of The Demon”, “Re-entry And Destruction”, “Cut Through the Filth”, “Another Suicide”, “Funeral Bitch”, “Pay to Die” e “Mangled Dehumanization”.
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