19 May 2026, 2:27 am

Mosh Interview: Blind Horse

Entrevista com o baixista Eddie e o vocalista Alejandro, da banda carioca BLIND HORSE. Um rockão setentista de flertagem com o heavy metal e uma sonoridade ímpar com molde atemporal.

 

Por Marcelo Pereira de Souza 

– Primeiramente, para quem não os conhece, conte um breve histórico da banda, de como surgiu, influência dos músicos e vertentes dela para os dias atuais?

EDDIE ASHETON: Bom, o Blind Horse surgiu há um longo, longo tempo atrás, no final de 2014. Eu, o Alejandro (vocalista) e o Rodrigo (guitarrista) já tocávamos juntos em uma banda que também fazia um som mais na linha do rock setentista, Mothers. Em 2017 saiu o nosso primeiro baterista, o Maicon, e entrou o Gabriel, e assim temos seguido até hoje. Você quer dizer os músicos que mais influenciaram cada um de nós? Se for isso as minhas principais influências no baixo são John Entwistle, Pete Way , Roger Glover, entre outros.

ALEJANDRO SAINZ: Eu de um jeito bem torto tenho como influências de vocalistas como o Steve Marriott, Rusty Day, Eric Burdon, Alvin Lee, Iggy Pop, Rob Tyner e,  claro, Ian Gillan, Ozzy, Dio e Plant.

– Vocês já têm mais de 10 anos de existência e fazem um hard rock muito bem influenciado pelos anos 70, porém com influências de punk, progressivo, blues, folk, heavy metal e o que mais pintou de influências, diria, dessa década. Falem um pouco desse lado conservador, mas bem eclético.

EDDIE: Conservador? Você quer dizer conservador no sentido da nossa sonoridade remeter mais a décadas passadas? Bom, quanto ao ecletismo para nós sempre foi muito natural, pois nós 4 crescemos ouvindo (entre outras coisas, claro) tanto rock dos anos 60 e 70 e suas influências que inevitável que essa diversidade venha à tona quando “cozinhamos” as nossas próprias músicas.

ALEJANDRO: É interessante essa perspectiva de sermos musicalmente conservadores. De alguma forma, talvez sejamos mesmo. Mas o problema é que sempre vai ter alguém mais conservador do que você. Como, por exemplo, alguém que divide todas as músicas do mundo em duas categorias: erudita e popular. O que nós fazemos está na mesma categoria da moderníssima pisadinha, do funk, do k-pop, do King Crimson ou da Cindy Lauper.

– A página de vocês do bandcamp é bem ilustrativa e mostra bastantes singles, inclusive vejo uma certa influência do desenhista Robert Crumb. Falem sobre essa importância visual (bem importante nos anos lisérgicos dos 60/70), incluindo o videoclipe “The Witch” e tudo mais. E Janis Joplin?

EDDIE: Todos nós somos muito fãs de Crumb, Gilbert Shelton e esses artistas da contracultura. E, sim, a capa de Rock and Roll Days, nosso disco mais recente, foi mais do que claramente inspirado na capa do Cheap Thrills,daí a nossa conexão com a Janis Joplin. Aliás, um belo trabalho do Alexandre Mil na capa desse disco!

– Vocês têm uma energia no palco maravilhosa, parecendo doar a alma como nas viagens das bandas setentistas, tanto de hard rock, quanto de rock progressivo. Viver de rock é complicado, ainda mais no Brasil. Vocês com certeza têm sintonia com o mercado internacional. Fale sobre o foco de vocês e se tiveram sondagem internacional, tanto para shows quanto para distribuição das gravações?

ALEJANDRO: Nós já saímos como destaque na revista inglesa Classic Rock, com resenha super elogiosa, mas fora isso, mais nenhuma sondagem. Hoje em dia é muito difícil viabilizar uma banda financeiramente. Não existe isso de fazer um som incrível e o mundo vai te descobrir e você vai tocar lá fora e tudo vai acontecer. Você tem que fazer tudo, se empresariar, ter boas conexões, ter muito dinheiro, um capital inicial mesmo para fazer sua música aparecer e acessar palcos e lugares que são para poucos. Minhas bandas preferidas de hoje em dia são bandas completamente desconhecidas ou até que já acabaram principalmente porque a coisa não virou de verdade pra elas.

– A música para vocês tem grande importância por toda entrega quando tocam, mas viver disso sabemos ser complicado. Como cada integrante vive da resiliência profissional para bancar esse sonho de um dia viver completamente de música? Ou acham utopia?

EDDIE: É claro que eu preferiria viver de música ao invés de precisar do meu trabalho chato, mas pra viver de música eu teria que tocar música que eu não gosto, e eu não teria nem versatilidade nem paciência pra isso. Então no meu caso específico sim, eu acho utopia.

– Algumas bandas novas estão “reciclando” o rock dos anos 70 e se dando bem com isso, vide a Jayler com digamos a forte influência do Led Zeppelin. Obviamente sem comparar nada de vocês com tal “clonagem” de alguma banda, o que você acha dessas novas bandas sugando alguns monstros sagrados e o que ouvem hoje de novidade que vale demais ouvir?

EDDIE: Independente de gostar ou não dessas bandas uma coisa é verdade: o sucesso delas ajuda a manter esse rock mais clássico, digamos assim, em evidência. Dessas bandas, na linha “novo com cara de velho”  que nem a gente, daqui do Brasil as minhas preferidas são o Centro da Terra e o Hammerhead Blues, e lá de fora eu destaco os argentinos dos Peyotes e dos Ratas Sicodélicas, e os americanos dos Losin’Streaks e do Frankie & the Witch Fingers.

– Como são feitas as músicas, sobre o que abordam as letras?

EDDIE: Normalmente um de nós vem com a idéia inicial de uma determinada música, e então nós 4 trabalhamos juntos em cima dela, sendo assim, cada música nossa é uma composição coletiva. Quanto às letras, a gente não segue uma linha temática. Teríamos que pegar música por música e falar sobre a letra de cada uma delas. No nosso Bandcamp, por exemplo, além das músicas tem também as letras. Quem quiser é só ir lá e conferir.

– Soube certa vez de vocês quererem fazer um tributo a um gigante do rock. Eu diria que o Budgie seria uma boa vertente, mas apostaria também no Cactus, Cream ou algo nesse naipe psicodélico, fervoroso com diversas quebradas. Fale um pouco disso e se teve ou terá andamento?

EDDIE: Sim, estava nos nossos planos fazer alguns shows especiais, com um tributo ao Led Zeppelin. Nada muito original, mas tínhamos planos de tocar algumas músicas menos óbvias deles. Por exemplo: não iríamos tocar Stairway to Heaven. Mas aí sentimos uma necessidade de começar a trabalhar material novo, nosso mesmo, e é o que estamos fazendo neste momento. Mas nada impede que num futuro próximo a gente retome essa idéia, seja com o Led Zeppelin ou não. Aliás, ótimas sugestões de bandas para um tributo, principalmente o Budgie.

ALEJANDRO: Na verdade esse tributo ao Led Zeppelin era mais a ideia de fazer um Cavalo de Troia para em algum momento invadir com o nosso próprio som e acessar espaços que bandas cover acessam e bandas autorais não. Nem a humanidade nem o Led Zeppelin precisam de mais um tributo desses, mas muitas pessoas e bares aqui no Rio de Janeiro precisam muito. Especialmente para harmonizar com sua cerveja artesanal e calabresa acebolada com fritas. Infelizmente fazer um tributo ao Cactus ou ao Budgie seria quase como montar uma banda nova.

– Falem um pouco sobre a estrada nesses 10 anos lineares, dos shows antológicos, de coisas engraçadas e pitorescas, bem como as arapucas que caíram, mas que tudo faz parte de aprendizado, principalmente nos anos iniciais?

ALEJANDRO: Só vou dizer uma coisa sobre isso: saudades Aldeia Rock Festival.

– Vocês cantam em inglês, alguma coisa em castelhano e pouco em português. Qual estratégia para isso?

EDDIE: Na verdade até o momento só fizemos uma música em português e depois outra em castelhano. Ambas foram casos bem específicos: Noite Estranha foi uma homenagem às bandas de rock nacional dos anos 70 que tanto amamos, e Santiago y la Pesada del Rocanrol foi a mesma coisa, só que com as bandas argentinas dos anos 70.

– A música “Patagonia”, inclusive título do disco de 2017 tem quase 16 minutos com uma mescla de peso e psicodelismo muito bem executado e impressionante som de sintetizador moog, que acredito ter sido escolhido propositadamente para o som setentista. A guitarra também maravilhosamente executada com preenchimento de notas em cima de notas. Falem em especial sobre essa composição e se o público, pede nos shows?

ALEJANDRO: Patagonia é uma das poucas músicas em que eu também toco guitarra e ainda contou com a presença do nosso amigo tecladista, Ronaldo Rodrigues. O pessoal pede bastante nos shows, mas não temos tocado muito.

– Para finalizar, quais os planos da banda daqui para frente?

EDDIE: Bom, como já disse no momento estamos trabalhando em músicas novas que esperamos gravar e lançar o mais rápido possível, e fora isso pretendemos fazer o maior número de shows possível, inclusive fora do Rio.

BLIND HORSE é:

Alejandro Sainz – vocal
Rodrigo Blasquez – guitarra
Eddie Asheton – baixo
Gabriel Santiago – bateria

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DINAMITE RECORDS

 

Interview · News · Underground

Postado em maio 18th, 2026 @ 15:34 | 18 views



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