23 Jun 2018, 11:29 pm

Armored Saint Em SP: Mais Um Candidato A Show Do Ano!


Armored Saint @ Fabrique Club, São Paulo – 09.06.2018

O primeiro show da banda no Brasil fez valer toda a espera!

Texto: Henrique De Paula
Fotos: Renato Jacob

Junho começou agitado para os headbangers paulistanos que, em mais um grande evento na casa Fabrique Club, na Barra Funda, puderam conferir pela primeira vez no Brasil um dos grandes clássicos do heavy metal americano dos anos 80, a banda Armored Saint. Na noite fria do último domingo, dia três, testemunharam toda a energia, entrega e comprometimento que fazem parte da apresentação de Jon Bush (vocal), Joey Vera (baixo), Phil e Gonzo Sandoval (guitarra e bateria, respectivamente) e Jeff Duncan (guitarra).

O grupo, formado em 1982 em Los Angeles, Califórnia, passou por alguns hiatos em sua carreira, retornando à cena em 2006 para continuar até hoje ininterruptamente. Todos os integrantes nomeados estão na banda desde os anos 80, apesar de períodos de ausência de alguns deles. A abertura ficou à cargo da experiente Hellish War, banda de metal tradicional da cidade de Campinas, interior de São Paulo, na ativa desde 1995, um nome consolidado no underground nacional e que já excursionou mais de uma vez de modo bem-sucedido na Europa. A produtora Abigail Records fez um excelente trabalho na organização do evento e no acolhimento de todos no local, escolhendo com acerto a casa, o horário das apresentações e a banda de abertura. A presença de Steve Grimmett na plateia, vocalista da banda britânica Grim Reaper, certamente abrilhantou a noite.

HELLISH WAR

O público não era ainda tão grande quando os campineiros (ou campinenses, se você preferir) subiram ao palco no horário preciso de 19h10. O grupo que conta com o competente Bil Martins no vocal, o experiente Vulcano na guitarra, e os “donos da cozinha” Jr. (baixo) e Daniel Person (bateria) fizeram um set curto, porém marcante. O segundo guitarrista Daniel Job não esteve presente por problemas de saúde. “Keep It Hellish” faixa-título do último álbum de 2013 abriu a apresentação, evidenciando a pegada forte de Daniel na bateria e a maestria de Vulcano nos solos de guitarra, características da banda que permaneceriam em destaque durante toda a sua performance.

“The Challenge”, do mesmo disco, e “Defender Of Metal”, música homônima do trabalho de estreia do grupo, serviram para mostrar a segurança de Bill no posto de frontman, e sua poderosa extensão vocal, além da inegável qualidade do baixista Jr., sempre preciso. A plateia se anima lentamente e nesta última canção os braços já se erguem ao ar, com muitos cantando o pegajoso refrão. “Destroyer” (de “Heroes Of Tomorrow” de 2008) executada na sequência, tem uma pegada contagiante, com um solo excepcional de Vulcano, e arranca efusivos aplausos. “Metal Forever” do mesmo álbum, com seu riff cavalgante, é desculpa para uma pequena coreografia da banda no palco, com participação dos gritos da plateia no final da canção. Na saideira “We Are Living For The Metal”, também da estreia em estúdio, Bill atinge notas altas e solta vários agudos rasgados, evidência de sua competência e versatilidade como vocalista. Trinta e cinco minutos de uma belíssima apresentação que certamente motivou muitos dos presentes a adquirir os produtos da banda oferecidos no merchandising do evento.

ARMORED SAINT

Com a casa agora cheia, os americanos do Armored Saint fizeram sua primeira apresentação em solo nacional. Às 20h05 ouvimos a canção de introdução gravada sendo tocada nos P.A.s para acompanhar a chegada da banda, coberta de aplausos de seus admiradores brasileiros. No fundo do palco, apenas o logotipo do grupo exibido no telão, pequeno adorno, no entanto, mais do que suficiente, já que a atenção de todos naquela noite estaria absolutamente concentrada na magnífica performance dos músicos que agitaram muito, esbanjaram simpatia e interagiram sem economia com seus fãs, especialmente o poderoso vocalista da banda. Aliás, apesar da competência e comprometimento de todos os integrantes, é o carequinha Jon Bush quem monopoliza a atenção durante toda a noite.

“Winds Hand Down”, do último disco do grupo, lançado em 2015, abre a apresentação, com sua levada empolgante e refrão pegajoso. A guitarra de Jeff Duncan está quase inaudível, mas poucos notam isso, já que Bush e Vera roubam a cena neste início de show: o primeiro pulando como um garoto em cima do palco e o segundo agitando e fazendo caretas ao público. “Vocês estão prontos?”, pergunta Bush – certamente há muitos anos, poderiam dizer, pois a espera pela banda foi longa, mas compensou. Na sequência, o primeiro grande clássico do passado, amplamente festejado: “March Of The Saint”, do álbum de mesmo nome, concebido em 1984. Esperamos mais de trinta anos para ouvir esta pérola ao vivo em nosso país! É comunhão de alegria entre fãs e banda, pois nota-se a felicidade dos integrantes, igualmente satisfeitos por finalmente se apresentar a seus fãs brasileiros. “Tribal Dance” é a primeira do disco favorito de muitos bangers ali presentes: “Symbol Of Salvation” (de 1991). Nesta música Gonzo Sandoval recebe o auxílio de Bush na percussão, que avisa, nitidamente emocionado: “Temos muito tempo perdido a ser recuperado hoje!”

Bush convoca a galera para cantar “After Me, The Flood”, do disco “Revelation” de 2000. Percebemos, então, neste momento, que nenhum álbum será esquecido pela banda na apresentação – pequena recompensa pela demora da banda em visitar seus fãs tupiniquins. A música injeta um ânimo extra na galera e a energia do show será sempre crescente a partir de agora, aumentando sempre um pouco mais após cada canção tocada. “Nervous Man”, de “Delirious Nomad” (de 1985), outra das antigas, é acompanhada pelos gritos do público marcando a cadência da música. Bush bate em seu peito a cada grito dos fãs, seguindo o embalo criado. A partir de “Last Train Home”, mais uma de “Symbol Of Salvation”, a guitarra de Duncan está no volume ideal, justamente o momento do show em que ele brilha no melódico solo inicial da música. Bush pega o disco de um fã e o leva ao ar, para mostrar a origem da canção a todos, e a galera vibra. O refrão é cantado em uníssono por todos, e os riffs são escoltados por palmas do público que não para de pular na pista. “Estamos apenas esquentando; hoje é um domingo com cara de sábado…”, adverte Bush, antes de perguntar aos fãs qual música querem ouvir: “Chemical Euphoria ou Raisign Fear?” A última é a escolhida, com Duncan executando pausadamente o riff inicial e deixando a galera gritar e entrar no ritmo desta canção do álbum homônimo de 1987.

Em seguida, vem a música-título de “Symbol Of Salvation”, praticamente emendada na anterior. Sem nos deixar respirar, o grupo está claramente ansioso para executar todos os seus clássicos a um público sedento. Phil Sandoval e Jeff Duncan destacam-se na hora dos solos de guitarra, revezando-se em sua execução na frente do palco. Quando a canção alcança sua parte mais cadenciada, Bush pede que a galera acompanhe em coro, atendido na hora. Após a música, o público grita bem alto pela primeira vez o nome da banda em resposta à energia demonstrada pelos músicos. “Eu disse a esses caras”, observa Bush, “Brazil is so fucking great!”. Apresenta, então, os dois guitarristas (como se fosse realmente necessário…), referindo-se a eles, em tom de brincadeira, como os “grandes egos da banda”. “Façam barulho!”, últimas palavras de Bush antes de mais um clássico do passado, do álbum “Raising Fear”: “Book of Blood”, cantada por todos os presentes com muita animação. Os guitarristas protagonizam, então, um dos momentos mais marcantes do show, vindo à frente na metade da música, quando seu ritmo desacelera, para um longo e improvisado solo de blues, diferente do gravado em estúdio. No final, Bush relembra emocionado há quanto tempo está junto com aqueles caras.

O público começa a pedir diversas canções, e Bush faz suspense antes de anunciar “Mess” do disco “Win Hands Down”. Vera e Duncan ajudam bastante nos backing vocals, seguidos pelo participativo público. “Esta é para os fãs old school!”, é o alerta de Bush que precede a comemorada “Aftermath”, outra de “Delirious Nomad”. E com esta canção alcançamos o momento de que nenhum fã da banda presente naquela noite jamais esquecerá: Bush some misteriosamente do palco e aparece de surpresa muito perto da galera em cima do balcão do bar, para cantar o lento início da música. O público não sabe se olha para o vocalista na lateral da pista ou para o palco onde estão os demais músicos; a maioria não hesita em filmá-lo com seus celulares, quando Bush nos surpreende ainda mais ao descer do balcão do bar para a pista e começar a cantar no meio da galera. O nome da banda é gritado em uníssono, enquanto pulamos ao redor de Bush (eu também não resisti…), em uma das cenas mais emocionantes que já testemunhei um músico de heavy metal realizar por seus fãs! Ninguém duvida que somente aquele momento já valeu o tempo, a viagem e o preço do ingresso despendidos naquela noite.

Com o público definitivamente conquistado, a banda pode tocar realmente o que quiser, e na sequência vem a única executada do álbum “La Raza” (de 2010): “Left Hook From Right Field”. No meio da canção, quando seu ritmo esfria, Bush pede silêncio para ser ouvido cantando quase à capela, com os demais músicos fazendo sua parte em tom bem baixo e discretamente. O final da canção surge bem alto, pesado e rápido, nos atingindo com tudo! Phil Sandoval realiza um solo perfeito com sua guitarra. É muita emoção para os fãs, e a banda não esconde sua alegria com o que está acontecendo: não há quem não esteja sorrindo no Fabrique Club. “Mantenham o ritmo!”, pede Bush, antes de “Reign Of Fire”, última tocada de “Symbol Of Salvation”, quando joga o microfone para a galera cantar junto o refrão! Que show, meus amigos… É uma pena que tudo o que é bom acaba, e Bush anuncia que estamos chegando ao final. Adverte, no entanto, que não farão como costumeiramente, deixando o palco e esperando o público clamar pelo encore: Bush é nitidamente sincero quando acrescenta que prefere não perder nenhum minuto dos momentos no palco diante de seus fãs. Quando alguém pede uma raridade da banda, com muito humor o frontman responde que os integrantes do grupo nem se lembram como tocar esta canção… Para não decepcionar ninguém, vem então “Can U Deliver”, do álbum de estreia, cantada por todos, exigindo de nós as últimas gotas de energia. Mas para a alegria geral, é uma falsa saideira, pois a rápida “Madhouse”, do primeiro álbum é a última do show (não confunda com a música de mesmo nome da banda Anthrax, canção que Bush também cantou muitas vezes em sua carreira enquanto esteve ao lado deste outro grupo nos anos 90).

Ao final da maravilhosa apresentação, a sensação de uma noite muito especial para músicos e fãs, que a guardarão com carinho na memória. A banda não quer deixar o palco e fica um bom tempo ali curtindo os fãs, emocionados. Tira selfie, joga palhetas e baquetas, e ouve, indecisa, o público gritar pedindo mais uma. Bush quer voltar, mas os demais músicos estão exaustos, provavelmente lembrando que ainda retornarão mais tarde para o gratuito Meet & Greet. A produção encerra o show colocando o áudio mecânico para funcionar. Muitos permanecem e aguardam para tirar fotos com os músicos e receber autógrafos, o que a banda concedeu com muita dedicação e gratidão por todos os anos de apoio. Embora já tenhamos lido e ouvido isto mais de uma vez neste ano, não dá para não estampar no final desta resenha: CANDIDATO A SHOW DO ANO!

SETLISTS

– HELLISH WAR

1-Keep It Hellish
2-The Challenge
3-Defender Of Metal
4-Destroyer
5-Metal Forever
6-We Are Living For The Metal

– ARMORED SAINT
Intro
1-Win Hands Down
2-March Of The Saint
3-Tribal Dance
4-After Me, The Flood
5-Nervous Man
6-Last Train Home
7-Raising Fear
8-Symbol Of Salvation
9-Book Of Blood
10-Mess
11-Aftermath
12-Left Hook From Right Field
13-Reign Of Fire
14-Can U Deliver
15-Mad House

Mosh Live · News

Postado em junho 13th, 2018 @ 12:04 | 207 views
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