19 Oct 2017, 7:48 pm

Entrevista: Meshuggah


Meshuggah: Entrevista com os precursores do Djent no seu retorno ao Brasil

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O Meshuggah é uma das bandas precursoras do que hoje se convencionou chamar de Djent. O som ultra técnico e pesado da banda sueca é referência para 10 entre 10 bandas do estilo. O grupo, com quase 30 anos de estrada, virá pela segunda vez ao Brasil, para um único show em São Paulo, dia 5 de setembro, uma segunda-feira (!). Conversamos com o baterista Tomas Haake sobre a volta deles ao país, o novo disco – The Violent Sleep of Reason – que sai em outubro e muito mais.

Entrevista por Kenia Cordeiro e Clovis Roman

O Meshuggah é da Suécia, um país conhecido  por suas inúmeras excelentes bandas, do Melódico ao Death Metal. Quais bandas suecas você curte e quais não gosta?
Realmente há muitas bandas vindas da Suécia. Entre as minhas favoritas estão nomes como Entombed, Opeth, C.B Murdoc, Darkane. Eu realmente não quero listar as bandas que eu não gosto.

O Meshuggah lançou em 2014 seu primeiro registro ao vivo, The Ophidian Trek. Com a banda chegou à decisão de lançá-lo? Os fãs que estavam pedindo por um trabalho assim ou vocês apenas pensaram que a hora certa havia chegado?
Na verdade foram as duas coisas. Nossos fãs estavam pedindo isto há anos e nós finalmente sentimos que tínhamos um tipo de show legal e maneiras de fazer [o trabalho] ficar bom sonoramente e visualmente.

The Violent Sleep of Reason chegará as lojas dia 07 de outubro. O que você pode nos contar sobre este disco? Haverão versões especiais com faixas bônus e coisas assim?
Como sempre acontece com o Meshuggah, nós nunca temos músicas sobrando. Quando nós sentimos que temos músicas para um álbum, nós as gravamos e é isto. Este álbum é um pouco diferente devido a fatores um pouco diferentes: Ele foi gravado ao vivo no estúdio: bateria, uma das guitarras, baixo e vocais todos registrados simultaneamente, então o som é mais “ao vivo”, se quiser usar este termo. Nós também usamos amplificadores de guitarra e baixo invés de gravar em equipamentos digitais, como nós estávamos fazendo nos últimos álbuns.

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Como é preparar um setlist tendo tanto material para escolher?
Nós tentamos fazer uma mescla daquilo que a gente acha que nossos fãs querem realmente ouvir. Ao mesmo tempo em que devem constar músicas que tenham força em cima do palco

Ainda sobre o setlist: Vocês estão vindo tocar no Brasil agora em setembro. Podemos esperar ouvir alguma música do vindouro álbum?
Nós nunca tocamos material novo de nenhum álbum antes dele ser lançado. A nossa abordagem será a mesma desta vez. E tem outra: Todo mundo tem smartphones e as pessoas tendem a gravar os shows ao vivo. Nós não queremos músicas novas sendo vistas e ouvidas antes do álbum ser lançado. Seria uma espécie de “spoiler”.

Vocês vieram para o Brasil pela primeira vez em 2013. Quais são suas melhores lembranças daquele show? E qual sua opinião sobre a banda de abertura, o ThirdEar?
A melhor lembrança que tenho daquele show é o público. É evidente que os fãs de Metal no Brasil são MUITO viscerais. Sobre o ThirdEar eu não manjo muito, mas eles são realmente uma banda que soa legal, diferente.

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Logo vocês completam 30 anos de estrada. Há planos para algum lançamento especial ou turnê para celebrar ? [N. do R.: Os registros datam a fundação da banda em 1987, com outro nome, Calipash, posteriormente mudaram para Meshuggah. O primeiro lançamento oficial deles foi em 1989, um EP autointitulado]
O aniversário de 30 anos (2019) ainda está alguns anos distante, então a gente não começou a planejar nada para isso ainda.

Vocês são conhecidos como precursores e uma das mais influentes bandas do que se convencionou a chamar de Djent. De onde vocês tiram inspiração para as músicas de vocês?
Nós somos inspirados por um monte de coisas: música, livros e filmes. Mas em relação a influências diretas ao nosso som, nós tentamos não ter influências de fora, como outras bandas/músicas. Nós somos influenciados mais por nós mesmos do que por qualquer música “externa”.

Quais são os seus álbuns favoritos de todos os tempos?
Pink Floyd: Dark Side of the Moon, Metallica: Master of Puppets, Dio: Holy diver, Iron Maiden: Number of the Beast, Black Sabbath: Paranoid, Deep Purple: Burn, entre outros.

Em 2004 vocês lançaram o one-song EP intitulado “I”. A banda já declarou que seria impossível tocá-la ao vivo. Entretanto, há registros de fãs tocando-a na integra, no YouTube, por exemplo.  Vocês já assistiram algum desses vídeos? E há a possibilidade de “I” um dia ser apresentada ao vivo?
Sim, estamos cientes de que algumas bandas fizeram isto. Eu não acho que tenhamos dito que era impossível, mas com certeza seria um trabalho bem duro para fazer. Nós teríamos que ensaiar muito, mas sentimos que precisamos focar nas músicas novas e em sons que são mais fáceis de desempenhar e que se encaixariam melhor  num repertório ao vivo. Considerando que “I” tem 21 minutos, seria bem mais difícil encaixá-la.

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O grupo tem um álbum chamado Catch Thirtythree, e o número 33 está na guitarra de Fredrik Thordendal. Há algum significado especial para este número?
Sim, definitivamente, há um certo significado para o número 33. Nós só não sabemos o que ainda

Vocês já são uma banda veterana. Já passou pela cabeça de vocês encerrar as atividades ou ainda há muito trabalho pela frente?
Enquanto sentirmos que podemos escrever novas coisas legais e que podemos fazer uma boa performance ao vivo, nós gostaríamos de  continuar a fazê-lo!

Qual artista você gostaria de realizar uma parceria ou de ouvir gravando uma das músicas do Meshuggah?
Eu adoraria ouvir uma versão Depeche Mode de “This Spiteful Snake”, do disco obZen [risos].

Muito obrigado pela entrevista, Tomas. Para encerrar, deixe uma mensagem para os fãs brasileiros.
Mal posso esperar para vê-los novamente e tocar um pouco de Metal para vocês. Vejo vocês em breve.

Interview · News

Postado em agosto 26th, 2016 @ 11:31 | 608 views
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