24 May 2019, 7:02 pm

Extreme Hate Festival 6ª Edição: Dia De Celebração Ao Metal Extremo


Sexta edição do evento trouxe três bandas internacionais inéditas no Brasil

Texto: Henrique de Paula

Fotos: Renato Jacob

A sexta edição do Extreme Hate Festival realizada domingo, dia 9 de dezembro, em São Paulo no Carioca Club, fechou com chave de ouro um ano de muitos shows memoráveis na capital paulista. O esperado evento que, em edições anteriores, já nos presenteou com bandas de altíssimo calibre da cena metálica extrema como Watain, Belphegor, Suffocation, Marduk, Sinister, para citar apenas algumas, figurou desta vez com um de seus melhores lineups: a carioca Gutted Souls, a paulistana Nervochaos, as americanas Master e Abysmal Dawn, a holandesa Carach Angren e a sueca Unleashed. Esta última, certamente uma das estreias mais esperadas em nosso país, fez uma apresentação digna de sua importante posição na história do death metal. A produtora Dark Dimensions proporcionou aos bangers paulistanos mais um evento de qualidade indiscutível, com apresentações pontuais, um rico merchandising e oferta de gastronomia alternativa à da casa, além de garantir que os PAs entregassem um som à altura dos grandes nomes do cast.

GUTTED SOULS

Formada em 2004 no Rio de Janeiro, a Gutted Souls aproveitou a ocasião para promover seu álbum de estreia, “The Illusion Of Freedom”, disco produzido por Rodrigo Oliveira, da lendária banda Korzus, e lançado em 2017 pela Dharma Records. O trabalho, que também foi lançado na Europa via Envenomed Music, foi a base do setlist dos cariocas que não aliviaram no peso e brutalidade, fazendo uma primorosa abertura ao festival. Destaque aos poderosos vocais de Iron, aos belíssimos solos de guitarra do canhoto Alexandre Carreiro, à base segura do guitarrista Welington Ferrari, e à cozinha absurda composta pelo baixista Elias Oliveira e pelo baterista Braulio Drummond. Um público ainda pequeno testemunhou o início do show com a dobradinha “The Undying Stars” e “The Authoritarian Follower”, duas perfeitas pedradas que fizeram barulho suficiente para chamar a atenção de quem ainda estava nos bares fora da casa “esquentando”. Aliás, a primeira canção conta com um interessante videoclipe que pode ser conferido no YouTube. Antes de “Unconcious Automaton”, Iron faz questão de saudar e elogiar quem acordou mais cedo para aproveitar todas as bandas do evento e prestigiar o grupo carioca. Mais cadenciada em seu início, a canção convida os presentes ao primeiro bate-cabeça do dia. Elias é, sem dúvida, o mais agitado no palco, atingindo sem piedade as cordas de seu baixo. “Dancing To The Sound… Of The Powers That Be”, que já aparecia no EP lançado em 2012, “Unconscious Automaton”, é tocada após Iron revelar que a estreia na capital paulista, no palco do Carioca Club, era um sonho realizado e o cumprimento de uma promessa feita pela própria banda, ao assistir empolgada a apresentação dos americanos do Suffocation, na ocasião em que seus integrantes vieram como fãs a uma das edições passadas do Extreme Hate Festival. “Psychotic Ruler” e “Being Human” fecharam a apresentação da banda que saiu muito aplaudida pelo público presente. Os cariocas podem retornar ao Rio de Janeiro seguros de que, com a garra e a simpatia exibidas no domingo, abriram muitas portas para futuras apresentações em São Paulo.

NERVOCHAOS

Os paulistanos da Nervochaos, que estão na ativa desde 1996, vieram na sequência com toda a segurança que a experiência de anos de turnês nacionais e internacionais proporciona a um grupo. O volume dos instrumentos um pouco mais baixo do que o da banda precedente não ofuscou o brilho da apresentação que passeou pelos grandes clássicos do grupo e foi muito bem recebida pelo público. Com o palco em penumbra, os integrantes de costas para o público, e uma introdução muito sinistra ecoando das caixas de som, a Nervochaos abre seus trabalhos com “Dark Chaotic Destruction”, de “Battalions Of Hate” (2010), música que costumeiramente cumpre o papel de abertura nos shows do grupo. Não é preciso nem falar sobre a conhecida competência do trio das cordas Thiago Anduscias (baixo), Guiller Cruz (guitarra) e Diego Mercadante (guitarra), que além de dominarem seus instrumentos mandam muito bem nos vocais. Aliás, talvez este tenha sido o grande diferencial do grupo com relação às outras bandas do festival: o impactante coro de vocais guturais que o trio produz. Tal característica fica mais evidente em algumas canções, como em “Ad Maioren Satanae Gloriam”, do último álbum “Nyctophilia” (2017), tocada no início do show. O grupo é composto ainda pelo baterista Eduardo Lane, único da formação original, verdadeiro baluarte do combo, que não alivia atrás de seu kit. “Shadows Of Destruction” e “For Passion Not Fashion”, ambas de “The Art Of Vengeance” (2014) instauram o pandemônio na pista antes da rápida “All-out War”, outra de “Battalions Of Hate”, que não deixa o ritmo cair. Na parte cadenciada de “The Devil’s Work”, Guiller puxa o coro da galera, que demonstra conhecer bem o penúltimo álbum da banda de 2014. Próximos do final do show, as clássicas “Total Satan” e “Pazuzu Is Here”, ambas de “Battalions Of Hate”, colocam os fãs para expelir os refrãos de seus pulmões com muita fúria. A brevíssima “Pure Hemp” de “Legion of Spirits Infernal” (2002), segundo full-lenght do grupo, é o grand finale, dedicada pelo vocalista aos apreciadores da Cannabis presentes na casa…

MASTER

Chega, então, a vez da mais antiga banda presente nesta edição do Extreme Hate Festival, a americana Master, cuja origem remonta ao início dos anos 80. Paul Speckmann, líder do grupo e único membro original, dono da voz e do baixo marcantes da sonoridade death/thrash da banda, foi o artista mais simpático de todo o evento, tirando fotos, autografando itens dos fãs, e conversando com quem o interpelasse, durante todo o tempo em que não esteve no palco comandando a grande apresentação da Master. Do primeiro álbum autointitulado, lançado em 1990, tocaram diversas canções logo no início da apresentação, para delírio dos antigos fãs. Estes vibraram muito com “Master”, “Terrorizer”, “Pledge Of Allegiance” e “Unknown Soldier”. O eslovaco Zdenek Pradlovsky bate forte e rápido em seu kit de bateria – embora tenha se perdido às vezes no tempo de algumas canções – e o checo Alex Nejezchleba segura muito bem tanto na base quanto nos solos de guitarra, mostrando que esta nova versão da banda – agora sediada no leste europeu – é tão eficiente quanto suas diversas formações passadas. De fato, muitos foram os guitarristas e bateristas que passaram pela Master, mas Speckmann nunca esteve mal acompanhado. A galera vibra muito na pista quando “Return To Vietnam” de “Faith Is In Season” (1998) é anunciada pelo vocalista e seu início arrastado é executado. A veloz “Vindictive Miscreant”, canção de mesmo nome do novo álbum, lançado agora em novembro, é apresentada pela primeira vez aos brasileiros. Speckmann provoca a galera a gritar em “Collection of Souls”, música título do clássico disco de 1993, repleta de viradas de bateria, e solta rasgados insanos na rápida “Whatever, Wherever, Forever” de “The Spirit Of The West” (2004), que vem na sequência, praticamente emendada. Do primeiro disco tocam ainda a empolgante “Cut Thru The Filth” e a clássica “Pay To Die”, que encerra a participação da Master na sexta edição do Extreme Hate Festival. Uma pena que não tenham tocado sua versão de Children Of The Grave do Sabbath, presente no primeiro disco… De todo modo, horns up de todos na pista para Paul Speckmann e seus companheiros!

ABYSMAL DAWN

A americana Abysmal Dawn foi a grande surpresa do evento, pois embora sua qualidade não fosse desconhecida do público, certamente surpreendeu por conseguir reproduzir ao vivo toda a brutalidade, peso e técnica que ouvimos em seus álbuns. Arrisco dizer, inclusive, que foram muito melhores nesta noite do que em qualquer uma de suas performances em estúdio. O combo de Los Angeles, formado em 2003, é composto hoje por Eliseo Garcia no baixo, Vito Petroni na guitarra, James Coppolino na bateria e pelo único membro fundador, a mente que guia o grupo, Charles Elliott, no vocal e guitarra. Este, inclusive, foi bastante simpático e comunicativo com todos, tanto no palco, durante o show, quanto depois na pista, atendendo aos fãs. O petardo “Programmed To Consume”, do álbum homônimo de 2008, abriu os trabalhos, seguido da assombrosa “In Service Of Time”, com seu riffs marcantes, presente no disco “Leveling The Plane Of Existence” de 2011. “É nossa primeira vez aqui! É uma honra estar aqui!”, enuncia Elliott em tom de agradecimento, antes da ultra brutal “Perfecting Slavery” do último trabalho de estúdio “Obsolescence” (2014) que exige que o exímio baterista Coppolino opere, em alguns momentos, na velocidade da luz. Na sequência, vêm, do mesmo álbum, “Inanimate”, com cadência perfeita para os bangers girarem o pescoço, e “Grotesque Modern Art” do disco de 2008, em que Coppolino, o destaque da banda ao lado de Elliott, nos brinda com muitas viradas insanas. Enquanto toca com perfeccionismo seus instrumentos, o trio à frente no palco agita no modo “ventilador de cabelos”, inspirando o público a fazer o mesmo. E este participa bastante de canções como “Loathed In Life/Praised in Death” e “Human Obsolescence” do último álbum. O tempo passa rápido no show dos americanos e a impressão provocada por toda aquela massa sonora é a de ser atingido por um rolo compressor, sentimento que fica evidente na expressão facial de muitos presentes.  “Servants To Their Knees” da estreia “From The Ashes” (2006) é tão agressiva quanto a roda de mosh que se instala na pista e somente aumenta na saideira “Inevitable Return To Darkness” do último álbum, que a galera acompanha com palmas ao comando de Elliott. Parabéns aos jovens americanos que conseguiram impressionar o público de um país que é, certamente, o maior expoente de bandas de brutal death metal do mundo!

CARACH ANGREN

A teatralidade típica do gênero do black metal sinfônico foi o componente distintivo da apresentação dos holandeses da Carach Angren, em especial de seu frontman, atuando com muitos trejeitos e movimentos calculados, o que certamente agradou seus fãs, mas não necessariamente a todos os presentes. Fugindo bastante do padrão estabelecido na noite da sonoridade mais crua e direta das bandas anteriores, não chegaram tão longe a ponto de chocar, mas transformaram bastante o clima do Carioca Club, fazendo uma apresentação de muita energia. Contando com Namtar na bateria, Ardek nos teclados, e Seregor  apenas nos vocais (em estúdio ele também toca guitarra), o trio, que é acompanhado ao vivo pelo guitarrista Bastiaan Boh, fez sua estreia em nosso território, abrindo a apresentação com “Charlie” do último álbum “Dance And Laugh Amongst The Rotten” (2017), repleta de orquestrações e corais gravados, elementos presentes em maior ou menor grau em todas as músicas tocadas. Em “General Nightmare” vemos Seregor marchar e prestar continência em cima do palco, interpretando a canção de “Where the Corpses Sink Forever” (2012). “Nós somos o Carach Angren”, grita o vocalista, antes de “The Carriage Wheel Murder” de “Lammendam” (2008), música marcada pela harmonia e melodia de suas orquestrações proeminentes. A maior parte de “Spectral Infantry Battalions”, outra canção do disco de 2012, é executada apenas com o duo de vocal e bateria no palco, além da orquestração gravada de fundo.

Seregor pula bastante em “In De Naam Van De Duevil” do último full-lenght, acompanhado por fãs que vibram na frente do palco, enquanto mais ao fundo muitos já aguardam ansiosos pela lenda sueca Unleashed. Em “Blood Queen”, do novo álbum, o carismático vocalista esfaqueia um manequim feminino, “ensanguentando” o palco, para depois simular sexo oral com ele, além de acariciá-lo e beijá-lo… Dramaticidade e representação que continuam em “Pitch Black Box” com Seregor cantando e agitando imponente com uma coroa na cabeça. O show segue com mais canções até a agressiva “Bitte Töted Mich” do álbum de 2012, em que a plateia acompanha com gritos a cadência da canção, e o encerramento com “Bloodstains On The Capitain’s Log” de “Death Came Through a Phantom Ship” (2010), segundo full-lenght da banda, em que Seregor pede que o público conceda a última dança da noite… “Carach Angre from the fucking Netherlands!” são as últimas palavras do frontman endereçadas diretamente à plateia que aplaude bastante o grupo. Os fãs puderam tirar fotos com os holandeses que foram ao fundo da pista, após a apresentação, perto de seu merchandising, que curiosamente vendia calcinhas da banda com o dizer “I love Carach Angren” …

UNLEASHED

Sob o risco da deselegância da repetição, escrevo novamente: lenda do death metal. Pois não há um epíteto mais adequado aos suecos. Com uma formação intacta desde meados dos anos noventa (em toda a sua história, a banda trocou de integrantes apenas uma vez depois do lançamento do disco de estreia), a Unleashed fez uma apresentação impecável, uma verdadeira recompensa a nós por todos os anos de espera por sua estreia no Brasil. Há praticamente três décadas, o líder, monstro nos vocais, no baixo e na posição de frontman, John Hedlund, é acompanhado por Anders Schultz (bateria) e Tomas Olsson (guitarra), e, desde 1995, pelo guitarrista Fredrik Folkare. Considerada uma das pioneiras do chamado viking metal, a Unleashed é um dos principais nomes do metal extremo europeu, aliás um dos casos paradigmáticos do death metal do velho continente, e um dos criadores da sonoridade típica do metal escandinavo. Com mais de doze discos completos gravados, a banda atualmente divulga o excelente “The Hunt For The White Christ”, lançado em outubro deste ano.

A abertura da apresentação é avassaladora com “Blood Of Lies” de “Midvinterblot” (2006). A música de ritmo rápido e vocais agressivos tem seu refrão cantado pela plateia, o que se constituiria como a regra na noite a partir de então. Roda de mosh e um corajoso stage diving fazem o cenário para “Dead Forever”, a primeira “das antigas” executada pelos suecos, presente na estreia “Where No Life Dwells” (1991). “Don’t Want To Be Born” do disco que marcou o retorno da banda em 2002, “Hell’s Unleashed”, após um hiato de quase cinco anos, vem na sequência deixando os fãs extasiados. “Lead Us Into War”, canção que abre o novo álbum, já foi muito bem assimilada pelos fãs, fato comprovado pela receptividade da música cujo refrão foi cantado por muitos da plateia. Hedlund aproveita para dizer neste momento do show, com emoção, que aquela era a primeira vez da banda no Brasil, e, com mais entusiasmo ainda, que não seria, porém, a última. “Esta é de dez anos atrás”, alerta Hedlund, anunciando “Black Horizon”. Eis que a energia do palco acaba praticamente na metade da música, algo curioso se pensarmos em seu título… a canção para e os músicos aproveitam para descansar, mas não o público que grita em uníssono o nome do grupo. O problema é sanado rapidamente e a banda retorna com a canção do exato ponto em que havia parado. Muita vibração na continuidade com “The Long Ships Are Coming” de “Sworn Allegiance” de 2004. Hedlund interrompe a canção para ouvir o público gritar o refrão bem alto. “They Came To Die” de “Dawn Of The Nine” (2015), penúltimo lançamento, com seu andamento rápido, e “Stand Your Ground” do último full-lenght, e seus riffs certeiros, mantém a intensidade da apresentação.

Hedlund faz questão de tocar o final de “Hammer Battallion”, música homônima do álbum de 2008, três vezes para conferir a participação dos fãs, e assiste a uma das rodas de mosh mais brutais da noite ao som do clássico “The Dark One” do debut. “Call The Immortals”, brada o vocalista, anunciando a canção do segundo álbum da banda “Shadows In The Deep” (1992) acompanhada aos gritos pela plateia. A pegada cavalgada de “I Have Sworn Allegiance”, mais uma de “Midvinterblot” (2006), põe mais fogo na roda de mosh, antes da música título do novo álbum ser executada. E por falar em executar, “Execute Them All”, vem como uma lança no peito, única faixa do fenomenal “Across The Open Sea” (1993) tocada na noite. “Into Glory Ride”, mais uma do disco de estreia, é celebrada pelos fãs, enquanto Hedlund clama “Hail Odin!”, bebendo de uma taça viking feita de chifre; a canção é seguida por “Death Metal Victory”, clássico dos clássicos… Presente no álbum “Warrior” de 1997, é ocioso dizer que foi cantada por toda a pista ensandecida. Depois de um breve “olê, olê, olê, Unleashed”, demonstração sincera de carinho e agradecimento por parte da plateia, os suecos retribuem com as igualmente clássicas “Shadows In The Deep”, do disco homônimo já citado, e “Before The Creation Of Time”, do primeiro disco. Que a barca viking da Unleashed aporte mais vezes em nossas terras, e que não espere mais trinta anos para isso…

SETLISTS

GUTTED SOULS

1-The Undying Stars

2-The Authoritarian Follower

3-Snakes In Suits

4-Unconcious Automaton

5-Addicted To Power

6-Dancing To The Sound… Of The Powers That Be

7-Mondo Psycho

8-Psychotic Ruler

9-Being Human

NERVOCHAOS

1 – Dark Chaotic Destruction

2 – Moloch Rise

3 – Ad Maiorem Satanae Gloriam

4 – Shadows of Destruction

5 – For Passion Not Fashion

6 – All-out War

7 – The Devils Work

8 – To The Death

9 – From Below Not Above

10 – I Hate Your God

11 – Total Satan

12 – Pazuzu Is Here

13 – Mind Under Siege

14 – Pure Hemp

MASTER

1-Master

2-Subdue The Politician

3-Terrorizer

4-Pledge Of Allegiance

5-Return To Vietnam

6-Vindictive Miscreant

7-Unknown Soldier

8-Re-entry And Destruction

9-Collection Of Souls

10-Whatever, Wherever, Forever

11-Cut Thru The Filth

12-The Inner Strength Of The Demon

13-Pay To Die

ABYSMAL DAWN

1-Programmed To Consume

2-In Service Of Time

3-Perfecting Slavery

4-Inanimate

5-Grotesque Modern Art

6-Loathed In Life/Praised In Death

7-Human Obsolescence

8-My Own Savior

9-Rapture Renowned

10-Perpetual Dormancy

11-Servants To Their Knees

12-Inevitable Return To Darkness

CARACH ANGREN

1-Charlie

2-General Nightmare

3-The Carriage Wheel Murder

4-Spectral Infantry Battalions

5-In Den Naam Van De Duivel

6-Blood Queen

7-Pitch Black Box

8-Lingering In An Imprint Haunting

9-The Funerary Dirge Of A Violinist

10-Bitte Töted Mich

11-Bloodstains On The Captain’s Log

UNLEASHED

1-Blood Of Lies

2-Dead Forever

3-Don’t Want To Be Born

4-Lead Us Into War

5-Black Horizon

6-The Longships Are Coming

7-They Came To Die

8-Stand Your Ground

9-Hammer Battalion

10-The Dark One

11-The Immortals

12-I Have Sworn Allegiance

13-The Hunt For The White Christ

14-Execute Them All

15-Into Glory Ride

16-Death Metal Victory

17-Shadows In The Deep

18-Before The Creation Of Time

Mosh Live · News

Postado em dezembro 17th, 2018 @ 09:08 | 282 views
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