21 Nov 2018, 5:42 pm

Mosh 30 Anos:  Entrevista Com Warshipper


Com ex-membros de bandas já consagradas na cena nacional, o Warshipper não pode ser considerada uma banda nova, mas que traz algo de novo para o metal extremo brazuca. Composições coesas e eficientes, a banda promove o segundo álbum, “Balck Sun”, e nos conta nesse bate-papo um pouco mais sobre o novo lançamento e projetos futuros.

por Alexander Vasquez

-A banda foi formada em 2011, e como foi o início? A banda tem membros de outras bandas, os integrantes já se conheciam antes, como foi o “Warshipper begins”?

Rodolfo: O Warshipper foi criado inicialmente como um projeto de grandes amigos que sempre pensaram em construir algo juntos, mas logo ganhou status de banda, contando com membros de antigas bandas como BYWAR e ZOLTAR.

-E o nome, Warshipper, de onde veio?

Roger: O nome Warshipper é fruto de um trocadilho entre as palavras War (Guerra) & Worshipper (adorador), levando à uma conotação de “Adorador da Guerra”. Além das características e influências bélicas, intrínsecas ao nome, a Guerra propriamente dita, que permeia as composições, tanto literal quanto musical do grupo, são as guerras psicológicas, internas, conflitos do ser e da mente, que todos enfrentamos ao longo da vida. Há sim, referências militares (no disco Black existe a faixa ME-262, a qual fala do primeiro caça movido à turbina na WWII), as quais são influências e uma realidade global. Mas, a característica mais latente ao nome, é a guerra psicossocial e existencial.

-O segundo álbum, “Black Sun”, foi lançado no início do ano. Como foi até agora o resultado?

 

Rodolfo: Estamos bem contentes com o resultado da receptividade vinda de bangers de várias vertentes do Metal e do Rock como um todo. Quanto à mídia especializada, temos recebido bons feedbacks dentro e fora do pais, inclusive o álbum foi recentemente lançado na Rússia pela Narcoleptica prod.

-Como sempre, as comparações entre o primeiro e o segundo trabalho devem ter acontecido, e pelo que eu ouvi, o segundo álbum tem uma pegada mais moderna, sem perder aquele “cheirinho” de old school. Como vocês chegaram nessas composições?

Rodolfo: As composições aconteceram naturalmente, assim como amadurecimento musical da banda e uma maior integração entre todos os membros para construção de todas as etapas do disco. O resultado das diversas influencias acabaram numa confluência entre a antigas influências e novas inspirações sem perder a intensidade e a característica da banda.

-Sobre as faixas, neste disco, percebe-se que tem muitas faixas longas, deixando o peso e melodias em evidência, sem abusar da velocidade desenfreada que muitas bandas de metal extremo chegam a abusar às vezes. De onde veio essa inspiração?

Rodolfo: Nossas inspirações sempre foramas mais diversas, nunca nos prendemos a seguir uma “escola” ou “estilo” específicos, como disse antes, deixamos que naturalmente a musica nos conduza e a intensidade do que pensamos e sentimos acaba refletindo no resultado final. Com certeza você pode encontrar referencias e influencias de diversos momentos do Metal e do Rock.

– A gravação do novo álbum foi feita em São Paulo, no estúdio Casanegra, e produzido pelo Rafael Augusto Lopes (ex-Torture Squad, ex- Imminent Attack).  Qual foi a grande diferença entre a produção do primeiro e este novo disco?

 

Roger: A grande diferença foi a imersão do Rafael no Black Sun. Desde a reunião inicial, para tratar as diretrizes e metas para a gravação, a participação dele foi profunda e presente. Desde a gravação da demo e pré-produção, até a gravação em si e finalização do processo, a atenção, dedicação, experiência e bom gosto dele, fizeram toda a diferença no resultado atingido. E isso é perfeitamente perceptível na comparação com o álbum anterior. Isso, além da identificação e compatibilidade pessoal com ele que, de maneira natural, se tornou o 5º membro da banda. Toda essa compatibilidade fez com que, naturalmente, já iniciássemos as conversas e planejamento com ele, para a gravação do próximo álbum.

-A banda tem uma atenção com a divulgação, sempre lançando um single, lyric vídeo, e tocando por quase toda região de São Paulo. Como o Rodolfo (b/v) e o Renan (g/v) já tem uma certa experiência de estrada, como é isso para o Roger (d) e o Rafael (g)?

Roger: É natural e agregador. O Renan e Rodolfo têm, de fato, uma bagagem grande de experiência com suas bandas passadas. Tal experiência, nos ajuda a segregar o que funciona, o que precisa ser focado, o que vale a pena do que não é agregador e não dá resultados. Então, esse equilíbrio entre o “velho” e o “novo” é muito positivo para a banda. Focamos no que faz diferença e é agregador para todos na banda, sem perder tempo com invencionices ou aventuras. Apesar de, tanto o Rafael quanto eu já termos passado por algumas bandas na região, estamos sim vivenciando uma outra realidade, de dimensões distintas. Mas, tudo isso é muito natural.

– Como muitas bandas, o Warshipper ainda é uma banda independente, sem contrato com gravadora, patrocínio de instrumentos… a pergunta que não quer se calar é: vale a pena?

Rodolfo: Temos sempre a pretensão de conseguir meios para expressar nossa arte e acredito que qualquer banda que quer buscar profissionalizar seu trabalho. Vale a pena sim quando o que se busca não é estabilidade financeira imediata e a qualquer custo ou mesmo grandes expressividades no “mainstream”, a qualquer custo.
O que realmente vale a pena para nós  é criar, compor, expressar musicalmente e liricamente e que pensamos, sentimos e o que somos. Independente das dificuldades nunca deixaremos de compor, não é o patrocínio e o dinheiro que nós mantém dessa jornada.
Vai muito além disso.
O Reconhecimento tende a ser um resultado natural de nosso trabalho.

-E o streaming? A banda disponibilizou seus discos no Spotify, Deezer… e o que acham dessa nova forma de ouvir música?

Roger: Sim, ambos os álbuns lançados até o momento, estão disponíveis em todas as principais plataformas digitais e de streaming. Não há dúvidas de que essa é a realidade atual. Saudosismos à parte, qualquer banda que não se atentar à essa nova realidade estará à margem das possibilidades e, por que não, requisitos mínimos, necessários para a divulgação de sua música. Tais ferramentas romperam barreiras geográficas, culturais e de praticidade. Por exemplo, a maioria dos carros saem de fábrica sem CD Player hoje em dia. As playlists facilitaram e organizaram o modo como escutamos música. Então, vemos com excelentes olhos as possibilidades trazidas por essas plataformas, as quais nos dão recursos para a divulgação do trabalho em uma esfera global.

-Como é tocar som extremo nos dias de hoje? Mesmo que a cena metal seja bem diversa, por tocarem esse estilo de música, é fácil conseguir shows? E vale a pena ainda investir em música autoral?

Rodolfo: Tocar som extremo sempre foi um grande desafio. Mesmo com o estilo oscilando nas últimas décadas, o espaço sempre foi bem limitado e fechado.
Tivemos bons momentos com muitas bandas de qualidade e eventos de respeito, porém, nem sempre as há grande valorização das bandas do pais, que não deixam nada a desejar as gringas.
Conseguir shows nunca foi um desafio, porém, conseguir shows de qualidade com equipamento bom, boa divulgação e que valorizem as bandas minimamente sempre foi o grande problema e consequentemente muitas bandas excelentes encerraram suas atividades.
Na minha opinião a única coisa que vale a pena é a musica autoral, mesmo que não seja para tocar desenfreadamente e ficar apenas compondo, gravando, etc. se deixarmos de compor e construir novos sons, novas ideias, fatalmente este estilo esta fadado a extinção.

 

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Postado em julho 8th, 2018 @ 09:09 | 506 views
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