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10 Dec 2022, 2:51 am

Mosh Back Stage: Os Produtores Max Martin & Shellback


Max Martin & Shellback – Roqueiros e Produtores Suecos como Reis do Pop. 

por Marcelo souza

O rock é britânico, mas sabemos do patamar em atingir o estrondoso mercado americano, vide a trajetória dos Beatles para exemplificar a busca do maior mercado fonográfico. Imagina para uma banda longínqua de um país frio e obscuro como a Suécia! Hoje temos várias como: Europe, Yngwie Malmsteen entre outros. Quem a essa altura do campeonato poderia imaginar que muitos dos sucessos do Pop americano foram concebidos por compositores, produtores e músicos suecos. Então vamos falar do Pop (antes de parar de ler, dá uma chance que o foco é nos produtores e compositores suecos, que são roqueiros). Baseado no documentário “This is Pop”, da Netflix, são 8 capítulos de 44 minutos cada, onde esse é retratado no capítulo 3. 

Veremos que muitos dos maiores popstars americanos fazem sucesso oriundo das músicas produzidas pelos suecos e por isso voltaremos no tempo para refletir sobre esse estrondoso sucesso desse país nórdico, cuja abertura de portas se deu nos anos 70 pela famosa banda ABBA. Benny Anderson, tecladista, compositor e líder da banda, tinha nos seus primórdios musicais uma banda chamada “Hep Stars” que tocavam covers de rock e tinham como referência os britânicos de Liverpool, que por fazerem músicas autorais ditou a referência para o “estalo” de tentarem o mesmo, sendo o estopim para fazerem músicas boas e que o público gostasse. Esse era seu lema, visto que se fizer uma música boa, poderiam fazer a segunda, terceira e assim sucessivamente. Benny, Bjorn, Anni-frid e Agnetta são os protagonistas e suas iniciais de nomes deram o batismo da banda. 

Em 1974, se escreveram no festival EUROVISION com a missão de ficarem reconhecidos internacionalmente e por conta disso resolveram cantar em inglês, pois em sueco ficaria muito restrito. Subiram no palco com seu visual “glam rock” cantando “Waterloo”, vencendo o concurso. A maioria se apresentava com smoking e vestidos longos, tendo esse paradigma quebrado através do visual desleixado nesta apresentação deles. Com a vitória neste festival, ficaram conhecidos na galáxia, mas a o povo sueco era meio reticente devido ao costume de não se vangloriarem de seus feitos; digo, da pessoa se gabar do que fez. Fortalecendo a palavra “schlagen”, que é de origem alemã e que significa “música de sucesso”, onde tem mais a ver com a melodia que é diferente da música pop inglesa e americana, foi a diretriz da banda. Costumo dizer que o ABBA foi o embrião do pop rock. Que adolescente da época não dançou alguma música deles numa festinha de 15 anos ou outra qualquer? Afinal foram vendidos mais de 375 milhões de discos ao redor do mundo em toda carreira. A Suécia ficou dividida mesmo com o grande sucesso, pois o povo não estava acostumado com todo alvoroço do entorno à banda, oriunda de um país pequeno, gélido e socialista por virar febre em todos os continentes. Ainda nos anos 80, os suecos achavam a banda “legalzinha”, mas após Elvis Costello num show local informar que iria tocar uma das maiores canções que conheceu, sendo uma música do ABBA, passaram a dar valor para sua jóia. Então se uma banda de um país pequeno fez esse burburinho mundial, qualquer um poderia fazer sucesso também, daí muitos produtores, músicos e bandas seguiram esse clichê até virem a se tornar vencedores e, consequentemente atingir o ápice de suas carreiras no reinado da alcunha de um popstar. 

No decorrer dos anos 80, o rock imperava de certa forma no mercado e na onda da moda mais uma banda sueca, ROXETTE, estourou. Um estudante sueco que estava fazendo intercâmbio nos EUA, escutando rádios do seu país, viu que poderiam alcançar sucesso no território americano e então resolveu trazer a banda para Minneapolis, onde distribuiu um compacto para um DJ famoso que passou a dissipar para outros DJ´s, caindo na graça do todos com a música “The Look”. A música é aquela que tem o refrão “La La La la La she´s got the look”. Com esse sucesso no maior mercado fonográfico, a Suécia também cresceu à nível de procurarem um novo ABBA, daí gravadoras e novas produtoras surgiram. Então, já no início dos anos 90, surgiu algo diferente que foi o ACE OF BASE, cujo foco sempre foi a melodia. A Europa se curvou e o produtor foi o destaque dessa nova descoberta. Era uma produtora, mais para um conglomerado de DJ´s, onde o principal nome artístico era Dennys Pop. O inusitado surgiu com a música “All That She Wants”, que foi inicialmente tocada apenas a melodia nas danceterias para que fosse observada a reação do público em dançar toda música pois as partes que parassem de dançar seriam anotadas para terem novos arranjos até atingirem o ápice de ser integralmente dançante. O foco era de ser uma música que tocasse bem nas boates e nas rádios com a mesma versão. Era a chamada EURODANCE. Esse mago DJ, Dennys Pop, foi o embrião desse sucesso. Então a produtora CHEIRON STUDIOS, virou sinônimo de sucesso mundial e da busca incessante dos popstars trabalharem com ele. 

O primeiro a procurá-lo foi a banda de Orlando, BACKSTREET BOYS, onde esses adolescentes só sabiam que tinham um contrato e que iam gravar com um produtor sueco na terra dele. O DJ conseguia ser minimalista colocando diversão nas músicas, montando as faixas com uma harmonia mágica que tamanho sucesso fez vários produtores jovens trabalharem na gravadora. Dennys era limitado musicalmente e músicos formados eram bem-vindos. Outra jóia do pop, Britney Spears, foi contactada para ser lançada e ter boas músicas e em 9 dias conseguiram fazer 6 músicas para ela e o hit “…Baby One More Time” virou TOP 1 surpreendentemente nas paradas da Bilboard. A Suécia então passou a ser celeiro de exportação de compositores/produtores, porém importando talento estrangeiro. Então “Boys Bands” como NSYNC e talentos como Celine Dion e até o Bom Jovi flertaram com esses Sullivan & Massadas suecos, se é que me entendem. 

No mesmo período que Britney Spears fazia sucesso, Dennys (seu nome verdadeiro era Dag Krister Volle) ficou doente, vindo a falecer em 1998 aos 35 anos em decorrência de um câncer no estômago. Os companheiros do estúdio continuaram a saga da produtora, pois sabiam da paixão de Dennys e que era para dar sequência da sua paixão. A melancolia nos arranjos, continuaram como marco dos suecos para suas composições pop, sempre com a melodia fluindo bem ao invés das letras (escola do ABBA). 

Surge então um dos principais nomes desta matéria, Max Martin, que era vocalista de uma banda de rock que assinou com a CHEIRON do mago Dennys Pop (claro que isso foi em 1991, portanto antes do seu falecimento). Max por ser músico formado, se interessou tanto na produção que encantou Dennys, que claramente por não ser um músico formado apesar de saber alguns acordes básicos, viu um enorme potencial no pupilo e passou alguns ensinamentos para ele. A total dedicação do “estagiário” (que dizem ter chegado a dormir várias vezes no minúsculo estúdio), muitas vezes aprendendo na marra na base do “dar seu jeito” fez ter um bom reconhecimento do trabalho nas entrelinhas. Ele simplesmente conseguiu estar por dez anos no topo dos compositores mais famosos, perdendo apenas para a dupla dos Beatles. Assim como o visionário Dennys Pop compartilhou seu conhecimento com Max Martin, vindo a fortalecer a Cheiron Studios como celeiro de produtores e arranjadores, outro roqueiro também teve oportunidade de fazer parte da trupe, porém, incorporado na equipe através do Max. Seu nome, Shellback, cujo verdadeiro ser é Karl Johan Schuster. 

  Um amigo em comum chamado Julius Peterson, costumava sempre falar e levar riffs e composições do então roqueiro adolescente, Shellback, como uma espécie de visionário para que Max fizesse uma parceria ou algo do tipo (com certeza  tirava umas casquinhas porque dizem que ajudava em algumas composições).Durante uma turnê na Áustria, de sua banda de metal e já com certa intimidade com Max, Shellback fez um riff e ficou louco para mostrar ao produtor, que então achou ótimo e deu aval para prosseguir. Como Max estava gravando com a Pink, apresentou a então música do Shellback para ela, que imediatamente caiu no encanto da cantora que em cerca de 30 minutos já tinha feito a letra, surgindo então “So What”, onde percebeu que tinha acabado de ganhar um emprego.  Taylor Sweet, Adele,  Maroon 5, Justin Timberlake foram alguns alguns artistas dos dez Top1 da Bilboard. Com o sucesso Shellback & Julius resolveram dar oportunidades a outros jovens produtores emergentes, obviamente levando avante a experiência de Max Martin, criando a agência de publicidade “Wolf Cousins”. Conseguiram sucesso instantâneo com Ariana Grande (com a música “problem”) e Ellie Goulding (“Love me like you do”). 

Agora baseado na perseverança de pop & Martin, a Suécia passava a exportar seus produtores para Los Angeles (USA), tendo o próximo nome de sucesso, este feminino, Lelah, como sendo a bola da vez. Cantora, escritora, engenheira de som entre outros atributos, sempre buscou transformar uma situação qualquer, seja do cotidiano ou não, em uma letra com musicalidade. Demy Lovato com “Stone Cold” (de mulher pra mulher…. Marisa), foi um dos grandes sucessos. 

O conservadorismo sueco, mesmo com total sucesso de seus compositores/produtores, ainda relutava em falar sobre o próprio sucesso, onde a “inglória” remete a palavra “Jantelagen” que significa em não falar o quanto você é bom ou melhor que os outros. Eles são evasivos com o sucesso (talvez o Yngwie Malmsteen seja o ponto fora da curva). O lema é deixar o artista ser artista e o produtor/arranjador ficar em segundo plano por mais injusto que possa parecer (por mais que seja corriqueira a frase “ejacular com pênis alheio” proliferada por Lobão tempos atrás). É o modo de vida dos suecos, mas não uma regra. 

Então, entendemos a resistência entre os suecos de aceitarem o ABBA, do Elvis Costello ter que alertá-los que o ABBA era legal, do americano levar o ROXETTE para fazerem sucesso nos EUA e do estúdio CHEIRON estourar com os maiores sucessos do pop mundial, deixando os artistas levarem a fama e eles ficarem em segundo plano. 

Sindrome de Stockolm, melodia e melancolia é o sucesso! 

MAX MARTIN (Martin Karl Sandberg ) – Nasceu em Estocolmo, Suécia, no dia 26 de fevereiro de 1971. É produtor musical, compositor e também naturalizado americano, onde chegou aos EUA em 1985 e começou a produzir músicas por lá. Seu estrondoso sucesso teve seu auge em 99/00. Cresceu em Stenhamra, comunidade de Ekerö, um subúrbio de Estocolmo. Quando criança, Martin era estudante de programa de educação musical pública muito elogiado da Suécia, ao qual agradece por toda base musical pública a ele concebida. Quando adolescente cantou em diversas bandas locais onde a mais expressiva era a “It´s Alive” onde também foi o frontman . A banda tinha foco no estilo glam-funk-metal e foi formada em 1987 com ex integrantes das bandas locais Linout e Lazy Aldeheim.  Matin abandonou a escola para prosseguir carreira com sua então banda onde era conhecido como “Martin White”. Em 1988 eles participaram de festivais nacionais de rock e tocaram como banda residente em um disco no Chipre. A banda tem um avanço em 1991, quando Dave Constable da Megarock Records ofereceu-lhes contrato para fazer uma demo tape. O álbum de estréia mais tarde foi originalmente editado com 1.000 cópias e, posteriormente oferecido como um apetrecho gratuito no Reino Unido pela revista Metal Forces. 

A decisão de se concentrar em uma carreira musical foi recompensada quando eles assinaram um contrato de gravação com o produtor Denniz PoP‘s da Cheiron Records (aqui já citado), um afiliado da BMG. Depois de gravar seu segundo álbum “Earthquake Visions” , eles lançaram três singles em conjunto com a editora e fizeram turnê pela Europa, em 1994, como banda de abertura da Kingdom Come. “ Earthquake Visions “ vendeu umas consideráveis 30.000 cópias, apesar de ter sido lançado em cerca de 30 países, o que para a gravadora foi decepcionante. Mais importante, porém, Martin também começou a colaborar em canções com PoP. Reconhecendo um talento para escrever canções pop no mundo do jovem roqueiro, PoP renomeou seu novo protégé Max Martin onde, eventualmente, tornou-se o mentor de Martin, que então marcou seu nome na história do pop mundial. 

SHELLBACK (Karl Johan Schuster) – Nascido em 1 de fevereiro de 1985, é um produtor musical, compositor e multi-instrumentista sueco, que foi considerado o produtor número 1 na parada de fim de ano da conceituada Bilboard no ano de 2012, deslanchando sua carreira desde então entre outros prêmios como o Grammy. Ele colabora regularmente com o compositor Max Martin e, juntos produziram, escreveram ou co-escreveram músicas para Pink , Taylor Swift , Adam Lambert , Britney Spears , Usher , Avril Lavigne , Ariana Grande , Adele e Maroon 5 . Shellback e vários renomes internacionais, onde também colaborou com o produtor Benny Blanco e produziu canções por si mesmo, incluindo ” Want U Back ” de Cher Lloyd e ” Animals ” de Maroon 5. 

No início de carreira, Karl Johan Schuster, o sueco que nasceu e foi criado em Karlshamn, começou como baterista em bandas locais de sua cidade com estilo de indie rock. Fundou a banda Meriah, onde era baterista, mas por conhecimento gravou todos os instrumentos na demo de Meriah de 2003 … Turn Him Your Other Cheek (uma gravação estritamente de progressivo black metal), onde foi o único trabalho da banda e de um homem só. Antes de ingressar na cena hardcore metal em 2004 na Blinded Colony (death metal melódico), ao qual era vocalista e gravou Promo Demo de 2005 e Bedtime Prayers de 2006 (full  lenght), fazendo comparações com a banda sueca de death metal melódico In Flames, antes de sair em 2007. Em 2005, ele também se apresentou como músico convidado no álbum da banda sueca do doom metal Faith, no full lenght  Sorg, onde por incrível que pareça não vi nenhuma referência em seu nome. 

Aos 16 anos, Schuster conheceu Max Martin através de seu amigo em comum Julius como já citado anteriormente. Naquela época, de acordo com uma entrevista na revista de música sueca Stim-magasinet , o gosto de Schuster por música era descolado e ele não tinha nenhum interesse por música pop. Julius continuou enviando as demos de rock-death metal indie de Schuster para Martin como já explicado e a curiosidade de como soaria um promissor músico e compositor de death metal melódico/hardcore em fazer música pop. Acredito mais na inquietação do experimentalismo do que a curiosidade de ver o impulso do coração em prol do resultado de uma antítese musical ao qual deu uma liga sensacional.Então, em 2006, Martin convidou Schuster para ir ao seu estúdio em Estocolmo para gravar uma demo com ele e, desde 2007, Schuster assinou contrato com a produtora de Martin, Maratone e assim deslanchou como produtor para o mundo, cuja história já foi revelada aqui. 

Também colaborou com a banda sueca de punk/hardcore Refused, cujo além de amigo do baterista da banda, David Sandstrom,  era fã dos caras. Certa vez Sandstrom enviou despretenciosamente as versões das músicas “Elektra” e “366”, que eles haviam gravado como o produtor Nick Launay, para o amigo fã da banda dizer o que achou. Shelback respondeu com seus próprios arranjos nas duas versões, onde o frontman do Refused, Dennis Lyxzen, explanou em junho de 2015 que as versões de Shellback eram “muito mais” Refused que suas próprias versões e que também eram de melhor produção que do produtor da versão original. Essas duas canções de Shellback, aparecem no álbum de retorno do Refused, chamado Freedom. A canção “Elektra” foi inicialmente lançada como single em 27 de abril de 2015, sendo seu definitivo lançamento pelo selo Epitah Records em 26 de junho de 2015. Este mesmo álbum concorreu ao Grammy na categoria de melhor performance de hard-rock/metal, perdendo para a banda também sueca “Ghost. Também colaborou como músico no full-lenght “War Music”. No dia 2 de julho/2019, a Banda anunciou pareceria com a desenvolvedora de jogos CD Projekt Red, ajudando na formação e caracterização do universo do jogo Cyberpunk 2077 baseado no universo criado por Mike Pondsmith. A banda compôs e gravou músicas para o título, sendo representada dentro do universo do jogo como a banda ficcional SAMURAI, criada por Mike Pondsmith para o universo de Cyberpunk 2013 e Cyberpunk 2020. Um dos integrantes da SAMURAI é Johnny  Silverhand, que foi interpretado pelo ator Keanu Reeves em Cyberpunk 2077 e terá papel essencial no enredo do jogo (versões de Playstation e Xbox). 

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Postado em novembro 11th, 2022 @ 11:11 | 129 views
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