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20 Jul 2024, 1:58 pm

Mosh Classic: Pink Floyd – The Dark Side of the Moon (50 anos)


Por Emerson Mello

O The Dark Side of the Moon não é somente um dos melhores álbuns do Pink Floyd, mas sim um dos maiores álbuns de Rock de todos os tempos. Em relação a números ele impressiona: no lançamento ele já foi direto para o topo da Billboard 200(EUA) e ficou lá nada mais nada menos do que 777 semanas, isso de 1973 a 1988, sendo assim o álbum recordista em permanência nas paradas. E segundo a Rolling Stone é o terceiro álbum mais vendido da história com mais de 45 milhões de cópias, ficando atrás de Thriller de Michael Jackson e de Back in Black do AC/DC. Na época vendeu tanto que foi necessário a gravadora abrir uma outra fábrica pra dar conta da demanda.

Alan Parson funcionou como o quinto elemento da banda em DSOTM.

Se os números impressionam, a música também. Musicalmente a banda entrou numa nova fase com músicas um pouco mais diretas e não tão longas, e o uso dos efeitos sonoros se fazendo bem mais presentes pra reforçar os temas propostos pela banda, como se fosse um filme. Conceitualmente Waters queria falar sobre temas cotidianos e a maneira como as pressões do mundo moderno nos afetam, coisas como trabalho, dinheiro, status social e ambição. Ele foi elogiado pelos críticos e pelos próprios colegas de banda pelo seu amadurecimento nas letras. Muito do material escrito foi influenciado e inspirado (novamente) na condição mental de Syd Barret e também pela pressão das turnês, que ficavam cada vez mais longas e com mais datas a serem cumpridas. Este conceito foi desenvolvido quando a banda ainda estava em turnê e as músicas foram testadas ao vivo antes de serem gravadas e através do You Tube é possível conferir alguma destas versões preliminares.

O álbum foi gravado no famoso estúdio da Abbey Road e teve como produtor e engenheiro de som Alan Parsons e vejo como fundamental a presença dele no sucesso do álbum, funcionando aqui como o quinto elemento da banda. Parsons já era renomado por ter trabalhado no Abbey Road dos Beatles e já havia trabalhado com a banda em Atom Heart Mother. Além disso era um grande músico, arranjador e teve muita sensibilidade em juntar e colocar todos os elementos funcionando para alcançar o resultado final. Comentando sobre a mixagem do álbum, Waters disse que foi uma verdadeira performance ao vivo. Em algumas músicas tinha muita coisa acontecendo, então Parsons dividiu a banda na mesa de mixagem, cada um no botão do seu instrumento, com a responsabilidade de aumentar ou abaixar o volume em determinado ponto da música. Este conceito impensável hoje em dia, com ferramentas de gravação como o pro-tools e todos os recursos de automatização de que ele dispõe. Mas talvez aí neste processo manual esteja a magia na de criação deste álbum.

A linha vocal de Clare Torry eternizou a música The Great Gig in the Sky.

A cantora Clare Torry foi um capítulo à parte no DSOTM. Sua participação em The Great Gig in the Sky eternizou a música, e após um processo milionário contra a EMI e a banda, ela é creditada como co-autora da música, afinal foi sua linha vocal que fez a música ir muito além e a tornou o que é até hoje. Antes da gravação ambos eram desconhecidos um para o outro, a banda não sabia nada de Clare, ao passo que ela conhecia somente uma ou duas músicas da banda. Depois da gravação praticamente não teve mais contato com a banda e anos mais tarde, em 2004, após o sucesso estrondoso do disco, decidiu mover a ação que a tornou co-autora da música. Nick Mason afirma que na época eles não tinham noção que o disco faria todo esse sucesso, pra eles na época era apenas “o nosso próximo disco”.

Após processo judicial milionário Clare Torry foi reconhecida como co-autora de The Great Gig in the Sky.

Sobre a criação da capa, eles chamaram novamente Storm Thorgerson, com quem eles já trabalhavam desde A Saucerful of Secrets de 1968. A banda queria era algo “gráfico e simples”, então ele apresentou 10 ideias e o incrível é que todos da banda escolheram a capa do prisma. Thorgerson conta que ainda tentou convencê-los a também conferir as outras ideias, pois segundo ele “deu muito trabalho preparar isto tudo pra vocês. Tem certeza que não querem ver as outras?”. Mas a banda não teve hesitação ou algum segundo pensamento, estavam certos sobre a escolha, foi unanimidade à primeira vista. Curiosamente acabou se tornando uma das capas mais icônicas de todos os tempos.

O álbum começa com Speak to Me com diversos sons: batimentos cardíacos, risadas histéricas, conversas até que tudo vai crescendo até cair no belíssimo tema inicial de Breathe. A sutileza de Gilmour no slide já emociona, sua guitarra limpa, cristalina e espacial, apesar do toque ainda bluesy, faz nossa alma viajar a milhas de distância. Os versos enigmáticos de Waters “Run, rabbit, run/Dig that hole, forget the Sun/And when at last the work is done/Don’t sit down, it’s time to dig another one”, certamente fez com que surgissem as várias teorias da relação do álbum com Alice no País das Maravilhas, fato nunca confirmado pela banda. Na sequência temos On The Run, um tema instrumental feito com um loop no sintetizador. A narração que ouvimos ao fundo são de propagandas dentro de um aeroporto e a risada é do roadie Roger ‘The Hat’. Waters diz que a ideia do loop era passar urgência, pois o tema foi inspirado pelo medo que ele tem (ou tinha) de avião.

Roger Waters, Nick Mason, David Gilmour & Richard Wright

No ápice do tema de On the Run surge um som como uma explosão e entramos em Time, um dos temas mais famosos da banda. A música inicia com o som de vários relógios tocando ao mesmo tempo, o que nos dá a sensação de estarmos realmente numa sala com vários relógios. Ao som de um ‘tique-taque’ constante a banda entra no hipnótico tema inicial. A respiração fica suspensa até a entrada da banda conduzida novamente pela voz de Gilmour e num dos seus solos mais famosos faz o ouvinte viajar novamente e depois a banda retorna ao tema de Breathe. Seguindo temos The Great Gig in the Sky, talvez o ponto alto do álbum, certamente minha preferida. Clare Torry rouba a cena numa interpretação magistral, mas não podemos deixar de mencionar a belíssima sequência harmônica criada pelo saudoso Richard Wright (que infelizmente nos deixou em 2008). “And I am not frightened of dying” afirma a voz na música e assim magistralmente a banda encerra o antigo lado A do vinil.

Abrindo o lado B temos Money, ao som da caixa registradora surge um dos maiores riffs de baixo de todos os tempos e uma letra bem sarcástica e irônica sobre nossa dependência do dinheiro.  Waters criou o efeito no quintal da sua casa, usando uma bacia de metal pra misturar argila da pequena cerâmica esposa dele, pegou algumas moedas e gravou o som, depois adicionou o som da caixa registradora. Nesta música a banda abre um espaço maior para o improviso com um solo mais longo de Gilmour e também solo de sax. O sax retorna em na balada intimista Us and Them onde Waters retoma o seu recorrente tema de guerra. Any Colour You Like é um tema instrumental com Wright brincado no sintetizador e Gilmour improvisando na guitarra e serve de elo pra cair em Brain Damage, um tema inspirado em Barret. Nos versos iniciais “The lunatic is on the grass” nitidamente nos vêm a imagem dele à mente. Eclipse (que por pouco não foi o nome do álbum) fecha muito bem o álbum num tema apoteótico, perfeito pra o encerramento. A banda acaba de tocar e voltamos a ouvir as batidas cardíacas e a narração “There is no dark side of the moon really. As a matter of fact it’s all dark”.

Storm Thorgerson foi responsável pela criação da icônica imagem de DSOTM.

The Dark Side of the Moon é uma verdadeira obra-prima e não à toa chega aos seus 50 anos ainda com muito frescor, soando totalmente contemporâneo e urgente, sendo também  ápice dos álbuns conceituais. 

Banda – Pink Floyd

Título – The Dark Side of the Moon

Produção – Alan Parsons

Lançamento – 01/03/1973

*Músicas:

Lado A

01 – Speak to Me

02 – Breathe

03 – On the Run

04 – Time/Breathe reprise

05 – The Great Gig in the Sky

Lado B

06 – Money

07 – Us and Them

08 – Any Colour You Like

09 – Brain Damage

10 – Eclipse

Line-up:

Roger Waters – vocal/baixo/sintetizadores/efeitos sonoros

David Gilmour – vocal/guitarras/sintetizadores

Nick Mason – bateria/efeitos sonoros

Richard Wright – vocal/teclados/sintetizadores

*Músicos de Apoio

Dick Parry – saxofone

Lesley Duncan, Doris Troy, Barry St. John, Liza Strike – backing vocais

Clare Torry – vocal em “The Great Gig in the Sky”

Ouça The Dark Side of the Moon no link abaixo:

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Postado em fevereiro 24th, 2023 @ 19:19 | 1.657 views
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