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30 Sep 2022, 6:24 pm

Mosh Interview com Gargant


Trabalhando em duo, um formato incomum para uma banda de Heavy Metal, a Gargant vêm apresentando um bom trabalho e ganhando novos seguidores. Pra entender um pouco desta dinâmica e como funciona a mecânica de trabalhar em dupla, batemos um pouco com G Stevens e Phill Drigues.  

por Emerson Melo

FANZINE MOSH – Podem nos falar um pouco de como surgiu a Gargant e apresenta-la aos leitores do Mosh? 

G Sevens – Primeiramente, é um grande prazer poder falar com a Mosh e gostaríamos de agradecer o espaço. Gargant é fruto da vontade de dois fanáticos por Heavy Metal, especialmente aquele apresentado entre 1980 e 2000. Nosso principal motivador foi se expressar artisticamente durante a pandemia de uma forma peculiar, assumindo um caminho diferente do que as bandas tradicionalmente seguem, sem ensaios, sem encontros, e o mais “DIY” possível. Na verdade, é um projeto que busca colaborar em comunidade que tanto amamos, da forma que vem às nossas cabeças, livres de amarras. Em nossas redes, por exemplo, não focamos somente em falar sobre nossa música e sim trazer conteúdo interessante para colecionadores e admiradores do estilo. Musicalmente, buscamos resgatar o som das décadas que citei anteriormente enquanto nas letras, deixamos transbordar nossas influências nerds/geeks, com muita influência de quadrinhos e games. Nos acompanhando, você vai reconhecer referências desde Iron Maiden à Spawn e Ghost Rider nas letras. 

FANZINE MOSH – Phill, você iniciou sua trajetória musical tendo aulas em Conservatório, seguindo depois o caminho do Heavy Metal. Você acha que isto agregou algo diferente em sua formação musical?  

P. Drigues – Com certeza. Meu início na música foi muito clássico. Ainda bem garoto eu fazia aulas de piano por influência da minha mãe e quando decidi tocar bateria comecei no Conservatório de Música de Niterói em meados dos anos 80, que tinha aquele método de ensino também clássico, bem antigo. Quando comecei a tocar Metal acabei deixando as aulas convencionais e me tornei autodidata, o que mudou minha formação completamente. Depois tive aulas com outros bateristas também e isso foi agregando conhecimento e influências diferentes pra mim. 

FANZINE MOSH – A Gargant é um duo, formação totalmente não convencional em se tratando de Heavy Metal. O que levou vocês a trabalharem neste formato? 

G Sevens: A origemdno duo está intimamente ligada à Pandemia iniciada em 2020, na necessidade e vontade de trabalhar num formato simples e direto. No início achávamos que atividades de banda, como encontros, ensaios e shows seriam retomadas em pouco tempo, mas a situação se estendeu. Com isso projetos envolvendo práticas “tradicionais” foram sendo arquivados ao longo dos meses. Particularmente, minha relação com a música e meu trabalho também mudaram, fazendo eu buscar novos caminhos, no qual eu pudesse me satisfazer artisticamente num formato muito próprio, muito enxuto e autoral. Naturalmente, fica difícil conciliar com vontade de músicos que buscam extensas tours, reuniões e rotinas de gravação em estúdios maiores. O Phill, meu brother de longa data, me encorajou a pegar instrumentos além da voz e as músicas começaram a surgir. Eu reaprendi a tocar, coisa que só fiz durante minha adolescência entre 15 e 18 anos, aprendi também compor e executar linhas baixo e fazer alguns arranjos utilizando sintetizadores. Tudo em casa. Hoje esse formato é muito sólido para nós dois, onde tomamos decisões criativas em conjunto na velocidade da luz. Sou muito feliz de poder ter esse projeto com ele e acredito que ele pense da mesma forma. 

FANZINE MOSH – Sendo um duo, como fica a dinâmica nas apresentações ao vivo? Existem outros músicos que complementam o time, ou são utilizadas bases pré-gravadas? 

G Sevens:  Por enquanto não temos planos para shows, mas quando rolar, com certeza contaremos com grandes amigos para complementar o time. Inclusive, acho que eu assumiria somente os vocais, que é como performava no Painside. Me sinto mais à vontade para manter a interação com o público na máxima voltagem durante o set. Sendo assim, seríamos um quinteto ou um sexteto com incluindo um tecladista. 

FANZINE MOSH – G Sevens, você é responsável pelas composições, harmonias e melodias. Como funciona seu processo criativo?  

G Sevens: Eu sou muito influenciado não só por Heavy Metal, mas também por quadrinhos, filmes e games. É meio louco, mas toda composição que faço envolve não somente a música propriamente dita, mas imagino um filme, uma parte visual para ela, o que acaba também sendo refletido em nossas artes de capa e fotos. Ambos os aspectos têm que andar juntos e fazer sentido. Na parte prática, pego a guitarra e o baixo, vou criando riffs pós riffs de forma que eles contem uma história por si só. Assim já tenho as nuances e emoções mapeadas para escrever uma letra e terminar a composição. Em seguida, o Phill utiliza o martelo dos Deuses (risos) pra trazer força e vida à cada nota. Aí sim entramos no processo de lapidação juntos, até acharmos que a música está finalizada. É um trabalho em conjunto. 

FANZINE MOSH – Phill Drigues, sendo o G Sevens responsável pelas composições, você contribui em algo na parte harmônica/melódica, ou ele já chega com tudo pronto? 

P.Drigues: Eu diria que dou muitos pitacos (risos). Na verdade, tudo começa com o G. Ele chega com a ideia bruta e vai lapidando. Fazemos muitos “brainstorms“ onde dou sugestões na parte melódica, como eu acho que possa melhorar algo junto com as linhas rítmicas que eu vou imprimindo, até chegarmos a um resultado final. Muitas coisas mudam no processo de composição e a gente realmente só chega nesse resultado final depois de muitas audições e mudanças. Assim como eu dou sugestões nas partes dele, ele também dá muitas ideias quando estou compondo as linhas de bateria e essa sinergia é bem legal. 

FANZINE MOSH – Quais as temáticas abordadas pela Gargant? Existe alguma preocupação de passar uma mensagem direta, ou vocês deixam isso para o ouvinte? 

G Sevens: As temáticas são muito para entretenimento puro, simples e direto! Muita energia é posta pra fora. De uma forma muitas vezes metafóricas, queremos invocar aquela sensação do que consumimos que tem origem dos anos 80 e 90. Filmes de ação, tradicionais mesas de RPG, toda a estética e diversão características da época servem como inspiração. Acho que a última temporada de Stranger Things serve como um bom exemplo do que estou falando!  

FANZINE MOSH – Sem querer cair em comparações, a música Pilgrim and the Beast tem um clima melódico bem na linha Iron Maiden, com belas melodias vocais e duetos de guitarra marcantes. Poderia se dizer que eles são a principal referência musical pra vocês? 

G Sevens: Com certeza! Não só o Iron Maiden é uma das nossas principais influências como a carreira solo do Bruce Dickinson, é uma grande referência.  É uma honra poder ser comparados à eles. Nós somos fanáticos pela NWOBHM então automaticamente isso é refletido em nosso som. 

FANZINE MOSH – Por outro lado The Syche and I já tem uma roupagem mais, atual  

com mais peso e velocidade. 

G Sevens: Sim! É o nosso lado mais pesado, com muito do thrash e power metal americano! Estará sempre presente nas nossas entregas! 

FANZINE MOSH – Ainda sobre Pilgrim and the Beast, a temática dela traz uma dualidade entre céu e inferno, entre o peregrino e a besta. A temática ficou bem interessante, existe possibilidade de um trabalho full explorando esse tema? 

G Sevens:  Sim, com certeza. Inclusive, o Peregrino, a Besta e todos os personagens que criamos para esses dois lançamentos estarão presentes em composições futuras. A criatura Gargant também participa desse universo. Elementos citados nas músicas como a “Coroa do Medo” (Crown of Fear) também serão desenvolvidos em lançamentos futuros. 

FANZINE MOSH – Nos conte mais um pouco sobre essa criatura Gargant, sobre o conceito de criação, e como ela irá compor este Universo que vocês criaram. O que podemos esperar? 

G Sevens O Gargant é uma criatura poderosa que pode assumir diversas formas, ela tem a Morte como sua principal subordinada, com sua figura aparecendo em destaque na Capa de Pilgrim and The Beast. E se você reparar, a Morte ali está representada em maior destaque que a própria Besta como uma alusão ao seu poder. Sendo assim, em escala, Gargant seria ainda maior. Suas formas ainda aparecerão em nossas artes, no momento certo. Liricamente ele aparece como protagonista da Scythe And I, sendo ele o “I” do título. 

FANZINE MOSH – Aproveitando este assunto, até o momento a banda lançou dois singles, existe planos para um álbum full? 

G Sevens:  Olha, para te dizer a verdade, nosso plano inicial era lançar singles de forma frequente, porém a recepção tem sido tão legal e a nossa paixão por heavy metal é tão forte que não vai ter como escapar desse formato. O Gargant é mutante e incontrolável, uma ideia pode se desenvolver e tornar outra em questão de dias. Planejamos uma versão física também pro nosso lançamento futuro. Então em breve teremos novidades para todos que nos acompanham! 

FANZINE MOSH – Observando a qualidade do material promo da Gargant, nota-se que existe uma preocupação e um cuidado com a parte gráfica, inclusive citado pelo G Stevens no início da entrevista. Como vocês veem o profissionalismo do cenário underground na atualidade? 

G Sevens: Como eu trabalho na área, é um grande prazer poder extravasar a arte por meios visuais também. Tudo é feito com muito cuidado e de forma que nos represente 100%. O profissionalismo no underground é incrível com grandes artistas de muitas vertentes. Heavy Metal e artes visuais andam juntas desde o início. O estilo tem e sempre terá as melhores capas de álbum as melhores camisetas e os melhores palcos! 

Considerações finais. 
 
Guilherme: Agradecemos mais uma vez o espaço ao MOSH. Sigam a gente no Instagram e se inscrevam no Youtube para acompanhar as novidades e trocar experiências. Heavy Metal é a lei!  

P.Drigues: Muito obrigado pela oportunidade. Em breve estaremos com novidades! CHEERS! 

*Line up:  

G Sevens – Vocais, guitarra, baixo e sintetizadores. 

Phill Drigues – Bateria 

*Discografia 

(2022) – Pilgrim and the Beast (single) 

(2022) – The Scythe and I (single) 

*Redes Sociais 

Instagram – https://instagram.com/gargantofficial  

Facebook – https://facebook.com/gargantofficial  

Twitter – https://twitter.com/gargantofficial  

You Tube – https://www.youtube.com/channel/UCnzcn1xXZiw95taHJnuaaIA 

*Contato 

gargant.official@gmail.com   

Interview · News

Postado em agosto 27th, 2022 @ 09:09 | 298 views
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