24 Jun 2019, 2:23 pm

Armageddon Metal Fest Se Torna o Maior Festival De Metal Do Sul


O Armageddon Metal Fest 2019 coloca uma produção de um evento de Heavy Metal num nível ainda não visto na região sul do Brasil

por Clovis Roman
fotos Kaká Gomes

Após 5 anos de sua primeira edição, o Armageddon Metal Fest voltou ao calendário metálico catarinense, reunindo um lineup que escolheu a dedo grandes nomes do estilo no Brasil, e trazendo diretamente da Grécia o glorioso Rotting Christ, que se encontra em uma das melhores fases de sua longeva carreira.

Os shows foram divididos em dois palcos, o que permitiu a montagem dos equipamentos de uma banda enquanto outra tocada ao lado. Assim, a música rolou de maneira contínua por mais de 12h. A estrutura profissional proporcionada pelo evento tornou a experiência ao público marcante. Havia opções de alimentação e bebidas, muito merchan, copos comemorativos e tudo o mais, além claro, de opções de acessibilidade.

Os trabalhos começaram por volta das 14h com as bandas Violent Curse e Semblant, que pegaram o público ainda se acomodando no recinto. Os curitibanos da Semblant mandaram um repertório com alguns de seus singles e duas músicas inéditas, que farão parte de seu terceiro disco de estúdio, Obscura.

Na sequência veio o Huey, grupo instrumental que chamou atenção, e mesmo não tendo conquistado a todos, deu seu recado de maneira convincente.

O Tuatha de Danann veio na sequência, e começou um set enxuto, no qual tiveram algum problema no início, mas logo engrenou, e a galera curtiu. O show foi curto na quantidade de músicas, mas proporcionou momentos sublimes aos fãs, que cantavam junto na grade com empolgação e admiração pelas belas melodias. Material novo como faixas do recém lançado EP “The Tribes of Witching Souls” e do último disco completo, Dawn of a New Sun, não faltaram, assim como clássicos como “Believe: It’s True!” e “Tan Pinga Ra Tan”.

Das delicadas melodias aos gritos amorfos e riffs primais do Black Metal, veio a banda Blackmass, com toda indumentária e maquiagem que o gênero solicita/impõe. Os caras mandaram sons de seu segundo álbum – Nemesis, de 2008 – como “Phantoms”, “Diavolul”, “Bleeding Heaven’s Angels” e a faixa título, e também material ainda não gravado oficialmente, como Rising Sulphur. Show monocromático e agressivo, como manda a cartilha.

O gigante do goregrind mundial, Flesh Grinder, fez um show um tanto apático. Referência no estilo, apresentou um show sólido como uma parede, porém não foi a noite mais inspirada do agora quarteto. Tocaram alguns sons do mais recente play como “Graveyard Meat” e “Putrilagem”, e um monte de velharia, como “SPLATTER”, “Aroma of an Open Gall-Bladder” e “Granulomatous Inflammation with Elliptical Macrophages”. Não foi um show ruim, mas a concorrência estava alta no fest.

O Symmetrya, nome veterano do Metal catarinense veio na sequência, com um novo – tanto na formação da banda quanto na idade – baixista no lugar de Gean Carlos. O show começou marcando a metade do festival, quando os primeiros sinais de cansaço começaram a se fazer presentes. O som da banda, calcado no Power/Melódico, é coeso e bem tocado. Mandaram também uma boa homenagem aos criadores do Metal: “Heaven & Hell”, do Black Sabbath,e tocaram “Armageddon”, música tema do festival, com Lucas, vocal da Zombie Cookbook.

Mudando mais uma vez a direção musical, a The Secret Society ecoou melancolia com suas melodias tétricas o pavilhão da Expoville. O som dos caras, calcado no Rock gótico anos 80, veio no momento certo, pois permitiu ao público ficar parado, sendo hipnotizado pela música. Descanso ao corpo e elevação da alma. A pesadíssima – para os padrões estilísticos da banda – “Fields of Glass” e “Rites of Fire” foram destaques. Um baita show, de uma banda que está galgando certeira o rumo do sucesso. Pode anotar aí.

Os mineiros do The Mist vieram na sequência. A banda conta com lendas do Metal nacional, como o guitarrista Jairo Guedz (ex-Sepultura, Overdose e Eminence) e Vladimir Korg, do Chakal. O show da banda foi calcado nos dois primeiros álbuns, os ambos clássicos Phantasmagoria (89) e The Hangman Tree (91). O show foi um arregaço só, um Thrash Metal com guitarras melodiosas mas com riffs certeiros e muito peso. Em seu repertório de pouco menos de 50 minutos mandaram sons como as faixas títulos de ambos os discos, e também “Barbed Wire Land (At War)” *que abriu o show), “A Step Into The Dark” e “Hate”; além de “Scarecrow” e “Peter Pan Against the World” do segundo play.

A bagunça tomou conta do palco do Armageddon com o Gangrena Gasosa, grupo de Saravá Metal que faz uma bem humorada mistureba de Rock pauleira com temáticas assustadoras. Divulgando o disco Gente Ruim Só Manda Lembrança Pra quem Não Presta, os caras tocaram de tudo, e a galera se quebrou loucamente. As rodas se formaram com vigor e permaneceram o show inteiro. Bolas e bóias de piscina eram vistas voando pra lá e pra cá no meio da galera. No palco, em meio às pilhérias, ainda houve uma crítica à preocupação de alguns com a sexualidade alheia, na genialmente intitulada “Fiscal de Cu”. No final, com “O Saci” a banda sacramentou de vez a zoeira e mandou um banho de pipoca na galera. Banda foda é assim: Som foda, show foda, cheio de energia e diversão.

O Gangrena Gasosa foi idealizado com o sonho de um dia abrir um show do Ratos de Porão. Isso se concretizou e aconteceu várias vezes no decorrer dos anos, e se repetiu em Joinville. O R.D.P. subiu ao palco mandando o clássico disco Brasil na íntegra, numa velocidade e fúria absurdas. A banda, que está com a mesma formação há mais de 15 anos, o que lhe confere uma unidade forte e coesa. Brutal demais, nem dá para destacar músicas, mas mesmo assim “Aids, Pop, Repressão” e “Beber até Morrer” foram os highlights do primeiro bloco. Na reta final, cavaram alguns outros clássicos como “Sofrer”, “Morrer” e claro, “Crucificados pelo Sistema”.

A próxima banda, uma das headliners, permaneceu no palco por duas horas, com seu extravagante e completíssimo show. O Shaman se reuniu com sua formação clássica, e está tocando seus dois discos na íntegra. A primeira parte veio com Reason (2005), disco que apesar de suas qualidades, não se sustenta tanto ao vivo quanto Ritual (2002), que veio a seguir. Aliás, quando a introdução “Ancient Winds” começou, foi difícil não se emocionar, principalmente quem havia visto a banda em ação naquela época. Sons como “Here I Am”, “For Tomorrow” e a bela balada “Fairytale” foram acompanhadas atentamente por todos. André Matos estava bem, empolgado como sempre, e a banda destruindo no instrumental. Belo show, principalmente na segunda metade. Inacreditavelmente, André nos deixaria exatamente uma semana depois. Esse show no Armageddon Metal Fest foi o penúltimo da história da banda, que certamente encerrou suas atividades após essa tragédia.

O bom que o festival mesclou vários estilos, então os fãs de coisas mais agressivas tinham algumas ‘pausas’ para comer ou beber, e voltar nas bandas que mais lhe agradavam. Pois logo que saiu o Shaman, com seu Metal cheio de melodias, o Rotting Christ iniciou seu set no palco ao lado. A banda divulga The Heretics, do qual tocaram três músicas. A fase mais nova da banda ainda foi representada pelos álbuns Kata Ton Daimona Eaytoy (outras 3) e Ritual (2). Dessa última dupla, vieram as caóticas, cheias de gritos e forte percussão, “Apage Satana” e “Elthe Kyrie”. A banda, com nova formação, mostrou um entrosamento muito bom, e a galera curtiu o show todo. Nos grandes sucessos do passado, como a melodiosa “King of a Stellar War”, a ultra rápida “The Sign of Evil Existence” e claro, “Non Serviam” – que fechou o set – a galera se quebrou sem dó. Mas o grande destaque foi a grandiosa “Grandis Spiritus Diavolos”, cadenciada e fulminante.

O Motorocker, grupo de Rock and Roll de Curitiba, fez uma apresentação cheio de fúria, como sempre, mesmo já com bem menos público no recinto. Os caras tocaram uma sequência incessante de pauladas como “Rock Brasil”, “Igreja Universal do Reino do Rock”, “Rock Na Veia”, “Acelera e Freia” e “Salve a Malária”,  junto ao som cadenciado de “Blues Do Satanás” e a tocante balada “Homem Livre”. Baita banda!

O Total Death, do Equador, com seu som competente, fechou as portas da segunda edição do Armageddon Metal Fest. Festival em ambiente fechado, apenas um dia, é a melhor fórmula que existe.

Mosh Live · News

Postado em junho 11th, 2019 @ 10:51 | 567 views
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