25 Sep 2020, 1:48 pm

Classic Mosh: Rainbow – Rising


A partir de agora o Fanzine Mosh vai avaliar alguns grandes clássicos que marcaram a história do Rock/Metal. E para começar iremos avaliar o álbum “Rising” do Rainbow

por Emerson Mello

Blackmore ao longo da sua trajetória musical sempre foi um músico atento a novos talentos, principalmente vocalistas. Foi assim com Coverdale, que muito provavelmente se não tivesse  entrado no Deep Purple, poderia ser vendedor de boutique até os dias de hoje, já que as suas duas bandas anteriores ao Deep Purple, Denver Mule e Skyliners, foram dois projetos inexpressivos que não deram em nada.

Quando a banda americana ELF abriu a perna americana da turnê do Deep Purple, o guitarrista já ficou de olho (e ouvidos) atentos a um certo vocalista baixinho, baixinho mas com enorme talento,  Ronnie James Dio e mais tarde simplesmente Dio.  Na época do ELF, Dio chegou a usar seu nome de batismo, Padovana (seu nome é Ronald James Padovana), como uma homenagem aos seus pais, “para que eles pudessem ver o nome da família em um álbum pelo menos uma vez”.

O direcionamento funky do álbum ‘Stormbringer’, devido à maior participação de Glenn Hughes nas composições e arranjos, não agradou a Blackmore, que resolve sair do Deep Purple e começar um novo projeto. Sua saída aconteceu no dia 7 de abril de 1975, poucos dias antes do seu aniversário de 30 anos, no dia 14 de abril.

Nesta nova empreitada, o guitarrista recrutou o ELF praticamente inteiro (com exceção do guitarrista Steve Edwards é claro!). Como curiosidade, no ELF Edwards substitui David Feinstein, que era primo de Dio, e que mais tarde fundou o The Rods.

Até chegar a esta obra-prima chamada Rising, o Rainbow ainda estava lapidando seu som e amadurecendo. No primeiro disco a banda emplacou alguns hits e mostrou que tinha potencial, mas Blackmore ainda não estava satisfeito e sabia que a banda poderia ir bem mais além. Para isso fez modificações no time e para gravação do Rising formou um verdadeiro dream team: recrutou o baixista Jimmy Bain, o tecladista Tony Carey e Cozy Powell, que a esta altura já havia passado pela banda de Jeff Beck.

O lançamento oficial foi no dia 17 de Maio de 1976 e as gravações ocorreram no Musicland Studios em Munique e Blackmore manteve o produtor Martin Birch, com quem ele já havia trabalhado no Deep Purple e que já havia produzido o primeiro do Rainbow. Com um time de alto nível e excelentes composições, a química funcionou perfeitamente entre os músicos, emplacando um dos maiores clássicos do Rock de todos os tempos, tanto que foi eleito na edição nº4(1981) da revista britânica Kerrang, como o melhor álbum de todos os tempos.

A capa foi feita pelo artista Ken Kelly e a imagem de uma mão no horizonte pegando no arco-íris se tornou uma das mais icônicas, não só do Rainbow, mas do próprio Rock. A capa nitidamente reproduz o trecho final da letra de Stargazer (“I see a rainbow rising/Look there, on the horizon”). Kelly diz que boa parte do crédito da capa veio de Blackmore, que sabia exatamente o resultado que queria. Além do Rainbow, Kelly fez outras capas de sucesso como Destroyer e Love Gun do Kiss e Gods of War do Manowar.

Falando da parte musical do álbum, ele abre muito bem com a mística ‘Tarot Woman’ que fala de um encontro com uma cartomante. A introdução nos sintetizadores criada por Carey já mostra que algo bem diferente do que rolou no álbum de estréia está vindo. O arranjo denota um certo tom de Rock Progressivo e vai criando um clima crescente, com a guitarra de Blackmore ao fundo marcando o ritmo até culminar na entrada vigorosa da bateria de Cozy Powell seguida de uma entrada triunfal da banda! O vocal de Dio nos conduz pela história sendo possível até mesmo visualizar a tal cartomante. Run With the Wolf entra numa pegada mais cadenciada com um refrão marcante. Agora o clima sobe novamente com ‘Startruck’ aonde Blackmore começa com um tema na guitarra bem ao seu estilo. E Dio continua dando asas as suas histórias com mulheres místicas, rodas da fortuna e temas nessa linha. Como curiosidade o Motorhead tem uma versão muito boa desta música, com Biff Byford (Saxon) nos vocais. Vale conferir. Fechando o lado ‘A’ temos ‘Do You Close Your Eyes” que resgata o lado mais Rock’n’Roll da banda visto no primeiro álbum. E Dio pergunta insistentemente no refrão: “Você fecha os olhos quando você faz amor?”

LOS ANGELES, USA – 1st JUNE: Rock group Rainbow featuring guitarist Ritchie Blackmore (right) and singer Ronnie James Dio (1942-2010) (left) posed in Los Angeles, USA in June 1975. (Photo by Fin Costello/Redferns)

Abrindo o lado B temos a música que por si só já vale o disco: Stargazer. Na introdução Cozy Powell já nos deixa sem fôlego num imortal riff de bateria!A banda entra numa levada cadenciada e épica até então sem precedentes no Rock. Talvez aqui inaugurando algo que depois seria chamado de Metal Épico, Metal Neo Clássico ou qualquer outro nome que venham a dar a isso.  Dio nos narra a história de um escravo que constrói uma torre para que um mago possa voar (“We build a tower of stone/With our flesh and bone/Just to see him fly/But don’t know why”). Uma história perfeitamente conduzida pela banda e ainda tendo a participação da Munich Philharmonic Orchestra que dá um brilho extra nos arranjos. Em relação ao solo de Blackmore fica difícil transpor pro papel o que ele conseguiu atingir nessa música, só ouvindo mesmo! Eu considero uma de suas melhores performances, senão a melhor. A segunda parte da história narra o momento que mago cai e a interpretação de Dio parece desesperada, sentindo todo o sofrimento do mago e dos escravos. ( “All eyes see the figure of the wizard/As he climbs to the top of the world/No sound, as he falls instead of rising/Time standing still, then there’s blood on the sand”). Sem dúvidas um épico imortal.

Mas depois de toda esta história emocionante ainda tem “Light in the Black” pra fechar o álbum com chave de ouro, destaque para parte instrumental com um belo duelo entre Blackmore e Tony Carey.

Enfim este é clássico que merece ser ouvido nos detalhes e fica até difícil destacar alguma performance neste álbum, pois a banda toda soa maravilhosamente bem e com certeza irá passar no difícil teste do tempo e atravessar gerações que irão descobrir esta maravilha no futuro.

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Postado em maio 7th, 2020 @ 09:09 | 421 views
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