24 Sep 2017, 6:49 am

Entrevista: Epica fala sobre Epic Metal Fest


Entrevista: Epica fala sobre Epic Metal Fest

O Epica é uma banda que já está consolidada como um dos maiores nomes do Metal na atualidade. Uma grande prova é o grande público que o sexteto holandês tem no Brasil. A partir de sua primeira vinda ao país, há 11 anos, cada nova turnê reunia mais público que a anterior. E se considerarmos a qualidade estupenda do recém lançado álbum The Holographic Principle, o reinado do grupo holandês será duradouro. Batemos um papo bastante agradável com o fundador Mark Jansen, um músico de bastante talentoso e extremamente gentil.

Vale lembrar que a banda volta ao Brasil dia 15 de Outubro, com seu Epic Metal Fest. Ao seu lado, bandas consagradas como Finntroll e Paradise Lost, além do Xandria, The Ocean e os brasileiros Tuatha de Danann e Project46. Mais detalhes aqui.

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

O Epica tocou no Brasil em 2005, na turnê de Consign to Oblivion. Estive no show em Curitiba, e foi feito num lugar bem pequeno. Em São Paulo foi numa uma grande casa de shows. Tens recordações disto?
Mark Jansen: Claro, lembro sim. São Paulo foi enorme e em Curitiba foi realmente bem pequeno, mas eu gostei muito dos dois shows.

Vocês também se apresentaram no “Programa do Jô”, na TV Globo…
Jansen: Eu lembro de estar na platéia enquanto Simone e Cohen tocavam [no palco]. Num momento a câmera estava virada pra mim, e lembro de estar com uma camiseta da Hellion que ganhei do Moisés. Sei que muitas pessoas estavam assistindo. Bons tempos!

A cada novo retorno do Epica ao Brasil os shows foram acontecendo em lugares maiores e com maiores públicos. A banda atualmente é considerada uma das maiores do Metal aqui em nosso país. Há outras regiões/países que vocês notam crescimento similar?
Jansen: Eu percebo um crescimento mundial, mas em alguns países isto acontece mais rápido que em outros. Alemanha, França, Reino Unido são lugares onde estamos indo muito bem. Mas também em outros países notamos que estamos dando um grande passo em nossa carreira.

The Holographic Principle é um título bastante forte, e curioso. Há algum conceito que ligue todas as letras das músicas? É um álbum temático ou as letras não tem ligação uma com as outras?
Jansen: Sim, é sobre a teoria do princípio holográfico. Esta teoria fala que nosso universo pode ser um holograma. Ela é baseada/fundamentada por matemáticos e é uma teoria muito séria. Leonard Susskind é um dos pais dessa idéia, ele é conhecido com o “bad boy” da física. Nós pegamos o conceito de realidade virtual, hoje em dia ele já está muito bem desenvolvida. Quando você coloca uma máscara de realidade virtual, pode encontrar-se em situações que parecem reais. Imagine que em cerca de 20 anos, esta técnica será ainda melhor e que pode ser capaz de criar nosso próprio universo. Nesse ponto, podemos perceber que a nossa realidade atual, o universo em torno de nós, pode ser uma realidade virtual também! Tudo é possível. A maioria das letras são ligadas devido a este conceito, mas não todas elas. Cerca de 75%

Mark Jansen em ação!

Mark Jansen em ação!

Como vocês estão preparando o setlist para o show no Brasil? Vocês pretendem focar mais no disco novo ou tocar os grandes sucessos de sua carreira?
Jansen: Nós temos pensado sobre o que tocar e o que não. Nós queremos um repertório fresco, e no Epic Metal Fest NL [aqui ele se refere a versão holandesa do festival, realizada no último dia 01 de outubro] nós tivemos algumas surpresas. No Brasil vamos tocar algumas outras canções. Queremos surpreender as pessoas e tocar pelo menos algumas músicas que nós quase nunca tocamos, e manter alguns clássicos que sempre apresentamos.

O Epic Metal Fest é uma proposta ousada, mas muito bem-sucedida. Em relação à escolha das bandas, vocês têm influência direta ou esta questão fica a cargo dos produtores/empresários?
J
ansen: Nós também. Discutimos todas as opções e todos podem trazer idéias: o produtor, o empresário e nós da banda. Juntos discutimos e chegamos a uma lista de bandas que todos estamos de acordo.

O Brasil será o segundo país a ver a nova turnê. Porque escolheram nosso país? Vocês planejaram o fato do Epic Metal Fest ser próximo do lançamento do novo álbum?
Jansen: Sim. O EMF é também a nossa festa de lançamento, tanto na Holanda quanto no Brasil, por isso o foco do setlist será em novas músicas – mas também vamos tocar músicas antigas. Escolhemos o Brasil pois acho que o público brasileiro é um dos melhores do mundo. São muito apaixonados. Alguns até demais. [risos]

Realmente por aqui temos fãs que ficam insanos ao encontrarem seus ídolos [risos]
Jansen: Sim, mas é bom mesmo assim.

O Epica é uma banda conhecida por seus excelentes e divertidos shows. Há planos para o lançamento de um álbum ao vivo no formato tradicional? Digo, apenas a banda, sem orquestra ou acústico…
Jansen: Nós não estamos pensando em um novo álbum ao vivo ainda. Tudo é possível, mas neste momento não há planos concretos.

A Holanda é um país que não tem tanta tradição no Metal quanto a Alemanha, por exemplo. Há, claro, diversas bandas excelentes, mas não tantas conseguem fama mundial quanto vocês, por exemplo. Que outras bandas daí vocês gostam?
Jansen: Eu gosto do 3rd Machine, eles não são muito conhecidos mas seu último álbum é demais. Eu também amo Ayreon, um projeto sensacional do Arjen Lucassen. Além disso, tivemos o The Gathering, eu gostava muito deles também. O Gorefest era minha banda favorita de Death Metal da Holanda, infelizmente eles não existem mais. Textures é legal também.

O Gorefest é bom tanto na fase inicial, mais Death Metal, quanto nos discos posteriores, que era algo mais “Death and Roll”.
Jansen: Sim, Death and Roll [risos]

Mark e Simone em Curitiba, 2015

Mark e Simone em Curitiba, 2015

Falando em Death Metal, uma das coisas curiosas sobre o Epica é a versão de Crystal Mountain do Death, que é uma banda bastante diferente do som de vocês. Como foi feita a escolha dessa regravação? Vocês costumam ouvir bandas neste estilo também?
Jansen: Esta foi uma cover antiga que fizemos com a formação antiga do Epica. Nós todos éramos (e ainda somos) grandes fãs do Death. Symbolic é meu álbum favorito, então foi bastante divertido regravar uma música desse álbum como homenagem ao Chuck [Schuldiner].

O Symbolic está no meu Top5 de discos favoritos de toda a humanidade…
Jansen: Para mim está no Top10 com certeza!

E agora indo para o caminho inverso: Qual banda ou artista você acha que faria uma versão bacana de alguma das músicas do Epica?
Jansen: Opeth. Eles fariam uma versão completamente diferente, mas interessante, tenho certeza.

Mark, você já ouviu as bandas brasileiras que vão tocar no Epic Metal Fest?
Jansen: Sim, eu conferi o som das duas no Youtube. São bandas completamente diferentes. O Project46 é uma banda que alguns fãs pediram. O Tuatha de Danann foi uma idéia do promotor local e nós achamos que soavam bem.

Mark, obrigado por tudo, vejo você no Epic Metal Fest!
Jansen: Claro, nos vemos lá para tomarmos umas cervejas.

Fotos ao vivo por Clovis Roman
Tradução da pauta por Bruno Schmidt e Karol Pin
Interview · News

Postado em outubro 7th, 2016 @ 14:09 | 2.404 views
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