23 Oct 2017, 11:29 am

Fanzine Mosh Entrevista Fleshgod Apocalypse


Fleshgod Apocalypse chega ao Brasil esta semana para três shows e o Fanzine Mosh não poderia deixar de conversar com a banda que é uma das mais respeitadas do gênero Symphonic Death Metal. Confira abaixo a entrevista exclusiva que o Henrique Gonçalves de Paula fez com o pianista do Fleshgod Apocalypse e responsável pelos arranjos orquestrais, Francesco Ferrini.  

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Henrique– Itália e Grécia são os dois berços da Civilização Ocidental, por sua filosofia, literatura e arte. O passado gigantesco destas duas civilizações se faz presente de diversas formas no mundo de hoje, e com certeza na música, de alguma forma. Em pleno século XXI uma banda grega e uma banda italiana excursionam para mostrar ao mundo sua mistura de música extrema e sinfonias. Vocês pararam em algum momento para refletir sobre o significado disto?

Francesco Ferrini– De fato, nossa história está fortemente conectada. Romanos antigos foram profundamente inspirados pela cultura grega em muitos aspectos, da ciência à filosofia, da arte à religião. Talvez seja por isso que nós e os caras do Septicflesh nos damos tão bem! Esta é nossa quarta turnê juntos e estamos muito animados para compartilhar esta experiência com eles. Digamos que estamos espalhando por todo o globo a cultura clássica europeia.

Fleshgod Apocalypse Promete Surpresa Em Show No Brasil

H– O quanto a cena italiana de rock progressivo dos anos 70 é uma influência para o som do Fleshgod Apocalypse? Bandas como o “Le Orme” são uma inspiração para vocês? Podem citar outras?

FF– Com certeza! Somos grandes fãs do rock progressivo, de um modo geral, mas não há dúvida que as lendas progressivas italianas como PFM (Premiata Forneria Marconi), Banco del Mutuo Soccorso e Area têm um lugar especial em nosso coração.

H– É fácil para o fã e crítico de death metal entender o que está em jogo na produção artística da música extrema. Os sentimentos que carregam este tipo de música criaram, ao longo dos anos, uma estética muito particular. O que deseja um músico de death metal ao misturar elementos sinfônicos em sua música?

FF– Na verdade, misturar as duas coisas não é tão fácil, tampouco imediato. Nossa abordagem nisso tem sido clara a este respeito: gostamos de considerar todos os instrumentos “modernos” em nosso conjunto, como as guitarras elétricas e a bateria, como parte da própria orquestra. Tentamos criar um som orgânico e coerente baseado neste princípio, ao invés de simplesmente colocar os instrumentos de corda ou corais sobre os riffs de guitarra e ver o que acontece. É por isso que a orquestra está sempre presente em nossas canções, como qualquer outro membro da banda, enquanto que outras bandas simplesmente utilizam-na como um mero efeito ou como “a proporcionadora de um instante grandioso ou épico” nos refrãos.

H– Vocês excursionam com a banda que talvez seja uma das primeiras a fazer o tipo de som que desenvolvem hoje, o death metal sinfônico. O quanto o Septicflesh é uma influência para vocês?

FF– O Septicflesh é uma banda incrivelmente talentosa e provavelmente compartilhamos a mesma visão a respeito de muitos aspectos de nossa música. Contudo, nossa abordagem musical é tão diferente. Eu não diria que somos fortemente influenciados pelo metal sinfônico em geral. Tentamos criar algo diferente e único, tomando inspiração de nossos compositores clássicos e contemporâneos favoritos, mesclando elementos sinfônicos com o som do death metal old-school de que somos grandes fãs.

 

H– O death metal sinfônico do Fleshgod Apocalypse entrega composições e uma execução bastante ímpar na cena extrema hoje. Não consigo imaginar o tipo de som que vocês fazem ser executado nos primórdios da música extrema, no final dos anos 80. Em sua opinião, o quanto o desenvolvimento da tecnologia musical tornou possível a evolução do death metal?

FF– Questão interessante. Certamente a tecnologia quebrou muitas barreiras, como a possibilidade de ter uma sonoridade de instrumentos orquestrais realista a seu dispor no computador. A gravação caseira também deu a muitos músicos talentosos a oportunidade de se expressar e colocar suas ideias “no papel”, de modo a falarem e espalharem tais ideias pela internet. Por outro lado, porém, há também uma grande quantidade de trapaça hoje em dia. Muitos dos chamados “fenômenos técnicos” realmente os ajudam MUITO na edição, mas não podem entregar uma performance decente e real.

H– O último álbum “King”, de 2016, foi bem recebido pela crítica. É muito comum vermos os músicos exaltarem seu último trabalho como o melhor da carreira. Vocês têm, agora, este mesmo sentimento? Existe alguma barreira que o Fleshgod Apocalypse ainda não cruzou em sua proposta musical? O que ouviremos nos shows brasileiros deste álbum?

FF– Eu sempre digo que nosso melhor álbum ainda está por vir, hahaha. Nós sempre olhamos para o futuro, tentando evoluir e ser os melhores no que fazemos. Colocamos um empenho insano em todos os nossos trabalhos, incluindo “King”, mas sabemos que podemos ainda melhorar e experimentar. Sobre nosso setlist no Brasil… Venha e veja 😉

 

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Postado em outubro 8th, 2017 @ 12:08 | 204 views
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