21 Oct 2020, 10:55 am

Mosh Interview Com Carraz


por Emerson Mello

Batemos um papo com a Carraz falando das últimas movimentações da banda, que acabou de lançar um Lyric Video e tem planos pra um próximo álbum. Também descobrimos como a literatura e o cinema influenciaram as letras, concepção gráfica e até mesmo o nome da banda.

Confiram!

FM – Qual o significado do nome Carraz e qual conceito a banda quer passar com ele?

Filippe – O nome foi inspirado no filme O Exorcista, pelo padre Karras (no caso do nome da banda mudamos a primeira e última letra do nome). Todos nós da banda gostamos de filmes de terror e na época a ideia veio do baterista, Guilherme (que gravou nosso debut). Achamos interessante pois este nome permitia abranger todos os temas que gostaríamos de abordar.

FM – Que interessante esta escolha. Se tivessem que escolher uma música da banda para esta personagem, qual acredita que se encaixaria melhor?

Filippe – Não temos (ainda) uma música específica para este personagem, mas seria uma boa ideia fazer para este novo álbum!

FM – Esta personagem é bem rica para um álbum de Thrash Metal. Já pensaram em fazer um álbum inspirado nele?

Filippe – Com certeza dá para explorar muito essa temática! Podemos criar diversas variáveis em torno disso! Mas o que anda acontecendo no mundo, por conta da pandemia, cenários políticos e econômicos por si só já cria um belo ambiente para o próximo trabalho (risos), mas seria bem legal ter talvez algumas músicas abordando o personagem, sim. Não descartamos.

FM – Filippe, antes de montar a Carraz você estava envolvido com outro projeto, que era o Comando Nuclear. Qual era a linha musical da banda?

Filippe – A proposta musical do Comando era fazer Speed Metal cantado em português

FM – Mas chegou um ponto que a coisa não estava mais fluindo. Quando você percebeu que era hora de sair do Comando Nuclear e seguir adiante com outro projeto? Você já saiu do Comando Nuclear pensando em tocar outro projeto ou simplesmente as coisas aconteceram?

Filippe – Chegou em um ponto no Comando que eu já não estava na mesma direção que os demais integrantes, tanto na vida pessoal quanto na profissional com a banda. Quando chega este momento é preciso avaliar se vale a pena persistir (com o risco de se desgastar) ou simplesmente seguir adiante e dar espaço para ambos lados seguirem com seus objetivos. Não foi uma decisão fácil, mas foi preciso e hoje tenho certeza de que foi a melhor a ser tomada. A ideia do Carraz já estava em andamento antes mesmo de sair, inclusive a Human Devastation e Shroud foram escritas enquanto estava no CN.

FM – Entre sua saída do Comando Nuclear em 2011, aonde você iniciou o Carraz, até o primeiro show da banda em 2016 temos um período de 05 anos. Porque houve um intervalo tão longo até a realização do primeiro show?

Filippe – Tivemos um longo período até fechar com todos os integrantes primeiro e este processo já durou mais de um ano. No começo da banda, eram somente eu e o Guilherme (baterista, que também tocou no Comando Nuclear). Tivemos um longo período para encontrar os integrantes certos e estabilizar a formação. A partir daí decidimos focar somente no material do primeiro álbum e só dar início aos shows quando todas as músicas do debut estivessem escritas.

FM – Ouvindo o cd percebemos que a influência predominante da banda é um Thrash bem old school e também com algo de Speed Metal das antigas. A velha guarda do Thrash são as principais referências da banda?

Renan – Sim, nesse primeiro álbum as influências e referências foram predominantemente do Thrash old school e do Speed. A velha guarda desses estilos são influências unânimes para todos na banda.

FM – Como funciona o processo de composição da banda? Vocês trabalham em conjunto ou alguém já chega com alguma ideia pronta pra banda desenvolver em cima disso?

Raphael – Trabalhamos em conjunto, basicamente fazemos o instrumental e em cima disso eu faço as letras e linhas vocais e no final todos opinam e chegamos num consenso.

FM – A capa do cd foi feita pelo ilustrador Márcio Aranha e o resultado ficou excelente. A concepção da arte foi toda da banda ou ele também trouxe ideias que contribuíram para o processo de criação?

Filippe – Já tínhamos a ideia concreta do que seria a capa do álbum e o Márcio soube capturar muito bem o conceito. Ele é um excelente artista!

FM – A arte parece ter referências ao escritor americano H.P. Lovecraft. Foi algo intencional?

Filippe – Sim! Adoramos as obras dele e a inclusão do Cthulhu (nota: criatura criado pelo escritor H. P. Lovecraf) foi intencional para deixar clara esta influência. Ainda queremos abordar mais os temas do Lovecraft em nossas letras.

FM – Muito legal você confirmar isso Fillippe, pois acredito que o H.P. Lovecraft tem muita coisa em comum com o  Heavy Metal. Outros escritores como Edgar Alan Poe, Stephen King, Tolkien influenciaram bastante o Heavy Metal. Vocês também curtem estes outros escritores?

Filippe – Eu adoro as obras do Stephen King em particular. Eu confesso que não sou muito de ler, mas encarei o livro Dança da Morte (com as suas quase 900 páginas) sem sofrimento (risos). As obras dele tem temas que me interessam bastante e criam diversos ambientes para músicas.

FM – Voltando a falar da arte da capa, ela é bem rica em detalhes e a cada vez que olhamos percebemos um detalhe diferente. Ela ficaria ainda mais bonita no formato de vinil. Chegaram a pensar na possibilidade de lançar o material neste formato?

Filippe – A arte foi feita pelo Márcio Aranha que fez um belíssimo trabalho e capturou logo de cara a nossa ideia principal. Quanto ao lançamento em vinil, acho que é o sonho de todo músico de Heavy Metal (risos), mas quem sabe para o segundo álbum.

FM – ‘Face Your Fate’ tem uma linha vocal que ‘induz’ o ouvinte a cantar junto com esquema de ‘pergunta e resposta’. Como surgiu a ideia deste arranjo?

Raphael – Sim, fizemos para que fosse um refrão marcante para o público participar, assim como a Qr Code 666 e a Beer from Hell.

FM – O resultado ficou contagiante! Imagino que ao vivo esta música deve ter uma excelente resposta do público.

Raphael – Com certeza, a galera que conhece os sons participa legal!

FM – Já que estamos falando de shows, os shows da Carraz são marcados por muita entrega da banda, muita energia e interação. Vocês acham que o palco representa melhor o que é a banda?

Filippe – Achamos que toda banda de metal deve soar melhor no palco do que no estúdio, pois é ali onde rola toda a troca de energia e onde realmente conseguimos transmitir as nossas músicas para o público. Procuramos sempre deixar nosso show energético e descontraído, transformando em um clima que a galera realmente se divirta cantando e curtindo as nossas músicas.

FM – As letras do álbum de uma forma geral criticam o modo de vida da sociedade e os caminhos que a humanidade está seguindo. Como são escolhidos os temas das letras?

Raphael – Geralmente sou eu que pego um tema, vejo alguns filmes e artigos sobre o assunto e faço a letra. Tentamos sempre retratar decadência humana e da sociedade.

FM – Apesar de não ter sido escrita agora, de certa forma a letra de “Endemic Plague” faz um paralelo com os dias de que estamos vivendo hoje. Como esta questão da pandemia afeta vocês enquanto músicos? É um assunto que vocês tem intenção de abordar no futuro?

Raphael – Ela faz esse paralelo porque a natureza humana nunca vai mudar, de uma maneira ou de outra a sociedade sempre será a mesma, cada um pensando de maneira egoísta e assim cada vez mais próximos do abismo. Com relação a pandemia, isso tem nos atrasado muito… não conseguimos ensaiar e estamos compondo de maneira bem limitada, e com certeza é um bom tema para um som rs.

FM – Em agosto deste ano foi lançado o lyric video da música ‘Endemic Plague’. A ideia foi conciliar com o lançamento do versão física?

Raphael – Exatamente, sempre pensamos em lançar um vídeo clip de alguma música do primeiro álbum, mas o tempo foi passando e meio que perdemos o ‘timing’, mas quando fizemos a versão física a ideia voltou, curtimos tanto que faremos muito mais vídeos daqui p frente!

FM – Inclusive vídeo hoje é uma das coisas que mais dá resultado para uma banda em termos de divulgação. Pensando nisso que você falou Raphael, já tem ideia pra outro vídeo?

Raphael – Com certeza! Eu sou o mais empolgado nos vídeos rs … Ainda faremos um desenho da Beer from Hell, ela foi feita sem pretensão nenhuma mas ficou excelente pra isso, apesar que agora estamos focados nas músicas do próximo álbum … pelo menos um som terá um vídeo foda!

FM – Vocês desenvolveram uma marca própria de cerveja. Como tem sido a recepção do público a este produto da banda?

Filippe – A recepção foi ótima e todos aprovaram a nossa cerveja! No dia do lançamento fizemos 20 garrafas, e no dia do show só tínhamos 3 (pois todas foram vendidas antecipadamente). É uma boa forma de expandir o catálogo de merchandising das bandas.

FM – Sem dúvidas um excelente resultado. Diante disso a banda pretende aumentar sua linha de produtos?

Filippe – Mais tipos de cervejas com certeza (risos), mas não temos no radar nenhum outro item ‘diferente’ do catálogo tradicional. Queremos fazer palhetas, mais estampas de camisetas e quem sabe alguns porta copos.

FM – Ouvi rumores que vocês já estariam trabalhando num próximo álbum. O que podem nos adiantar sobre isso?

Renan – Sim, já estamos trabalhando nas novas composições. Com a pandemia e algumas mudanças que tivemos na banda, esse processo ainda está no estágio inicial. Mas podemos dizer que virá um trabalho mais pesado. Não vamos perder a essência do Thrash, mas alguns ingredientes estão sendo adicionados.

FM – Que bom saber isso. Estamos ansiosos pra ouvir este novo trabalho! O espaço é de vocês.

Filippe – Muito obrigado ao Emerson e Fanzine Mosh pelo espaço cedido para nós e parabéns por levarem a bandeira do Metal autoral adiante, divulgando as bandas que estão na batalha, e muito obrigado a todos que nos acompanham, sejam nos shows, ou nas mídias sociais! podem esperar que o próximo álbum vai ser uma pedrada na orelha! Valeu!

*Line up:

Raphael D’Amaro – vocal

Filippe Tonini – guitarra

Marco Guerra – baixo

Renan Bianchi – bateria

*Discografia

(2018) – Carraz

(2020) – Novo álbum em produção

*Redes Sociais

Facebook – https://www.facebook.com/carraz.thrash

Instagram – https://www.instagram.com/carraz.thrash/

You Tube – Carraz Thrash

*Contato

carraz.thrash@gmail.com

Interview · News · Underground

Postado em outubro 4th, 2020 @ 10:10 | 141 views
–> –>


Notícias mais lidas
«
»