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7 Dec 2021, 9:45 pm

Mosh Interview com Silvia Pistolesi


Entrevista e tradução por Marcelo Souza

Entrevista exclusiva com a excelente baixista italiana, Silvia Pistolesi, dos grupos Hellucination e Sudden Death, concedidas pelo Instagram nesses tempos de pandemia e modernidade, que acaba sendo um upgrade para divulgação de todo seu trabalho.

Para iniciar, conte um pouco de sua carreira, bandas por quais tocou, influências e seus projetos atuais?

Em primeiro lugar, muito obrigado por este espaço! Comecei a tocar em bandas pequenas quando eu tinha 16 anos. Então,toquei em alguns locais na Itália e ao mesmo tempo tenho sempre estudado música com ótimos professores.Sempre adorei música em geral, estudei muito Jazz, Progressivo, Música Latina, Pop e Rock. Para mim a música não tem barreiras e é importante pegar tudo que gostamos e encontramos de interessante com diferentes influências para criar nosso próprio estilo.Minhas influências são incontáveis, mas posso lhe contar os principais: John Myung (Dream Theater),Martin Mendez (Opeth), Simon Grove (Plini), Pastorius, Patitucci, Randy Coven (Ark) e Geddy Lee (Rush).

Durante minha carreira tive a enorme honra e prazer de trabalhar como músico contratado para várias bandas.Fiz muitas turnês pela Europa dividindo o palco com bandas e artistas como David Ellefson(Megadeth), Butcher Babies, Kobra e The Lotus e muitos outros !!

Nesse período, venho gravando cinco novos álbuns, 5 deles serão lançados em 2022, arranjei e toquei novas músicas incríveis (todas as atualizações nas minhas redes sociais ou no meu site). Este ano eu tive o extremo prazer de tocar no videoclipe oficial de Marty Friedman, com quem colaborei junto de artistas de todo o mundo e também iniciei uma nova parceria com Darkglass Electronics (amplificadores), Evostraps, Skull Strings ( minha linha de cordas). Meus principais projetos são Hellucination (Modern Death Metal) e Sudden Death (Death Metal) e estou tocando com Ulfhednar (Black Metal), John Pino Lisi (Progressivo / Progressivo Metal) e outros projetos secretos que irei publicar no futuro !

Vendo alguns vídeos do seu perfil, temos uma variedade de estilos, desde o magnífico solo de Cliff Burton ao progressivo de Rondabout do Yes. Fale sobre essa variedade de estilos bem como o porquê da ênfase do baixo de seis cordas?

Eu realmente acredito nas influências de muitos gêneros musicais, como eu disse antes. Eu gosto de fazer diferentes “tiradas” de várias linguagens musicais e levá-las à minha própria música. Esse tipo de “liberdade” pode me ajudar a desenvolver minha própria sonoridade e estilo e aplicá-la basicamente tudo, do Metal ao Jazz.

Falando sobre meu baixo de seis cordas, acho que esse tipo de instrumento pode me dar a “liberdade” do ponto de vista técnico. Posso ser rápido porque tenho muitas notas perto de mim, posso tocar solos mas também riffs super lentos.

Sou fã fervoroso do rock progressivo italiano dos anos 70. Você como musicista estudou músicos italianos dessa época? Alguma influência?

Sou um grande fã de bandas de rock progressivo italianas como PFM, Banco Del Mutuo Soccorso, Area, Goblin e muitos outros. Eu amo suas formas de desenvolver músicas, letras e como eles criaram ambientes diferentes e têm sido fundamentais para minhas influências.

Falando de um dos seus projetos atuais (Hellucination), você entrou na banda em 2018 e participou dos álbuns “Multiverse”. Conte essa experiência, se foi sua primeira gravação etc.?

Entrei na banda em fevereiro de 2018 e fui oficialmente anunciada somente em maio de 2018 com a festa de lançamento e a turnê do Multiverse. Não participei das gravações porque foram em novembro de 2017. O baixo foi gravado por Francesco, nosso guitarrista e vocalista. Então, reorganizei as linhas de baixo que toco ao vivo. Minhas primeiras gravações foram há muitos anos para meu primeiro projeto, eu gravei algumas demos, e continua sendo uma ótima experiência! Com o passar dos anos, aprendi a me produzir e construí meu próprio estúdio onde gravo faixas e as envio para os produtores.

Sobre o que aborda as letras do Hellucination? Adoro o lado lírico da fala italiana. Por que não cantar na língua nativa?

Gostamos de falar sobre temas diversos. O Multiverse é um exemplo bom desse ponto de vista. Inspiramos em tudo que achamos interessante: livros, quotidiano, aventuras de fantasia, ciência, filmes de terror etc. Podemos trazer tudo e falar sobre isso pelo nosso ponto de vista. Escrevemos uma música em italiano, chamada “Do Ut Des”, que fala sobre nossa cidade, Roma. Queríamos dedicar uma música à nossa cidade para mostrar os seus lados bons e maus e queríamos que as pessoas soubessem disso! Lançamos também um videoclipe oficial sobre o assunto, que pode ser conferido no nosso canal no Youtube. Nós escrevemos músicas também em francês, mas basicamente escrevemos em inglês porque as pessoas podem entender melhor o que dizemos em nossa música

Como definiria o som da banda sendo rotulada como Melodic Death Metal?

É sempre difícil explicar nossa música com palavras! Não gosto de rótulos porque me sinto “restringida” a eles. Uma banda ou músico é feito de muitas influências, acho que até uma música no topo da mídia pode inspirar algo legal! De qualquer forma, posso dizer que somos uma mistura de muitos subgêneros do death metal, mas também algo do hardcore, post rock, progressive etc. Como eu disse antes, temos diferentes origens musicais que combinamos para criar nosso próprio som.

Fale sobre o EP “Ruins”, o primeiro full-lenght “Katabasis”, que ambos você não participava da banda, e como foi a sua entrada no line-up da mesma?

Ruins e Katabasis foram os primeiros trabalhos do Hellucination e esses álbuns retratam o quão bons meus companheiros de banda eram na época, eles eram muito jovens quando lançaram esses álbuns, mas mostra a maturidade deles na época! Eu realmente admiro esse trabalho e adorei a música deles desde a primeira vez que os ouvi. Entrei na banda em fevereiro de 2018, como já falei na outra pergunta, em janeiro de 2018, Andrea Scimò, o baterista da banda então me mandou uma mensagem no Facebook e depois disso fiz um teste onde ensaiei algumas músicas do Multiverse. Também arranjei as partes do baixo e gravei assim conforme informei. Desde os primeiros dias nos tornamos amigos e hoje depois de alguns anos posso dizer que eles fazem parte da minha família!

A banda Buldozer, abriu as portas do metal pesado italiano para o mundo nos anos 80. Fale um pouco do que teve de importância para a cena italiana bem como diga sobre o cenário do heavy metal italiano e das promissoras bandas, não só de Roma/Lazio como vocês são bem como de todo território?

Temos grandes bandas e músicos aqui, de Fleshgod Apocalypse a Hideous Divnity. Estou muito orgulhosa dessas bandas porque estão abrindo as portas do “death metal italiano” para o mundo.

Quais são os novos projetos da banda e o que os fãs podem esperar?

Estamos escrevendo nosso novo álbum e consequentemente trabalhando duro para criar algo novo para desenvolver nosso som e mostrar outros níveis de nossa banda. Estamos tentando agendar algumas tours para 2022 e trabalhando para recomeçar 100% após a pandemia.

Falando agora da Sudden Death, esta surgiu em 1997 e rotulada como Brutal Death Metal. Sua entrada foi recente em 2020. Fale um pouco de como surgiu a proposta de tocar com eles, do que falam as letras e pelo que entendi você ainda não gravou nada com eles, correto?

Eu me juntei ao Sudden Death como músico convidado para sua turnê europeia em 2019, então eles no decorrer da turnê, me pediram para entrar na banda como membro permanente. Entrei junto de outros dois talentosos músicos italianos: Federico Albanese (guitarrista principal) e Francesca Mancini (guitarrista rítmica). Acabamos de gravar nosso novo álbum e mal posso esperar para deixar vocês ouvi-lo! As letras falam sobre introspecções, problemas humanos, problemas sociais onde principalmente o novo material abrange esses temas.

Fale um pouco de como a cena italiana vê as musicistas no metal pesado. Existe algum preconceito?

Não estou vendo muito preconceito na cena, principalmente com os jovens. Temos muitos músicos talentosos e estamos tentando construir uma grande comunidade também para colaborar e dividir o palco junto com nossos projetos. Tenho o prazer em conhecer novas bandas e músicos e isso é incrível porque nos inspiramos compartilhando nossas ideias e fortalecendo a cena.

Mundialmente conhecida, a banda brasileira Nervosa, é composta de somente mulheres. Conhece o trabalho delas e algum dia já pensou ou formou uma banda de rock pesado feminina?

Sim, claro que conheço a Nervosa. Elas são ótimas, principalmente Prika, a guitarrista. Gosto muito da música delas e merecem todo o sucesso que estão alcançando! Se gosto do músico e quero trabalhar com esse músico, não importa o gênero. Muitos outros aspectos importam, relacionados à arte e não à aparência externa. Um músico ou um artista em geral não precisa ser definido por seu aspecto físico, mas pelo que essa pessoa está nos dizendo com sua arte. Isso é muito importante para mim! Não tem sentido trabalhar apenas com mulheres, gosto de trabalhar com todos os músicos que podem me inspirar.

Hoje em dia temos uma gama enorme de bandas surgindo e a mídia social e facilidades da internet fazem uma ligação de entretenimento relâmpago com os fãs. De que forma você analisa essa facilidade e dificuldades como desinteresse por compra de cds, por exemplo, que fica restrito da banda ganhar dinheiro com shows e muitas vezes não bancar os custos já que o cenário é underground?

Eu acho que hoje, se você pode usar a rede social de maneira certa, você pode alcançar uma grande quantidade de público, mas minha experiência com turnês e shows me ensinou que as pessoas quando te veem tocando ao vivo ficam mais interessadas e acompanham seu trabalho com mais atenção. Por exemplo, vendemos muito mais mercadorias em shows do que na loja virtual. Esses dois anos foram realmente difíceis para nós porque não ganhamos muito dinheiro. Nossa principal fonte de renda são shows e mercadorias vendidas em shows, pois viver de arte de uma forma geral é bem complexa no mundo todo.

Você tem patrocínio de alguma marca de instrumento ou equipamento? Consegue viver de música ou tem que exercer uma profissão paralela para sobreviver? Se sim, qual?

Tenho minha linha de cordas com assinatura da Skull Strings, uma marca francesa de cordas feitas à mão, elas são fantásticas (amo minhas cordas) e elas me ajudaram muito a construir meu próprio som. Este ano comecei a colaborar com a Darkglass Electronics, uma marca finlandesa de amplificadores. Foi um sonho que se tornou realidade porque sempre amei esta marca! Sou artista da Evostraps, marca brasileira de alças, elas são tão lindas e perfeitas para mim, muito confortáveis A música não faz apenas parte da minha vida, é a parte essencial da minha existência. Eu não poderia imaginar minha vida sem ela e estou trabalhando duro para torná-la um emprego de tempo integral. Como você pode imaginar, esses dois anos foram realmente difíceis para a indústria da música e da arte, mas estou tentando tornar isso possível. Eu sou músico de algumas bandas e projetos e comecei a dar aulas de música, então com o tempo será meu trabalho em período integral!

Tem algum sonho, tipo: tocar no “70 tons of metal” ou algum grande festival?

Falando em Festivais, meu sonho é tocar no Waken na Alemanha. É o maior festival do mundo e pode ser um sonho tocar no palco principal.
Se alguma das bandas deslanchar, seria prioridade dela apenas ou iria se desdobrar para participar de ambas?

É uma pergunta difícil! Meu coração pertence a ambos os projetos e eles são como uma família para mim. Vou tentar o meu melhor para estar sempre lá para eles, sou workaholic, vivo para a música, dediquei toda a minha vida a isso e por isso tenho a certeza de que estarei sempre lá para ambos!

Para finalizar, quais projetos da Sudden Death para 2021 ou após isso e se um dia pretendem vir tocar no Brasil?

Terminamos de gravar nosso novo álbum, agora. Então, após a mixagem e masterização, iremos gravar os novos singles, videoclipes e estamos organizando novas turnês para 2022. Adoraríamos tocar no Brasil, que é um incrível país musical o mais breve possível e loucos para tornar isso concreto. Como você sabe, com a pandemia agora é impossível, então tentaremos nos próximos anos! MOSH PRODUÇÕES!

 
 
 
Interview · News · Underground

Postado em agosto 23rd, 2021 @ 20:20 | 367 views
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