23 Jul 2017, 2:52 am

Entrevista: Tuatha de Danann


Tuatha de Danann retorna ainda maior

No Brasil, quando se fala em Thrash Metal, é natural vir a mente o nome do Sepultura. quando se fala em Metal Melódico, a mesma coisa com o Angra. Se o papo é Death Metal, Krisiun na cabeça. Claro que há outros nomes de igual relevância dentro desses estilos, mas há nomes que surgem instantaneamente quando um determinado estilo é citado. E se formos falar sobre Folk Metal em nosso país, temos mais uma unanimidade: Tuatha de Danann. A sensacional banda mineira vem fazendo este tipo de som antes mesmo de qualquer moda, apostando na incursão de sonoridades pouco comuns no som pesado e instrumentos como flautas e mandolins. Após um pequeno hiato, a banda voltou a ativa, e está escalada para o Epic Metal Fest, evento colossal que vai rolar em São Paulo dia 15 de Outubro, no Audio Club. O festival é encabeçado pela ascendente banda holandesa Epica; também participarão Paradise Lost, Xandria, Finntroll, The Ocean e os conterrâneos do Project46. Confira nosso papo feito por email com Bruno Maia.

Entrevista por Clovis Roman

Vamos começar com uma pergunta bem clichê, mas ainda sim bastante válida: Tuatha de Danann, de onde surgiu este nome?
Esse nome vem da mitologia celta, dos celtas irlandeses. Desde muito jovem eu me interessei muito pela cultura celta: suas lendas, mitos, história e música. A banda se chamava Dark Subconscious, depois virou Pendragon, daí quando descobrimos que já existia uma banda chamada Pendragon escolhi o nome Tuatha pois carrega uma uma magia poderosa, o Povo da Deusa Dana, uma raça de seres mágicos que segundo a tradição irlandesa trouxe a magia, a sabedoria e a luz para o mundo.

Com a saída do Bruno, a banda ficou sem lançar nada e deu uma para um tempo depois. Nos idos de 2013, vocês voltaram a ativa com tudo. Houve algum fator determinante para esta volta?
Quando houve a parada a banda meio que se dividiu: eu, o Edgard e o Abreu montamos o Kernunna (que além de nós, tinha o Khadhu Capanema do Cartoon e o Alex Navar, que era do Braia e hoje está no Tuatha), enquanto o Berne e o Giovani fizeram o Tray of Gift (que tinha antigos membros do Tuatha, o Wilson Melkor e Felipe Bertola). Os fatores que determinaram essa volta foi o carinho que o público tinha e ainda tem conosco (isso sempre nos sensibilizou) e a vontade de tocar junto de novo. Acho que o tempo fez a gente ver o quanto nossa união era importante pra gente…

Com a banda definitivamente de volta a ativa, saiu ano passado Dawn of a New Sun. Do material presente no disco, havia alguma coisa que havia sobrado do passado ou são todas composições feitas especialmente para ele?
A única música que já havia desde 2005 era a “Dawn of a New Sun”. Essa música eu fiz quando descobri que seria pai e fiz essa música que relatava essa ansiedade, o amor e tudo mais. O resto foi feito pro disco mesmo. Como rolaram as duas bandas durante a parada do Tuatha, a gente pôde gastar nossa criatividade nesses discos. Daí no Dawn veio só ideia nova.

Em julho foi lançado o EP Tuatha de Danann, com músicas antigas e regravações. Nos conte mais sobre este trabalho.
O nosso primeiro trabalho em cd foi o Tuatha de Danann, de 1999. Era um cd que tinha as demo tape “Faeryage” de 1998 e mais 4 músicas que gravamos em 1999. Ele foi muito mal executado e mal gravado e além disso ele estava fora de catálogo há mais de um ano, pois quando a banda parou o selo que detinha os direitos à época não prensou mais. Como muita gente nos perguntava desse disco, uma galera nova na verdade que virou fã da banda, a gente decidiu regravar grande parte daquele material e lançar junto com os fonogramas originais, daí a pessoa tem o material de 98/99 e o remake de 2016. Ficou bem loko! Pedimos até nosso ilustrador pra redesenhar a capa a sua maneira.

Há já planos concretos para mais um álbum de estúdio para o ano que vem?
Estamos deixando rolar. Já estamos com ideias novas, alguns temas e com certeza lançaremos algo em 2017. Não sei ainda se será um álbum inteiro ou se vamos lançando singles espaçadamente.

Além do show no Epic Metal Fest, como está a agenda de vocês?
Pra este fim de ano está bem legal, vai rolar bastante coisa, será um fim de ano agitado.

Falando sobre o Epic Metal Fest, como estão os preparativos para o evento? Qual sua opinião para um evento dessa magnitude? O legal do fest é o fato de ser organizado por uma banda, não apenas por empresários…
Nesse caso é uma banda empresária né? Mas é bem legal essa ideia, pois parece que eles acompanham todas as etapas da produção, desde a curadoria até o pós evento.

Vocês tem 45 minutos de palco de acordo com o cronograma oficial. Como vocês escolherão as músicas para preencher este tempo? Vocês darão preferência a mais composições recentes ou também darão espaço aos “hits” do passado?
Estamos pensando e discutindo já esse set. Acho que a única saída é criar uns medleys que contemplem alguns de nossos temas mais famosos e certeiros, e escolher umas músicas mais chutadoras.

Recentemente foi anunciada uma nova edição do Brasil Metal Union, após 10 anos sem ser realizado. Este foi um festival importantíssimo para o Metal nacional naquela época. O que vocês acham da volta do festival? Acham que o momento atual é propício para um evento desses?
O BMU foi uma realização muito importante àquela época, era muito mais que um evento, que um festival, o BMU sozinho era um movimento. Pra gente foi muito importante ter participado em todas as edições do BMU (na verdade nós não tocamos em uma edição, mas mesmo assim segundo a organização fomos a banda mais votada daquele ano também, nós não tocamos pois estávamos fora).

Para relembrar um pouco os primórdios da banda: Vocês tocaram com o Blind Guardian nos anos 90. como conseguiram agendar este show? E a recepção da plateia, como foi? Chegaram a manter algum contato com os alemães?
Aquele show foi um marco pra gente: foi o dia em que lançamos a demo Faeryage (o que trazia uma grande novidade à cena metal brasileira, o folk metal com flautas, violinos etc que não existia por aqui) e foi nossa primeira vez em SP também. Gostávamos muito do Blind Guardian e outra banda que abriu foi o Symbols. Foi um grande show, a plateia delirou, vendemos muitas cópias da demo tape e ainda assistimos ao show do Blind Guardian de cima do palco. Infelizmente não mantivemos contato com os caras.

Vocês estão acompanhando bandas do chamado Folk Metal nacionais? Há originalidade nessa “cena” no Brasil?
Sempre ouvimos material que chega até nós.Tem muita banda legal aparecendo, muitos festivais em torno do folk metal o que é super legal e esse pessoal mais novo é super gente boa também. Inclusive vai rolar em Belo Horizonte, dia 19 de novembro o 1º BH CELTIC METAL dia 19 de novembro, só com bandas folk.

Qual banda ou artista vocês acham que gravaria uma cover bacana do Tuatha de Danann?
Vixe, essa é difícil responder, mas tem uma banda da Suécia chamada Ritual que acho que fariam algo bem louco se quisessem.

EPIC METAL FEST
Bandas: Epica, Paradise Lost, Tuatha de Danann, Finntroll, The Ocean, Xandria e Project 46
Local: Audio Club
Data: 15 de Outubro de 2016
Ingressos: https://www.ticket360.com.br/evento/5726/epic-metal-fest

Interview · News

Postado em setembro 27th, 2016 @ 14:22 | 841 views
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