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18 May 2024, 2:01 am

Mosh Classic: Iron Maiden – Fear of the Dark (32 anos) – Despedida de Martin Birch


Por Emerson Mello

No mundo do business do Rock’n’Roll com tudo rolando tão rápido, o Iron Maiden ainda não tinha percebido o tamanho da perda da saída de Adriana Smith, que pediu as contas após a turnê do Seventh Son. O álbum No Player for the Dying, primeiro a contar com Janick Gers na segunda guitarra, teve uma recepção morna e deixou espaço pra dúvidas na cabeça dos fãs. Sendo assim a banda se sentiu pressionada a fazer um álbum mais ‘convincente’ e recuperar o prestígio da audiência. Nono álbum da Donzela, Fear of the Dark foi o primeiro álbum da banda na década de 1990, década em que tivemos uma mudança significativa no cenário do Rock mundial, ancorado principalmente pelo fenômeno da MTV, que estava crescendo sua influência mundialmente e com isso trazendo com força novos caminhos pro Rock e Metal como o grunge, que foi uma explosão mundial e bandas tipo Faith No More que apostavam no ecletismo de misturar Metal com outros elementos, elevando isso a enésima potência. Tendo isto em vista, Fear of the Dark conseguiu passar bem pelo teste, tendo os fiéis fãs do Iron Maiden como base onde a banda teve sucessos nas paradas mundiais e atingindo ouro e platina em diversos países.

A primeira mudança significava foi a saída de Derek Riggs que pela primeira vez desde o álbum de estreia não desenhou o Eddie. Na verdade ele ofereceu mais de 20 ideias para o tema da capa e todas foram rejeitadas por Steve Harris e o empresário Rod Smallwood, o que gerou uma frustração em Riggs, que ligou pra Smallwood e falou pra ele ‘arrumar outra pessoa’ pra desenhar a capa e que iria ficar sem trabalhar pra banda por um tempo. Melvyn Grant, o artista chamado pra substituir Derek Riggs, fez um excelente trabalho e a banda quis trazer um Eddie ‘mais assustador’ visto que ele estava ficando ‘muito familiar’. A capa também completa o tema da música título e o álbum explora várias músicas em cima da temática ‘medo’.

Outra mudança é que pela primeira Steve Harris meteu a mão na produção, que antes ficava 100% nas mãos de Martin Birch. Harris e Birch fizeram está produção em parceira, e acabou sendo o último trabalho de Birch, que depois disso se aposentou. A banda estava com muitas ideias pro álbum e ele acabou sendo um LP duplo e desta vez Janick Gers participou mais ativamente do processo de composição sendo co-autor de cinco temas dos doze do álbum. Na parte das letras, a banda começou a se valer de temas mais atuais como a Guerra do Golfo(Afraid to Shoot Strangers), violência nos estádios(Weekend Warrior) e Aids (Fear of the Key). A letra foi escrita logo após a banda saber da morte de Fred Mercury, vocalista do Queen.

Em Fear of the Dark a banda voltou ao topo das paradas e fez uma turnê de sucesso.

Abrindo com a rápida e direta Be Quick or Be Dead, a banda entra com tudo, Bruce cantando de forma agressiva e abusando do ‘drive’, Gers e Murray, esmerilhando nos solos.Recado entregue mostrando que a banda está no jogo, alguns fizeram comparação chamando-a de ‘Aces High dos anos 90”. Não chegaria a tanto, mas uma sim uma excelente música, que merecia continuar no repertório da banda. Na sequência a banda vai pra um Rock Clássico, com um riff a la AC/DC com um refrão forte. Afraid to Shoot Strangers é um tema muito bem elaborado, com leves toques de progressivo. Acredito que foi daí que Steve Harris se baseou para muitas outras composições que vieram depois disso, seguindo esta estrutura musical. A letra vai narrando a percepção de um soldado na guerra e a música vai evoluindo junto com a letra até culminar no tema principal que leva ao refrão. Versos como “But how can we let them go on this way?/The reign of terror corruption must end” mostram uma forte crítica ao tema da guerra, aliado a corrupção e outras mazelas. Fear is the Key vem com um riff arabesco, de certo modo me lembrou a cadência da Perfect Stranger do Deep Purple. A banda estava em estúdio na pré produção quando recebeu a notícia da morte de Freddie Mercury e isso inspirou a letra da música, que tem versos duros como “I remember a time when we used and abused/And we fought all our battles in vain” e “The kids have lost their freedom/And nobody cares ‘til somebody famous dies”. Childhood’s End começa com um tema de guitarra inspirado e Nicko McBrain faz uma batida meio tribal que acompanha o refrão, sendo mais uma letra que explora a temática do medo. A Wasting Love na verdade seria utilizada no Tattooed Millionaire, álbum solo de Bruce Dickinson, e acabou parando no álbum da Donzela. A balada acabou se tornando um hit e como disse Steve Harris ‘uma balada britânica é bem diferente de uma balada americana’.

No final da turnê Bruce Dickinson anunciou sua saída da banda – um momento dramático pra todos os fãs da Donzela.

The Fugitive começa com um riff mais ‘arrastado’ com uma introdução mais longa com a tema desenvolvendo o tema, onde Bruce começa cantando em cima de uma base dedilhada com uma cama de teclado, explorando um tipo de arranjo diferente do que já haviam feito. Refrão forte e melódico fica na cabeça, enquanto Gers e Murray capricham nos solos. Chains of Misery uma das minhas preferidas do álbum, com riff marcante e um refrão muito forte com coro e que gruda de primeiro na cabeça. Numa das raras aparições de Murray como compositor ele faz dobradinha com Bruce Dickinson. Aliás a dupla brilha na música, Murray faz um solo maravilhoso e Bruce solta a voz com vontade. Outra dobradinha boa da dupla Dickinson-Murray é Judas Be My Guide outro tema marcante com um refrão melódico e outro solo maravilhoso de Murray.

Fechando o álbum Fear of the Dark, que virou hit instantâneo, única música deste álbum que sobreviveu no repertório da banda e é executada até hoje. A música tem variações seções rítmicas e dobras de guitarras marcantes que levam o público a cantar junto, causando um efeito muito legal ao vivo, sem dúvida uma grande música.

Iron Maiden em 1992: Dave Murray, Bruce Dickinson, Janick Gers, Steve Harris & Nicko McBrain.

Fear of the Dark é um álbum que divide opiniões, mas eu gosto dele, apesar de achar que poderia ser um pouco mais enxuto, menos umas duas ou três músicas ficaria perfeito, mas de qualquer forma a banda entregou um bom álbum e recuperou seu prestígio junto aos fãs. A turnê do álbum trouxe a banda pela segunda vez ao Brasil, primeira vez após o show do Rock in Rio e cobriu várias cidades brasileiras, pegando o público mais jovens que ainda não havia visto a banda. Alguns meses depois Bruce Dickinson anunciou sua saída da banda pra se dedicar a carreira solo e acabou abrindo um capítulo dramático na história da banda, história para outro Classic Album.

*Ficha Técnica

Banda – Iron Maiden

Álbum – Fear of the Dark

Lançamento – 11/05/1992

*Line up

Bruce Dickinson – vocais

Dave Murray & Janick Gers – guitarras

Steve Harris – baixo

Nicko McBrain – bateria

*Músicas

01 – Be Quick or Be Dead 3:21

02 – From Here to Eternity 3:35

03 – Afraid to Shoot Strangers 6:52

04 – Fear Is the Key 5:30

05 – Childhood’s End 4:37

06 – Wasting Love 5:46

07 – The Fugitive 4:52

08 – Chains of Misery 3:33

09 – The Apparition 3:53

10 – Judas Be My Guide 3:06

11 – Weekend Warrior 5:37

12 – Fear of the Dark 7:16

Duração total: 57:58

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Postado em maio 11th, 2024 @ 09:37 | 73 views
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