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24 Jun 2024, 7:49 am

Mosh Classic: The Police – Synchronicity (40 anos)


Por Emerson Mello

Pode-se dizer sem medo de errar que Synchronicity foi o auge do The Police, tanto musicalmente como comercialmente. Do início com um som mais direto e urgente a banda foi se moldando e refinando cada vez mais sua sonoridade até atingir o ápice neste álbum, que praticamente estourou todas as músicas e emplacou um dos maiores hits do Rock de todos os tempos, a bela balada Every Breath You Take. Logo após o seu lançamento, o álbum foi direto para o 1° lugar da Billboard 200 desbancando Thirller de Michael Jackson, que estava por 37 semanas no topo das paradas, sem dúvidas um feito e tanto. O álbum alcançou o primeiro lugar também nas paradas inglesas e foi considerado o ‘álbum do ano’ pela Grammy Awards.

O livro Roots of Coincidence foi inspiração para Sting desenvolver o tema principal do álbum.

Sincronicidade foi um conceito desenvolvido pelo suíço Carl Jung para definir acontecimentos que se relacionam não por casualidade e sim por relação de significado. Realmente um tema bem interessante que daria até mesmo pra fazer um álbum inteiro abordando esta temática. A inspiração de Sting pra desenvolver o tema veio do livro The Roots of Coincidence de Arthur Koesler, sendo Sting um leitor voraz e compositor idem, compondo sozinho 8 dos 11 temas do álbum e sendo co-parceiro de Summers em Murder by Numbers. Mother é uma composição de Andy Summers, onde ele também canta e Miss Gradenko é composta por Copeland.

As gravações aconteceram no AIR Studios em Quebec, com a banda dividindo a produção com Hugh Padgham. Sting declarou que queria ir numa direção diferente do álbum Ghost in the Machine, o álbum anterior e no Synchronicity fica nítido a redução das influências de reggae e um maior uso dos sintetizadores. As bases foram gravadas com os membros tocando simultaneamente, mas em salas separadas, segundo o produtor Padgham pra obter o melhor som de cada instrumento mas sem perder a espontaneidade da performance capturando um sentimento de ‘ao vivo’. Sting completa dizendo que este processo fez com que ele pudesse se concentrar em sua performance no baixo, já que segundo ele, tocando na mesma sala se ouve praticamente só o som da bateria e ainda soma com o som da guitarra que precisa de volume. Como de praxe, os takes de voz são feitos separadamente, após toda a parte instrumental estar pronta.

A banda se caracterizou por performances energéticas.

O álbum abre com Synchronicity I com o sintetizador guiando o tema seguido pela bateria vigorosa de Copeland, enquanto a guitarra de Summers aparece mais discretamente. Sting conduz a melodia na voz fazendo um contraponto onde gera um jogo de voz, como pergunta e resposta. “A connecting principle/Linked to the invisible/Almost imperceptible/Something inexpressible”. A esta altura os fãs já perceberam que algo diferente estava vindo neste álbum. Walking on Your Footsteps traz um pouco da influência dos álbuns anteriores, Copeland trabalha em cima de elementos percussivos e Summers brinca com a guitarra fazendo efeitos e sonoridades aleatórias. Oh My God na sequência traz a banda no seu formato mais ‘clássico’: bateria-guitarra-baixo. Guiado por uma linha de baixo envolvente, Summers mostra sua velha classe fazendo uma cama de acordes dissonantes. O refrão traz a voz rouca de Sting numa interpretação quase gritada “Take the space between us/And fill it up some way”. Mother segue por um caminho mais experimental com o vocal de Summers indo por uma linha mais declamada do que cantada. A letra fala da busca inconsciente de buscar a figura dos pais no relacionamento amoroso, no caso aqui a busca pela figura da mãe: “Every girl I go out with/Becomes my mother in the end”. Miss Gradenko, composição de Copeland, traz algumas referências mais jazzistiscas e de fusion e assim termina o primeiro lado do álbum.

O guitarrista Andy Summers famoso pelas belas texturas e acordes dissonantes – Foto André Smirnoff

Synchronicity II abre o segundo lado trazendo a guitarra de Summers mais a frente ditando o tema e fazendo contraponto à voz de Sting, que por sua vez vem com uma letra mais ácida e crítica: “Another industrial ugly morning/The factory belches filth into the sky”. Sem dúvidas uma das minhas preferidas do álbum. Deixando o clima mais leve na sequência temos o mega hit Every Breath You Take, música regravada por diversos artistas, temos o riff clássico de Summers e Sting prova que é possível falar de amor sem soar brega ou ser apelativo. King of Pain é outro ponto alto do disco, tornando-se também um grande sucesso da banda. Harmonicamente muito bem estruturada e com uma melodia vocal cativante a letra traz mais reflexões de Sting “There’s a little black spot on the sun today/It’s the same old thing as yesterday” e termina a música afirmando “I’ll always be king of pain”. Wrapped Around Your Finger é outro grande momento do álbum, com uma bela interpretação vocal de Sting.  A letra, enigmática, nos embala pelo vocal de Sting em versos como “Then you will find your servant is your master” ou “Mephistopheles is not your name/But I know what you’re up to just the same”. Tea in the Sahara vem de forma mais suave, explorando as texturas da guitarra de Summers, Copeland tocando com elegância dando suporte ao vocal de Sting. Fechando o álbum temos Murder by Numbers que começa com a bateria de Copeland marcando o ritmo e Sting cantando por cima sem nenhum acompanhamento até gradativamente os instrumentos irem entrando, numa harmonia mais jazzística, trazendo novamente o formato mais básico da banda em power trio.

Assim a banda conclui este álbum que acabou sendo o mais reconhecido da banda e paradoxalmente em meio a todo este sucesso o clima interno não era o mesmo e após este disco a banda se dissolveu e cada um foi cuidar dos seus projetos, tendo Sting consolidado uma carreira solo de sucesso. Em 1986 com o lançamento do Greatest Hits eles se reuniram para regravar alguns clássicos. A ideia original era regravar mais músicas, porém as diferenças ainda eram gritantes e eles acabaram fazendo somente uma música, Don’t So Close to Me. O resultado foi tão bom, que deixou no ar o que poderia ter vindo caso a banda decidisse retornar de fato.

Após atingir seu ápice criativo a banda se dissolveu.

*Ficha técnica

Banda – The Police

Álbum – Synchronicity

Lançamento – 17/06/1983

*Line-up:

Sting – vocais/baixo/teclados

Andy Summers – guitarra/sintetizadores/backing vocais

Stewart Copeland – Bateria/backing vocais

*Músicas

01 – Synchronicity I 3:26

02 – Walking In Your Footsteps 3:36

03 – O My God 4:02

04 – Mother 3:05

05 – Miss Gradenko 2:00

06 – Synchronicity II 5:02

07 – Every Breath You Take 4:14

08 – King Of Pain 4:58

09 – Wrapped Around Your Finger 5:16

10 – Tea In The Sahara 4:11

11 – Murder By Numbers 4:34

Total 44’32”

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Postado em junho 17th, 2023 @ 10:04 | 703 views
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