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24 Jun 2024, 7:49 am

Mosh Classic: Deep Purple – The Battle Rages On (30 anos)


Por Emerson Mello

Vindo do equivocado álbum Slaves and Masters com o vocalista Joe Lynn Turner, considerado pela maioria dos fãs como o pior álbum da história da banda, a coisa não andava bem. A turnê também não foi das melhores, então a banda precisava provar aos fãs que ainda tinha relevância no mercado musical e a solução foi chamar Gillan de volta e lançar algo novo. E a resposta veio na grata surpresa do excelente The Battle Rages On, que trouxe de volta um certo frescor, mostrando a banda em boa forma, tanta na execução como na composição dos temas. Com a volta de Gillan, esta seria a segunda reunião da chamada MKII. Gillan voltou em agosto de 1992, porém sem total aprovação de Blackmore, o que acabou levando a sua saída precoce (como veremos mais adiante), porém o frenesi causado nos fãs pelo retorno do vocalista gerou uma intensa movimentação em torno do nome da banda, e isto foi um grande apelo da turnê que também era uma espécie de comemoração dos 25 anos da banda.

O The Battle Rages On marcou a segunda reunião da formação MKII.

O material em grande parte eram ideias que já vinham sendo trabalhadas para um segundo álbum com Lynn Turner, então Gillan, ajudado por Roger Glover, retrabalhou nestas ideias dando mais a cara dele e trazendo para a identidade característica do Deep Purple. Como curiosidade vale a pena conferir o bootleg The Battle Of Slaves And Masters (1990-1993 Studio Rehearsals) disponível no You Tube, onde é bem interessante ver a evolução das demos para o resultado final. Com produção conjunta de Thom Panunzio e Roger Glover as gravações aconteceram no Bearsville Studios em Nova Iorque e foi mixado por Roger Glover e Pat Regan no Sound on Sound Recording também em Nova Iorque, e por sinal o álbum foi muito bem gravado e mixado trazendo à banda pra uma sonoridade atual sem perder suas características clássicas.

Falando do álbum em si, ele inicia muito bem com a faixa título, com um clima meio épico e de mistério – Jon Lord faz uma cama de cordas enquanto Blackmore entra com um riff marcante acompanhado pela bateria marcada de Paice. Por sua vez Gillan utiliza o recurso da voz dobrada, o que reforça ainda mais a melodia vocal e o refrão tem contornos dramáticos “Annihilation kill them all/Capitulation watch the mighty fall/The road to glory is lined in red/And though the reason now is gone”. No solo Blackmore vem com tudo mostrando que está a fim de jogo, sendo sem dúvidas uma das melhores músicas feitas pela banda. Lick It Up na sequência já vem com um clima mais despojado conduzida por um riff cadenciado de Blackmore, linhas de baixo marcantes de Glover. A letra traz as velhas brincadeiras e jogo de palavras de Gillan “Here come the salvation in the shape of my guitar/And I’m gonna ride it like a shooting star”. Anya sem dúvidas uma das mais belas composições feita pela banda, considero a melhor faixa do álbum. Blackmore começa num clima flamenco dedilhando seu violão e Jon Lord completa com um belo arranjo de cravo pra depois a música crescer e culminar num riff cuja a melodia fica impossível de não cantar junto e trazendo mais um solo matador de Blackmore. Gillan escreveu de forma metafórica sobre o povo da Hungria e como viviam nos tempos da cortina de ferro e de como sobreviveram e resistiram a estes tempos difíceis, então a ‘Anya’ representaria tudo isso e em versos como “Gypsy Heart”, “Rhapsody Of Angels” e “Puszta Plain” fica bem claro as referências.

MKII é considerada pelos fãs como a melhor formação do Deep Purple.

Talk About Love deixa o clima mais leve novamente, soando mais despretensiosa deixando a banda livre pra brincar um pouco. Ramshackle Man traz um Blues pesado mostrando que a banda sempre se sai bem neste estilo. Momento de Jon Lord brilhar no solo de Hammond, e Blackmore também não deixa por menos e debulha sua velha Strato. A Twist in the Tail caberia perfeitamente no álbum Perfect Strangers, trazendo o mesmo clima daquela época. Nasty Pìece of Work traz um riff pesado dobrado entre a guitarra e o órgão, Gillan teve uma ótima interpretação dobrando novamente os vocais e o mestre Lord nos brinda com outro solo maravilhoso. Solitaire é um dos pontos altos do álbum com uma letra meio introspectiva e enigmática com versos tipo ‘dançando com estranhos e brigando com amigos’ ou ‘é apenas questão de tempo entre o amor e o desespero’.  One Man’s Meat fecha o álbum com o astral lá em cima, e curiosamente Joe Lynn Turner utilizou este mesmo riff na música Stroke of Midnight do seu álbum Second Hand Life. Provavelmente esta começou a ser composta quando ele ainda estava na banda.

Joe Satriani substituiu Ritchie Blackmore às pressas para a banda seguir com a turnê.

Com o álbum lançado a banda faz o primeiro show no dia 24 de setembro em Roma, a turnê teve o apropriado nome de Come Hell Or High Water (venha inferno ou inundação) e virou DVD e CD oficial. Lá fica claro o racha pela qual a banda passava e como o ambiente estava tumultuado. Blackmore constantemente saia do palco e tem alguns momentos de explosão, e na música de abertura Highway Star só aparece no solo. Nos bônus do DVD tem os depoimentos de todos os membros comentando sobre isso. O fato é que Blackmore não ficou satisfeito com a demissão de Joe Lynn Turner e aceitou o retorno de Gillan a contragosto por pressão dos demais membros que não gostaram do resultado da banda com Lynn Turner. Ele chegou a declarar que o álbum deveria se chamar ‘The cattle grazes on’ (algo como ‘o gado pastando’) fazendo um trocadilho pesado com o nome do álbum. Então em 17 de novembro no Japão ele faz o último show com a banda, marcando o fim da era MKII. Joe Satriani é convidado as pressas para terminar a turnê, mas não fica com a banda. Muito registros desta turnê com Satriani são facilmente encontrados no You Tube, e a química dele com a banda funcionou muito bem, inclusive nos duetos com Jon Lord. Dando asas a imaginação seria muito interessante ver algo de estúdio com esta formação, e este ‘álbum’ fica num universo paralelo talvez, e no imaginário de cada fã. A história seguiu seu curso, o Deep Purple seguiu com Steve Morse, Blackmore reformulou o Rainbow, mas nada disso tira o brilho deste The Battle Rages On, lembrado com carinho por muitos fãs e que tem um bom lugar guardado na discografia da banda.

*Ficha técnica

Banda – Deep Purple

Álbum – The Battles Rages On

Data Lançamento – 19/07/1983

*Line-up

Ian Gillan – vocais

Ritchie Blackmore – guitarra

Jon Lord – Hammond/teclados

Roger Glover – baixo

Ian Paice – Bateria

*Musicas

01 – The Battle Rages On – 5:57

02 – Lick It Up – 4:00

03 – Anya – 6:32

04 – Talk About Love – 4:08

05 – Time to Kill – 5:51

06 – Ramshackle Man – 5:34

07 – A Twist in the Tale – 4:17

08 – Nasty Piece of Work – 4:37

09 – Solitaire – 4:42

10 – One Man’s Meat – 4:39

Tempo Total – 49’25”

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Postado em julho 19th, 2023 @ 07:45 | 816 views
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