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23 Apr 2024, 7:30 pm

Mosh Classic: Rush (50 Anos) – A virada de jogo numa rádio em Cleveland


Emerson Mello

Certamente a formação deste álbum surpreenderia um fã novato de Rush, ao constatar a ausência do mestre Neil Peart. É fato que ele deu uma guinada de 180º na carreira da banda e levou o Rush a ser o que é hoje, mesmo após a sua morte a reverência em torno do nome dele ainda continua. Nesta fase embrionária, John Rutsey representava um papel importante na banda, sendo que ao vivo era ele quem se dirigia à plateia em alguns momentos, sem contar que foi o irmão dele que sugeriu o nome Rush –  palavra que significa ‘pressa’ ‘urgência’, um nome ideal pra uma banda de Rock canadense que queria conquistar o mundo.

Nesta época a banda seguia por outros caminhos musicais e ainda procurava sua identidade musical. O som era bem mais cru e visceral e calcado no som pesado britânico de bandas como Cream, Led Zeppelin e Bad Company – bandas preferidas do baterista John Rutsey. O som era mais pesado, focado nos riffs de guitarra e as músicas tinham solos mais longos, o que dava a oportunidade para Alex Lifeson brilhar. O baixo nervoso de Geddy Lee já marca presença com um som agressivo e frases insinuantes preenchendo todos os espaços e John Rutsey acompanha tudo de forma competente. Os vocais de Geddy Lee eram um capítulo à parte, com um timbre único alcançando agudos inimagináveis. A capa minimalista com o nome Rush em destaque e o fundo com algo como uma chuva de meteoritos funcionou muito bem e acabou se tornando uma das mais famosas da banda, feita pelo artista gráfico Paul Weldon.

Alex Lifeson & Geddy Lee escrevem todas as músicas do álbum.

As gravações começaram no Eastern Sound em Toronto, escolhido por ser o mais barato, mas a banda não estava satisfeita com o som então se mudaram para o Toronto Sound Studios. Lifeson declarou que a maioria das músicas foi gravada no máximo em 3 takes, o que dá esta impressão de frescor e ‘ao vivo’ que ouvimos no álbum, uma execução mais espontânea. Aqui já se inicia a parceria vitoriosa entre a banda e o produtor Terry Brown, que produziu os maiores clássicos da banda. Falando sobre as composições, foram todas compostas por Geddy Lee e Lifeson – com exceção de In the Mood composição solo de Geddy Lee e temos Finding My Way abrindo o álbum com o riff de guitarra entrando sozinho com o volume aumentando gradativamente até a banda entrar com Geddy Lee aos berros (Yeah, oh yeah ) já dando o recado do que está por vir. Com bastante espaço pra solar, Lifeson mostra seu talento nas seis cordas com um timbre espetacular. Need Some Love mantém o ritmo com mais um excelente solo de guitarra e no refrão Geddy Lee mostra que pode cantar e fazer frases difíceis no baixo ao mesmo tempo. Take a Friend vem mais cadenciada com um refrão mais melódico utilizando o recurso de vozes dobradas “Take yourself a friend/Keep ‘em till the end/Whether woman or man/It makes you feel so good”. Here Again vem fechando o antigo lado A, sendo uma espécie de Hard Blues, com uma bela interpretação vocal de Geddy Lee e um solo memorável de Lifeson, sendo um dos pontos altos do álbum. Uma pena que a música ficou restrita somente ao repertório do início de carreira da banda.

No detalhe da foto o Rush(já com Neil Peart) com a DJ Donna Halper – a primeira a tocar Rush em uma rádio.

Virou o lado e já entramos bem com What You’re Doing, uma das minhas preferidas: riffs pegajosos que você canta a melodia junto e mais um grande solo de Lifeson.  Rutsey também fez um bom trabalho na bateria. In the Mood deixa o clima mais leve e descontraído “Hey baby, the hour is late/ feel I’ve got to move/So good”. Before and After talvez seja o mais próximo que eles chegaram de progressivo neste primeiro álbum, com uma sequência que começa com um dedilhado lento e vai crescendo e progredindo até culminar na segunda parte mais pesada. Fechando com chave de ouro o clássico Working Man, pra mim um dos riffs mais pesados do Rock, música eu sempre esteve presente ao longo dos anos no

repertório da banda.

Comercialmente falando o álbum não aconteceu de cara, e muito menos no Canadá. A banda não tinha gravadora, então resolveram apostar e criaram a Moon Records fazendo uma prensagem de mil cópias e a coisa só aconteceu após a DJ Donna Halper da rádio Cleveland Rock WMM tocar Working Man.  Segundo ela a identificação da cidade com a música foi imediata, pois lá era uma cidade operária o que tem tudo a ver com a letra: “I get up at seven, yeah/And I go to work at nine/I got no time for livin’/Yes, I’m workin’ all the time”. Foi uma chuva de telefonemas perguntando sobre o novo álbum do Led Zeppelin e ela dizendo “Não é Led Zeppelin, é Rush, banda canadense”. À partir daí as coisas aconteceram e a procura pelo disco aumentou o que levou à banda a fechar contrato com a Mercury Records de Chicago através de Cliff Burnstein, que mais tarde se tornou famoso por ser manager do Metallica. Um disco muito importante cronologicamente falando, pois foi o pontapé inicial de tudo e que deu oportunidade da banda se tornar conhecida e seguir em frente e se tornar o Rush admirado e amado por todos.

O irmão de John Rutsey deu sugestão do nome Rush.

*Line-up:

Geddy Lee – vocais/baixo

Alex Lifeson – guitarra/backing vocais

John Rutsey – bateria/backing vocais

*Tracklist:

01 – Finding My Way  5:03

02 – Need Some Love 2:16

03 – Take a Friend      4:27

04 – Here Again          7:30

05 – What You’re Doing 4:19

06 – In the Mood        3:36

07 – Before and After 5:33

08 – Working Man      7:07

*Total – 39’51”

News · Reviews

Postado em março 18th, 2024 @ 07:36 | 157 views
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