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22 Jul 2024, 8:59 pm

US FESTIVAL ’83 – Domingo 29 de Maio – O dia do Heavy Metal!


Por Marcelo Pereira de Souza

Passados 40 anos desse mega festival (abreviação de “United Us In Song”), daremos a relativa importância com ricos detalhes do que na minha opinião foi o “start” despertado na mente do Roberto Medina para que tivesse a ousadia e loucura de tentar fazer um mega evento no Brasil, como foi o Rock in Rio de 1985. Os americanos passaram por diversas experiências negativas de lucros em grandes festivais, principalmente na época de verão, iniciando como modelo o Monterey Festival de 1967 (Califórnia), seguido de Woostock em 1969 (Nova York), Altmont  Speedway  Free Festival em 1969 (Califórnia), California Jam de 1974 (ao qual a estrelinha Ritchie Blackmore resolveu tacar fogo na parede dos amplificadores, onde o Deep Purple teve que sair às pressas de helicóptero para não ser preso pelas autoridades locais) e do ano de 1978 também que teve um menor burburinho, além do Ontario Motor Speedway neste mesmo ano de 1978(Los Angeles). A Califórnia parece ser o estado americano da contra-cultura e o US Festival foi o exemplo da tentativa de desligamento dos festivais de espíritos filantrópicos (ingresso unitário por U$20), onde foi realizado numa imensa área no Glen Helen Regional Park (em San Bernardino), que pretendia fazer uma aliança entre tecnologia e música. O patrocinador do evento era simplesmente Steve Wozniak, que em outrora foi um dos CEO´s da Apple junto com Steve Jobs.

O conceito do US Festival era a fazer uma aliança entre tecnologia e música.

A primeira edição foi em 1982 e ambas as edições tiveram várias tendas espalhadas com tudo de mais moderno em termos de tecnologia de softwares, computadores, equipamentos musicais e etc, mas que infelizmente trouxeram um prejuízo financeiro grande de cerca de 4 milhões de dólares aos realizadores (nesta versão megalomaníaca de 1983 o prejuízo foi de 10 milhões). Na época não existia Iphone, se é que me entendem. Foi um festival atemporal que tiveram duas mortes, 102 prisões e ainda uma ideia maluca de Wosniak em colocar um “disco voador”, suspenso por um helicóptero pairando no ar, meio que perdido (detalhe do local ser numa área deserta com poeira que fazia uma poluição estridente e deixava os músicos bastante empoeirados) voando pelo local, onde apareceu uma foto de um homem no telão vestido com um terno de papel alumínio fazendo alusão a um extra-terrestre com voz de marciano e tudo, dizendo que veio de outra galáxia coletar as boas experiências da terra, afim da harmonia e paz universal . Isso chegou a inspirar Joe Strummer (The Clash) a chamar e apelidar Wozniak de “Moonie” (seria algo como “lunático”?). Essa referência citada inicialmente no texto ao RIR foi por conta do sonho despertado com intuito da parceria, pois sabemos de inúmeros entraves, mas que a persistência de Medina fez realizar esse sonho impossível em se tornar realidade e acredito que este festival californiano o ajudou muito nessa perseverança.

Ingresso unitário a módicos 20 dólares.

O flyer do festival tinha traços do arco-íris, mas nem existia essa causa do LGBT e, por mais que saibamos do Rock ainda ser uma instituição machista, podemos perceber os trejeitos do Rob Halford nos vídeos dando pinta do homossexualismo, mesmo sem a banda Judas Priest estar com as roupas de couro pesada, mas a indústria fonográfica induzia a não ser revelado (anos após isso, o próprio Halford anunciou que se ele revelasse tudo seria um transtorno para o mundo Rock e a imprensa parou de perturbá-lo). Esse “Dia do Metal” reuniu cerca de 370 mil headbangers, ao qual desconheço outro dia exclusivo em qualquer festival de heavy metal pelo mundo afora que tenha reunido mais pessoas. Sabemos do Rod Stewart na praia de Copacabana com cerca de 3,5 milhões de pessoas e Rolling Stones no mesmo local com 1,7 milhões, porém ambos não são heavy metal. Em 1984, iniciei a faculdade e para minha surpresa uma menina da minha sala veio com a camisa do festival, onde avisou que entrou na incumbência de trabalhar gratuitamente na limpeza em troca de assistir o festival (eu queria comprar aquela camisa mesmo não cabendo em mim, mas não obtive êxito). Ele sacudiu o mundo headbanger!

QUIET RIOT

Vamos ao que interessa! Abrindo o festival e, em casa, veio a então promissora Quiet Riot, que colhia frutos do recente terceiro trabalho “Metal Health”, que já tinha vendido cerca de 6 milhões de cópias e entrado como as mais tocadas nas paradas de sucesso. A banda tinha certo destaque por já ter contado com o falecido mago das seis cordas, Randy Rhoads (consagrado na banda de Ozzy Osbourne, que também fazia parte do festival), a linha excepcional do baixista cubano Rudy Sarzo e o carisma e energia de Kevin DuBrow (R.I.P) que convocou a galera da cena de Los Angeles, que era forte na banda e veio em peso prestigiar seus ídolos e curtir o dia magnífico. A banda ficou bem conhecida mundialmente com a versão maravilhosa do Slade chamada “Cum On Feel The Noize”. Completavam o line-up  o baterista Frankie Banali (falecido em 20 de agosto de 2020) e o magnífico Carlos Cavazo, onde destrincharam um set de cerca de 40 minutos com um calor bem atenuante.

*Set List: “Danger Zone”, “Run for Cover”, “Love´s a Bitch”, “Cum on Feel the Noize”, “Slick Black Cadillac”, “Let´s Get Crazy”, “Battle Axe/Guitar Solo”, novamente “Let´s Get Crazy” e “Metal Health (Bang Your head)”.

MOTLEY CRUE

Na sequência veio o quarteto hollywoodiano, Motley Crue, já com seu visual Glam Metal ou Hair Metal como alguns intitulam, mas ainda sem as badalações e carisma mulherísticos e baderneiros como posteriormente ficaram conhecidos, mesmo que habilidosos em seus instrumentos. Imagina subir ao palco às 13:30hs, com um calor infernal e aquela maquiagem pesada! Antes de iniciar o set, uma mulher pediu para galera recuar um pouco devido à um certo frenesi. Vince Neil (vocal) com aquele visual sex appeal loiro platinado, se esgoelava às vezes saindo um pouco de tom nos 45 minutos de apresentação (relatos de estímulo de whisky Jack Daniels e pílulas suspeitas foram reveladas depois na surdina), brincava com o público, pegava máquina fotográfica e tirava fotos (era de rolo de filme já que as digitais não existiam nessa época) fazendo aquele verdadeiro entretenimento. Mick Mars fazia sua guitarra relinchar tamanho riffs de sua Gibson Les Paul, principalmente na maravilhosa “Live Wire” mesmo com a introdução enche-lingüiça do solo de batera, que levou o público à loucura. Nikki Six com seu baixo num groove galopante e Tommy Lee com sua batida de metrônomo fizeram a alegria da galera e também da banda, já que até então nunca haviam feito um show daquela proporção. Eles tocaram alguns singles do então novo álbum que seria lançado dali a duas semanas, que foi o aclamado e renomado “Shout at the Devil”. Saíram do palco após “Live Wire” para voltarem com o estranho bis (por conta da voz de Vince Neil) e cheio de riffs de “Helter Skelter” dos Beatles. Com certeza esse festival ajudou a banda a abrir a porteira da consolidação de seu nome no mundo heavy metal.

Set List: “Take Me The Top”, “Looks That Kill”, “Bastard”, “Shout at the Devil”, “Merry-Go-Round”, “Knock ‘em Dead, Kid”, “Piece of Your Action”, “Live Wire” e “Helter Skelter” – cover dos Beatles)

OZZY OSBOURNE

A próxima atração foi nada mais, nada menos que nosso madman, Ozyy Osborne,  subindo ao palco ainda de dia (cerca de 15hs local), onde ainda estava num processo depressivo por conta de seu amigo, parceiro e guitarrista Randy Rhoads, falecido no ano anterior, que parecia ainda ter uns relapsos de memória, mas que revelou outro monstro das seis cordas como substituto que foi o carismático, talentoso e performático Jake E. Lee. Ozzy sempre revelou bons guitarristas, ou excelentes se preferirem, mas também só fera no seu line-up. Tommy Aldridge teve seus minutos de fama com seu característico solo que depois de um tempo larga as baquetas e bate com as mãos nos tambores e pratos. Contou ainda com Don Airey (teclado) e o australiano Bob Daisley (baixo), ambos muito conhecidos pelo trabalho com o Rainbow (se bem que Bob já tinha colaborado com ele no Black Sabbath e também no Uriah Heep , Gary Moore entre outros e Airey com Deep Purple, Black Sabbath, Whitesnake, Yngwie Malmsteen e outros tantos). O “comedor de morcego” de bobo não tem nada. Ozzy cantou sem camisa e com uma calça creme cheia de tiras pretas como de um cowboy místico, com aquela voz melancólica, mas que soa maravilhosamente bem com suas músicas (comparando tecnicamente com Dio e Gillan que já foram vocais do Black Sabbath, acho que concordariam que ele seria o mais fraco tecnicamente falando, mas não tem como deixar de ser a referência da banda), num set de 65 minutos (tem bootlegs de áudio com esse tempo, mas de vídeo não conheço completo e nem pesquisei). Falaram na época que ele subiu no palco com três úlceras, por isso parecia meio pálido e tal, mas sendo verdade ou não, com saudade ou não de seu parceiro musical e amigo, foi um show inesquecível como sempre o fez até os dias atuais, estando debilitado ou não.

Set List: “Over The Mountain”, “Mr. Crowley”, “Over The Mountain”, “Crazy Train”, “Suicide Solution”, “Revelation (Mother Earth)”, “Steal Away (The Night)”, “Drum Solo”, “I Don’t Know”, “Flying High Again”, “Fairies Wear Boots“, “Iron Man”, “Children Of The Grave” e “Paranoid”.

JUDAS PRIEST

Seguindo a programação, vieram os ingleses do Judas Priest, que os americanos ainda não absorviam a importância da NWOBHM e lembrando que o ápice pop do momento era o movimento New Wave (de muitas bandas inglesas), que por sinal neste chamado “Day of Metal”, muitos acham ter sepultado um pouco do estilo (lembrando que o B-52 fez muito sucesso aqui no RIR de 85, mas era banda americana). Ainda era dia e de muito calor, a banda já tinha lançado quase um ano atrás seu magnífico “Screaming for Vengeance”, numa performance antológica de praticamente uma hora de espetáculo que deixou o público em êxtase pedindo pra ficarem mais no palco, incluindo aí um fã ensandecido que invadiu o palco quase no fim e agarrou Halford. Quem vivenciou um pouco antes deste período, viu grande ênfase em mostrar conhecimento do instrumento através das longas passagens do rock progressivo no início dos anos 70, do “pop” da discoteca que sufocou o estilo no meado desse período, da vinda do punk em 77, tudo isso enforcando a cena Heavy Metal, que por muitos teve o cenário por um fio segurado pelo Judas Priest e ACDC, até a chegada da NWOBHM e depois o Thrash, Speed e Black Metal. Tocaram com um visual com predominância preta e prata de tachinhas sem aquele peso do couro que foi marca registrada (duvidaria agüentar tamanho calor). Seguindo a “World Vengeance Tour”, Rob Halford (vocais), Glen Tipton (guitarra), K.K.Downing (guitarra), Ian Hill (baixo) e Dave Holland (bateria) detonaram com seus pseudos clássicos numa grandiosa apresentação que podemos apostar que os verdadeiros fans não se enjoam de assistir até hoje! Um paredão de amplificadores Marshall, com a batera de Dave numa espécie de mezanino, deu uma amplitude imensa para as nuances de palco da dupla de guitarras, que sempre se alternam nos solos, com um som bem limpo e pesado de todos os instrumentos, além de todo profissionalismo da equipe de som que estava cristalino. Atemporal!

Set List: “Electric Eye”,”Riding on the Wind”,”Heading Out to the Highway”,”Metal Gods”,”Breaking the Law”,”Diamonds & Rust(Joan Baez cover)”,”Victim of Changes”,”Living After Midnight”,”The Green Manalishi (With the Two Prong Crown -Fleetwood Mac cover),”Screaming for Vengeance” e “You’ve Got Another Thing Comin'” Hell Bent for Leather”

 

TRIUMPH

Já no fim do entardecer, foi a vez da apresentação do trio canadense, Triumph, muito aguardado pelo público e estrategicamente programado neste intervalo para acalmar os ânimos, devido a apresentação arrebatadora dos ingleses. Estavam com seu recente álbum “Never Surrender” lançado naquele ano com músicas como “Magic Touch” de carro chefe, mas com sucessos universais como “Alied Forces” que qualquer fã de boa música adora, seja de vertente do rock progressivo como do hard rock. A banda teve início no ano de 1975, perdurando até 1993, sem conseguir se desligar da sombra de ser taxado como “clone” no conterrâneo Rush, seja por ser um trio ou oriundo do mesmo país já que o som era bem diferente de ambas e excelentes bandas. Eu particularmente diria que o som é mais próximo da inglesa Budgie. Com visual típico de roqueiros bem comportados, o excelente trio já começou detonando com o sucesso de “Alied Forces”, com a voz e agudos predominantes do baterista Gil Moore ao qual o guitarrista Rik Emmett emendou no fim,  dedilhados para introdução da maravilhosa “Lay It on the Line”, dessa vez cantada por Rik (até hoje não sei qual é a melhor voz, mas este é o vocal principal). O som mais suave, porém bem executado pela banda, gerou um DVD que muitos reclamaram por ter várias cenas viradas para o público e ser de dia, o que trás uma perda muito grande já que a banda usa bastantes artifícios de pirotecnia, luzes de palco e lasers. Alguns “haters” chegaram a insinuar que a guitarra de Rik não estava tão limpa (exceto no solo de “Rock&Roll Machine”), mas a batera de Gil e guitarra e teclado de Mike Lavine, estavam na pegada de sempre. Depois de “Rock&Roll Machine”, teve uns solos de Rik e sua Gibson de Les Paul por quase sete minutos (famoso enche lingüiça), para em seguida vir com uma “slide” guitar e tocar “When the Lights Go Down” e finalizar como um bis a reflexiva e longa “Fight the Good Fight”. Foi quase uma hora de um show instigante onde mudaria um pouco o set list das oito músicas executadas, para inclusão de outras como “Hold On”, “Say Goodbye”, ”Magic Touch” e ”Fool For Your Love” e da “lingüiça” faria um bom churrasco que acredito todos gostarem mais!

Set List: “Alied Forces”,” Lay It on the Line”,” Never Surrender”,” Magic Power”,” A World of Fantasy”,” Rock & Roll Machine”,” solo Rik”,” When the Lights Go Down” e ” Fight the Good Fight”.

SCORPIONS

Já no início da noite, por volta das 20hs, foi a vez da apresentação dos alemães do Scorpions. A banda já era bem famosa, de hits alucinantes, com aquele disco ao vivo maravilhoso e que era muito cobiçado na época (Tokyo Tapes) e o não menos maravilhoso e aclamado álbum “Blackout” lançado no ano anterior e desde então de grande sucesso mundo afora, que como uma carta na manga já foi a música de abertura. Vou fazer uma comparação esdrúxula: sempre falei que numa decisão de pênaltis entre dois times de futebol, os melhores batem primeiro. Nessa época era costume os melhores baterem no final e por muitas vezes seus companheiros perdiam antes e os craques acabavam nem batendo, onde muitos os criticavam pela abstenção. Até hoje temos essa polêmica! O que quero dizer com isso: A própria indústria fonográfica começou a colocar (na era do CD), as músicas de melhor apelo comercial (no sentido de agradar o fã do estilo e não das rádios) no início dos discos e isso acabou de certa forma também em fazer as bandas levarem alguns clássicos para iniciarem os shows. Quem viveu essa era foi capaz de enxergar este fato ou somente com esse toque? Os escorpiões teêm bagagem e “expertise” já que foram criados em 1964 e sabiam desde então fazer um excelente entretenimento e começaram com essa “porrada”. Foram cerca de 70 minutos de momentos delirantes, com sucessos atrás de sucessos, a dupla de guitarristas (Rudolf Schenker e Mathias Jabs), respectivamente base e solo, tinha uma sintonia e harmonia que deixava qualquer um embasbacado, que juntado ao baixo marcante de Francis Bushholz com o performático alinhamento naquele balanço sincronizado dos três e algumas vezes com o vocalista Klaus Meine participando também, fazendo o verdadeiro quarteto fantástico. Enquanto isso o emblemático baterista, Herman Rerebell, dava toda estrutura para eles. O visual era daquele mesmo quando se apresentaram no primeiro RIR, espalhafatoso e por ser uma performance de noite, os efeitos das luzes davam um dinamismo que era festa para os fotógrafos presentes. Aquele talk-box muito difundido nos anos 70 pelo então famosíssimo Peter Frampton, era bastante executado pelo caçula da banda (Mathias Jabs) que dava um brilhantismo (não estou falando dos maconheiros de plantão) à apresentação, que tenho certeza que serviu de influência dos especialistas que ajudaram nosso amigo a fazer e chamar esses germânicos para abrir a porteira do rock no Brasil. Um espetáculo com um set list caprichado. Quem viu, viu!

Set List: “Blackout”,” Don’t Make No Promises (Your Body Can’t Keep)”,” Loving You Sunday Morning”,” Make It Real”,” Lovedrive”,” Coast to Coast”,” Always Somewhere”,” No One Like You”,” Can’t Live Without You”,” He’s a Woman – She’s a Man”,” Another Piece of Meat”,” Dynamite”,” The Zoo” e “Can’t Get Enough”.

VAN HALEN

Chegada a vez da cereja do bolo! Os americanos do Van Halen, do magnífico guitarrista holandês Eddie Van Halen (R.I.P), do performático vocalista David Lee Roth, além do baterista e irmão Alex Van Halen e do baixista Michael Antony. Existe um livro escrito por Greg Renoff chamado “A Ascensão do Van Halen” que tem como direcionamento os dizeres de “como uma banda de festas do sul da Califórnia salvou o heavy metal” que recomendo a todos de lerem para entender o que citei também anteriormente sobre o rock estar por um fio no fim dos anos 70. Um fato pitoresco desse festival, foi quando a banda The Clash, que também tocava no evento mas em outra data, começou a blefar o verbete de ser contra o sistema burguês (capitalista) e exigir donativos para instituições de caridades que caso contrário não subiriam ao palco. Então, o chefe Wozniac, colocou no telão o cheque de 500 mil dólares pagos à banda (no dia do show deles), jogando como linha dura, que desmascarou os punks e causou um burburinho enorme. Dentre esses burburinhos, o Van Halen descobriu que David Bowie ganharia o mesmo cachê que eles (no caso 1 milhão de dólares), e os caras que mandavam no momento tinham uma cláusula contratual desse show que ninguém poderia ganhar igual ou superior a eles. Quando resmungaram e mostraram o contrato ao “The Boss”, este reconheceu a mancada e pagou 1,5 milhões de dólares para a banda. Juizado de Pequenas Causas instantâneas! O porta voz do The Clash, Joe Strummer, causou este conflito que gerou um estresse principalmente com David Lee Roth e houve trocas de farpas verbais entre eles e que para um guitarrista do nível do Eddie, que mesmo dentro da calmaria de um gentleman, o fez declarar que o movimento punk faz parecer o som da garagem dele quando era criança. Roth estava bastante embriagado quando subiu no palco e em determinado momento do show, um anão travestido de garçom com paninho em punho e tudo, veio com uma garrafa de whisky na mão e educadamente Roth falou para ele tomar o primeiro gole e este assim o fez, onde prontamente Michael Antony largou seu baixo e veio virar pela goela abaixo do baixinho, que assim passou para Roth que fez o mesmo gesto e a galera delirou. Ele então aproveitou dizendo que era um whisky real jogando ‘pilha” que o  The Clash colocava Ice-T dentro da garrafa do Jack Daniels e o público gritou ensandecido por conta da mancada dos punks ingleses. O vocalista ficou tão bêbado que esquecia algumas letras e chegou a interagir com o público e falar que transaria com a namorada de um fã que jogou um objeto no palco. Claramente se via um sorriso amarelo dos integrantes, principalmente do simpático e sorridente guitarrista que parecia bastante incomodado com o dinheiro mais fácil que tinham conseguido, mas que no decorrer do espetáculo foi claramente contornado. Começaram com “Romeo Delight”, que Roth já se atrapalhou com a letra, seguindo com solos de bateria e baixo e o clássico “Runnin With The Devil” para delírio do público e relaxar um pouco o guitar hero, já que é uma aula de técnica e onde pareceu ficar soltinho na performance. Tocaram os famosos covers  “You Really Got Me“ do The Kinks e “Oh, Preety Woman” do Roy Orbison (que ficaram mais conhecidas por eles do que na versão original), emendando outro clássico “Dance The Night Away”, que literalmente fez o público rodopiar literalmente ao pé da letra. Para resumir o show de mais de duas horas de espetáculo, o entorno do cara que revolucionou a técnica da guitarra (lembro que por muitos anos o guitarrista inglês da banda Yes, o australiano Steve Howe, ganhou o prêmio de melhor guitarrista pela conceituada revista “Guitar Player” (se não me falha a memória por 7 anos consecutivos até aparecer esse mago holandês)) e seus excelentes coadjuvantes fecharam o “Heavy Metal Day”magnificamente.

Definitivamente a banda sacramentou sua marca na história do rock neste festival, vindo a consolidar mais ainda no ano seguinte ao lançar o álbum “1984”. Aqui no Brasil, começava a se abrir a porteira do heavy metal, pois neste mesmo ano de 1983, aportou simplesmente a banda Kiss, naquele grandioso show no Maracanã, que fez vir gente de todo canto do país. Esqueci de comentar; David Lee Roth, tocou no show com uma calça preta (somente no Bis) com lantejoulas brancas nas laterais e as nádegas desnudas (porém um uma tira tapando o “rego”), numa típica imitação da vestimenta do Ney Matogrosso (fora a eterna discussão do Kiss ter usado maquiagem por conta dele e agora temos mais essa intriga que até então nunca ouvi alguém insinuar na coincidência com o vocalista do Secos&Molhados). Este festival ficou marcado para muitos como o marco definitivo do Heavy Metal, inclusive com muitas inspirações para os músicos que fizeram o metal pesado no Brasil. US FOREVER!

Set List: “Romeo Delight”,” Unchained”,” Drum Solo”,” The Full Bug”,” Runnin’ With the Devil”,” Jamie’s Cryin’”,” So This Is Love?”,” Little Guitars”,” Bass Solo”,” Dancing in the Street (Martha Reeves and the Vandellas cover)”,” Somebody Get Me a Doctor (With “Girl Gone Bad” snippet and “I’m So Glad” by Cream snippet)”,” Dance the Night Away”,” Cathedral”,” Secrets”,” Everybody Wants Some!!”,” Ice Cream Man (John Brim cover)”,” Intruder”,” Oh, Pretty Woman (Roy Orbison cover)”,” Guitar Solo (Including “Eruption” + ” Spanish Fly” + “Little Guitars” & “Mean Street” (Introductions)”,” Ain’t Talkin’ ‘bout Love”,Bis: ” Growth”, “Bottoms Up!” e “You Really Got Me”..

Mosh Live · News · Reviews

Postado em julho 15th, 2023 @ 08:54 | 789 views
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